sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Vitória popular: Eleições Sind-UTE


Nossos companheiros e companheiras, integrantes do Comitê Central Popular, representantes da CONLUTAS e da INTERSINDICAL, compõe a chapa MUDA SIND-UTE, vencedora das eleições para a direção da sub-sede do sindicato, que ocorreu no dia 23 a 27 de novembro.

Desde sua fundação o sindicato dos professores da rede estadual está sendo dirigido pelo mesmo grupo, a Articulação Sindical, que abandonou a luta e foi se burocratizando.

Conseguir a direção da sub-sede é um importante passo para cumprir nossas propostas:

-Resgatar a organização local de trabalho através dos Representantes das escolas;

-Presença viva do sindicato nas escolas, com materiais informativos e reflexivos;

-Construir núcleos para todos os segmentos, especialmente aos auxiliares de serviço geral e secretários, resgatando-os da neglig~encia que a atual gestão foi capaz de atribuir-lhes;

-Garantir espaço para os aposentados nas discussões e lutas da categoria;

-Plantão permanente de diretores sindicais para atender a categoria;

-Construir um jurídico presente na sub-sedepara atender a categoria em seus problemas específicos.

No sindicato não basta uma direção. A classe trabalhadora deve a ele se filiar e lutar pelos seus interesses, participando de greves, mobilizações. O sindicaliado tem voz e é responsável na mudança dos rumos.

Comprometemo-nos com a construção de um sindicato independente dos governos, rumo a um movimento sindical de novo tipo.
SÓ A LUTA MUDA A VIDA!
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Socialismo e poder comunitário na Bolívia: Mais uma vitória das forças antiimperialistas Por: Fernando Viana [*]


No dia 6 de dezembro de 2009 ocorreram as eleições gerais na Bolívia. Com mais de 60% dos votos, as forças socialistas e antiimperialistas confirmaram o aprofundamento das mudanças que vive a "grande pátria", como costumam dizer os bolivianos. Em discurso, na grande festa da vitória, na praça "Murillo", em La Paz, Evo disse ter a obrigação de acelerar o processo de mudança, já que agora contará com dois terços do parlamento. Morales conta com apoio da COB (Central Obrera Boliviana), dos campesinos e dos povos indígenas que se colocam como protagonistas da construção de um poder comunitário.

Com pouco mais de 20% dos votos, o principal opositor de Evo Morales, Manfred Reyes, ex-governador de Cochabamba, com formação militar, saiu desmoralizado destas eleições. Não era para menos, o vice de Reyes, ex-prefeito de Pando, encontra-se preso por sua responsabilidade no massacre contra campesinos em Porvenir, em Setembro de 2008. A vitória de Evo Morales representa, portanto, a vitória dos movimentos sociais contra a elite mais violenta da Bolívia.

Para o cenário internacional, particularmente o latino americano, a vitória da esquerda na Bolívia significa mais um passo na luta antiimperialista, contra as intervenções bélicas dos EUA, em defesa da soberania dos povos. No momento em que foi depositar o seu voto, no colégio Aspiazu, o Ministro da presidência, Juan Ramón Quintana, afirmou que o governo e as forças democráticas estarão prontos a reagir contra a direita golpista e que a Bolívia lutará por sua soberania e de todos os povos da América Latina frente aos estadunidenses e imperialistas.

O Partido Comunista Boliviano, que elegeu dois suplentes ao Senado e ajudou a eleger alguns deputados aliados, avalia que o momento é de muita unidade e organização das forças democráticas. Marcos Domich, membro do Comitê Central dos comunistas bolivianos, afirmou que a direita saiu derrotada do processo eleitoral, mas não aceitará passivamente tal resultado e que se faz necessário impulsionar o processo de mudanças, garantindo a coerência das forças socialistas.

[*] Fernando Viana é Secretário Político do CR de Goiás e membro do Comitê Central do PCB. Encontra-se na Bolívia, onde foi observador internacional nas eleições deste domingo e representa o PCB em outras atividades, em especial em articulação com o Partido Comunista Boliviano.
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DECLARAÇÃO DE NOVA DELI


O 11º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, realizado em Nova Deli de 20 a 22 de Novembro de 2009, para discutir "A crise internacional do capitalismo, a luta dos trabalhadores e dos povos, as alternativas e o papel do movimento comunista e operário internacional":

# reitera que a actual recessão global é uma crise sistémica do capitalismo, que mostra as suas limitações históricas e a necessidade da sua superação revolucionária. Mostra a agudização da contradição fundamental do capitalismo, entre o carácter social da produção e a apropriação individual no capitalismo. Os representantes políticos do capital procuram esconder esta contradição irresolúvel entre o capital e o trabalho, que se encontra na raiz da crise. Esta crise vem exacerbar as rivalidades entre as potencias imperialistas, que conjuntamente com os organismos internacionais - FMI, Banco Mundial, OMC e outras - estão a pôr em prática as suas "soluções", visando no fundamental intensificar a exploração capitalista. O imperialismo está a executar agressivamente "soluções" militares e políticas ao nível global. A NATO está a avançar com uma nova estratégia de agressão, Os sistemas políticos estão a tornar-se mais reaccionários, limitando os direitos democráticos e cívicos, os direitos sindicais, etc. Esta crise está a aprofundar ainda mais e a institucionalizar a corrupção estrutural que existe sob o capitalismo.

# reafirma que a actual crise, provavelmente a mais aguda e abrangente desde a Grande Depressão de 1929, atinge todos os sectores. Centenas de milhares de fábricas são encerradas. Economias agrárias e rurais encontram-se sob pressão, intensificando o sofrimento e a miséria de milhões de agricultores e operários agrícolas em todo o mundo. Milhões de pessoas estão a ficar sem emprego e sem abrigo'. O desemprego aumenta para níveis inauditos, e prevê-se oficialemente que ultrapasse os 50 milhões. As desigualdades aumentam em todo o mundo - os ricos estão a ficar cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Mais de mil milhões de pessoas, um sexto da humanidade, sofre a fome. Jovens, mulheres e migrantes são as primeiras vítimas.

Fiéis à sua natureza de classe, a resposta dos respectivos governos capitalistas para superar a crise não abrange estas exigências fundamentais. Todos os devotos neo-liberais e os gestores sociais-democratas do capitalismo, que até agora falavam contra o Estado, utilizam-no agora para os resgatar, sublinhando assim um facto fundamental: que o estado capitalista sempre os defendeu e lhes abriu o caminho para super-lucros. Enquanto que os custos dos "pacotes" de resgate são suportados pelo erário público, os benefícios revertem em proveito de poucos. Os "pacotes" de resgate já anunciados procuram primeiro resgatar e depois alargar os caminhos para a obtenção de lucros. Os bancos e grandes consórcios financeiros já voltaram aos negócios e à acumulação de lucros. O desemprego cresce, e a redução dos salários reais pesa sobre os trabalhadores, contrastando com os enormes "pacotes" de resgate oferecidos às grandes empresas.

# compreende que esta crise não é nenhuma aberração devida à avarícia duns poucos, ou à falta de mecanismos de regulação eficazes. A maximização dos lucros é a razão de ser do capitalismo, e tem profundamente agudizado as desigualdades económicas, quer entre países quer no interior dos próprios países durante estas décadas da "globalização" . A consequencia natural disto foi uma redução no poder de compra para a grande maioria da população mundial. A crise actual é portanto uma crise sistémica, o que confirma mais uma vez a análise marxista segundo a qual o sistema capitalista traz a crise dentro de si. O capital, na sua procura de lucros, atravessa fronteiras e espezinha tudo e todos. Ao fazê-lo, intensifica a exploração da classe operária e de outras camadas trabalhadoras, impondo-lhes sofrimentos acrescidos. Com efeito, o capitalismo precisa que haja um exército de reserva de mão-de-obra. Só pode haver libertação desta barbaridade capitalista com a criação da alternativa real: o socialismo. Para isso, há que reforçar as lutas anti-imperialistas e anti-monopolistas. A nossa luta pela alternativa é portanto uma luta contra o sistema capitalista. A nossa luta pela alternativa é por um sistema onde não haja exploração de seres humanos por outros seres humanos, nem duns países por outros. É uma luta por outro mundo, um mundo justo, um mundo socialista.

# conscientes de que as potências imperialistas dominantes procurarão sair da crise impondo ainda mais sacrifícios aos trabalhadores, procurando penetrar e dominar os mercados dos países com um nível médio ou baixo de desenvolvimento capitalista, habitualmente chamados de "países em vias de desenvolvimento". Procuram fazê-lo em primeiro lugar através das negociações sobre comércio na rodada de Doha, reflexo dos acordos desiguais feitos à custa dos povos desses países, nomeadamente no que diz respeito às normas agrícolas e ao Acesso ao Mercado Não Agrícola (NAMA).

Em segundo lugar, o capitalismo, que é o principal responsável pela destruição do ambiente, procura transferir todo o custo de defender o planeta contra a mudança climática, de que ele próprio o causador, sobre os ombros da classe operária e dos trabalhadores. A proposta capitalista de reestruturação em nome da mudança climática tem pouco a ver com a defesa do meio ambiente. O "desenvolvimento verde" e a "economia verde", inspiradas pelos grandes empresas, servem para ser usadas para impôr novos regulamentos monopolistas de estado que facilitem a maximização dos lucros e para impôr novos sacrifícios aos povos. A maximização dos lucros sob o capitalismo é incompatível com a defesa do meio ambiente e dos direitos dos povos.

