terça-feira, 3 de março de 2015

VII Congresso da União da Juventude Comunista - etapa mineira


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As FARC-EP propõem debate Nacional sobre Justiça e crimes de Estado



Boletim de imprensa N° 52
Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015 Escrito por Delegação de Paz das FARC-EP
Havana, Cuba, sede dos diálogos de paz, 26 de fevereiro de 2015
As FARC-EP propõem debate Nacional sobre Justiça e crimes de Estado
Nos distanciamos do tratamento reducionista e punitivo de nossa ação guerrilheira”
No marco de suas dez propostas mínimas referentes aos Direitos integrais das vítimas pela paz e pela reconciliação nacional, as FARC-EP se pronunciaram nesta quinta-feira sobre os subpontos 3, 4 e 5 da proposta mínima 8.
O Comandante Pablo Catatumbo precisou: “Compreendemos as dificuldades do Estado em exercer justiça, não apenas por seus problemas de legitimidade e pela necessária atenção ao direito internacional, mas pela circunstância de ser ele mesmo o responsável máximo e não só seus agentes”.
No mesmo sentido, se referiu às responsabilidades do governo dos Estados Unidos, empresários, partidos políticos, Forças Armadas, meios de comunicação, entre outros, e manifestou a disposição da insurgência em participar de forma direta na organização de um debate público no que concerne ao tipo de justiça aplicável ao que se relaciona aos crimes de Estado.
A organização insurgente reiterou seu caráter político-militar indicando que: “Isso presume que toda nossa ação guerrilheira em diferentes circunstâncias e momentos deve ser respeitada no marco do exercício do direito à rebelião”.
O Comandante assinalou… que as Farc repudiam “todo propósito de tratamento reducionista e punitivo de nossa ação guerrilheira”. Além disso, enfatizou que deve existir um reconhecimento de sua atuação como Estado de fato em muitas áreas da geografia nacional, e que deve ser considerada sua normativa interna, assim como as normas que regulam suas relações com a população civil.
O que o Estado não foi ou não pode ser em matéria de justiça, não pode pretender sê-lo ao levar a cabo um processo de paz”, pontuou.
Escritório de imprensa da Delegação de Paz das FARC-EP
Fonte: http://www.pazfarc-ep.org/index.php/noticias-comunicados-documentos-farc-ep/boletin-prensa/2491-farc-ep-proponen-debate-nacional-sobre-justicia-y-crimenes-de-estado
Tradução: partido Comunista Brasileiro (PCB)
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Prêmio Nobel da Paz denuncia e repudia interferência dos EUA na Venezuela



Diário Liberdade
O argentino Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz em 1980, denunciou a interferência e tentativas de desestabilização do governo dos Estados Unidos contra o presidente Nicolás Maduro e o povo da Venezuela.
Em entrevista à Radio del Sur na última terça-feira, Pérez Esquivel afirmou que, após tentar derrubar o então presidente Hugo Chávez, agora os EUA pretendem fazer o mesmo com Maduro, a quem praticamente não deixaram governar mesmo antes do começo de seu mandato, para que não possa avançar com suas políticas.
Destacou o caráter totalmente subserviente da direita venezuelana aos interesses do imperialismo estadunidense. "Me preocupa muito a situação na Venezuela, a oposição deveria se sentar para dialogar com o governo e permitir a governabilidade e não se deixar manipular pelos interesses externos dos EUA e das transnacionais."
Ele pediu união das nações latino-americanas para enfrentar os interesses dos Estados Unidos, que se consideram donos dos países latino-americanos e que nos consideravam seu quintal. "Eu espero que os povos estejam conscientes e não permitam que nos transformem em colônia dos EUA... Washington irá defender seus interesses na região e não lhe interessam os meios a serem utilizados para isso", disse. Deste modo, os EUA não buscam, com suas ações, defender os povos, mas dominá-los, completou.
Pérez Esquivel lembrou do histórico de golpes na região patrocinados pelos Estados Unidos. "O intervencionismo estadunidense na América Latina é histórico, todo governo opositor ou que tenha certa independência é atacado pelos EUA e não se pode esquecer que este país é responsável por impor ditaduras militares em todo o continente", lembrando os casos recentes em Honduras, onde foi instalado um regime títere dos EUA, e também do Paraguai.
"Fizeram a mesma coisa no Paraguai quando derrubaram Fernando Lugo através de mentiras, e assim também desestabilizaram o governo de Hugo Chávez. Agora está acontecendo algo parecido com Nicolás Maduro: mas assumiu a presidência e não o deixam governar um dia sequer porque começam e tentar denegri-lo e enfraquecer sua gestão para que as políticas que a Revolução vem desenvolvendo não possam avançar", afirmou.
http://www.diarioliberdade.org/artigos-em-destaque/408-direitos-nacionais-e-imperialismo/54515-pr%C3%AAmio-nobel-da-paz-denuncia-e-repudia-interfer%C3%AAncia-dos-eua-na-venezuela.html
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segunda-feira, 2 de março de 2015

PCB não participa de atos governistas



Está sendo convocado, na internet, para o dia 13 de março, um conjunto de atos públicos, com extensa pauta. Entre as diversas entidades e partidos políticos que assinam a convocação, na versão que vem sendo veiculada, consta, ao lado do PT e outras agremiações que se situam no campo governista, o Partido Comunista Brasileiro.
Nesse sentido, a Comissão Política Nacional do PCB vem a público comunicar que o partido não participará desse ato e, portanto, não autoriza a inclusão de nossa sigla na lista de entidades promotoras.
Nos próximos dias estaremos divulgando uma nota política sobre as razões de nossa não participação nesses atos e sobre os temas neles referidos.
