quinta-feira, 19 de março de 2015

CONSTRUIR ALTERNATIVA POPULAR contra a chantagem do impeachment e a conciliação governista


(Nota Política do PCB)



O Brasil vive hoje a continuidade da acirrada disputa observada no segundo turno das eleições presidenciais, entre dois blocos defensores do interesse do capital. Nesta disputa, surge uma proposta de impedimento da Presidente Dilma. O PCB rechaça essa proposta que, apresentada por forças reacionárias, não muda a essência do sistema e não atende aos interesses históricos da classe trabalhadora.
Apesar de o governo do PT, PMDB e seus aliados ter cedido em muitas exigências do grande capital e ter imposto os ajustes para satisfazer ainda mais os banqueiros e rentistas, setores da direita derrotados nas eleições de 2014 e parte da própria base aliada tramam para encurralar o governo e arrancar ainda mais vantagens.
Nunca nos iludimos com o canto de sereia da institucionalidade burguesa e sempre alertamos para o fato de o capital só respeitar a chamada ordem democrática instituída enquanto lhe interessa, estando sempre disposto a lançar mão de qualquer expediente inconstitucional como golpes militares ou se aproveitar das brechas da legalidade burguesa para promover golpes institucionais. Não acreditamos que o núcleo duro do capital esteja insatisfeito com os governos protagonizados pelos petistas. Mas pode ser que resolva acabar a terceirização política que concedeu ao PT, no caso de instabilidade política e econômica, já que este partido não oferece mais a vantagem de administrar bem o capitalismo e, ao mesmo tempo, desmobilizar os trabalhadores.
Esse quadro de debilidade do recente segundo governo Dilma é fruto fundamentalmente do esgotamento do ciclo petista em função de sua opção, em 2003, pela governabilidade parlamentar a qualquer preço, em detrimento da sustentação popular, por parte dos trabalhadores e do movimento de massas com vistas a mudanças estruturais. Como a estabilidade dos governos petistas reside na administração do capitalismo, o agravamento da crise desse sistema constitui o principal fator da atual crise política.
Para esse caldo de cultura, contribuem a vitória apertada da Presidente no segundo turno, a derrota eleitoral nos principais centros operários, com diminuição da bancada do PT e consolidação de uma maioria parlamentar conservadora, a perda de representatividade e combatividade da CUT e de outras entidades chapa branca.
Essa instabilidade do governo alimenta sonhos golpistas no bloco de oposição liderado pelo PSDB. Para o PMDB, favorecido como o fiel da balança de todos os governos eleitos após o pacto de elites que pôs fim à ditadura, esta situação instável oferece a possibilidade de um projeto próprio de poder. Por outro lado, a mídia destaca em primeiro plano os escândalos da Petrobrás, para tentar privatizar ainda mais a gestão desta hoje semiestatal e desgastar o governo para obter mais concessões para o capital, passando a impressão de que a velha e sistêmica corrupção inerente ao capitalismo foi inventada pelo PT que, em verdade, manteve sem escrúpulos os esquemas que herdou.
Vê-se que o governo do PT está sendo vítima de duas de suas maiores conciliações: com a mídia burguesa e com o atual modelo político. A regulamentação e democratização da mídia e uma reforma política que avançasse em espaços e instâncias de poder popular poderiam ter sido implementadas na correlação de forças de 2003, antes de o medo vencer a esperança. Além disso, o PT manteve o esquema da corrupção inerente ao Estado capitalista, e desarmou ideologicamente os movimentos sociais, com sua política de colaboração de classe.
O caminho escolhido pelo governo liderado pelos petistas foi o de formatar um pacto social com a grande burguesia e acomodar frações políticas de direita numa governabilidade sustentada pela troca de favores, cargos no governo, financiamento de campanhas e emendas ao orçamento. O resultado prático deste pacto foi o abandono das mínimas reformas populares e do atendimento das demandas da classe trabalhadora, ao mesmo tempo em que garantia as condições para a manutenção dos lucros dos grandes monopólios. Optou-se por uma sustentação política desmobilizadora, com base em programas compensatórios focados nas expressões mais agudas da pobreza absoluta.
Agora que parte da direita que vinha garantindo sua governabilidade ameaça abandonar o barco à deriva, ou buscar uma maior autonomia, e que a oposição se move de forma mais direta e ameaçadora, inclusive nas ruas, o governo se vê diante do desafio do equilibrista em cima do muro, precisando, ao mesmo tempo, manter os ajustes e a política de ataque aos trabalhadores e mobilizar os mesmos trabalhadores e setores sociais em sua defesa.
O governo Dilma se debilita não apenas pelos ataques da oposição de direita, mas também pelo oportunismo de setores do PT e do ex-Presidente Lula, que antecipam a campanha eleitoral de 2018, procurando se diferenciar da Presidente, pela esquerda, e mesmo desautorizá-la, no intuito de credenciá-lo como crítico das duras medidas impostas contra os trabalhadores. Apesar desse movimento para Lula parecer à esquerda de Dilma, ele tem defendido publicamente os ajustes e as medidas de austeridade, sob o argumento demagógico de que garantirão empregos.
Na verdade, o PT quer continuar a governar para a burguesia e pedir apoio aos trabalhadores para não ser derrubado por ela. Mas o próprio grande capital está no governo como fica claro pela nomeação de ministros, a exemplo de Joaquim Levy, na Fazenda, Armando Monteiro, no Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio, e a representante do Agronegócio, Kátia Abreu, na Agricultura, e, mais do que isto, pela política imposta nos últimos doze anos.
Ainda que acreditemos que o impedimento da Presidente seja uma chantagem dos setores conservadores e do imperialismo para arrancar mais vantagens de um governo enfraquecido, não descartamos a possibilidade de a burguesia utilizar este instrumento, caso os desdobramentos ganhem uma dinâmica negativa. Neste cenário, o governismo tenta se utilizar da defesa da legalidade institucional para mobilizar os setores populares em seu apoio. No entanto, a política econômica neoliberal que aplica é contrária aos interesses dos trabalhadores.
Por isso, o PCB denuncia a chantagem do impeachment, mas não se ilude nem concilia com o oportunismo governista, não se prestando a ser base de manobra da campanha antecipada de Lula à presidência em 2018. Os 8 anos de governo do ex Presidente foram marcados pela sua rendição aos interesses do capital e ao pragmatismo de partidos burgueses que compuseram sua base parlamentar. Além do mais, esta disputa entre PT e PSDB se dá no campo da administração do capitalismo.
Desta forma, conclamamos os trabalhadores a se organizar e lutar para garantir seus direitos ameaçados pelos ajustes anunciados pelo governo da Presidente Dilma, contra as mudanças nas regras do seguro desemprego, contra os cortes nas áreas sociais, principalmente saúde e educação, contra a política de superávits primários e os benefícios aos empresários e banqueiros, pela reforma agrária e uma política agrícola radicalmente populares, pela profunda transformação nas regras da participação política visando à construção do Poder Popular.
Conclamamos aos movimentos sociais o resgate de sua autonomia política e a construção de sua própria pauta, para a qual propomos:
  1. Reversão imediata dos ataques à classe trabalhadora estabelecendo um conjunto de direitos que a protejam da ofensiva do grande capital, garantindo empregos, redução da jornada de trabalho sem redução de salários, defesa dos salários contra a inflação e de ganhos reais, enfrentamento à terceirização e precarização do trabalho;
  2. Assumir o compromisso pela Reforma Agrária rompendo a submissão ao agronegócio;
  3. Implantação de uma reforma urbana que reverta o modelo atual de modernização das cidades em favor do grande capital, que tem produzido expropriações e remoções em massa, e que seja capaz de enfrentar os graves problemas urbanos de mobilidade, saneamento, acesso à cultura e esportes e outros;
  4. Demarcação imediata das terras indígenas e garantia das condições de vida das populações, em respeito às culturas específicas;
  5. Imediata suspensão das chamadas medidas de austeridade que penalizam a classe trabalhadora para salvar a política de transferência de recursos públicos para o capital financeiro;
  6. Defesa do Estado Laico, assumindo a defesa das demandas pela legalização do aborto, pela criminalização da homofobia e pelo respeito à pauta do movimento LGBT;
  7. Reverter as privatizações, sucateamento do Estado e das Políticas Públicas pelo reinado das parcerias público-privadas;
  8. Reverter o ataque à previdência social anulando a reforma da previdência;
  9. Reestatização efetiva da Petrobrás e demais empresas estatais, assim como a anulação das farsas que levaram à privatização das comunicações e de empresas como a Vale e outras, recuperando a capacidade de um efetivo controle das condições de organização da economia na perspectiva popular e dos trabalhadores;
  10. Anulação do Leilão do Campo de Libra e reversão da política de partilha com o capital estrangeiro da exploração do Petróleo no Pré-Sal;
  11. Apuração rigorosa da corrupção nas empresas estatais e punição dos corruptos e corruptores envolvidos, com o confisco dos seus bens;
  12. Uma profunda e radical alteração da forma política, com a adoção de mecanismos de democracia direta, no sentido do Poder Popular;
  13. A regulação e democratização da mídia; pela suspensão das concessões públicas dos meios de comunicação a monopólios privados e imediata execução das dívidas das grandes empresas de comunicação;
  14. Fim da política de criminalização dos movimentos sociais e do direito de manifestação impostas pela vigência da Lei de Segurança Nacional e outros dispositivos legais autoritários;
  15. Reversão da política nacional de segurança sustentada nos aparatos das Policias Militares e no encarceramento que promove um verdadeiro massacre da população jovem e, majoritariamente, negra nas periferias das cidades brasileiras; desmilitarização da segurança pública;
  16. Estabelecimento de uma tributação progressiva sobre grandes fortunas.
  17. Retirada imediata das tropas brasileiras do Haiti; promover a solidariedade internacional classista e anti-imperialista.
O PCB seria o primeiro a se somar à defesa de um governo que apontasse nesta direção. No entanto, o caminho do governismo é outro: quer se servir das massas populares para legitimar um governo que vem operando uma política contra os trabalhadores, comprometido de fato com os banqueiros, o agronegócio, os monopólios industriais e comerciais e com o imperialismo, o que tem ocorrido até agora.
Por todos estes motivos o PCB denuncia as ações das forças reacionárias pelo impedimento da presidente Dilma como golpista e hipócrita, mas não participará de nenhum movimento governista com o objetivo de se legitimar perante os movimentos sociais apenas para melhor negociar a continuidade de seu governo de pacto social com a burguesia.
Estamos num momento significativo da luta de classes em nosso país: enquanto os trabalhadores começam a perder a paciência e se reanimar para a luta, a grande burguesia dá sinais de que não precisa mais da terceirização política que concedeu ao PT, que já não tem o mesmo peso social para desmobilizar as lutas de massa.
Os trabalhadores devem se preparar para qualquer cenário. Mais do que nunca, faz-se urgente a criação de uma Frente pelo Poder Popular que incorpore, na unidade de ação em torno de um programa comum, todas as forças políticas e sociais do campo anticapitalista e anti-imperialista, que construa uma efetiva alternativa de poder contra a burguesia e aqueles que a ela se associam.
Lutar, criar, Poder Popular!
15 de março de 2015
Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB)
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terça-feira, 10 de março de 2015