# aponta que a única saída da crise para a classe operária e para as pessoas comuns é através da intensificação das lutas contra a dominação do capital. A classe operária sabe por experiência própria que quando mobiliza as suas forças e resiste pode defender com êxito os seus direitos. Protestos nos locais de trabalho, ocupações de fábricas e outras formas de militância operária têm obrigado as classes dominantes a ter em conta as reivindicações dos trabalhadores. A América Latina, actualmente palco de mobilizações populares e de lutas operárias, mostra como se podem defender e conquistar direitos através da luta. Nestes tempos de crise, a classe operária está mais uma vez cheia de descontentamento. Em muitos países tem havido e continua a haver enormes lutas operárias, exigindo melhores condições. Estas lutas precisam de ser ainda mais reforçadas, através da mobilização das grandes massas populares que sofrem, para a luta não apenas pela atenuação do sofrimento mas por uma solução de longo prazo aos seus problemas.

O imperialismo, dinamizado pelo fim da União Soviética e pelos períodos de "boom" que precederam esta crise, tinha desencadeado ataques sem precedentes contra os diretos da classe operária e dos povos. Tudo isto foi acompanhado por uma propaganda anti-comunista frenética, não apenas ao nível de cada país, mas também em organismos internacionais e inter-estatais (UE, OSCE, Conselho da Europa). Mas por muito que se esforcem, as conquistas e o contributo do socialismo para a definição dos lineamentos da civilização moderna são inapagáveis. Perante estes ataques sem trégua, as nossas lutas até agora tinham até agora sido principalmente lutas defensivas, para defender os direitos que tínhamos alcançado anteriormente. A conjuntura actual exige o lançamento duma ofensiva para não apenas defender os nossos actuais direitos, mas também para conquistar novos direitos; não apenas para conquistar novos direitos, mas também para desmantelar toda a engrenagem capitalista - uma ofensiva contra a dominação do capital e por uma alternativa política: o socialismo.

# resolve que nas actuais condições, os partidos comunistas e operários trabalharão activamente para mobilizar e trazer as mais amplas forças populares à luta por empregos estáveis a tempo inteiro, por cuidados de saúde, ensino e previdência exclusivamente públicos e gratuitos para todos, contra a desigualdade entre homens e mulheres e o racismo, e pela defesa dos direitos de todos os sectores de trabalhadores, incluindo os jovens, as mulheres, os trabalhadores migrantes e os membros de minorias étnicas e nacionais.

# apela aos partidos comunistas e operários para que se entreguem a esta tarefa nos seus respectivos países e desencadeiem amplas lutas pelos direitos do povo e contra o sistema capitalista. Apesar do sistema capitalista trazer dentro de si a crise, ele não se desmorona automaticamente. A falta duma contra-ofensiva dirigida pelos comunistas engendra o perigo dum ascenso das forças reaccionárias. As classes dominantes estão a lançar uma ofensiva sem limites para impedir o crescimento dos partidos comunistas e operários, e para se defenderem na situação actual. A social-democracia continua a semear ilusões quanto ao verdadeiro carácter do capitalismo, propondo palavras de ordem tais como "humanização do capitalismo", "regulamentação", "governação global", etc. Na realidade, estas servem para dar suportar a estratégia do capitalismo, ao negar a existência da luta de classes e servir de apoio à realização de políticas anti-populares. Não há reformas que bastem para eliminar a exploração capitalista. O capitalismo tem de ser derrubado. Isso exige a intensificação das lutas populares, ideológicas e políticas, dirigidas pela classe operária. São propagadas muitas teorias do tipo "não existem alternativas" à globalização capitalista. Contra elas, a nossa resposta é "a alternativa é o socialismo".

Nós, partidos comunistas e operários, provenientes de todas as partes do mundo e representando os interesses da classe operária e de todas as camadas trabalhadoras da sociedade (a imensa maioria da população global), sublinhando o papel insubstituível dos partidos comunistas, apelamos aos povos para que se juntem a nós no reforço das lutas que afirmam que o socialismo é a única verdadeira alternativa para o futuro da humanidade, e que o futuro é nosso.
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A poetisa romântica da esquerda


Fã de Che Guevara, admiradora de Jesus Cristo e amiga de Carlos Marighella, ela foi alfabetizada com poesia e viveu exilada por causa da militância comunista.
Leneide Duarte

Ela gosta de dizer que foi alfabetizada com poesia e amamentada com música. Na juventude, filiou-se ao Partido Comunista. Foi presa em 1935 e ficou ao lado da cela de Olga Benário, a mulher de Luiz Carlos Prestes que morreu nas mãos dos nazistas. "Lamento não ter ficado mais tempo na prisão para conhecê-la", diz. Aos 90 anos, a poetisa Beatriz Bandeira Ryff, que tem três livros publicados, é uma socialista convicta. Para ela, Che Guevara foi um idealista admirável e Jesus Cristo, de certa forma, um revolucionário. No seu panteão particular, estão ainda Luiz Carlos Prestes e Carlos Marighella, de quem foi amiga.

Militante comunista, ela é viúva do jornalista Raul Ryff, gaúcho que ela conheceu no Rio, pouco antes de 1935, e que se tornaria secretário de Imprensa do governo João Goulart. "Fui procurá-lo para levar uma palavra de ordem do partido, ficamos amigos e acabamos presos no mesmo dia", conta.

Nascida em 8 de novembro de 1909, filha de Alípio Abdulino Pinto Bandeira e Rosalia Nansi Bagueira Bandeira, ambos ferrenhos abolicionistas, Beatriz se tornou poetisa, depois de ser alfabetizada pelo avô. "O primeiro livro que ele me deu foi "As Primaveras", de Casimiro de Abreu.

Depois viriam Castro Alves e Gonçalves Dias", recorda. Foi também o avô que lhe ensinou francês. Seu amor à música vem da infância. Sua mãe cantava e "tocava bandolim divinamente". Formou-se em piano pela Escola Nacional de Música.

Da infância, recorda-se do bonde puxado por burro que passava perto de sua casa no Méier, zona norte do Rio. Nos fins de semana, o programa da família era colher framboesa, pitanga e jabuticaba na Floresta da Tijuca.

Quase toda a vida de Beatriz Ryff tem referências políticas. Em 1964, foi demitida pelo regime militar do cargo de professora de técnica vocal do Conservatório Nacional de Teatro. Ela e o marido foram procurar asilo na embaixada da Iugoslávia. Três meses depois, um grupo de perseguidos políticos de esquerda partiu para o exílio em Belgrado, no navio Bohiny. A experiência rendeu o livro" A Resistência - Anotações do Exílio em Belgrado".

Os nomes dos dois filhos gêmeos - o mais velho se chama Sérgio - também têm laços com a política: Luiz Carlos é uma homenagem a Prestes e Tito Bruno é uma dupla homenagem: ao Marechal Tito, que unificou a Iugoslávia em 1945, depois da Segunda Guerra Mundial, e a Giordano Bruno, filósofo italiano que foi queimado na fogueira, em Roma, em 1600, durante a Inquisição.

Do exílio em Belgrado, os Ryff foram para Paris, onde Raul trabalhou para a tevê francesa e Beatriz fez a cobertura de desfiles de moda para uma agência de notícias brasileira. Antes, o casal já vivera exilado no Uruguai, em 1936 e 1937, para se livrar das perseguições do Estado Novo, depois do fracassado levante comunista.

Pouco tempo depois, filiou-se ao PCB. No partido, conheceu a poetisa Eneida Costa de Moraes. Em 27 de novembro de 1935, dia em que a Revolução Comunista de 1935 foi abafada pelos militares, Beatriz seguiu em missão à casa de Eneida, perto da Lapa. Seus companheiros de partido haviam lhe dado um pacote com granadas do tipo banana. Ela aprendeu como funcionavam e lhe disseram que deveria subir ao apartamento de Eneida, se não houvesse uma toalha na janela. Tomou um táxi e desceu em frente à Escola Nacional de Música, para despistar e seguir a pé. Ao perguntar o preço da corrida ao motorista, ouviu dele: "Não é nada não, companheira, tenha boa sorte". Beatriz supõe que ele a reconhecera dos comícios dos quais participara. As granadas foram entregues a Eneida sem problemas.

Beatriz se considera uma privilegiada por ter convivido com "pessoas tão especiais e admiráveis". Foi assim com Carlos Marighela, que conheceu em Porto Alegre, em 1947. Nesse anos, os companheiros tinham organizado um bloco de Carnaval chamado Filhos do Povo.

Em outra passagem, chorou no ombro da Passionária, como era conhecida Dolores Ibarruri, heroína do Partido Comunista espanhol. Foi na década de 1960, quando ambas participavam em Moscou de um Congresso de Mulheres. Depois de ver um filme sobre crianças catadoras de lixo no Brasil, Beatriz não conteve o choro e Dolores a consolou. E na prisão, em 1935, ela aprendeu inglês com o Barão de Itararé, pseudônimo do humorista Aparício Torelli. "Quando chegou, o Barão passou a subir nas grades para conversar com as mulheres. Soube que ele dominava bem o inglês e pedi que me ensinasse a língua", conta. "Ele passou a me mandar deveres dobradinhos numa caixa de fósforo que jogava pela grade." Nascia ali mais uma das amizades de Beatriz Ryff.

http://www.terra.com.br/istoegente/19/reportagens/testem_19.htm
http://oninhoeatempestade.blogspot.com/2009/11/beatriz-vicencia-bandeira-ryff.html
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Por que Evo ganhou? - Por Atílio A. Boron


Celebrávamos uma semana atrás o triunfo de Pepe Mujica no Uruguai. Temos hoje renovadas - e também mais profundas - razões para festejar a extraordinária vitória de Evo Morales. Tal como há algum tempo havia indicado o analista político boliviano Hugo Moldiz Mercado, o grande veredicto das urnas assinala pelo menos três marcos importantíssimos na história da Bolívia: a) Evo é o primeiro presidente democraticamente reeleito para dois mandatos sucessivos; b) é o primeiro, além disso, a melhorar a porcentagem de votos com que foi eleito na primeira vez: saltou dos 53,7% aos atuais 63,3%; e c) é o primeiro a obter uma esmagadora representação na Assembleia Legislativa Plurinacional. Além disso, mesmo antes de se ter os números definitivos, é praticamente certo que Evo obterá os dois terços no Senado e na Câmara de Deputados, o que lhe permitiria nomear autoridades judiciais e aplicar a nova Constituição sem oposição. Tudo isso o converte, do ponto de vista institucional, no presidente mais poderoso da convulsionada história da Bolívia. E um presidente comprometido com a construção de um futuro socialista para o seu país.