PCB – Comissão Política Nacional
Rio, 27 de fevereiro de 2015
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“Que ninguém tenha dúvidas: nosso propósito é o socialismo”

(Entrevista do Comandante das FARC, Iván Márquez, em Cuba)
Por Carlos Aznárez (de Havana, Cuba), Resumen Latinoamericano, 25 de fevereiro de 2015.- A Resumen Latinoamericano dialogou, em fins de fevereiro, em Havana com o Comandante das FARC-EP, Iván Márquez, que preside a Delegação guerrilheira na Mesa de Negociações com o governo colombiano.
O chefe insurgente deu um amplo panorama sobre o momento pelo qual passam as conversações de paz e insistiu na necessidade de avançar para uma Assembleia Nacional Constituinte.
- Há mais de um ano e meio do início das negociações de paz, qual é o seu balanço sobre o quanto se avançou e o quanto falta para concretizar a estratégia defendida por vocês neste âmbito?
- Creio que avançamos de maneira suficiente. Já temos em nosso poder três acordos parciais: um, sobre terras, outro sobre a participação política, e um referente a um tema muito complexo, o uso de drogas ilícitas. Entretanto, ainda ficaram para uma discussão posterior 28 observações, todas elas de muita importância.
- Você pode nos dar um exemplo destes temas pendentes?
- Está o problema do latifúndio, que o governo colombiano não quis abordar porque, segundo sua argumentação, pensa que uma medida desta natureza poderia despertar de novo os demônios do paramilitarismo. E, também, uma resistência do governo em aceitar uma proposta nossa de colocar um limite à estrangeirização da terra. Outro aspecto fundamental se vincula à exploração mineral-energética e seu impacto socioambiental.
De nossa parte, fazemos todo o possível para que estas pendências não sejam lançadas ao fogo do esquecimento, como parece pretender o governo. Entre os pontos pendentes, está a expansão da democracia para a paz. Nesse sentido, insistimos na necessidade do Estado deixar definitivamente para trás a Doutrina da Segurança Nacional, a concepção do inimigo interno e resolver de uma vez por todas o fenômeno do paramilitarismo. Que ninguém na Colômbia seja perseguido por suas ideias e, muito menos, assassinado. Estes são temas fundamentais para a Colômbia dar passos ao futuro. Além disso, é necessário adiantar reformas estruturais, como a política do sistema eleitoral e uma reclamada por todo o país: a reforma do sistema jurídico, corrupto, totalmente dependente. Nós pensamos que tudo isto é possível através de uma Constituinte.
- É totalmente correto que os avanços detalhados por você tenham sido produzidos, mas também é verdade que no território colombiano não se modificou grande parte do que na Mesa foi acordado. Qual é a opinião das FARC-EP frente a esta realidade?
- Vemos tudo isto como uma grande incoerência entre a retórica do governo e o que ocorre na realidade. Para somar um pouco às dificuldades, paralelamente, o governo está legislando para revisar coisas que foram aprovadas na Mesa.
- Por exemplo?
- Existe um projeto de lei sobre terras improdutivas, que em lugar de proteger os camponeses sem terra, busca proteger o capital financeiro. Concomitantemente, estamos apresentando um protesto enérgico na Mesa, já que não é possível continuar assassinando defensores dos direitos humanos ou revitimizando as vítimas. Isso ocorreu com muitas das pessoas que estiveram em Havana para pedir que façamos todo o possível para assegurar a paz. No entanto, ao voltarem à Colômbia, foram reprimidas, perseguidas, ameaçadas. Por isso, insistimos em pedir coerência e seriedade ao governo, pois quando se fala de paz, estes fatos não podem ser justificados.
- Recentemente, o governo norte-americano confirmou que um de seus homens, Bernard Aronson, atuará como observador (a pedido do governo da Colômbia) no processo de paz em Havana. Qual a opinião das FARC sobre esta incorporação?
- Vemos satisfatoriamente porque, como se sabe, os Estados Unidos têm um peso muito forte no político, no social, no econômico e no militar da realidade colombiana. Eles têm uma participação muito grande no financiamento da guerra, no fornecimento de equipamentos bélicos e tecnologia de ponta às Forças Armadas oficiais.
Parece-nos que os EUA querem agora se afastar um pouco desta situação que os coloca como impulsionadores da guerra e da discórdia, e empreender esforço em ajudar os colombianos a encontrar a reconciliação.
- Sobre a questão do cessar-fogo: quais são, em seu entender, as razões pelas quais o presidente Juan Manuel Santos não cede à proposta feita pelas FARC de instalar um cessar-fogo bilateral?
- Francamente, não está claro esse argumento de que uma trégua seria aproveitada política e militarmente pela guerrilha para se fortalecer. Não tem nenhum pretexto. Além disso, o cessar-fogo, por agora unilateral, cumprido por nós, tem um sentido humano. Pensamos que enquanto estamos dialogando não tem sentido continuar atirando-nos, matando-nos e que é necessário gerar um ambiente propício para as conversações.
Lamentavelmente, não encontramos uma resposta similar por parte do Presidente. Dizemos que aqui o governo está se comportando de uma maneira equivocada e que deveria fazer prevalecer o princípio de favorecimento da população civil, que significa uma suspensão das ações militares. E até dizemos que com esta atitude estão violando os Protocolos de Genebra em sua mais ampla extensão, porque se trata de evitar novas vítimas.
De toda maneira, creio que Santos está começando a se conscientizar, dando instruções a seus generais e oficiais que farão parte da subcomissão técnica de que se ocupará do assunto do cessar-fogo, para buscarem a maneira de chegar rapidamente a esse objetivo.
- Segundo vocês, o Presidente Santos tem total controle sobre as forças militares oficiais ou existem diferenças nessa área?