Camponesas de todo Brasil se mobilizam em defesa da Soberania Alimentar


Camponesas de todo Brasil se mobilizam em defesa da Soberania Alimentar na jornada internacional de luta das Mulheres da Via Campesina



Camponesas e camponeses em todas as regiões do país vão as ruas em luta pelos direitos das mulheres camponesas, as ações que envolvem mobilizações, ocupações, marchas e debates fazem parte da jornada internacional das mulheres em luta pela Soberania Alimentar, contra a Violência e o agronegócio, que acontecerá durante toda a semana, no dia de hoje (9) atos no Espirito Santo, Bahia, Goias, e Piauí, além de outros estados dão o tom de denuncia dos impactos do agronegócio e reafirmam a luta pela valorização da mulher na sociedade.
Camponesas bloqueiam rodovia em Colatina- ES
A cidade de Colatina noroeste do estado, amanheceu mais vermelha nessa segunda(9), cerca de mil camponesas e camponeses da Via Campesina, Sindicatos dos Trabalhadores Rurais, organizações urbanas, quilombolas e pescadores bloquearam a rodovia ES 259 em direção a capital, para Roseli Sousa da coordenação nacional do MPA esse dia de luta representa um grito de unidade contra a violência que as mulheres camponesas e urbanas sofrem “ não podemos admitir que setenta por cento das mulheres sofram algum tipo de violência no decorrer de suas vidas, no só estado carrega o triste dado de o mais violento para as mulheres, estamos denunciando o modelo capitalista e suas ações devastadoras no campo através do agronegócio, com venenos e transgênicos, defendemos um modelo que preserve o meio ambiente, produza alimentos saudáveis e respeite a sociedade” afirmou a militante.
Depois de desfazerem o bloqueio por volta das dez horas da manhã manifestantes seguiram em caminhada para o centro da cidade.