Obviamente estas conquistas não impedirão a Washington de reiterar as suas conhecidas críticas à “defeituosa qualidade institucional” da democracia boliviana, o “populismo” de Evo e a necessidade de melhorar o funcionamento político do país para garantir a vontade popular, como, por exemplo, se faz na Colômbia. Neste país, sem irmos muito longe, cerca de 70 parlamentares do uribismo estão sendo investigados pela Corte Suprema de Justiça e pela Procuradoria por seus supostos vínculos com os paramilitares, e 30 deles foram enviados à prisão por esse motivo. Quatro milhões de pessoas deslocadas pelo conflito armado, auge do narcotráfico e do paramilitarismo sob amparo oficial e com a aquiescência de Washington, violação sistemática dos direitos humanos, entrega da soberania nacional aos Estados Unidos mediante um tratado negociado em segredo e que concedeu a instalação de sete bases militares estadunidenses em território colombiano e a fraudulenta manipulação processual para conseguir a re-re-eleição do presidente Álvaro Uribe... estes são todos traços que caracterizam uma democracia de alta “qualidade institucional”, que não provoca a menor preocupação das falsas salvaguardas da democracia nos Estados Unidos.

O desempenho eleitoral do líder boliviano é impressionante: obteve um triunfo arrebatador na convocatória da Assembleia Constituinte, em julho de 2006, que assentaria as bases institucionais do futuro Estado Plurinacional; outra esmagadora vitória em agosto de 2008 (67%) no Referendo Revogatório forçado pelo Senado, controlado pela oposição, com o aberto propósito de derrubá-lo; em janeiro de 2009 os 62% dos votantes aprovou a nova Constituição Política do Estado e apenas algumas poucas horas atrás, outra plebiscitária ratificação de quase dois terços do eleitorado.

O que há por trás desta impressionante máquina de ganhar eleições, indestrutível apesar do desgaste de quatro anos de gestão, dos obstáculos interpostos pela Corte Nacional Eleitoral, da hostilidade dos Estados Unidos, das numerosas campanhas de desabastecimento, das tentativas de golpe de estado, das ameaças separatistas e dos planos de magnicídio?

O que há é um governo que cumpriu com as suas promessas eleitorais e que, por isso mesmo, desenvolveu uma ativa política social que lhe garantiu a indelével gratidão de seu povo: o Vale Juancito Pinto, que chega a mais de um milhão de crianças; a Renda Dignidade, um programa universal para todos os bolivianos com mais de 60 anos sem renda alguma; o Vale Juana Azurduy, para as gestantes. Um governo que erradicou o analfabetismo aplicando a metodologia cubana do programa “Sim Eu Posso”, o que permitiu alfabetizar a mais de um milhão e meio de pessoas em dois anos, razão pela qual em 20 de dezembro de 2008 a UNESCO (não os partidários de Evo) declarou a Bolívia território livre do analfabetismo.

Trata-se de uma conquista extraordinário para um país que sofreu uma secular história de opressão e exploração, afundado por suas classes dominantes e seus senhores imperiais em uma dolorosa pobreza, apesar da imensa riqueza que guarda em suas entranhas e que, recentemente, com o governo de Evo, é recuperada e posta a serviço do povo. Por outro lado, o solidário internacionalismo de Cuba e da Venezuela também permitiu a construção de numerosos hospitais e centros médicos, ao mesmo tempo em que milhares de pessoas recuperaram a visão graças à Operação Milagro.

Importantes avanços também foram registrados em matéria de reforma agrária: cerca de meio milhão de hectares foram transferidos para as mãos dos camponeses e na anunciada recuperação das riquezas básicas (petróleo e gás), o que em seu momento provocou o nervosismo de seus vizinhos, especialmente do Brasil, mais preocupado em garantir a rentabilidade da Petrobrás do que em cooperar com o projeto político de Evo.

Por último, o cuidadoso manejo da macroeconomia tem permitido à Bolívia, pela primeira vez na sua história, contar com importantes reservas estimadas em 10 bilhões de dólares e uma situação de bonança fiscal que, somada à colaboração da Venezuela nos marcos da ALBA, permitiu a Morales realizar numerosas obras de infraestrutura nos municípios e financiar a sua ambiciosa agenda social.

Claro que ainda há muitas coisas pendentes e nem tudo o que foi feito está isento de crítica. Em nota recente, Pablo Stefanoni, editor do Le Monde Diplomatique na Bolívia, advertia sobre a instável convivência entre “uma pregação eco-comunitarista nos fóruns internacionais e um discurso desenvolvimentista sem muitos matizes no âmbito interno.” Ainda que exista a tensão, é preciso reconhecer que a vocação eco-comunitarista de Evo transcende o plano de suas performances nos fóruns internacionais: seu compromisso com a Mãe Terra, a Pachamama, e os povos originários é sincero e efetivo e tem indicado um marco na história de Nuestra América. Obviamente o extrativismo do padrão de desenvolvimento boliviano é inegável, mas também inevitável, dadas as características brutalmente predatórias que a acumulação capitalista assumiu na Bolívia. Pensar que da noite para o dia o governo popular poderia sustentar um modelo de desenvolvimento alternativo deixando de lado a exploração das imensas riquezas minerais e energéticas deste país é completamente irreal.

A Bolívia não tem ao seu alcance, ao menos por agora, uma opção como a que em seu momento tiveram a Irlanda ou a Finlândia. Mas seria injusto ignorar que a orientação de seu modelo econômico e o seu forte conteúdo distribuidor separa-o claramente de outras experiências em marcha no Cone Sul. E isso sem falar da assumida intenção de Evo em avançar na complicada - e, por isso mesmo, lenta e cheia de vigilâncias - construção de um renovado socialismo, algo que nada tem a ver com o nebuloso “capitalismo andino-amazônico” que alguns insistem em apresentar como uma tão inexorável como inverossímil ante-sala do socialismo.

Todos estes êxitos, somados à sua absoluta integridade pessoal e a uma cotidianidade espartana (que contrasta muito favoravelmente com as volumosas fortunas ou os elevados padrões de consumo que outros líderes e políticos “progressistas” da região exibem) têm feito de Evo um líder dotado de um formidável carisma pessoal que lhe permite derrubar qualquer rival que se atreva a desafiá-lo na arena eleitoral. Mas ainda por cima, sua permanente preocupação em conscientizar, mobilizar e organizar a sua base social – deixando de lado os desprestigiados aparatos burocráticos que, como na Argentina, no Brasil e no Chile não mobilizam nem conscientizam ninguém - não apenas satisfaz a impostergável necessidade de construir uma subjetividade apropriada para as lutas pelo socialismo como também, ao mesmo tempo, se constitui em uma carta decisiva na hora de prevalecer na arena eleitoral.

As forças da atribulada “centro-esquerda” do Cone Sul, que têm diante de si um futuro político pouco promissório levando-se em conta o crescimento da direita alimentado por seu resignado “possibilismo” [pragmatismo], fariam bem em tomar nota da luminosa lição que oferece o triunfo de Evo nas eleições do domingo passado. Uma lição que demonstra que frente ao perigo da restauração do domínio da direita a única alternativa possível é a radicalização dos processos de transformação em curso. Derrotada no terreno eleitoral a direita dobrará a sua ofensiva nos múltiplos cenários da luta de classes. Seria suicida supor que se inclinará sem oferecer batalha diante de um revés eleitoral. Oxalá se aprenda também esta lição.

(tradução de Rodrigo Oliveira Fonseca. Texto original em www.atilioboron.com )
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CAMARADA JOSÉ PAULO NETTO: O PCB SE ORGULHA E SE ENGRANDECE COM SUA VOLTA AO PARTIDO!


Tive o privilégio de conviver e aprender com José Paulo Netto durante dez anos, como membros que fomos do Comitê Central e da Executiva Nacional do PCB, a partir do VII Congresso do Partido, em 1982.

Em 1992, quando o PCB se dividiu em dois, eu tinha certeza de que José Paulo não ficaria no PPS. Mas, para ser franco, não tinha certeza de que, pelo menos naquele momento, ele não ficaria no PCB. Aos olhos de grande parte da militância do Partido da época, o Movimento em Defesa do PCB parecia quixotesco e ortodoxo. Como muitos ex-militantes do PCB, José Paulo Netto, desde então, não militou em qualquer partido.

Mas ele nunca deixou de ser comunista. Pelo contrário, transformou-se num dos mais importantes intelectuais brasileiros da atualidade, dedicando sua vida à produção teórica, à luta ideológica contra o capital e à formação política da juventude. Não limitou a esfera de sua contribuição intelectual ao ambiente acadêmico.

José Paulo também nunca se afastou do PCB, colaborando com o Partido em diversas atividades e sobretudo na formulação política, tendo participado destacadamente dos debates das Teses ao XIV Congresso, juntamente com dezenas de comunistas amigos e simpatizantes.

Ou seja, ele havia saído formalmente do PCB, mas o PCB jamais saiu dele.