- É preciso reconhecer que, em geral, se observa a subordinação das Forças Armadas ao Presidente, porém, ao mesmo tempo, existe uma forte influência negativa por parte da extrema direita liderada por Álvaro Uribe Vélez. Imaginamos que esse assunto deveria estar sendo resolvido.
- Qual é sua versão do ocorrido com o general Alzate, que foi detido e depois libertado pelas FARC?
- O general Alzate é o que realmente ocorreu. Acreditamos em sua palavra, de que não esteve realizando coisas “profanas” no rio Atrato. Existe um grupo de novos oficiais que querem atuar um pouco mais favorecendo as comunidades com ações cívico-militares para tentar recuperar a confiança perdida. É lógico que a população desconfia, como o mesmo Alzate reconheceu, e, por isso, se envolveram neste tipo de ações sociais em uma região tão esquecida como é o Chocó, que não tem energia, nem serviço de água, nem de esgoto e, muito menos, estradas.
Em uma dessas saídas que fez de Quibdó, de seu forte militar, é possível que o general tenha se descuidado um pouco de sua segurança e chegou a um local, onde estavam as FARC. Como ele é o chefe de uma força-tarefa que se dedica a perseguir e bombardear a guerrilha, então foi detido e teve que marchar na condição de prisioneiro.
- Por ser quem era e o cargo que ostentava Alzate, a guerrilha não titubeou em nenhum momento em negociar sua libertação, por exemplo, com a troca de presos políticos?
- O governo se movimentou rapidamente para interceder por ele, e recorreu aos países garantidores do processo (Cuba e Noruega). É claro que estamos a total disposição para gerar condições favoráveis ao processo e, por isso, tomamos a decisão de libertar este general, fazendo o governo perceber que existe uma situação bastante reprovável no interior dos cárceres colombianos vivida pelos presos políticos e pelos prisioneiros de guerra. Os mesmos são mantidos em condições desumanas de superlotação e com a violação de seus direitos. Nós queremos que esses casos sejam visibilizados.
- Existe alguma resposta a essas denúncias?
- O governo mete na cabeça a ficção de que não existem presos políticos na Colômbia, porém os cárceres estão cheios de dirigentes populares acusados, a maioria deles, de terrorismo. Na Colômbia, parece que não existe outra acusação diferente para poder enfraquecer a ação e a força do movimento social e político.
- Voltando ao Presidente Santos, ele disse reiteradamente que é necessário concluir as negociações de paz. Quais são os prazos das FARC para esse fim?
- Efetivamente, os prazos estão um pouco esgotados. Porém, não se pode dizer que o processo não avança por nossa causa. Colocamos sobre a Mesa toda uma constelação de propostas sobre o tema agrário, drogas, participação política e vítimas. Estas são propostas mínimas e são concebidas para obter a aproximação das partes, porém ao governo elas parecem revolucionárias e radicais. É claro, muitas delas são mandatos constitucionais e é um dever do governo aplicá-las. Nós queremos que esta situação mude e não se obstrua a possibilidade de formalizar acordos.
- Existe outro tema chave que é o da Justiça, que na voz do governo se refere a que a guerrilha “pague pelos delitos cometidos”. Ou a cantilena de epítetos descarregada pelo uribismo que a acusa de crimes de lesa humanidade.
- O governo não deve confundir o processo de paz em Havana com um processo jurídico. É preciso buscar soluções políticas ao conflito colombiano. Nós desconhecemos o marco jurídico transicional que o governo tenta sacar diante das Cortes e ante mesmo o Congresso da República. Desta maneira, o acordo geral de Havana, que colocou as duas partes em um mesmo plano de igualdade, está sendo violado. Portanto, embarcar nas aventuras de levar adiante um marco jurídico não acordado, não tem possibilidade de sobrevivência. O que o governo faz é semear o expediente jurídico para terminar o processo com os comandantes atrás das grades. Nós dizemos que não viemos a Havana para sermos presos. Viemos buscar soluções políticas, negociadas, ao conflito colombiano. Agora nos dizem que é impossível evitar o superpoder da Corte Penal Internacional. No entanto, essa Corte não conhece a história do conflito colombiano, nem sequer sabe o que são os latino-americanos. Por isso estamos invocando uma doutrina que se chama a “Margem nacional de interpretação”, que prevê isto que estou dizendo.
- O governo insiste que os responsáveis por situações violentas deverão responder por seus atos.
- Claro, nós sabemos que existem responsáveis. Porém, fazer a opinião pública acreditar que a guerrilha é a máxima responsável, é desconhecer que estamos fazendo uso de um direito universal ao levante armado contra regimes injustos e vergonhosos, que somos uma resposta a uma violência que vem do poder, e isso está perfeitamente demonstrado. Acaba de ser entregue à Mesa o informe da Comissão Histórica do Conflito e de suas vítimas, que apresenta uma visão diferente da utilizada pelo Estado. Um relato que repousa no fundo da verdade para resolver tantas desavenças.
Esta questão dos responsáveis máximos também vem sendo tratada na Mesa de negociações. Por exemplo, dizemos aos militares que estão diante de nós, o general Mora Rangel e o general Naranjo, que para as FARC este sistema transcende aos comandos das distintas forças, envolve o Palácio de Nariño, que é onde estão os mandantes, autores por trás do autor. Também são responsáveis os presidentes, os ministros, os partidos políticos da ordem, os latifundiários que se apropriam de terras a sangue e fogo, através do paramilitarismo. Ou os senhores empresários, por exemplo, os banqueiros como Chiquita Brands ou Drummond, que estão financiando grupos paramilitares, ou setores da agroindústria que se apoderaram de terras que pertenciam a camponeses. Sabe-se que na Colômbia existe o deslocamento forçado de camponeses que se aproxima de 6 milhões. Responsáveis são os grandes meios de comunicação, a Igreja, o setor financeiro, envolvido na lavagem de dinheiro proveniente do narcotráfico. Nós dizemos ao governo: persigam estes que são os que promovem a atividade do narcotráfico. Não concentrem a ação punitiva no elo mais fraco da cadeia que são os camponeses pobres e os consumidores.