Via Campesina ocupa sede da Bunge em Luziânia- GO
Cerca de 800 mulheres camponesas, organizadas pela Via Campesina, ocupam a multinacional Bunge, em Luziânia (BR 040- entorno de Brasília). Segundo as mulheres, a Bunge é uma transnacional que atua ferozmente na mercantilização da terra.
Camponesas em Luta na Paraíba
Na Paraíba, mais de 450 mulheres camponesas ocupam o Engenho da Usina Giasa, no município de Pedra de Fogo. O Engenho, atualmente com registro sobre o nome BioSev, pertence a um Grupo Francês cujo um dos donos é o ex-jogador de futebol francês, Zinédine Zidane, para as camponesas o modelo de produção implementado pelos engenhos é altamente nocivo ao meio ambiente, o uso constante de agrotóxicos além de contaminar alimentos, pessoas e água, destroi a fertilidade dos solos os deixando inadequado para o cultivo em poucos anos.
Escola do Asfalto é montada em Picos- PI
O balão da BR 316 na cidade de Picos, se converteu em uma grande escola no dia de hoje, a chamada “escola do asfalto” é organizada pelo Movimento dos Pequenos Agricultores e levante Popular da Juventude, Sônia Costa da coordenação nacional do MPA explica o sentido da escola “ trazemos as crianças e o momento de estudo da sala de aula para o asfalto para denunciar o sucateamento das escolas no campo nos últimos anos foram fechadas mais de 37 mil escolas na zona rural, estamos aqui para revindicar o direito de nossas crianças estudarem em suas comunidades com uma pedagogia própria e apropriada a nossa realidade camponesa” afirmou Sônia.
Camponesas ocupam INSS em Vitória da Conquista-BA
Desde da ultima sexta (6) camponesas organizadas pelo MPA se reuniram na I escola estadual feminista da Bahia, e nessa manhã (9)saíram em marcha até a sede do INSS na cidade, cerca de cento e cinquenta camponesas participam do ato, Saiane Santos da coordenação estadual do MPA afirma que a previdência social é uma das pautas centrais da jornada “ Lutamos por uma previdência social pública, universal e solidária. Por isso reivindicamos o arquivamento da Medida Provisória 664 e 665. A norma aumenta o período que um trabalhador ou trabalhadora deve ficar em um único trabalho para pedir o seguro, na prática restringindo o acesso a esse direito. O processo
de precarização das relações de trabalho, flexibilização e terceirização também coloca em
risco nosso direito à previdência, ameaçando também as mulheres idosas.” afirmou a militante.
As camponesas e camponeses seguiram mobilizados em todo Brasil durante essa semana, todas as ações se somam ao conjunto de atividades da Via Campesina Internacional em todos os continentes.
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Clara Zetkin – Precursora na luta pelos direitos das mulheres




Por Natalia Buscaglia
Muitas pessoas se perguntarão quem é Clara Zetkin. Foi uma política comunista alemã sumamente lutadora pelos direitos da mulher. Em uma época onde não tínhamos participação, com sua forte ideologia, enfrentou a sociedade por considerar elementar que o sexo feminino tenha presença na atividade política e os mesmos direitos que os homens trabalhadores. Propôs que no dia 8 de março se celebrasse o Dia Internacional da Mulher. Dedicou sua vida ao socialismo e conquistou a união de mulheres que compartilhavam esta doutrina nos diferentes países, com o claro objetivo de alcançar suas metas. Graças a suas convicções, orientou a direção de vários partidos da ala esquerda, foi influente para milhares de mulheres e uma grande líder política que também fez frente ao nacional-socialismo em sua postura ante a Primeira Guerra Mundial.
Clara Eissner nasceu em 5 de julho de 1857, em Wiederau, Alemanha. Foi uma entusiasta política extremadamente fiel a sua ideologia, impossível de subornar. Por suas ideias comunistas, socialistas e feministas foi destacada para sua época. Em sua juventude, estudou magistério em Leipzig, aproximou-se do Partido Socialdemocrata Alemão, onde conheceu Ossip Zetkin, um revolucionário russo por quem se apaixonou. Pouco a pouco foi se inserindo na política até ser uma importante dirigente da bancada feminina e do movimento operário. Quando o Partido foi proibido por Bismarck, Clara tomou a decisão de exilar-se na Suíça e em Paris, onde casou com Zetkin e com quem teve dois filhos. Durante esse tempo, se dedicou à literatura secreta e conheceu muitos líderes socialistas internacionais. Anos depois, se divorciou e se uniu ao artista George Friedrich Zundel.
Clara Zetkin apoiou a fundação da Segunda Internacional (organização formada em 1889 por partidos trabalhistas e socialistas, com a finalidade de regular a atividade internacional dos movimentos operários) e era participante de todos os Congressos que ocorreram até o começo da Primeira Guerra Mundial. Regressou a seu país natal e se colocou contra seu próprio Partido, quando seus dirigentes se alinharam com a burguesia alemã, que proclamava entrar na guerra. Uniu-se a Rosa Luxemburgo (polaca e judia revolucionária), com o lema “Guerra à guerra”. Porém, não pode continuar com esta atividade, sendo presa e, posteriormente, expulsa do Partido Socialdemocrata. Depois, formou o Partido Socialdemocrata Independente da Alemanha e se uniu também aos espartaquistas (revolucionários marxistas).
Em 1891, fundou a revista A Igualdade, formada por mulheres, que teve vigência até 1917, e se converteu no meio de expressão oficial da Internacional de Mulheres Socialistas. Seu objetivo era mudar o pensamento dos homens que a acompanhavam em seu partido. Em 1908, foram abolidas as leis onde as mulheres eram proibidas de participar das atividades políticas. No entanto, se começaram a ter voz dentro do Partido, tinham que continuar lutando para ter voto e passar a ser independentes.
No mundo estavam sendo gestados com mais força os movimentos das mulheres trabalhadoras, que alçavam sua voz em reivindicação por melhorias salariais, jornada de trabalho mais curta, participação nos sindicatos, preparação profissional e proibição do trabalho infantil. Cansadas deste tipo de sociedade, onde não podiam desfrutar dos mesmos direitos que o outro sexo, as mulheres decidiram unir suas forças e enfrentar a luta, sem importar com as consequências. Greves e manifestações começavam a ganhar terreno e, em 8 de março de 1909, 129 empregadas da fábrica têxtil Cotton, de Nova York, que tinham se fechado nela em forma de protesto, morreram por causa do incêndio gerado no lugar. O incêndio parece ter sido provocado pelo próprio dono.
Diz-se que em homenagem a este acontecimento, para reivindicar nossos direitos e o sufrágio feminino em um Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, ocorrido em 1910, sua Presidenta Clara Zetkin propôs que o 8 de março fosse o Dia Internacional da Mulher.
Seguindo sua luta, conheceu Engels e Lenin na Internacional Comunista. E em começos da década de 1920, por seu duro trabalho para convocar um movimento de mulheres socialistas de diferentes países, foi Presidenta do Movimento Internacional de Mulheres Socialistas e deputada do Partido Comunista Alemão. Por sua disposição em deter o avanço do nazismo, a elegeram Presidenta da Associação de Solidariedade Socorro Vermelho e representante do Reichstag (Parlamento alemão). Porém, quando em 1933 Hitler assumiu o poder, ela teve que exilar-se novamente. Nesta oportunidade, escolheu a União Soviética, lugar onde passou os últimos dias de sua vida revolucionária. Morreu em 20 de junho de 1933, em Moscou, Rússia, aos 76 anos de idade.
Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/2015/03/08/8-de-marzo-dia-internacional-de-la-mujer/
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)
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Dezenas feridas em repressão israelense contra ato palestino pelo Dia Internacional da Mulher




8 de Março de 2015
Dezenas de mulheres Palestinas sofreram com a inalação excessiva de gás lacrimogêneo e perderam a consciência depois que forças israelenses reprimiram uma manifestação pacífica no sábado, dia 7 de março, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, próximo ao ponto de inspeção de Qalandia1.
Forças de ocupação atiraram projéteis de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral contra as mulheres que participavam da manifestação que também foi organizada para protestar contra a repressão sofrida pelas mulheres palestinas sob ocupação israelense.