Nesta sexta-feira, 4 de dezembro de 2009, José Paulo Netto resolveu esta contradição. Voltou oficialmente ao seu Partido, num singelo e emocionante encontro com uma delegação do Comitê Central do PCB, na sede nacional do Partido, no Rio de Janeiro.

A meu ver, José Paulo não voltou ao PCB porque lhe deu saudades e muito menos por qualquer outra razão de natureza pessoal. As Resoluções do XIV Congresso, a nossa coerência política e a reconstrução revolucionária do PCB fizeram com que o Partido merecesse a confiança dele em voltar a militar como intelectual orgânico comunista.

O PCB lhe recebe com carinho e orgulho, camarada José Paulo Netto!

Ivan Pinheiro
Secretário Geral do PCB
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Lenin 80 anos: os limites do sindicalismo


A luta sindical, sendo imprescindível, é limitada e insuficiente para vencer o capital

Os sindicatos surgiram no período de formação e de auge do capitalismo. Karl Marx e Friedrich Engels dedicaram muitas páginas à análise dos sindicatos. Engels, no livro “A condição da classe trabalhadora na Inglaterra”, afirma que “como escolas de guerra, os sindicatos não têm competidores”. Com esta idéia, buscava valorizar a união dos operários na luta contra o capital, que possibilitava uma preparação para a “batalha futura”. Para a batalha política do proletariado em direção a tomada do poder de Estado: o fim do trabalho assalariado e a implantação do socialismo. Mas, mesmo Marx e Engels, que viveram sob o capitalismo da livre concorrência e não sob a época imperialista, já apontavam os limites do sindicalismo. Falavam de como a “prosperidade” industrial criava tentativas de comprar e corromper os operários; de como os líderes dos operários ingleses se transformavam num tipo de intermediários “entre o burguês radical e o operário”.

A luta sindical deve subordinar-se à luta política

Para os marxistas revolucionários, a luta econômica e sindical é parte fundamental da luta de classes, mas deve combinar e se subordinar à luta política, porque não é a luta mais importante e nem a única a ser travada. Pelo contrário, o sindicalismo desenvolve espontaneamente tendências oportunistas, de limitação das lutas ao sistema capitalista e ao Estado Burguês. Se o marxismo revolucionário sempre defendeu a participação dos revolucionários nos sindicatos e nas lutas imediatas dos trabalhadores contra todo ultra-esquerdismo, não dedicou menos esforços à luta contra o oportunismo. Este, desviando-se para o sindicalismo, adaptava-se ao reformismo e, em situações diretamente revolucionárias, representava a burocracia e a aristocracia operária, atuando ao lado da burguesia “democrática” contra a revolução.

Por isso, Lenin definia que os sindicatos e a luta sindical eram apenas uma “escola de guerra, não eram ainda a própria guerra” e que a consciência apenas sindical era uma consciência burguesa.

O combate ao sindicalismo e ao reformismo

As tendências ao revisionismo oportunista e as grandes polêmicas com este se manifestaram no Partido Social Democrata alemão (SPD), na década de 1890. Esta situação ecoou por toda II Internacional, através dos debates de Rosa Luxemburgo e outros. Eduard Bernstein afirmava ser “o movimento tudo e o objetivo final nada”, pregando a via pacífica para o socialismo, através da conquista de reformas sucessivas e da negação da ditadura do proletariado. Foi, neste mesmo período que Lenin enfrentou os economicistas (sindicalistas russos), antecipando na Rússia, em 1903, o que ocorreria em 1914, em toda a Europa. Ou seja, a ruptura dos revolucionários com a ala oportunista da social-democracia, que acabou apoiando a burguesia de seus respectivos países na Primeira Guerra Mundial.O livro Que Fazer?, escrito em 1902, polemiza com a corrente economicista, acusando-a de ser apenas uma forma de Bersnteinismo, e defende a necessidade de um partido revolucionário que atue e conduza “num só feixe a luta econômica, política e teórico/ideológica”, em direção a tomada do poder. Lenin afirmava que a luta econômica deveria subordinar-se à luta política revolucionária, pois a luta sindical, sendo imprescindível sob o capitalismo, por si só era estreita, porque convivia com este e apenas almejava vender a um preço melhor a mercadoria força de trabalho. Os economicistas rebatiam que não negavam a luta política, apenas entendiam que “a política acompanha docilmente a economia”. Ou seja, negavam a política revolucionária e defendiam na prática uma política sindical ou reformista, que se limita à denunciar o governo, visando reformas, através de leis que não suprimem a sujeição do trabalho ao capital. Lenin defendia a necessidade de organizar um partido revolucionário, que subordinasse sua atuação sindical aos objetivos políticos revolucionários, participando e ajudando o movimento operário em todas as suas lutas, mesmo as mais modestas, mas que – ao mesmo tempo – realizasse agitação política revolucionária e combatesse o espontaneísmo e as ideologias burguesas e reformistas.

A atualidade do leninismo nesse terreno é inegável, pois nesta etapa de decadência imperialista, a burocracia e a aristocracia operárias estrangulam a independência dos sindicatos em relação ao Estado burguês, com a política de conciliação, e mantém seus privilégios, através da traição mais descarada e aberta aos interesses dos trabalhadores.
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DECLARAÇÃO CONJUNTA PCB E PRCF


Ivan Pinheiro, Secretário Geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Georges Gastaud, Léon Landini e Daniel Antonini pelo Pólo de Renascimento Comunista Francês (PRCF), reunidos em Paris, no dia 26 de novembro, encontraram uma consistente convergência de pontos de vista sobre o balanço da experiência de construção do socialismo no século XX, a respeito da conjuntura internacional e a crise do capitalismo, a centralidade do trabalho, o papel da classe operária, o caráter marxista-leninista de Partido e a necessidade de superação revolucionária do capitalismo.

Para dar conseqüência prática a este histórico encontro, assumiram mutuamente as duas organizações os seguintes compromissos:

1 – estreitar as relações bilaterais fraternas, dentro dos princípios do internacionalismo proletário, através de intercâmbios e iniciativas comuns;

2 – contribuir para a reconstrução revolucionária do movimento comunista internacional, através do fortalecimento de um pólo que se contraponha política e ideologicamente a todas as formas de reformismo, de conciliação de classe e chauvinismo;

3 – associar-se, com entusiasmo, à recente iniciativa de fundação da REVISTA COMUNISTA INTERNACIONAL;

4 – solidarizar-se, de forma militante, com todas as lutas antiimperialistas e anticapitalistas que se acentuam no mundo, em especial:
- ao povo palestino, em sua luta contra a agressão sionista e pela criação de seu Estado soberano, libertação dos presos políticos em Israel e a volta dos exilados;
- aos povos iraquiano e afegão, em sua resistência contra a ocupação imperialista;
- ao povo cubano, em sua luta contra o bloqueio criminoso e pela libertação dos Cinco Heróis;
- aos povos da América Latina, diante de uma escalada de agressividade do imperialismo estadunidense, que reativa sua IV Frota e faz da Colômbia de Uribe sua grande base militar para ameaçar os processos de mudanças sociais em curso;
- a todos os trabalhadores do mundo, em suas lutas contra a opressão do capital e por uma sociedade socialista.

5 – Denunciar todos os imperialismos : não somente o imperialismo estadunidense, mas a União Européia, que é um cartel imperialista que se voltou contra a democracia, a paz e as conquistas sociais. Reorientar a União Européia num sentido progressiata é ilusório, ao contrário, é necessário combater de frente em nome do progresso social, da independência nacional e da luta pelo socialismo.

Paris, novembro de 2009

PCB – Partido Comunista Brasileiro
PRCF – Pólo de Renascimento Comunista Francês
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sábado, 5 de dezembro de 2009

Declaração da Frente Democrática pela Libertação da Palestina, no aniversário de 21 anos da aprovação do Documento da Independência. - Por: FDLP

# A unidade é o caminho da vitória, e a divisão conduz ao fracasso e à derrota
# Não permitiremos as guerras de extermínio contra a Resistência e a OLP

Ao nosso grande povo na pátria e no desterro

Dia 15 de novembro de 1988, na capital da Argélia, o Conselho Nacional Palestino aprovou o Documento da Declaração da Independência, baseado no fundamento jurídico de consagrar o estado palestino como um direito histórico e natural do povo palestino e pelos sacrifícios de gerações em defesa da liberdade e da independência. O Documento, que foi reconhecido por mais de 120 países, se apóia na força da legitimidade internacional contraída nas resoluções das Nações Unidas desde 1947 e no direito do povo de exercer a autodeterminação, a independência política e a soberania sobre sua terra.

O Documento de Declaração da Independência foi decretado de acordo com os objetivos da gloriosa Intifada Palestina, a Intifada da Independência que colocou de novo a OLP no seu verdadeiro posto como único representante do povo palestino, mesmo com todas as tentativas de marginalizá-la ou liquidá-la com guerras de extermínio político e militar, além de semear e financiar as divisões entre os povo em mãos de regimes árabes e estrangeiros, com a finalidade de enfraquecer o direito legítimo de nosso povo na criação de seu estado independente com Jerusalém como capital.

Nosso povo renovou seu apego aos objetivos nacionais e os reafirmou, com seu sangue e grande sacrifício, durante a intifada de Al-Agsa, À luz da renovada e contínua resistência nacional palestina, nosso povo, dentro e fora da pátria, celebra com orgulho o aniversário da Declaração da Independência, com uma firme e decidida vontade de seguir o caminho na luta nacional contra a ocupação, a agressão, o bloqueio e o colonialismo, assim como consagrar a Declaração da Independência de um estado soberano, sobre os territórios de Gaza e da Cisjordânia com Jerusalém Oriental como capital.

