7 de julho de 2011

HOMENAGEM À ANA MONTENEGRO E AO PCB NA CÂMARA MUNICIPAL DE SALVADOR

imagemCrédito: PCB


Bahia

Na próxima quarta-feira, 06 de julho, às 19 horas, no Plenário Cosme de Farias da Câmara Municipal de Salvador, ocorrerá uma cerimônia especial, comemorativa dos 89 anos do Partido Comunista Brasileiro (transcorrido no último dia 25 de março) e uma homenagem à histórica militante comunista baiana Ana Montenegro.

A sessão convocada pela Vereadora Marta Rodrigues (PT) contará com a presença de parlamentares, personalidades da vida acadêmica e lideranças sociais e políticas, como a Professora Ana Alice Alcântara Costa, do Núcleo de Estudos Interdisciplinares Sobre a Mulher (NEIM), a Senadora Lídice da Mata, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), o Professor e Historiador Muniz Ferreira e Ivan Martins Pinheiro, Secretário Geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Na ocasião, Dinarco Reis Filho, presidente da Fundação Dinarco Reis, fará a entrega da medalha da Fundação a um representante da familia de Ana Montenegro.

Ana Montenegro. Ana Lima Carmo nasceu na cidade de Quixadá, no Ceará, no dia 13 de abril de 1915. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela antiga Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro). Ao chegar à Bahia, em 1944, participou de uma das primeiras invasões da cidade, a Corta Braço. Entre os anos de 1944 e 1947, trabalhou nos periódicos O Momento e Seiva, ambos editados em Salvador. Em 2 de Julho de 1945, filiou-se ao PCB, pelas mãos do grande líder comunista Carlos Marighella. Ativista do movimento feminino, foi fundadora da União Democrática de Mulheres da Bahia, em 1945, onde atuou até 1964, quando se exilou. Também participou da fundação da Federação de Mulheres do Brasil – organização ligada ao PCB; da Liga Feminina do Estado da Guanabara, criada em 1959; e do Comitê Feminino Pró-Democracia.

Teve papel ativo na criação do jornal Momento Feminino, editado por cerca de 10 anos, a partir de 1947, pelo movimento de mulheres comunistas. Colaborava, então, com jornais cariocas como Correio da Manhã e Imprensa Popular. Participou ativamente da Comissão Feminina de Intercâmbio e Amizade e da Liga de Defesa Nacional Contra o Fascismo. De 1959 a 1963, foi cronista da Rádio Mayrink Veiga. No ano seguinte, assumiu o cargo de redatora da revista Mulheres do Mundo Inteiro, editada em francês, alemão, espanhol, árabe, inglês e russo. Assinava seus artigos com o pseudônimo de Ana Montenegro, nome que depois adotou definitivamente. Dentro do PCB, participou da Frente Nacionalista Feminista desde meados dos anos 50 até o golpe militar de 1964.

Com a ascensão dos militares ao poder, foi à primeira mulher brasileira a ser exilada, passando a residir no México, de onde seguiu para a Europa. Durante o exílio, trabalhou em organismos internacionais, como a ONU e a UNESCO, tendo participado de congressos, conferênciais e seminários pelo mundo. Foi redatora da Revista Mulheres do Mundo Inteiro, órgão da Federação Democrática Internacional de Mulheres. De 1964 a 1979, foi membro da Comissão da América Latina da FDIM. Com a redemocratização do país, em 1979, Ana Montenegro voltou do exílio, vindo morar em Salvador. Reintegrou-se à luta feminista e, como ativa militante, foi convidada a participar do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, gestão 1985/1989.

Durante a sua trajetória, publicou diversos livros, como Ser ou Não Ser Feminista (1981), Mulheres – Participação nas Lutas Populares (1985), Tempo de Exílio (1988), Crônicas e Poemas (1995) e Uma História de Luta (sobre Carlos Marighela). Entre seus ensaios contam-se Simon Bolívar, O Papel da Universidade, Esterilização, Contracepção e Efeitos Democráticos, O Papel da Advogada na Comunidade, Pelourinho, Entre o Colorido das Paredes e a Injustiça Social e Mulher e Constituinte.

Por sua atuação política, Ana recebeu os títulos de Cidadã de Salvador e de Cidadã Baiana. A Câmara dos Deputados lhe conferiu o título de Mulher Cidadã e, em 2002, recebeu o Prêmio Nacional dos Direitos Humanos do Governo Federal. Foi indicada, juntamente com outras 51 brasileiras, para integrar a lista das “1000 mulheres para o Prêmio Nobel da Paz 2005”.

Ana Montenegro faleceu no dia 30 de março de 2006, aos 90 anos, de falência múltipla dos órgãos. Boa parte de seu arquivo particular está no Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA.

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Oleh

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1 comentários:

comentários
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26 de julho de 2011 21:30

To procurando pessoas que possam me ajudar...

Olá,
Busco alguem da época da Ditadura Militar que possa me prestar informações sobre o meu pai Boanerges Alves Dias (primo de Giocondo Dias) trabalhou no jornal o Momento (salvador-Ba), integrante do PCB. Foi preso diversas vezes, perdeu o direito de se aposentar, etc.. Busco formas / evidencias de comprovar o seu direito...

Ícaro Dias (071)8836-7195

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