A manifestação foi organizada pela Ministra Palestina de Assuntos da Mulher, o Sindicato Geral das Mulheres Palestinas (GUPW, sigla em inglês) e outras organizações palestinas, juntando-se a algumas organizações de mulheres israelenses sob a bandeira “Mulheres Derrubem o Muro”.
O Movimento Democrático de Mulheres em Israel (TANDI, na sigla em inglês) emitiu um documento pedindo “Solidariedade de todas as mulheres para a luta comum de igualdade de direitos em todas as esferas da vida”. O documento do TANDI dizia: “nós nos manifestaremos pelos direitos de todas as mulheres, independente de idade, religião, raça ou nacionalidade, para que vivam em segurança e com dignidade e para que sejam livres para realizarem seu potencial sem impedimento, sem discriminação e sem opressão política, social e econômica. Essa manifestação tornará tangível o comprometimento das mulheres na luta pela superação de tais barreiras e de suas reivindicações para colocarem um basta na discriminação, opressão e ocupação”.
Dentre as organizações israelenses participantes estavam Isha L'Isha – o Centro Feminista em Haifa, Mahapach-Taghir, o Movimento Democrático de Mulheres em Israel (TANDI), Mulheres contra a Violência, Mulheres de Preto e a Coalizão de Mulheres pela Paz. Durante a manifestação do outro lado do muro, dois membros do Hadash e do Partido Comunista de Israel, Aida Touma-Sliman e Dov Khenin, exigiram o fim da ocupação isralenese.
Manifestação em Jerusalém
A organização “Mulheres que Travam a Paz”, formada depois de uma guerra devastadora na Faixa de Gaza no verão passado, na qual mais de 2.200 palestinos foram assassinados, com 73 mortos no lado israelense, espera que suas vozes sejam ouvidas, uma vez que israelenses vão para as urnas no dia 17 de Março.
Milhares de mulheres marcharam, na última quarta-feira, dia 4 de março, entoando, em Jerusalém: “Nós votaremos
acordo de paz” e “Nós escolhemos a vida”. Mulheres que Travam a Paz somam 7 mil membros, todas mulheres, a outros 15 mil apoiadores, muitos deles ativos na mídia social.
A exigência do grupo é forçar o próximo governo, independentemente de quem o componha, a retomar os diálogos com os palestinos e promoverem um acordo final que acabe com as décadas de ocupação e o sangrento conflito.
Oradoras da manifestação de quarta-feira, em Jerusalém, comemorando o Dia Internacional da Mulher, condenaram o governo de extrema-direita do Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu pela mortífera campanha militar de Julho-Agosto contra Gaza. “Nós vimos sofrendo guerras suficientes”, falou uma das oradoras, “entre nós há mulheres que criarão a próxima geração de soldados que serão forçados a ir para a guerra. Basta!”.
Como uma organização independente, Mulheres que Travam a Paz não esclarece quem preferem como primeiro ministro, mas insistem que quem assumir deverá levar a sério o conflito palestino. A organização espera que suas exigências ajudem a organizar debates e conferências, sobre o tema, em Israel.
“Durante a última guerra, prometi a mim mesma que faria o que fosse preciso para que meu filho não seja morto em combate”, diz Lili Weisberger, membro do grupo e que teve um filho de 21 anos lutando em Gaza durante serviço militar e que retornou para casa fisicamente ileso. “Eu decidi que eu agiria para que esse pesadelo nunca mais voltasse” e se juntou à organização.
Mulheres que Travam a Paz condenaram a “militarização da sociedade” em Israel, onde adolescentes judeus, depois de terminaram o colegial, são chamados a se alistarem para prestar serviço militar – três anos para homens, dois para mulheres – e que, geralmente, envia-os para zonas de combate. “Eu não quero ver mais dessa guerra contra a juventude, com 18 ou 20 anos de idade soldados israelenses de um lado e crianças palestinos do outro”, diz Amal Rihan, mãe de quatro e professora de Árabe morando próximo à Tel Aviv. “A única solução é alcançar a paz”.
Tradução: Partido Comunista Brasileiro
1. Vila palestina estabelecida, em 1949, como campo de refugiados.
Foto: Pluma Solo
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Alguns não perdem tempo: Pablo Iglesias com o embaixador dos EUA




Resumen Latinoamericano/ 03/03/2015.
- É realmente particular a “política externa” dos meninos do Podemos. Por um lado, Pablo Iglesias (ao qual a direita espanhola assediou de forma brutal durante os últimos meses) não teve a melhor ideia que aceitar a alguns dias uma entrevista ao Canal 5 (TV lixo da pior espécie) e fazer umas declarações críticas sobre a Venezuela bolivariana. E agora, esta reunião com o embaixador estrangeiro, justamente no momento em que os Estados Unidos atacam com tudo contra o governo de Nicolás Maduro. Se para fugir da direita fascista é preciso unir-se àqueles que fomentam o terror e a miséria no mundo, é preciso perguntar-se qual é realmente a linha do Podemos.
Uma coisa são os encontros entre governos que estão em desacordo e se justificam nas famosas “razões de Estado”. Outra muito diferente, que os políticos confraternizem sem nenhum tipo de vergonha com os assassinos de nossos povos. Felipe González começou suas andanças como progressista da mesma forma e sabemos até onde chegou.
O secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, se reuniu hoje com o embaixador dos Estados Unidos, James Costos, para analisar a situação política e econômica da Espanha e da Europa, em um encontro que o líder da formação qualificou como “útil, produtivo, cordial e interessante”. O encontro ocorreu por iniciativa de Costos, no qual Iglesias sublinhou que o Podemos vê as relações entre Espanha e Estados Unidos como uma questão “estratégica”.
Em declarações a EFE, Iglesias mostrou sua satisfação pelo desenvolvimento do encontro, no qual ambos compartilharam que “a situação econômica da Espanha é difícil e que a austeridade é um problema”, segundo o euro-deputado.
O embaixador se interessou pelo resultado das pesquisas de informação acerca do crescimento do Podemos, que Iglesias justificou como sendo reflexo da “crise do regime na Espanha e do cansaço e o esgotamento das velhas elites”.
Além de informar sobre sua recente viagem aos Estados Unidos, Iglesias abordou com Costos questões de âmbito internacional, como a crise da Grécia.
Neste ponto, o secretário-geral do Podemos considerou “coerente e razoável” a postura adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para que se dê uma oportunidade ao novo Governo grego liderado pelo Syriza.
Ainda que tenha admitido existirem “diferenças em algumas questões de política internacional, em particular sobre a defesa europeia e a gestão de determinados assuntos”, Iglesias apontou a “cordialidade” e a “produtividade” do encontro, no qual não falaram da situação política da Venezuela.
Iglesias manifestou sua intenção de voltar a visitar os EUA futuramente, ao que Costos demonstrou sua vontade de ajudá-lo a preparar encontros com os congressistas de seu país.
O embaixador estadunidense, que lembrou a Iglesias ser oriundo de uma família “humilde”, disse sentir “empatia” por aquelas pessoas têm passado mais dificuldades nos últimos anos devido à crise.
Na conversa, também falaram de pintura, de cinema e, em particular, da serie “Game of Thrones”, uma das favoritas de Iglesias.
Pablo Iglesias publicou esta fotografia no Twitter
Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/2015/03/03/algunos-no-pierden-el-tiempo-pablo-iglesias-con-el-embajador-de-ee-uu/
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)
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domingo, 8 de março de 2015