Ao nosso povo aguerrido

Nessa história e delicada etapa na trajetória da luta se evidenciam claramente os objetivos sionistas de liquidar nossa causa nacional mediante o extermínio de nosso povo através de crimes, assassinatos, seqüestros, o bloqueio, a construção do Muro de separação racista, a devastação da colheita, a destruição de casas e a "judaização" de Jerusalém.

No aniversário da Declaração da Independência nos dirigimos com uma saudação combativa sincera ao nosso povo paciente e resistente, e expressamos, com profundo agradecimento, a solidariedade e o apoio dos povos do mundo à luta palestina pela justa causa e total rechaço ao ocupante sionista e seus horríveis crimes.

A Frente Democrática para a Libertação da Palestina, no aniversário da Declaração da Independência, renova seu chamado à comunidade internacional para que assuma sua responsabilidade política e moral refletida nas resoluções das Nações Unidas de 1947, para assentar os cimentos da paz equilibrada e obrigar o governo de Israel a deter a agressão contra o povo palestino e cumprir com a vontade internacional.

A Frente Democrática afirma que o alcance dos objetivos da luta requer recuperar a unidade nacional, a reconstrução das instituições da OLP e da Autoridade Palestina através de eleições proporcionais baseadas nas decisões tomadas unanimemente, durante os diálogos internos e manifestadas nos documentos nacionais, assinados por todas as organizações e personalidades palestinas.

A luta continua até expulsar o agressor e conseguir o desejo do nosso povo de viver livre e digno em um estado independente e soberano.

Viva o aniversário da Declaração da Independência
Glória eterna aos mártires
Liberdade aos prisioneiros nas prisões do inimigo sionista
Frente Democrática para a Libertação da Palestina
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Brasília, Versalhes brasileira? - Por: Franco Juvêncio [*]

Para desencanto de conservadores e de progressistas ortodoxos a História não se repete em suas particularidades. Feitos e fatos havidos, sempre condicionados à subjetividade do novo, tornam-se, no entanto, referências para melhor entendimento do presente e da antevisão do futuro.

A cidade de Versalhes surgiu por força da necessidade de novos locais para melhor administração da França face o emergente período industrial do capitalismo. Um dos motivos também considerados para Brasília substituir o Rio de Janeiro como capital do Brasil.

Os governos de ambos os países foram retirados de suas mais politizadas cidades. As novas capitais como civitas e não urbs resultaram praticamente sem produção material, sem lutas trabalhistas de proletários pela satisfação de suas necessidades, pela reivindicação de seus direitos e pela imposição do seu modo de vida e de sua ética de classe.

O ideário que passou a predominar nessas novas civitas foi o de uma alta classe média como sempre em crise existencial, querendo se aburguesar sem poder e negando-se aceitar as vantagens sociais da emancipação proletária.

Cidades povoadas por funcionários públicos de formação universitária livresca e diletante -- distante da vivência da solução de problemas práticos concretos, -- de lobistas flanando nos corredores de palácios e ministérios, ciosos de serem convidados a participar das vantagens em projetos nacionais ou mesmo de festas nas embaixadas dos países ricos. Terreno fértil para, com seu falso glamour, atrair pobres e destituídos em busca de melhores condições de vida. Condições marcadas pelo ideário da troca e do lucro fácil, a um passo do embuste e da criminalidade de pequeno porte. Dessa para a participação na de grande porte basta um pulo.

Versalhes chegou a ser cenário da Revolução Francesa. Não foram poucas as cabeças que ali rolaram. Será este o destino de Brasília? Seus representantes políticos – governadores, senadores e parlamentares em geral, mesmo os que se anunciam de esquerda -- nem os deuses sabem como tiveram suas campanhas eleitorais financiadas. Suspeitas não esclarecidas vão se enfileirando ao longo da chamada Nova República.

Sou daqueles que involuntariamente estiveram ausentes de Brasília por um longo período. Muita coisa não vivenciei in-loco, mas já de volta até hoje espero pelo esclarecimento dos mais variados escândalos: o do governo Collor, o da ASEFE, o dos JOGOS PANAMERICANOS, o da UNIVERSIDADE de BRASILIA, o de depostos ou auto-demitidos senadores, o do METRÔ de BRASILIA, e agora o do denunciado atual governo do Distrito Federal.

O Brasil de hoje já alcançou sobejamente as condições objetivas para uma nova ordem econômica marcada pela justiça social. A questão é a falta das condições subjetivas para tanto. Como adquiri-las?

Em Versalhes não bastou querer melhorar o regime monarquista transformando-o de Absolutista em Federativo. Foi necessária a Revolução Francesa com os movimentos que lhe sucederam. É de se perguntar se basta querer melhorar o regime capitalista brasileiro? Estamos hoje plenamente integrados em sua fase imperialista internacional. A contradição fundamental que sofremos hoje se dá diretamente entre capital internacional e trabalho. Encontramo-nos entre escolher o caminho da reforma ou o da ruptura. No caso de Versalhes houve ruptura. E no nosso caso em Brasília?

Em sendo necessário há que se inteirar de como romper não se contentando somente em reformar!


[*] Codinome de Frank Svensson, professor titular aposentado FAU UnB, membro do CC do PCB.
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XI Encontro Mundial de Partidos Comunistas e Operários: PCB presente!



O Partido Comunista Brasileiro esteve presente no XI Encontro de Partidos Comunistas e Operários de todo o mundo, realizado em Nova Delhi, Índia, de 20 a 22 de novembro de 2009. O Partido Comunista da Índia e o Partido Comunista da Índia (Marxista) foram os anfitriões do Encontro, cujo tema central foi “A crise capitalista internacional, a luta dos trabalhadores e dos povos, as alternativas e o papel dos comunistas e do movimento da classe trabalhadora“. O evento contou com a participação de 83 delegados de 57 Partidos (de 48 países), que, ao longo dos três dias, sucederam-se no uso da palavra. Os delegados do PCB foram os camaradas Ivan Pinheiro e Eduardo Serra.

O Encontro, que se repete anualmente, é uma iniciativa dos partidos do campo comunista que não se deixaram levar pela onda liquidacionista dos anos 90, deflagrada a partir da queda da União Soviética e que, ao contrário, buscam não apenas manter viva a denúncia ao capitalismo, a referência ao Socialismo, ao Comunismo e ao Marxismo-Leninismo, em suas diferentes leituras. Além destes objetivos, o Encontro começa a operar também ações conjuntas e a oferecer um patamar superior de organização dos comunistas no plano internacional.

Desse encontro anual, participam agremiações que enfrentam condições diferentes na luta de classes em seus países e que apresentam distintas proposições táticas e estratégicas. Grosso modo, podem ser identificados um bloco mais próximo à socialdemocracia, que centra suas ações na esfera institucional e propõe reformas ao sistema, vendo a transição para o socialismo como de longo prazo; um bloco que tem clareza quanto ao caráter socialista da revolução, vendo-a como um processo de ruptura do capitalismo; e um conjunto de partidos em fase de definição quanto à linha estratégica.

A quase totalidade das intervenções convergiu quanto ao caráter estrutural da crise econômica e quanto ao desgaste das políticas neoliberais e do próprio capitalismo. A solidariedade a Cuba e à causa palestina receberam também o apoio de todos. Não houve consenso, entretanto, quanto ao papel do governo Obama e estimativas quanto ao desenrolar da crise do capitalismo. Divergências táticas e estratégicas se manifestaram em questões como a adesão ou não dos Partidos Comunistas e Operários europeus ao Partido da Esquerda Européia e mesmo quanto ao caráter e ao papel do governo Lula no cenário internacional.

A intervenção do PCB teve como base a Declaração Política do XIV Congresso e centrou-se na análise da luta de classes no Brasil, na caracterização do governo Lula e suas ações na esfera internacional. Propusemos que o Encontro rumasse para a formulação e a realização de mais ações conjuntas de todos os partidos e para a realização de reuniões regionais, para análise da conjuntura e trabalho conjunto. Nos marcos do Encontro, os delegados do PCB mantiveram reuniões e contatos com um grande número de Partidos irmãos de todos os continentes, reforçando sua inserção no movimento comunista internacional e estreitando laços bilaterais.

Na seção de encerramento, foi aprovada a incorporação de um novo membro, o Partido dos Trabalhadores de Bangladesh (Marxista-Leninista). Também decidiu-se que o XII Encontro Mundial será realizado no ano que vem na ÁFRICA DO Sul e foi aprovada a Declaração Final, cujos eixos básicos são:

- o reconhecimento do caráter estrutural e sistêmico da crise econômica mundial e dos limites históricos do capitalismo e das políticas neoliberais;

- a denúncia da rodada de Doha, da Organização Mundial do Comércio, como um instrumento de dominação dos mercados dos países mais pobres pelo imperialismo;

- o entendimento de que a intensificação da luta contra o capital é a saída para a crise;

- a conclamação a todos os Partidos comunistas e de trabalhadores a lançar uma ofensiva, em seus países, pelos direitos dos povos e contra o capitalismo;

Como decisões de ação, o Encontro apontou, ainda, para:

- o posicionamento contrário à existência da OTAN e sua expansão e às bases militares imperialistas;

- a adoção do dia 29 de novembro como o dia internacional de solidariedade à Palestina;

- a realização de manifestações lembrando o 55º aniversário da derrota do Nazi-Fascismo, em 2010;

- a realização de mobilizações em defesa dos trabalhadores e pelo direito ao trabalho, em coordenação com os sindicatos e organizações de juventude;

- a intensificação da campanha pela libertação dos 5 heróis cubanos;

Realizou-se, ao final do evento, um Ato Político, promovido pelo PCI e pelo PCI (M), com a presença de todos os Partidos que participaram do Encontro e cerca de 500 militantes dos partidos anfitriões, além de numerosos jornalistas. O ato buscou expressar a unidade dos comunistas, em que pesem as naturais divergências. Nesse sentido, os oradores escolhidos foram, além dos dois partidos anfitriões e dos PCs de Portugal e da Grécia (os principais fundadores desses Encontros) – os representantes dos PCs de Cuba e dos EUA, de Israel e da Palestina, cujas intervenções foram muito aplaudidas.