Nossa responsabilidade não é a mesma daqueles que causaram este confronto de tantos anos. O nosso é um delito político. O problema é que na Colômbia esse delito foi deformado. Agora, dizemos que se realmente querem que haja uma solução através do benefício do indulto ou da anistia, é preciso reverter o crime político a seu estado natural. De que maneira? Incluindo as atuações da guerrilha como produzidas em função da rebelião.
Também nos dizem que para existir um marco de legalidade em torno dos acordos, e que para que ocorra um fim jurídico definitivo, é necessário os chefes guerrilheiros irem para a prisão. Porém, não mencionam os responsáveis do Estado. Onde estão os presidentes? O próprio ex-presidente Cesar Gaviria disse que: “as responsabilidades são coletivas”. Nós vamos mais além e dizemos que o Estado é a máxima instância de culpa. E acrescentamos: para os guerrilheiros, nenhum cárcere!

- Há outro tema muito controverso e que está relacionado com a entrega das armas. Em que momento se discute concretamente esse ponto?
- Nós fizemos uma abordagem que esperamos seja respondida de maneira positiva pela contraparte. Entendemos como entrega das armas, a sua não utilização na política, e isto não só vale para a insurgência, mas, também, para
o Estado, suas Forças Armadas e policiais. Preocupa-nos muito que a utilização das armas por parte do Estado produza vitimizações coletivas, provocando o aniquilamento de alternativas políticas, decapitação de toda uma geração de revolucionários como aconteceu com os dirigentes e militantes da Unión Patriótica [União Patrótica], que sofreu 5000 mortes. Como aconteceu com “A luchar” [A lutar], com a Frente Popular. As armas que foram confiadas ao Exército para que defendesse as fronteiras pátrias, se voltaram contra o povo, provocando assassinatos e milhares de desaparecimentos. Isso sim é grave, e terão que responder. Resumindo: depois de um acordo de paz, as armas devem fazer silêncio. Complementamos: o Exército deve regressar a sua função constitucional de defender as fronteiras.
- Não é fácil imaginar o caminho de uma organização armada para um movimento político aberto. Como estão pensando isso?
- Muitos nos perguntam se nos vemos fazendo política no futuro. E respondemos que sempre fizemos política. Com armas ou sem armas, sempre estamos em função da política porque temos uma visão de país, temos bandeiras e uma plataforma de 12 pontos que apresentamos quando fizemos 50 anos de existência, e estas são as do Movimiento Bolivariano por la Nueva Colombia [Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia].
Por outro lado, sabemos que apenas a assinatura de um Acordo não vai mudar a situação na Colômbia. O que precisamos é gerar uma situação distinta, de tolerância e de democracia verdadeira. Queremos que todo o nosso povo tenha uma vida digna e que a Colômbia abandone esse terceiro e desonroso lugar ganho por seus índices de desigualdade.
- Suponho que não será fácil discutir com o atual governo o tema da política econômica a ser aplicada no futuro.
- O governo diz que a política econômica não está em questão. E nós nos perguntamos: a política neoliberal tem que primar? Não podemos nos colocar em acordo ao pensar outras políticas que beneficiem os colombianos e deem a eles uma vida digna? Isso é o que estamos exigindo: uma mudança profunda de estruturas.
É claro que ainda existe um caminho a percorrer. E voltando ao que você dizia sobre os tempos, digo que tudo depende da decisão do governo. Se eles atenderem as iniciativas e propostas que estamos fazendo, acreditamos que o processo poderia entrar em uma dinâmica que pode conduzir rapidamente a um acordo final. Agora: nós não queremos que misturem eleições com o processo de paz, pois isso prejudicaria este último. Não desejamos isso. E, por isso, insistimos em rediscutir os pontos pendentes para ver se chegamos a um consenso. Se isto não for possível, esperamos que os mesmos sejam discutidos em uma Assembleia Nacional Constituinte.
- Paradoxalmente, os EUA falam de flexibilizar as relações com Cuba, agora se aproximam da Mesa de negociações entre o governo e as FARC e, por outro lado, castigam a Venezuela duramente, ameaçam de mil maneiras o processo revolucionário encabeçado por Nicolás Maduro. Como vocês analisam este panorama de conflito na América Latina?
- Repetidamente é dito que a paz da Colômbia é a paz do continente. Nós também cremos que a paz a ser alcançada, tem que ser projetada para o resto dos países. Talvez estes problemas que acontecem entre a Venezuela e os EUA possam ser resolvidos pela via diplomática e com respeito, abandonando por parte dos EUA a concepção do “quintal”. É preciso permitir que os governos decidam o rumo que deve ser dado ao destino de seus países.
- Lembro que em uma entrevista que fiz há vários anos com Manuel Marulanda, ele afirmou que a luta das FARC era pela tomada do poder e a construção do socialismo. Pergunto: as FARC de hoje, as que vocês representam, continuam pensando da mesma maneira?
- É claro, continuamos pensando da mesma forma. Estamos tentando avançar para um estágio que permita continuar desenvolvendo essa luta em condições melhores. No entanto, nosso propósito é o socialismo. Que ninguém tenha dúvidas disso. Esse é o sistema que vai nos levar à verdadeira democracia, à justiça social, a uma paz estável e duradoura e, sobretudo, à dignidade. Porque o socialismo é Humanidade.
- Você quer acrescentar algo mais aos nossos leitores do continente?