O PCB, OS MILITARES E A LUTA CONTRA A DITADURA



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O ÓDIO AOS RUSSOS DO FASCISMO UCRANIANO



Miguel Urbano Rodrigues
Os media portugueses ditos de referência continuam a apresentar um panorama deformado da crise ucraniana.
Para os comentaristas da TV e dos grandes jornais o governo fascizante de Kiev é democrático. Acusam a Rússia de uma política agressiva e anexionista e apoiam a ajuda financeira da União Europeia e dos Estados Unidos à Ucrânia.
A comunicação social portuguesa inspira se aliás na campanha de desinformação internacional que difunde pelo mundo uma falsa realidade ucraniana.
Diariamente o Canal Rússia Today nos seus programas em inglês e espanhol transmite imagens, notícias e entrevistas que revelam uma realidade totalmente diferente da forjada pela propaganda dos media ocidentais.
Nessas reportagens, bem documentadas, transparece com nitidez o ódio - é a palavra - do fascismo ucraniano à Rússia.
Dos muitos casos relatados pelo referido canal selecionei alguns que iluminam bem a atitude das autoridades de Kiev perante os jornalistas russos que cobrem acontecimentos na Ucrânia.
- Em Minsk, durante a cimeira que reuniu Merkel, Hollande, Putin e Poroshenko, a jornalista Olga Skabeeva, do Canal Rússia 24, quando aproximou o microfone do Presidente da Ucrânia foi brutalmente agredida por um segurança de Poroshenko que lhe colocou um braço no pescoço e lhe tapou a boca impedindo-a de falar.
- Dois jornalistas que cobriam acontecimentos em território ucraniano foram detidos pelos Serviços de Segurança e ameaçados de serem processados por «atividades informativas subversivas» contra a Ucrânia por incumbência da Rússia.
-O mesmo Serviço advertiu que qualquer cidadão que colabore com jornalistas russos incorre em responsabilidade penal.
- Uma jornalista do Canal russo NTV ficou detida uma noite no aeroporto de Kiev, privada de passaporte, depois de lhe negarem entrada no país.
-Dois jornalistas russos que filmavam uma manifestação da extrema-direita em Kiev foram presos e deportados
- Zaur Sheozh, repórter da sucursal em Moscou da Al Jazira, do Qatar, foi preso quando prentendia cobrir o primeiro aniversário de Maidan e o cessar-fogo assinado em Minsk. Interrogado durante quatro horas, foi depois deportado.
- Eelisaveta Jramtsova, correspondente de Life News, e a sua ajudante foram detidos quando tomavam um táxi para ir entrevistar um especialista de questões ligadas à agricultura. Dois homens entraram no táxi, identificaram-se como agentes do Serviço de Segurança e informaram que pretendiam interrogá-las sobre um possível atentado numa praça da cidade. Conduzidas a um lugar desconhecido, foram deportadas e proibidas de voltar à Ucrânia durante cinco anos.
A HISTERIA ANTI-RUSSA
O Serviço de Segurança elaborou uma lista negra dos meios de comunicação da Rússia. Todos, com exceção do canal de TV Dozhd, oposicionista, foram proibidos de trabalhar na Ucrânia. Simultaneamente suspendeu as credenciais dos representantes de 1OO medias russos.
A decisão foi tão absurda que a União Europeia e a OSCE decidiram protestar, por envolver um ataque inadmissível à liberdade de expressão.
O Clube de Jornalistas do México também enviou um protesto ao governo de Kiev pelas medidas que impedem os jornalistas russos de trabalhar na Ucrânia.
O governo de Putin, através do vice ministro das Relações Exteriores, Vassili Nebenzia, sentiu a necessidade de condenar com veemência a atitude assumida pelo parlamento ucraniano ao aprovar no dia 26 de Fevereiro a decisão do Serviço de Segurança que impede na prática os media russos de trabalhar no país.
O assassínio em Moscou, no dia 28 de Fevereiro, de Boris Nemtsov, ex vice-primeiro ministro de Ieltsin e líder da oposição contribuirá certamente para a intensificação da campanha ocidental contra a Rússia e Putin no momento em que a popularidade do presidente russo atinge o auge pela sua firmeza no diálogo com a União europeia e os EUA a propósito da crise ucraniana. Observadores ocidentais admitem que o crime tenha sido idealizado por forças políticas da oposição empenhadas em destabilizar a Rússia.
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terça-feira, 3 de março de 2015

VII Congresso da União da Juventude Comunista - etapa mineira


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As FARC-EP propõem debate Nacional sobre Justiça e crimes de Estado



Boletim de imprensa N° 52
Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015 Escrito por Delegação de Paz das FARC-EP
Havana, Cuba, sede dos diálogos de paz, 26 de fevereiro de 2015
As FARC-EP propõem debate Nacional sobre Justiça e crimes de Estado
Nos distanciamos do tratamento reducionista e punitivo de nossa ação guerrilheira”
No marco de suas dez propostas mínimas referentes aos Direitos integrais das vítimas pela paz e pela reconciliação nacional, as FARC-EP se pronunciaram nesta quinta-feira sobre os subpontos 3, 4 e 5 da proposta mínima 8.
O Comandante Pablo Catatumbo precisou: “Compreendemos as dificuldades do Estado em exercer justiça, não apenas por seus problemas de legitimidade e pela necessária atenção ao direito internacional, mas pela circunstância de ser ele mesmo o responsável máximo e não só seus agentes”.
No mesmo sentido, se referiu às responsabilidades do governo dos Estados Unidos, empresários, partidos políticos, Forças Armadas, meios de comunicação, entre outros, e manifestou a disposição da insurgência em participar de forma direta na organização de um debate público no que concerne ao tipo de justiça aplicável ao que se relaciona aos crimes de Estado.
A organização insurgente reiterou seu caráter político-militar indicando que: “Isso presume que toda nossa ação guerrilheira em diferentes circunstâncias e momentos deve ser respeitada no marco do exercício do direito à rebelião”.
O Comandante assinalou… que as Farc repudiam “todo propósito de tratamento reducionista e punitivo de nossa ação guerrilheira”. Além disso, enfatizou que deve existir um reconhecimento de sua atuação como Estado de fato em muitas áreas da geografia nacional, e que deve ser considerada sua normativa interna, assim como as normas que regulam suas relações com a população civil.
O que o Estado não foi ou não pode ser em matéria de justiça, não pode pretender sê-lo ao levar a cabo um processo de paz”, pontuou.
Escritório de imprensa da Delegação de Paz das FARC-EP
Fonte: http://www.pazfarc-ep.org/index.php/noticias-comunicados-documentos-farc-ep/boletin-prensa/2491-farc-ep-proponen-debate-nacional-sobre-justicia-y-crimenes-de-estado
Tradução: partido Comunista Brasileiro (PCB)
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Prêmio Nobel da Paz denuncia e repudia interferência dos EUA na Venezuela