Um fato da maior relevância histórica teve lugar no Encontro, com o anúncio, por parte do Partido Comunista da Grécia e de outros Partidos marxistas-leninistas, da criação da REVISTA COMUNISTA INTERNACIONAL, assunto que divulgaremos em breve.

PCB – Partido Comunista Brasileiro
Secretariado Nacional – dezembro de 2009
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PCPE DENUNCIA A CUMPLICIDADE DO GOVERNO ESPAÑOL COM A DITADURA MARROQUINA


O Comitê Executivo do Partido Comunista dos Povos da Espanha, diante dos acontecimentos recentes, nos quais a dirigente saarauí Aminettu Haidar foi deportada do Saara à ilha de Lanzarote, com a cumplicidade do Ministro Moratinos, como representante da Monarquia espanhola, DECLARA:
1 - A atuação da polícia da ditadura marroquina, impedindo a entrada de Aminettu Haidar em seu país, é um ato contrário ao direito internacional, às resoluções das Nações Unidas em relação ao processo de descolonização do Saara, e constitui uma violação a mais para somar-se às numerosas agressões protagonizadas pelo Marrocos contra essa digna dirigente da luta do povo saarauí por sua independência.

2 - A atuação do Governo espanhol, permitindo que Aminettu, despojada de seu passaporte, entrasse em nosso país, é um ato coordenado com a polícia marroquina nesta agressão contra a dirigente saarauí. A obrigação do Governo É devolvê-la a seu ponto de origem, o Saara ocupado pelo Marrocos.

3 - Essa atuação do Governo espanhol é um ato a mais na sua trajetória de traição aos direitos do povo saarauí que, na prática, converte-se em uma colaboração com os crimes, as torturas, as prisões arbitrárias e os desaparecimentos de saarauís ocasionados pelo Marrocos. O criminoso é a ditadura marroquina, assim como o Governo Zapatero e a monarquia espanhola, que se posicionam sempre do lado dos criminosos e dos torturadores.

4 - O Comitê Executivo do PCPE convoca toda a sociedade espanhola, especialmente sua classe operária, para se solidarizar com Aminettu Haidar e com a causa do povo saarauí, realizando quantas ações políticas sejam possíveis para expressar seu rechaço contra a atuação do Governo espanhol, e de apoio à luta do povo saarauí.

5 - O Comitê Executivo do PCPE exige desse Governo - cúmplice de assassinatos e traidor de seus compromissos internacionais no Saara - a imediata devolução de Aminettu Haidar a seu país, o fim de sua colaboração com a ditadura marroquina na ocupação do Saara e o apoio incondicional à celebração do referendo de autodeterminação de maneira imediata sobre a base do censo reivindicado pela Frente POLISARIO, como representante legítimo do povo saarauí e da República Árabe Saariana Democrática. O PCPE rejeita toda solução que tente fazer Aminettu reconhecer - de maneira direta ou indireta - a suposta marroquinidade do Saara, como se depreende das propostas que Moratinos pretende armar com o Marrocos.

6 - Por último, o Comitê Executivo do PCPE, diante de um Governo ilegítimo que colabora reiteradamente com um governo criminoso, declara abertas todas as vias de luta contra suas políticas e em defesa dos direitos justos do povo saarauí.

Madrid, novembro de 2009
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Alan Woods do Congresso extraordinário do PSUV


Chávez fez um discurso radical de esquerda, convocando para o estabelecimento de uma nova internacional, explicando que era necessário destruir o Estado burguês e substituí-lo por um estado revolucionário
Na sessão de abertura do Congresso do PSUV, Chávez fez um discurso muito radical de esquerda, convocando para o estabelecimento de uma nova internacional, explicando que era necessário destruir o Estado burguês e substituí-lo por um estado revolucionário, mas também se referiu à burocracia dentro do próprio movimento bolivariano. Tratava-se claramente de um discurso que reflete a enorme pressão das massas que estão cansadas de ouvir falar de socialismo, enquanto que o avanço real rumo a uma mudança genuína parece ser desesperadamente lento.

Sábado, dia 21 de novembro, o Primeiro Congresso Extraordinário do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) começou suas sessões com a presença de 772 delegados com camisetas vermelhas. A maioria era de trabalhadores, camponeses e estudantes, eleitos por aproximadamente 2,5 milhões de votantes (a militância total no papel é de sete milhões!). O ambiente era de entusiasmo e expectativa.

Depois de uma sessão de pré-aquecimento com canções revolucionárias e alguns discursos de abertura dos dignitários da Nicarágua e El Salvador, Hugo Chávez abriu o ato com um discurso de cinco horas que terminou pouco depois da meia-noite.

A ênfase principal da primeira parte do seu discurso foi a necessidade de estabelecer uma nova internacional revolucionária, à qual se referiu como a Quinta Internacional. Chávez sublinhou que Marx havia criado a Primeira Internacional, Engels participou da fundação da Segunda Internacional, Lenin fundou a Terceira Internacional e León Trostky a quarta, mas que por diferentes motivos, nenhuma dessas Internacionais existia na atualidade.

Chávez assinalou que todas essas internacionais se basearam inicialmente na Europa, refletindo as lutas de classe na Europa naquele momento, mas que hoje em dia o epicentro da revolução mundial estava na América Latina, especialmente na Venezuela. Assinalou a presença no Congresso dos 55 partidos de esquerda de 39 países, que haviam assinado um documento denominado "O Compromisso de Caracas", baseado na idéia de uma luta mundial contra o imperialismo e o capitalismo, pelo socialismo.

Insistiu nessa idéia em várias ocasiões durante seu discurso, que também conteve muitas idéias radicais, ataques contra o capitalismo, sobre o qual disse que era uma grande ameaça para o futuro da raça humana. Referindo-se à crise do capitalismo mundial, condenou as tentativas dos governos ocidentais de salvar o sistema com os suntuosos resgates estatais. "Nossa tarefa não é salvar o capitalismo, mas destruí-lo", disse.

Referindo-se à situação na Venezuela, declarou que ainda não haviam conseguido eliminar o capitalismo, mas que estavam se movendo nessa direção. Seu anúncio de que iam tomar sete bancos foi recebido com aplausos entusiasmados. Denunciou a oligarquia venezuelana como uma quinta coluna, que havia se vendido ao imperialismo.

Chávez destacou que o Estado na Venezuela continuava sendo um Estado capitalista e isso era um problema central para a revolução. Agitando uma cópia de Lênin de "O Estado e a Revolução" (que recomendo que todos os delegados leiam), disse que aceitava a opinião de Lênin de que era necessário destruir o Estado burguês e substituí-lo por um Estado revolucionário, e que essa tarefa continuava pendente.

Quanto ao problema da burocracia, disse que ele era consciente de que alguns dos delegados presentes haviam sido eleitos de forma irregular e que algumas pessoas só estavam interessadas em se eleger ao Parlamento ou como prefeitos e governadores, o que qualificou como inaceitável.

No recente conflito com a Colômbia, reiterou seu pedido para a criação de uma milícia popular em que todos os trabalhadores, camponeses, estudantes, homens e mulheres, deveriam receber treinamento militar, e que isso não pode ficar no papel, mas que deve ser levado a cabo.

"Concedo grande importância a este Congresso", disse Chávez, "e tenho a intenção de ser parte ativa no acontecimento". Insistiu em que o Congresso não deve terminar amanhã (domingo), mas que deve continuar se reunindo periodicamente durante os próximos meses, a fim de debater todas essas questões a fundo. Insistiu em que os debates devem ser democráticos, levando em conta as diferentes opiniões e que os delegados devem informar às bases e discutir com elas as diferentes propostas e documentos.

O Presidente destacou que o próximo ano seria difícil. A oposição fará todo o possível para ganhar as eleições para a assembléia Nacional em setembro de 2010. "Depois disso, vão à minha procura", disse. Neste momento, um dos delegados gritou: "Vão à procura de todos nós!"

Tudo isto põe em evidência o problema central. Depois de 11 anos, há indícios de que as massas estão ficando impacientes e frustradas pela lentidão da revolução. A crise do capitalismo está tendo um efeito, e muitos estão indignados com a burocracia e com a corrupção que vem de todas as partes, inclusive dentro do próprio Movimento Bolivariano.

Essa frustração às vezes se expressa em greves. O Presidente expressou sua frustração por algumas greves, mas ainda assim fez uma convocação para um diálogo com os trabalhadores. Porém, por trás disso há um sentimento geral de que aqueles que estão na direção da revolução não estão conscientes da realidade e não escutam as massas ou não entendem seus problemas.

Durante o discurso, Chávez também enfatizou a necessidade de recuperar as tradições do sindicalismo revolucionário, já que a classe operária tem que desempenhar um papel de direção na revolução. "A consciência da classe operária é a chave na construção do socialismo", disse, acrescentando que deve haver uma aliança estreita entre o partido e os trabalhadores.

É evidente que Chávez está tentando utilizar o congresso para dar nova vida à revolução. Esperamos que este seja um ponto de partida para um novo avanço da revolução bolivariana, que só terá êxito passando à ofensiva, rompendo radicalmente com o capitalismo, batendo na oligarquia reacionária e estabelecendo um Estado operário genuíno, como a condição necessária para avançar rumo ao socialismo e lançar uma onda revolucionária em todas as Américas e em escala mundial.