- Parece-me importante saudar os leitores deste importante periódico, Resumen Latinoamericano, que chega a muitas partes do continente com uma mensagem de resistência que deve ser considerada e que nos abastece com argumentos para continuar travando esta luta necessária por um mundo melhor.
Vídeo da entrevista – Parte 1:
Vídeo da entrevista – Parte 2:
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)
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A desilusão: a hera na lapela



(Blog da Boitempo)
“Toco el diamante,
y lo volvió al carbón,
y al atorrante lo sembró
en la administración”
– Silvio Rodriguez, “La desilusión
Gosto da palavra desilusão. É como fazer o caminho inverso da ilusão, como deixar de se iludir, ou como dizia Alfredo Moffat, desesperar, deixar de esperar. Lenin considerava uma das condições objetivas de uma situação revolucionária quando nos alertava que não bastaria o agravamento extremo da miséria das massas, mas era necessário que a isso se juntasse uma “angustia”, expressando que os trabalhadores não mais acreditariam que suas demandas podiam ser satisfeitas pelos caminhos instituídos numa determinada ordem.
No entanto, sabemos, a desilusão não é necessariamente o caminho para alternativas revolucionárias. No momento em que as ilusões vendidas naufragam no mar agitado da história e na dinâmica concreta da luta de classes, a desilusão funciona como fermento para todo tipo de niilismo, de paralisia, de impotência, condição para que a classe trabalhadora volte a mergulhar na consciência reificada e nas malhas tão eficientes da ideologia, virando presa de alternativas conservadoras.
James Joyce em um de seus belos contos dublinenses, nos descreve a cena de alguns trabalhadores à frente de uma lareira no final de um dia de eleição esperando para receber o dinheiro que lhe prometeram pelo trabalho na captura do voto. Como chovia e fazia frio, eles contornaram a tarefa remunerada para se refugiar no calor da lareira. Traziam na lapela uma folha de hera que lembrava o dia da morte de Charles Steward Parnell (1846-1891), político nacionalista que tivera um papel importante na causa irlandesa no Parlamento. O aniversário de sua morte e a hera na lapela representavam a persistência da luta necessária.
Ocorre que vários deles ali coletavam votos para políticos muito pouco nacionalistas e que sabiam claramente que não os representava, como fica claro numa fala de um deles. Diz o personagem defendendo um candidato operário que havia sido acusado de ser um pobretão:
“Só porque é operário você diz isso? Que diferença existe entre um pedreiro honesto e um negociante, hein? Por acaso um operário não tem direito de pertencer ao Conselho Municipal como qualquer pessoa? Muito mais direito até que esses parasitas que estão sempre de chapéu na mão diante de qualquer aristocrata”.
E completa:
“ele é um homem honesto, livre de qualquer suspeita, vai representar a classe operária. Esse para quem vocês trabalham quer apenas arranjar um bom emprego”.
(“A hera na lapela”, em Dublinenses)
Quando, num determinado momento histórico, uma força política que logrou representatividade e legitimidade diante da classe trabalhadora para representá-la desvia de seu rumo e sofre as auguras do transformismo, ele não perde de imediato a referencia dos trabalhadores, mas estes sabem que há algo errado.
O comandante Ernesto Che Guevara, em um texto em que aborda os problemas do sectarismo, avalia que o principal e mais preocupante efeito dos desvios sectários é a separação entre a vanguarda e as massas. Quando ocorre um desvio, uma quebra dos princípios de uma moral revolucionária (no caso o comandante fala do uso indiscriminado da violência, dos fuzilamentos e perseguições muitas vezes movidos por oportunismos pessoais), por mais que tentemos escondê-lo sob as justificativas de um discurso, por mais que os trabalhadores pareçam aceitar naquele momento, quando, nas suas palavras “nós não sabemos ou não queremos saber das coisas”, é importante destacar que os trabalhadores sabem, sempre sabem.
A consciência de classe é produto de uma fusão que resulta em uma identidade coletiva. É muito mais que uma representação por mandato, é um novo pertencimento no qual um nós se impõe à fragmentação individualista de maneira que os atos de uma vanguarda política são nossos atos, sua fala é nossa fala, seus objetivos são os nossos. Se por qualquer motivo a consciência imediata dos trabalhadores percebe que “eles” agem por seus próprios objetivos e que estes cada vez mais não são os nossos, se produz uma trinca nesta identidade, uma suspeita, e o diamante da consciência se converte uma vez mais em carvão, a consciência conquistada em nova serialidade alienante.
O problema é que na superfície do fenômeno tudo segue aparentemente como estava antes. Os símbolos na lapela, os votos na urna… mas algo se rompeu. Os trabalhadores sabem.
O contra-revolucionário, continua Che, não é apenas o que luta contra as transformações, mas também “aquele senhor que valendo-se de sua influência, consegue uma casa, consegue depois dois carros […] obtém tudo que o povo não tem”, e conclui: “contra-revolucionário é todo aquele que contraria a moral revolucionária”. Não seria um desvio moralista de nosso querido comandante? Cremos que não. Há uma moral revolucionária e quando ela se quebra, algo de muito importante de perde, sem o qual nenhum processo político que se queira emancipatório é possível.
A base dos valores morais são as relações que constituem a produção material da vida. O próprio Che alerta aos que o escutam que eles são muito importantes nas tarefas de defesa (falava aos membros dos Comitês de Defesa da Revolução), mas “menos importantes que o desenvolvimento da economia”. É mais importante ter inhame suficiente do que CDRs, ironiza o dirigente cubano. É verdade, mas as relações humanas, ainda que tenham no ato de produção da vida um momento essencial (Lukács diria ontológico), são amarradas por mediações que se tornam tão essenciais à vida como o alimento e os instrumentos de trabalho sem os quais não vivemos: a linguagem, a arte, os valores que orientam nossa ação.