Diário Liberdade
O argentino Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz em 1980, denunciou a interferência e tentativas de desestabilização do governo dos Estados Unidos contra o presidente Nicolás Maduro e o povo da Venezuela.
Em entrevista à Radio del Sur na última terça-feira, Pérez Esquivel afirmou que, após tentar derrubar o então presidente Hugo Chávez, agora os EUA pretendem fazer o mesmo com Maduro, a quem praticamente não deixaram governar mesmo antes do começo de seu mandato, para que não possa avançar com suas políticas.
Destacou o caráter totalmente subserviente da direita venezuelana aos interesses do imperialismo estadunidense. "Me preocupa muito a situação na Venezuela, a oposição deveria se sentar para dialogar com o governo e permitir a governabilidade e não se deixar manipular pelos interesses externos dos EUA e das transnacionais."
Ele pediu união das nações latino-americanas para enfrentar os interesses dos Estados Unidos, que se consideram donos dos países latino-americanos e que nos consideravam seu quintal. "Eu espero que os povos estejam conscientes e não permitam que nos transformem em colônia dos EUA... Washington irá defender seus interesses na região e não lhe interessam os meios a serem utilizados para isso", disse. Deste modo, os EUA não buscam, com suas ações, defender os povos, mas dominá-los, completou.
Pérez Esquivel lembrou do histórico de golpes na região patrocinados pelos Estados Unidos. "O intervencionismo estadunidense na América Latina é histórico, todo governo opositor ou que tenha certa independência é atacado pelos EUA e não se pode esquecer que este país é responsável por impor ditaduras militares em todo o continente", lembrando os casos recentes em Honduras, onde foi instalado um regime títere dos EUA, e também do Paraguai.
"Fizeram a mesma coisa no Paraguai quando derrubaram Fernando Lugo através de mentiras, e assim também desestabilizaram o governo de Hugo Chávez. Agora está acontecendo algo parecido com Nicolás Maduro: mas assumiu a presidência e não o deixam governar um dia sequer porque começam e tentar denegri-lo e enfraquecer sua gestão para que as políticas que a Revolução vem desenvolvendo não possam avançar", afirmou.
http://www.diarioliberdade.org/artigos-em-destaque/408-direitos-nacionais-e-imperialismo/54515-pr%C3%AAmio-nobel-da-paz-denuncia-e-repudia-interfer%C3%AAncia-dos-eua-na-venezuela.html
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segunda-feira, 2 de março de 2015

PCB não participa de atos governistas



Está sendo convocado, na internet, para o dia 13 de março, um conjunto de atos públicos, com extensa pauta. Entre as diversas entidades e partidos políticos que assinam a convocação, na versão que vem sendo veiculada, consta, ao lado do PT e outras agremiações que se situam no campo governista, o Partido Comunista Brasileiro.
Nesse sentido, a Comissão Política Nacional do PCB vem a público comunicar que o partido não participará desse ato e, portanto, não autoriza a inclusão de nossa sigla na lista de entidades promotoras.
Nos próximos dias estaremos divulgando uma nota política sobre as razões de nossa não participação nesses atos e sobre os temas neles referidos.
PCB – Comissão Política Nacional
Rio, 27 de fevereiro de 2015
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“Que ninguém tenha dúvidas: nosso propósito é o socialismo”