Caracas, 21 e novembro.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

AS ILEGAIS ELEIÇÕES NAS HONDURAS E A HIPOCRISIA DE WASHINGTON


A Resistência Nacional diz que a abstenção foi 65 a 70% e os golpistas dizem que os votantes foram cerca de 65%, numas eleições em que não houve observadores internacionais…

Eva Golinger* – 01.12.09

O que é que havemos de fazer, ficarmos sentados durante quatro anos e simplesmente condenar o golpe? – declarações de um alto funcionário do Departamento de Estado de Washington ontem [dia 28 de Novembro].

As verdadeiras divisões na América Latina – entre a justiça e a injustiça, a democracia e a ditadura, direitos humanos e direitos das transnacionais, poder popular e dominação imperial – nunca foram tão visíveis como hoje. Os movimentos dos povos em toda a região para transformar sistemas corruptos e desiguais que isolaram e excluíram a maioria das nações latino-americanas estão hoje a tomar o poder de forma democrática e a construir novos modelos baseados na justiça económica e social. A Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Equador estão na vanguarda desses movimentos, enquanto outras nações como o Uruguai e a Argentina estão a movimentar-se para a mudança, embora num passo um pouco mais lento.

Historicamente, a região esteve pejada de uma brutal ingerência dos Estados Unidos, que procurou a todo o custo dominar e controlar os recursos estratégicos e naturais de território de abundância. Com excepção de desafiadora revolução cubana, Washington conseguiu instalar regimes títeres por toda a América Latina no final do século XX. Quando Hugo Chávez ganhou a presidência em 1998 e a revolução bolivariana começou a florescer, o balanço do poder e o controlo imperial sobre a região debilitam-se. Oito anos de governo de George W. Bush trouxeram novamente os golpes de Estado à região, na Venezuela em 2002 contra o Presidente Chávez e no Haiti em 2004 contra o Presidente Aristide. O primeiro golpe foi derrotado por uma insurreição popular massiva do povo, e o segundo conseguiu sequestrar e derrotar o presidente que já não interessava aos interesses de Washington.

Apesar dos esforços da administração de Bush para neutralizar a expansão da revolução na América Latina por meio de golpes, sabotagens económicas, guerra mediática, operações psicológicas, intervenção eleitoral e um incremento da presença militar, nações como as Honduras, S. salvador e Guatemala elegeram presidentes de tendência de esquerda. A integração latino-americana consolidou-se com a UNASUR e ALBA, e as garras do poder de Washington começaram a desaparecer.

Henry Kissinger disse nos anos setenta: «se não podemos controlar a América Latina, como vamos dominar o mundo»? Esta visão imperialista tem hoje toda a actualidade. A presença de Obama na Casa Branca foi vista de forma errónea por muitos da região como o sinal de um fim da agressão estadunidense no mundo e especialmente aqui, na América Latina. Pelo menos muitos pensavam que Obama diminuiria as crescentes tensões com os seus vizinhos do Sul. E o novo presidente dos Estados Unidos, ele próprio, fez alusões a tais mudanças.

Mas agora, a estratégia do «Smart Power» (poder inteligente) da administração de Obama foi desmascarada. Os abraços, troca de apertos de mão, sorrisos, ofertas e promessas de «não mais intervenção» e «uma nova era» realizadas pelo próprio Presidente Obamaperante os líderes das nações latino-americanas durante a Cimeira das Américas em Trinidad em Abri passado, converteu-se em cínico gestos de hipocresia. Quando Obama chegou ao poder, a reputação de Washington estava em queda. As débeis tentativas de «mudar» a relação Norte-Sul nas Américas desembocou numa situação pior., reafirmando que a visão de Kissinger sobre a importância de controlar esta região é uma política de estado de Washington, que não depende de nenhum partido ou chefe de Estado.

O papel de Washington no golpe das Honduras contra o Presidente Zelaya foi evidente desde o primeiro dia. O financiamento aos golpistas continua, a presença militar do Pentágono em Soto Cano, as constantes reuniões entre funcionários do Departamento de Estado e o embaixador dos EUA nas Honduras, Hugo Llorens, com os golpistas, e as cínicas tentativas de forçar uma «mediação» e «negociação» entre golpistas e o governo legítimo das Honduras são evidências irrefutáveis das intenções de Washington de consolidar esta nova forma de «golpe inteligente». A insistência inicial do governo Obama sobre a legitimidade de Zelaya como presidente das Honduras rapidamente desapareceu, passadas que foram as primeiras semanas após o golpe. Os apelos à «restituição da ordem democrática e constitucional» nas Honduras foram débeis cochichos repetidos pelas vozes monótonas dos porta-vozes do Departamento de Estado.

A imposição do presidente da Costa Rica, Óscar Árias – um peão de Washington – para «mediar» a «negociação» ordenada por Washington entre golpistas e o presidente Zelaya foi um acto circense. Desde o primeiro momento era óbvio que o Departamento de Estado estava a promover uma estratégia de «ganhar tempo» para consolidar o golpe nas Honduras. A falta de sinceridade de Árias e a sua cumplicidade no golpe foi evidente desde a manhã do violento sequestro e exílio forçado de Zelaya. Altos funcionários do Pentágono, do Departamento de Estado e da CIA presentes na base de Soto Cano, controlada por Washington, arranjaram o transporte de Zelaya à Costa Rica. Árias já tinha expresso de forma servil a sua disposição de dar refúgio ao presidente ilegalmente exilado e de não deter os sequestradores que pilotaram o avião que – violando o direito internacional – chegou ao território da Costa Rica.

Hoje, Óscar Árias fez um apelo a todas as nações do mundo para «reconhecerem» as ilegais e ilegítimas eleições que têm hoje [dia 29 de
Novemro] lugar nas Honduras. Por que não?, disse Árias, se não há fraude ou irregularidades, por que não reconhecer um novo presidente? O Departamento de Estado e até o próprio presidente Obama disseram o mesmo e estão a apelar – pressionando – aos seus aliados para que reconheçam o novo regime das Honduras, eleito sob uma ditadura. A fraude e as irregularidades já estão presentes, considerando que hoje não existe qualquer democracia nas Honduras que permita as adequadas condições para um processo eleitoral. E o Departamento de Estado admitiu há duas semanas que estão há muito tempo a financiar activamente o processo eleitoral e as campanhas eleitorais nas Honduras. E os «observadores internacionais» enviados para dar credibilidade ao ilegal processo das Honduras são, todos eles, agências e agentes do império. O Instituto Republicano Internacional (IRI) e o Instituto Democrata Nacional (NDI), duas agências criadas para levar o financiamento da USAID e da NED a partidos políticos no exterior e promover a agenda estadunidense, não apenas financiaram os grupos envolvidos no golpe de Estado das Honduras como estão agora a «observar» as eleições. Grupos terroristas como UnoAmérica, dirigido pelo golpista venezuelano Alejandro Peña Esclusa, também enviou «observadores» às Honduras. E o criminoso terrorista cubano-americano (Miami) Adolfo Franco, antigo director da USAID é outro «peso-pesado» na lista de observadores eleitorais hoje [ontem] nas Honduras.

Mas a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Centro Carter, que não são estruturas de esquerda, condenaram o processo eleitoral das Honduras como ilegítimo e recusaram enviar observadores, O mesmo fizeram as Nações Unidas e a União Europeia, tal como a UNASUR e a ALBA.

Washington está só, apoiado pelos seus regimes títeres da Colômbia, Panamá, Peru, Costa Rica e Israel, únicas nações que publicamente afirmaram o seu reconhecimento do processo eleitoral das Honduras. Um alto funcionário do Departamento de Estado declarou ontem [dia 28 de
Novembro] ao Washington Post: «o que é que havemos de fazer, ficarmos sentados durante quatro anos e simplesmente condenar o golpe»? Mas o governo de Washington ficou durante 50 anos sentado recusando reconhecer o governo cubano. Mas isso é porque o governo de Cuba não convém a Washington. E o regime ditatorial das Honduras convém, esse sim, convém-lhe.

O movimento de resistência nas Honduras está a boicotar as eleições, apelando à abstenção massiva do ilegal processo. As ruas das Honduras foram ocupadas por milhares de militares sob o controlo do Pentágono. Com armas cedidas por Israel, o regime golpista está preparado para reprimir e brutalizar de forma maciça os que resistem ao processo eleitoral. Devemos manter a nossa vigilância e solidariedade com o povo das Honduras face ao imenso perigo que o cerca. As eleições de hoje nas Honduras constituem um segundo golpe de Estado contra o povo hondurenho, desta vez abertamente concebido, promovido e apoiado por Washington. Independentemente do resultado das eleições não haverá justiça nas Honduras até que cesse a ingerência imperial.

Eva Golinger é advogada e escritora norte-americana de origem venezuelana.

Este texto foi publicado dia 30 de Novembro em www.rebelión.org

Tradução de José Paulo Gascão

FONTE: http://odiario.info/articulo.php?p=1390&more=1&c=1
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Nossa Pátria é a América (Comunicado das FARC)


O fato já consumado pela oligarquia vende-pátria, liderada pelo narcoparamilitar Álvaro Uribe, de converter a Colômbia numa base militar estadunidense, confirma outra vez o que, em seu momento, vislumbrou Simón Bolívar, quando em 05 de agosto de 1829, escrevia: "os Estados Unidos parecem destinados pela providência para infestar a América de miséria em nome da Liberdade".

Trata-se de converter a Colômbia em ponta-de-lança da estratégia do "amo do Norte", para impedir que processos sociais como o Venezuelano, que marcham para a realização do projeto Bolivariano de Soberania e Integração Latino-americana, que pode garantir aos nossos povos a "maior soma de felicidade possível", se convertam em realidade.