O problema do moralismo é que ele fragmenta esta unidade do ser social. Acredita que os desvios morais produzem os desvios materiais e, portanto, podem ser corrigidos com pregações moralistas, com atribuição e expiação de culpas. Esta é uma maneira de individualizar e personalizar os desvios. Mas mais que isso, é funcional, pois uma vez personalizado e isolado de suas determinações pode-se estripa-los sem maiores consequências.
O sectarismo, os desvios de conduta, as práticas deploráveis que afastam as formas políticas da classe de onde nasceram são expressão das contradições de uma alternativa revolucionária agindo dentro da ordem jurídica e política instituída que, por sua vez, tem por base, as relações econômicas que constituem uma determinada sociabilidade, mais precisamente de uma alternativa que se rendeu ao pântano do pragmatismo. Mas esta é uma contradição inevitável, uma vez que toda alternativa transformadora deve por princípio atuar na ordem existente para revolucioná-la. É neste ponto que o aspecto ético se torna importante. Não podemos evitar o fato de que temos que atuar num contexto material existente, mas é sempre bom lembrar os objetivos, as metas, os valores que constituem a base da consciência de uma classe que quer e precisa ir além das fronteiras do existente. E nesta dimensão os valores são essenciais.
Os tempos são propícios a transformismos e a ordem se prepara para recompensar os que se rendem. Neste momento, no qual as ilusões fazem água, no qual a desilusão abre seus braços gelados para receber os que se iludiram, precisamos ter muito cuidado. Um amigo latinoamericano (e nesses momentos amigos são coisa muito importante) que trabalha significativamente com mosaicos, transformando os cacos fragmentados em arte e memória, me lembrou de poema de Benedetti. Não sei como evitar a desilusão, nem, como evitar que nossa classe embarque em alternativas conservadoras, mas se você estiver se sentindo sozinho e passar pela cabeça que não há o que fazer a não ser se render a esta ordem de merda… bom, vai aí o apelo poético de nosso camarada Mario Benedetti. Espero que ajude:
Não te rendas, ainda é tempo
De se ter objetivos e começar de novo,
Aceitar tuas sombras,
Enterrar teus medos
Soltar o lastro,
Retomar o vôo.
Não te rendas que a vida é isso,
Continuar a viagem,
Perseguir teus sonhos,
Destravar o tempo,
Correr os escombros
E destapar o céu.
Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio queime,
Ainda que o medo morda,
Ainda que o sol se esconda,
E o vento se cale,
Ainda existe fogo na tua alma.
Ainda existe vida nos teus sonhos.
Porque a vida é tua e teu também o desejo
Porque o tens querido e porque eu te quero
Porque existe o vinho e o amor, é certo.
Porque não existem feridas que o tempo não cure.
Abrir as portas,
Tirar as trancas,
Abandonar as muralhas que te protegeram,
Viver a vida e aceitar o desafio,
Recuperar o sorriso,
Ensaiar um canto,
Baixar a guarda e estender as mãos
Abrir as asas
E tentar de novo
Celebrar a vida e se apossar dos céus.
Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio te queime,
Ainda que o medo te morda,
Ainda que o sol ponha e se cale o vento,
Ainda existe fogo na tua alma,
Ainda existe vida nos teus sonhos
Porque cada dia é um novo começo,
Porque esta é a hora e o melhor momento
Porque não estás sozinho, porque eu te amo
(Mario Benedetti)
Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002) e colabora com os livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil e György Lukács e a emancipação humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas.
Fonte: http://blogdaboitempo.com.br/category/colunas/mauro-iasi/
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21o GRITO D@S EXCLUÍD@S


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Nota do PCB e UJC em Goias sobre as recentes prisoes de manifestantes da luta do transporte




O PCB-Partido Comunista Brasileiro e a UJC-União da Juventude Comunista vem a público prestar sua solidariedade militante aos presos políticos do Estado de Goiás, detidos no dia 26 de fevereiro, por colaborarem com as manifestações populares contra o aumento da tarifa da passagem no transporte público em Goiânia.
As prisões ocorreram de forma completamente autoritária e desmotivada, destacando-se que um dos detidos é moderador da página Desneuralizador, que faz cobertura das manifestações, e cobria o ato espontâneo no Terminal da Praça A.
A capital de Goiás há anos é palco de manifestações populares contra a mercantilização e sucateamento do direito ao transporte público. A atitude dos governos burgueses, sejam eles tucanos ou petistas, sempre foi a mesma: reprimir brutalmente o povo na luta por seus direitos e garantir os lucros das empresas de transporte.
O PCB exige a imediata libertação dos quatro presos políticos e chama todos os trabalhadores, estudantes e usuários do transporte público de Goiânia a fortalecer a luta por um transporte público gratuito, de qualidade e sob o controle popular.
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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Morrem três jornalistas que investigavam a participação dos EUA em demolição das Torres Gêmeas


Estados Unidos - Aporrea - [Tradução do Diário Liberdade]
Três jornalistas que trabalhavam em um documentário sobre o envolvimento do governo norte-americano na demolição das torres gêmeas morreram nos últimos dias.
Trata-se do ex-repórter internacional da NBC Ned Colt, o correspondente da CBS News Bob Simon, e o jornalista do New York Times David Carr.
Bob Simon, de 73 anos, foi assassinado na quarta-feira na cidade de Nova York em um acidente automobilístico e na quinta-feira Ned Colt, de 58 anos, dizia-se que tinha morrido por um derrame cerebral massivo, seguido em poucas horas por David Carr, de 58 anos, quem colapsou e morreu em seu escritório na sala de redação do New York Times.