(Entrevista do Comandante das FARC, Iván Márquez, em Cuba)
Por Carlos Aznárez (de Havana, Cuba), Resumen Latinoamericano, 25 de fevereiro de 2015.- A Resumen Latinoamericano dialogou, em fins de fevereiro, em Havana com o Comandante das FARC-EP, Iván Márquez, que preside a Delegação guerrilheira na Mesa de Negociações com o governo colombiano.
O chefe insurgente deu um amplo panorama sobre o momento pelo qual passam as conversações de paz e insistiu na necessidade de avançar para uma Assembleia Nacional Constituinte.
- Há mais de um ano e meio do início das negociações de paz, qual é o seu balanço sobre o quanto se avançou e o quanto falta para concretizar a estratégia defendida por vocês neste âmbito?
- Creio que avançamos de maneira suficiente. Já temos em nosso poder três acordos parciais: um, sobre terras, outro sobre a participação política, e um referente a um tema muito complexo, o uso de drogas ilícitas. Entretanto, ainda ficaram para uma discussão posterior 28 observações, todas elas de muita importância.
- Você pode nos dar um exemplo destes temas pendentes?
- Está o problema do latifúndio, que o governo colombiano não quis abordar porque, segundo sua argumentação, pensa que uma medida desta natureza poderia despertar de novo os demônios do paramilitarismo. E, também, uma resistência do governo em aceitar uma proposta nossa de colocar um limite à estrangeirização da terra. Outro aspecto fundamental se vincula à exploração mineral-energética e seu impacto socioambiental.
De nossa parte, fazemos todo o possível para que estas pendências não sejam lançadas ao fogo do esquecimento, como parece pretender o governo. Entre os pontos pendentes, está a expansão da democracia para a paz. Nesse sentido, insistimos na necessidade do Estado deixar definitivamente para trás a Doutrina da Segurança Nacional, a concepção do inimigo interno e resolver de uma vez por todas o fenômeno do paramilitarismo. Que ninguém na Colômbia seja perseguido por suas ideias e, muito menos, assassinado. Estes são temas fundamentais para a Colômbia dar passos ao futuro. Além disso, é necessário adiantar reformas estruturais, como a política do sistema eleitoral e uma reclamada por todo o país: a reforma do sistema jurídico, corrupto, totalmente dependente. Nós pensamos que tudo isto é possível através de uma Constituinte.
- É totalmente correto que os avanços detalhados por você tenham sido produzidos, mas também é verdade que no território colombiano não se modificou grande parte do que na Mesa foi acordado. Qual é a opinião das FARC-EP frente a esta realidade?
- Vemos tudo isto como uma grande incoerência entre a retórica do governo e o que ocorre na realidade. Para somar um pouco às dificuldades, paralelamente, o governo está legislando para revisar coisas que foram aprovadas na Mesa.
- Por exemplo?
- Existe um projeto de lei sobre terras improdutivas, que em lugar de proteger os camponeses sem terra, busca proteger o capital financeiro. Concomitantemente, estamos apresentando um protesto enérgico na Mesa, já que não é possível continuar assassinando defensores dos direitos humanos ou revitimizando as vítimas. Isso ocorreu com muitas das pessoas que estiveram em Havana para pedir que façamos todo o possível para assegurar a paz. No entanto, ao voltarem à Colômbia, foram reprimidas, perseguidas, ameaçadas. Por isso, insistimos em pedir coerência e seriedade ao governo, pois quando se fala de paz, estes fatos não podem ser justificados.
- Recentemente, o governo norte-americano confirmou que um de seus homens, Bernard Aronson, atuará como observador (a pedido do governo da Colômbia) no processo de paz em Havana. Qual a opinião das FARC sobre esta incorporação?
- Vemos satisfatoriamente porque, como se sabe, os Estados Unidos têm um peso muito forte no político, no social, no econômico e no militar da realidade colombiana. Eles têm uma participação muito grande no financiamento da guerra, no fornecimento de equipamentos bélicos e tecnologia de ponta às Forças Armadas oficiais.
Parece-nos que os EUA querem agora se afastar um pouco desta situação que os coloca como impulsionadores da guerra e da discórdia, e empreender esforço em ajudar os colombianos a encontrar a reconciliação.
- Sobre a questão do cessar-fogo: quais são, em seu entender, as razões pelas quais o presidente Juan Manuel Santos não cede à proposta feita pelas FARC de instalar um cessar-fogo bilateral?
- Francamente, não está claro esse argumento de que uma trégua seria aproveitada política e militarmente pela guerrilha para se fortalecer. Não tem nenhum pretexto. Além disso, o cessar-fogo, por agora unilateral, cumprido por nós, tem um sentido humano. Pensamos que enquanto estamos dialogando não tem sentido continuar atirando-nos, matando-nos e que é necessário gerar um ambiente propício para as conversações.
Lamentavelmente, não encontramos uma resposta similar por parte do Presidente. Dizemos que aqui o governo está se comportando de uma maneira equivocada e que deveria fazer prevalecer o princípio de favorecimento da população civil, que significa uma suspensão das ações militares. E até dizemos que com esta atitude estão violando os Protocolos de Genebra em sua mais ampla extensão, porque se trata de evitar novas vítimas.
De toda maneira, creio que Santos está começando a se conscientizar, dando instruções a seus generais e oficiais que farão parte da subcomissão técnica de que se ocupará do assunto do cessar-fogo, para buscarem a maneira de chegar rapidamente a esse objetivo.
- Segundo vocês, o Presidente Santos tem total controle sobre as forças militares oficiais ou existem diferenças nessa área?
- É preciso reconhecer que, em geral, se observa a subordinação das Forças Armadas ao Presidente, porém, ao mesmo tempo, existe uma forte influência negativa por parte da extrema direita liderada por Álvaro Uribe Vélez. Imaginamos que esse assunto deveria estar sendo resolvido.
- Qual é sua versão do ocorrido com o general Alzate, que foi detido e depois libertado pelas FARC?
- O general Alzate é o que realmente ocorreu. Acreditamos em sua palavra, de que não esteve realizando coisas “profanas” no rio Atrato. Existe um grupo de novos oficiais que querem atuar um pouco mais favorecendo as comunidades com ações cívico-militares para tentar recuperar a confiança perdida. É lógico que a população desconfia, como o mesmo Alzate reconheceu, e, por isso, se envolveram neste tipo de ações sociais em uma região tão esquecida como é o Chocó, que não tem energia, nem serviço de água, nem de esgoto e, muito menos, estradas.
Em uma dessas saídas que fez de Quibdó, de seu forte militar, é possível que o general tenha se descuidado um pouco de sua segurança e chegou a um local, onde estavam as FARC. Como ele é o chefe de uma força-tarefa que se dedica a perseguir e bombardear a guerrilha, então foi detido e teve que marchar na condição de prisioneiro.
- Por ser quem era e o cargo que ostentava Alzate, a guerrilha não titubeou em nenhum momento em negociar sua libertação, por exemplo, com a troca de presos políticos?
- O governo se movimentou rapidamente para interceder por ele, e recorreu aos países garantidores do processo (Cuba e Noruega). É claro que estamos a total disposição para gerar condições favoráveis ao processo e, por isso, tomamos a decisão de libertar este general, fazendo o governo perceber que existe uma situação bastante reprovável no interior dos cárceres colombianos vivida pelos presos políticos e pelos prisioneiros de guerra. Os mesmos são mantidos em condições desumanas de superlotação e com a violação de seus direitos. Nós queremos que esses casos sejam visibilizados.
- Existe alguma resposta a essas denúncias?
- O governo mete na cabeça a ficção de que não existem presos políticos na Colômbia, porém os cárceres estão cheios de dirigentes populares acusados, a maioria deles, de terrorismo. Na Colômbia, parece que não existe outra acusação diferente para poder enfraquecer a ação e a força do movimento social e político.
- Voltando ao Presidente Santos, ele disse reiteradamente que é necessário concluir as negociações de paz. Quais são os prazos das FARC para esse fim?
- Efetivamente, os prazos estão um pouco esgotados. Porém, não se pode dizer que o processo não avança por nossa causa. Colocamos sobre a Mesa toda uma constelação de propostas sobre o tema agrário, drogas, participação política e vítimas. Estas são propostas mínimas e são concebidas para obter a aproximação das partes, porém ao governo elas parecem revolucionárias e radicais. É claro, muitas delas são mandatos constitucionais e é um dever do governo aplicá-las. Nós queremos que esta situação mude e não se obstrua a possibilidade de formalizar acordos.
- Existe outro tema chave que é o da Justiça, que na voz do governo se refere a que a guerrilha “pague pelos delitos cometidos”. Ou a cantilena de epítetos descarregada pelo uribismo que a acusa de crimes de lesa humanidade.
- O governo não deve confundir o processo de paz em Havana com um processo jurídico. É preciso buscar soluções políticas ao conflito colombiano. Nós desconhecemos o marco jurídico transicional que o governo tenta sacar diante das Cortes e ante mesmo o Congresso da República. Desta maneira, o acordo geral de Havana, que colocou as duas partes em um mesmo plano de igualdade, está sendo violado. Portanto, embarcar nas aventuras de levar adiante um marco jurídico não acordado, não tem possibilidade de sobrevivência. O que o governo faz é semear o expediente jurídico para terminar o processo com os comandantes atrás das grades. Nós dizemos que não viemos a Havana para sermos presos. Viemos buscar soluções políticas, negociadas, ao conflito colombiano. Agora nos dizem que é impossível evitar o superpoder da Corte Penal Internacional. No entanto, essa Corte não conhece a história do conflito colombiano, nem sequer sabe o que são os latino-americanos. Por isso estamos invocando uma doutrina que se chama a “Margem nacional de interpretação”, que prevê isto que estou dizendo.
- O governo insiste que os responsáveis por situações violentas deverão responder por seus atos.
- Claro, nós sabemos que existem responsáveis. Porém, fazer a opinião pública acreditar que a guerrilha é a máxima responsável, é desconhecer que estamos fazendo uso de um direito universal ao levante armado contra regimes injustos e vergonhosos, que somos uma resposta a uma violência que vem do poder, e isso está perfeitamente demonstrado. Acaba de ser entregue à Mesa o informe da Comissão Histórica do Conflito e de suas vítimas, que apresenta uma visão diferente da utilizada pelo Estado. Um relato que repousa no fundo da verdade para resolver tantas desavenças.
Esta questão dos responsáveis máximos também vem sendo tratada na Mesa de negociações. Por exemplo, dizemos aos militares que estão diante de nós, o general Mora Rangel e o general Naranjo, que para as FARC este sistema transcende aos comandos das distintas forças, envolve o Palácio de Nariño, que é onde estão os mandantes, autores por trás do autor. Também são responsáveis os presidentes, os ministros, os partidos políticos da ordem, os latifundiários que se apropriam de terras a sangue e fogo, através do paramilitarismo. Ou os senhores empresários, por exemplo, os banqueiros como Chiquita Brands ou Drummond, que estão financiando grupos paramilitares, ou setores da agroindústria que se apoderaram de terras que pertenciam a camponeses. Sabe-se que na Colômbia existe o deslocamento forçado de camponeses que se aproxima de 6 milhões. Responsáveis são os grandes meios de comunicação, a Igreja, o setor financeiro, envolvido na lavagem de dinheiro proveniente do narcotráfico. Nós dizemos ao governo: persigam estes que são os que promovem a atividade do narcotráfico. Não concentrem a ação punitiva no elo mais fraco da cadeia que são os camponeses pobres e os consumidores.
Nossa responsabilidade não é a mesma daqueles que causaram este confronto de tantos anos. O nosso é um delito político. O problema é que na Colômbia esse delito foi deformado. Agora, dizemos que se realmente querem que haja uma solução através do benefício do indulto ou da anistia, é preciso reverter o crime político a seu estado natural. De que maneira? Incluindo as atuações da guerrilha como produzidas em função da rebelião.
Também nos dizem que para existir um marco de legalidade em torno dos acordos, e que para que ocorra um fim jurídico definitivo, é necessário os chefes guerrilheiros irem para a prisão. Porém, não mencionam os responsáveis do Estado. Onde estão os presidentes? O próprio ex-presidente Cesar Gaviria disse que: “as responsabilidades são coletivas”. Nós vamos mais além e dizemos que o Estado é a máxima instância de culpa. E acrescentamos: para os guerrilheiros, nenhum cárcere!

- Há outro tema muito controverso e que está relacionado com a entrega das armas. Em que momento se discute concretamente esse ponto?
- Nós fizemos uma abordagem que esperamos seja respondida de maneira positiva pela contraparte. Entendemos como entrega das armas, a sua não utilização na política, e isto não só vale para a insurgência, mas, também, para
o Estado, suas Forças Armadas e policiais. Preocupa-nos muito que a utilização das armas por parte do Estado produza vitimizações coletivas, provocando o aniquilamento de alternativas políticas, decapitação de toda uma geração de revolucionários como aconteceu com os dirigentes e militantes da Unión Patriótica [União Patrótica], que sofreu 5000 mortes. Como aconteceu com “A luchar” [A lutar], com a Frente Popular. As armas que foram confiadas ao Exército para que defendesse as fronteiras pátrias, se voltaram contra o povo, provocando assassinatos e milhares de desaparecimentos. Isso sim é grave, e terão que responder. Resumindo: depois de um acordo de paz, as armas devem fazer silêncio. Complementamos: o Exército deve regressar a sua função constitucional de defender as fronteiras.
- Não é fácil imaginar o caminho de uma organização armada para um movimento político aberto. Como estão pensando isso?
- Muitos nos perguntam se nos vemos fazendo política no futuro. E respondemos que sempre fizemos política. Com armas ou sem armas, sempre estamos em função da política porque temos uma visão de país, temos bandeiras e uma plataforma de 12 pontos que apresentamos quando fizemos 50 anos de existência, e estas são as do Movimiento Bolivariano por la Nueva Colombia [Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia].
Por outro lado, sabemos que apenas a assinatura de um Acordo não vai mudar a situação na Colômbia. O que precisamos é gerar uma situação distinta, de tolerância e de democracia verdadeira. Queremos que todo o nosso povo tenha uma vida digna e que a Colômbia abandone esse terceiro e desonroso lugar ganho por seus índices de desigualdade.
- Suponho que não será fácil discutir com o atual governo o tema da política econômica a ser aplicada no futuro.
- O governo diz que a política econômica não está em questão. E nós nos perguntamos: a política neoliberal tem que primar? Não podemos nos colocar em acordo ao pensar outras políticas que beneficiem os colombianos e deem a eles uma vida digna? Isso é o que estamos exigindo: uma mudança profunda de estruturas.
É claro que ainda existe um caminho a percorrer. E voltando ao que você dizia sobre os tempos, digo que tudo depende da decisão do governo. Se eles atenderem as iniciativas e propostas que estamos fazendo, acreditamos que o processo poderia entrar em uma dinâmica que pode conduzir rapidamente a um acordo final. Agora: nós não queremos que misturem eleições com o processo de paz, pois isso prejudicaria este último. Não desejamos isso. E, por isso, insistimos em rediscutir os pontos pendentes para ver se chegamos a um consenso. Se isto não for possível, esperamos que os mesmos sejam discutidos em uma Assembleia Nacional Constituinte.
- Paradoxalmente, os EUA falam de flexibilizar as relações com Cuba, agora se aproximam da Mesa de negociações entre o governo e as FARC e, por outro lado, castigam a Venezuela duramente, ameaçam de mil maneiras o processo revolucionário encabeçado por Nicolás Maduro. Como vocês analisam este panorama de conflito na América Latina?
- Repetidamente é dito que a paz da Colômbia é a paz do continente. Nós também cremos que a paz a ser alcançada, tem que ser projetada para o resto dos países. Talvez estes problemas que acontecem entre a Venezuela e os EUA possam ser resolvidos pela via diplomática e com respeito, abandonando por parte dos EUA a concepção do “quintal”. É preciso permitir que os governos decidam o rumo que deve ser dado ao destino de seus países.
- Lembro que em uma entrevista que fiz há vários anos com Manuel Marulanda, ele afirmou que a luta das FARC era pela tomada do poder e a construção do socialismo. Pergunto: as FARC de hoje, as que vocês representam, continuam pensando da mesma maneira?
- É claro, continuamos pensando da mesma forma. Estamos tentando avançar para um estágio que permita continuar desenvolvendo essa luta em condições melhores. No entanto, nosso propósito é o socialismo. Que ninguém tenha dúvidas disso. Esse é o sistema que vai nos levar à verdadeira democracia, à justiça social, a uma paz estável e duradoura e, sobretudo, à dignidade. Porque o socialismo é Humanidade.
- Você quer acrescentar algo mais aos nossos leitores do continente?
- Parece-me importante saudar os leitores deste importante periódico, Resumen Latinoamericano, que chega a muitas partes do continente com uma mensagem de resistência que deve ser considerada e que nos abastece com argumentos para continuar travando esta luta necessária por um mundo melhor.
Vídeo da entrevista – Parte 1:
Vídeo da entrevista – Parte 2:
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)
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