Os três jornalistas mais Brian Willias, quem teve que renunciar à NBC por mentir sobre uma notícia do Iraque, tinham formado uma companhia independente de notícias em vídeo no mês passado e apresentaram os documentos de segurança necessários que lhes permitiriam o acesso ao arquivo mais secreto do Kremlin, onde se encontrariam provas relacionadas com os atentados de 11 de setembro de 2001.
Em relação a esses arquivos do 9/11 em poder do Kremlin, o presidente Putin tinha alertado que iria divulgá-los.
Os especialistas norte-americanos acham que, apesar do fato de as relações entre os EUA e a Rússia terem chegado no ponto mais grave desde a Guerra Fria, Putin entregou até Obama problemas menores. Os analistas acham que isto é só a "calma antes da tormenta".
Putin vai golpear e estaria preparando o lançamento de provas da participação do governo dos Estados Unidos e dos serviços de inteligência nos ataques do 11 de setembro.
O motivo para o engano e o assassinato de seus próprios cidadãos terá servido aos interesses petroleiros dos Estados Unidos no Médio Oriente e das suas empresas estatais.
A ponta de lança da empresa de notícias em vídeo independente que pretendia descobrir a verdade do 9/11 foi David Carr, quem no New York Times foi um valedor de Edward Snowden e após ter visto o documentário Citizenfour, tratou de ir dormir "mas não podia"
Carr estava seriamente desiludido com o New York Times pela elaboração da memória da guerra da Ucrânia "e não só por não dizer a verdade, mas também pelos emblemas nazistas nos capacetes de soldados leais ao regime da Ucrânia lutando contra os rebeldes".
Outro que trabalhava muito com Williams e Carr neste projeto do vídeo do 9/11, foi Ned Colt, quem após sair de NBC News continuava sendo um amigo de toda a vida de Williams e aperfeiçoou suas habilidades humanitárias enquanto trabalham no Comitê Internacional de Resgate. Por sua vez, Bob Simon considerava "extremamente lamentável" a manipulação dos meios de comunicação no período prévio à guerra dos Estados Unidos no Iraque.
Após a destruição da imagem de Williams, e a estranha morte de Carr, Colt e Simon, o regime de Obama enviou um "mensagem clara" à elite norte-americana quanto à exposição dos seus segredos mais obscuros.
Pior ainda, as elites dos meios nos EUA agora fogem de medo e o regime de Obama ameaça agora os meios de comunicação alternativos com ilegalizar todos os sites dissidentes.
Para isso tem uma escandalosa proposta legislativa de Ordem Fraternal da Policial Nacional para classificar qualquer crítica contra a policia nas redes sociais como um "crime de ódio".
Fonte: Pátria Latina
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Empresários que apoiaram golpe de 64 ficaram milionários com dinheiro público



Empresários que apoiaram o golpe de 64 construíram grandes fortunas com dinheiro público. Pesquisador afirma que no golpe dos empresários, a “mais beneficiada foi a Globo”
Com mestrado na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo sobre os empresários e o golpe de 64 e em fase de conclusão do doutorado sobre os empresários e a Constituição de 1988, o professor Fabio Venturini esmiuçou os detalhes de “como a economia nacional foi colocada em função das grandes corporações nacionais, ligadas às corporações internacionais e o Estado funcionando como grande financiador e impulsionador deste desenvolvimento, desviando de forma legalizada — com leis feitas para isso — o dinheiro público para a atividade empresarial privada”.
Segundo o pesquisador, é isto o que nos afeta ainda hoje, pois os empresários conseguiram emplacar a continuidade das vantagens na Carta de 88.
Venturini cita uma série de empresários que se deram muito bem durante a ditadura militar, como o banqueiro Ângelo Calmon de Sá (ligado a Antonio Carlos Magalhães) e Paulo Maluf (empresário que foi prefeito biônico, ou seja, sem votos, de São Paulo).
Na outra ponta, apenas dois empresários se deram muito mal com o golpe de 64: Mário Wallace Simonsen, um dos maiores exportadores de café, dono da Panair e da TV Excelsior; e Fernando Gasparian. Ambos eram nacionalistas e legalistas. A Excelsior foi a única emissora que chamou a “Revolução” dos militares de “golpe” em seu principal telejornal.
Sobre as vantagens dadas aos empresários: além da repressão desarticular o sindicalismo, com intervenções, prisões e cassações, beneficiou grupos como o Ultra, de Henning Albert Boilesen, alargando prazo para pagamento de matéria prima ou recolhimento de impostos, o que equivalia a fazer um empréstimo sem juros, além de outras vantagens. Boilesen foi um dos que fizeram caixa para a tortura, e comparecia pessoalmente ao Doi-CODI para assistir a sessões de tortura. Foi justiçado por guerrilheiros.
Outros empresários estiveram na mira da resistência, como Octávio Frias de Oliveira, do Grupo Folha, que apoiou o golpe. O que motivou o desejo da guerrilha de justiçar Frias foi o fato de que o Grupo Folha emprestou viaturas de distribuição de jornal para campanhas da Operação Bandeirante (a Ultragás, do Grupo Ultra, fez o mesmo com seus caminhões de distribuição de gás). Mais tarde, a Folha entregou um de seus jornais, a Folha da Tarde, à repressão.
“Se uma empresa foi beneficiada pela ditadura, a mais beneficiada foi a Globo, porque isso não acabou com a ditadura. Roberto Marinho participou da articulação do golpe, fez doações para o Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais (Ipes, que organizou o golpe). O jornal O Globo deu apoio durante o golpe. Em 65, o presente, a contrapartida foi a concessão dos canais de TV, TV Globo, Canal 4 do Rio de Janeiro e Canal 5 São Paulo”, diz Fabio Venturini.
Ainda segundo o pesquisador, “na década de 70 a estrutura de telecomunicações era praticamente inexistente no Brasil e foi totalmente montada com dinheiro estatal, possibilitando entre outras coisas ter o primeiro telejornal que abrangesse todo o território nacional, que foi o Jornal Nacional, que só foi possível transmitir nacionalmente por causa da estrutura construída com dinheiro estatal. Do ponto-de-vista empresarial, sem considerar o conteúdo, a Globo foi a que mais lucrou”.
“A Globo foi pensada como líder de um aparato de comunicação para ser uma espécie de BBC no Brasil. A BBC atende ao interesse público. No Brasil foi montada uma empresa privada, de interesse privado, para ser porta-voz governamental. Se a BBC era para fiscalizar o Estado, a Globo foi montada para evitar a fiscalização do Estado. Tudo isso tem a contrapartida, uma empresa altamente lucrativa, que se tornou uma das maiores do mundo (no ramo).”
Venturini também fala do papel de Victor Civita, do Grupo Abril, que “tinha simpatia pela ordem” e usou suas revistas segmentadas para fazer a cabeça de empresários, embora não tenha conspirado.
http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/03/empresarios-que-apoiaram-golpe-de-64-ficaram-milionarios-com-dinheiro-publico.html
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Mulheres argentinas exigem declaração da Emergência Nacional sobre a Violência de Gênero




Resumen Latinoamericano/ Red Eco / 06/02/2015.- As Mulheres da Matria Latino-americana da província de Santa Fé pedem a imediata declaração de emergência nacional sobre a violência de gênero. No caso específico desta província, o Tribunal Colegiado da Família N° 5 publicou que durante os primeiros 22 dias de janeiro, chegaram a receber 38 denúncias diárias de violência familiar dentro das quais “a enorme maioria obedece à violência de gênero”, segundo afirmou o juiz Marcelo Molina. Compartilhamos o comunicado.
Exigimos a urgente declaração da Emergência Nacional sobre a Violência de Gênero
Nós, Mulheres da Matria Latino-americana de Santa Fé, queremos expressar nossa extrema preocupação pela quantidade alarmante de mulheres que denunciam serem vítimas de violência de gênero na cidade.
Acreditamos que muitas denúncias são feitas graças à conscientização promovida pelas diferentes organizações de mulheres e os organismos estatais. No entanto, também sabemos que muitas delas chegam tarde e passam a aumentar a quantidade de femicídios por ano.
Aquilo que Telam intitulou na semana passado como “Onda de violência de gênero em Rosário” é uma mostra fragmentada da realidade que nós mulheres vivemos na Argentina. A falta de números oficiais em termos nacionais silenciam os femicídios, que se repetem a cada trinta horas, aparecendo episodicamente na agenda dos meios de comunicação.
Na província, durante 2014 foram contabilizados ao menos dez femicídios. Porém, acredita-se que existem mais assassinatos que não foram apresentados como tais pela falta de perspectiva de gênero da justiça. No ano anterior, essas mortes chegaram a 30 e, a nível nacional, não se conheceram cifras oficiais.
A quantidade de chamados ao telefone verde durante janeiro deste ano superou o mesmo mês no ano 2014. Os primeiros 23 dias de 2015 foram registrados 180 chamados e 19 casos sofreram intervenção.
O Tribunal Colegiado da Família N° 5 publicou que durante os primeiros 22 dias de janeiro chegaram a receber 38 denúncias diárias por violência familiar dentro das quais “a enorme maioria obedece a violência de gênero”, segundo afirmou o juiz Marcelo Molina.
Agradecemos o fato das cifras serem de conhecimento público, o que dá visibilidade à crua realidade sofrida pelas mulheres dentro e fora de seus lares. Assim, para tornar efetiva a Lei Nacional 26.485, que tem como objetivos Prevenir, Sancionar e Erradicar todo tipo de violência sobre as mulheres, é necessário principalmente ter uma base de dados oficiais que reflita a situação de cada província. É o único modo de calcular os recursos econômicos e humanos necessários para combater esta pandemia social.
Atualmente se destina ao Conselho das Mulheres 0,00027% do orçamento nacional, do qual uma ínfima parte é destinada à assistência às vítimas. Dessa maneira, a falta de recursos econômicos é o principal impedimento para afastar-se da violência, já que geralmente também é preciso fazê-lo com seus filhos.
Necessita-se a abertura de Escritórios de Violência Doméstica da Corte Suprema de Justiça em todas as províncias, para que seja possível agilizar as medidas cautelares de proteção. Deve-se garantir a todas as mulheres vítimas de violência do país igualdade de oportunidades para o acesso à justiça mediante um assessoramento jurídico gratuito. Deve-se proteger a integridade em todo momento com a assistência de pessoas capacitadas na temática.
Como notificou o Tribunal Colegiado N° 5, durante os primeiros 22 dias do ano foram emitidos 469 ordens judiciais, a uma média diária de 31,27, e 95 exclusões de lares, aproximadamente 6,33 por dia. Assim, como bem afirmou o Juiz Molina, “O controle dessas medidas já é papel da polícia e do Executivo”. É fundamental que sejam realizadas condenações jurídicas ante a desobediência dessas ordens. Os tribunais devem sancionar os homens violentos quando infringirem as ordens judiciais.
Por todo o anteriormente declarado, as Mulheres da Matria Latino-americana pedimos a imediata declaração de emergência nacional sobre a violência de gênero. O Estado tem a responsabilidade de combater as desigualdades sociais entre homens e mulheres que permitem e reproduzem a violência em nossa sociedade.
MUMALÁ
Santa Fe
http://www.redeco.com.ar/nv/index.php?option=com_content&task=view&id=15213&Itemid
Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/?p=8497
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)
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