A situação é grave. O objetivo é evitar que a liderança e o povo venezuelano continuem a senda que deixaram assinalada nossos Libertadores. Esta oligarquia não suporta perder seus privilégios e nem admite que este exemplo se espalhe por toda a América. Para atingir seus objetivos oligárquicos, recorrem à calúnia, aos massacres executados por paramilitares, gerando o terror, confusão e desesperança; à espionagem descarada e a tentativa de confundir os povos através de uma intensa campanha midiática, cultivando um falso nacionalismo e um descarado chauvinismo.

Com tudo isso, o império está criando as condições para que a "tarefa" seja resolvida pela Colômbia, apoiado numa classe dirigente vassala disposta a servir ao amo estrangeiro para manter seus privilégios. Por isso, a confrontação com a qual nos ameaçaram não é entre Colômbia e Venezuela, mas entre as oligarquias que detém o poder fazendo até o impossível para mantê-lo e os povos de nossa América que estamos obrigados a dar uma resposta acertada, fraterna, internacionalista e desprovida de chauvinismo.

Convocamos os habitantes de ambos os lados da fronteira à conformação de comitês antiimperialistas que se convertam em muros impenetráveis onde se anulem as ambições imperialistas e se fortaleçam os laços fraternos e bolivarianos entre nossos povos.

A Pátria se respeita, fora ianques da Colômbia!



Secretariado do EMC FARC - EP

Montanhas da Colômbia, novembro de 2009
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Partido Comunista da Venezuela:


Partido Comunista da Venezuela:


Este é o momento de unirmos o mundo contra a dominação imperialista

PCV define a sua posição sobre o chamado feito pelo Presidente Hugo Chávez para a formação da “V Internacional Socialista".

Tribuna Popular | Caracas, Venezuela, 23 de novembro

PCV propõe que se constitua um grupo de trabalho para debate e elaboração coletiva

O Partido Comunista da Venezuela (PCV) definiu a sua posição sobre o chamado feito pelo Presidente Hugo Chávez para a formação da “V Internacional Socialista”, expressando que o que o mundo precisa é da união dos partidos políticos progressistas, revolucionários e de esquerda, junto aos movimentos e organizações sociais em uma ampla frente internacional que articule os esforços e coordene a luta antiimperialista.

Para os comunistas venezuelanos, o avanço em direção a instâncias orgânicas – como foram a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) ou Primeira Internacional, fundada em Londres em 1864, a Internacional Social-democrata ou Segunda Internacional, de 1889, e a Internacional Comunista, fundada em 1919 por iniciativa de Lênin e do Partido Comunista da Rússia (Bolchevique), que agrupava os Partidos Comunistas dos diferentes países, conhecida como Terceira Internacional – obedeceu a um processo de construção política, de unidade ideológica e objetivos comuns.

“Ressaltamos que nossa proposta, feita no Encontro Internacional de Partidos de Esquerda, é unir o maior número de partidos políticos progressistas, de esquerda e revolucionários, junto à grande gama de movimentos sociais, sindicais, indígenas, de trabalhadores da cultura, que estejam ou não a favor do socialismo, mas que tenham em sua prática e em seus objetivos comuns o avançar na luta contra o inimigo principal dos povos, que é o imperialismo mundial, não somente o estadunidense”, expressou Pedro Eusse, membro do Bureau Político do PCV.

Nos marcos do movimento comunista internacional, onde o PCV é parte ativa, há vários anos trabalha-se na construção de espaços de articulação antiimperialista que unam os esforços dos partidos comunistas e operários, na luta contra um inimigo comum, como os Seminários Comunistas Internacionais que organiza o Partido do Trabalho da Bélgica desde 1992, ou os Encontros Internacionais de Partidos Comunistas e Operários iniciados há mais de onze anos na Grécia.

“É aí onde temos feito presente nossa proposta de trabalhar por uma Ampla Frente Antiimperialista de nível mundial, continental e nacional que una a luta de todos que objetivamente estão afetados pelo domínio imperialista”, sublinhou Eusse.

Eusse informou que em setembro reuniram-se os partidos comunistas e operários em Damasco, sendo o debate principal a necessidade de unir a luta antiimperialista. Recentemente o mesmo ocorreu na Índia, onde os partidos comunistas e operários têm um denominador comum que é a ideologia marxista-leninista, cujo espaço deve manter-se e aprofundar-se. “Mas a Frente Antiimperialista que estamos propondo vai além, muito além dos partidos marxistas”, enfatizou.

O dirigente comunista assegurou: “temos consciência de que a luta contra o imperialismo não apenas é tarefa dos partidos marxistas-leninistas, mas sim do vasto movimento político e social de caráter democrático, popular, progressista, e que necessita ter uma maior força na luta contra a dominação imperialista”.

O PCV propõe que se constitua um grupo de trabalho de caráter coletivo, de debate, de elaboração conjunta, avaliando as distintas propostas, e cujo objetivo seja avançar rumo a uma instância ampla de coordenação na luta comum dos partidos políticos e movimentos sociais que estiverem na sua formação. ”Isto não pode ser parte de uma imposição em que venhamos a repetir erros já cometidos como o dos centros de direção, que prejudicaram a luta deste tipo de organizações internacionais já mencionadas, assim como também deve assimilar-se e respeitar-se o desenvolvimento, amadurecimento e autonomia que os partidos políticos têm adquirido ao longo de mais de cem anos”, enfatizou.

O Partido Comunista da Venezuela vem fazendo todos os esforços para que o Congresso da Coordenadora Continental Bolivariana (CCB), que ocorrerá nos dias 7, 8 e 9 de dezembro em Caracas, em sua passagem a Movimento, fortaleça-a, concebendo-se aí o “gérmen” da Frente Antiimperialista Internacional que reúna a amplos setores revolucionários para enfrentar o imperialismo mundial.

Pedro Eusse, Oscar Figuera e Perfecto Abreu, membros do Bureau Político do PCV

(tradução de Rodrigo Oliveira Fonseca. Original em: http://www.pcv-venezuela.org/index.php?option=com_content&task=view&id=6045&itemid=1 )
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NOTA POLÍTICA DA UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA – BRASIL


UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA

Fundada em 1º de agosto de 1927

www.uniaodajuventudecomunista.blogspot.com

NOTA POLÍTICA DA UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA – BRASIL

A Coordenação Nacional da União da Juventude Comunista – UJC apresenta para a juventude brasileira, para o conjunto de sua militância, simpatizantes, amigos e aliados uma análise sobre a conjuntura e as lutas da juventude e aponta os eixos de atuação política da UJC para os seis próximos meses que antecedem o V Congresso Nacional da UJC - BRASIL.






A crise continua!

Os impactos da Crise Econômica Mundial acarretam para os trabalhadores e a juventude a perca de direitos, desemprego e o aumento da violência. A Crise continua! E cada vez mais é sentida com o aumento do número de pessoas que passam fome no mundo. Obama segue os planos de Bush dando continuidade a invasão militar dos Estados Unidos e aliados no Iraque e no Afeganistão, ameaçando uma Guerra na península Coreana e no Irã, além de manter o apoio a Israel inviabilizando a criação de um Estado Palestino. Promovendo a guerra em larga escala ainda foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, quem sabe isso o tenha incentivado a enviar mais 30 mil soldados ianques para o Afeganistão para “pacificar” as lutas da resistência.

Como ressalta a Declaração Política do XIVº Congresso do PCB: “A crise demonstra de maneira cristalina a necessidade de os povos se contraporem à barbárie capitalista e buscarem alternativas para a construção de uma nova sociabilidade humana. Em todo o mundo, com destaque para a América Latina, os povos vêm resistindo e buscando construir projetos alternativos baseados na mobilização popular, procurando seguir o exemplo de luta da heróica Cuba, que ficará na história como um marco da resistência de um povo contra o imperialismo”.

Na América Latina, verifica-se uma crescente rejeição, por parte dos partidos de esquerda, das organizações dos trabalhadores, da juventude, dos movimentos sociais e populares, dos governos da Venezuela, do Equador, de Cuba Socialista e da Bolívia, ao projeto de Álvaro Uribe de favorecer a ampliação das bases militares dos Estados Unidos na Colômbia. Somadas a reativação da Quarta-Frota militar no Atlântico Sul e ao repleto histórico de intervenções políticas e militares na região, as bases militares podem cumprir o papel de fomentar um conflito armado na região ameaçando os países que hoje se contrapõem aos ditames de Washington como Cuba, Equador, Bolívia e Venezuela. A defesa estratégica do Pré-sal, da Amazônia e do Aquífero Guarani faz parte da luta contra o imperialismo.

O golpe militar em Honduras que culminou na deposição do presidente Manuel Zelaya foi uma clara ação contra a construção da Alternativa Bolivariana para os povos da Nossa América (ALBA). A UJC parabeniza e presta apoio militante a iniciativas concretas de solidariedade internacionalista como a da Casa da América Latina que colaboram para a concretização de ações efetivas junto aos movimentos sociais e populares, partidos e organizações políticas hondurenhas com o objetivo de denunciar e colaborar para a retomada do mandato do presidente Manuel Zelaya e a realização de uma constituinte naquele país.



Nossa resposta é a luta!

Uma pauta importante que se apresenta para os trabalhadores e a juventude do Brasil é o debate político sobre o PRÉ-SAL. Os petroleiros em conjunto com os movimentos sociais e populares e a juventude constroem a nível nacional a campanha O PETRÓLEO TEM QUE SER NOSSO! A UJC convoca a juventude brasileira a participar dessa importante campanha nacional envolvendo suas entidades, associações e organizações na construção dos Comitês, ações e mobilizações da campanha. Continuamos firme na denuncia dos leilões criminosos promovidos pela Agência Nacional do Petróleo (Presidida pelo PcdoB) que fatia e vende as riquezas petrolíferas para a iniciativa privada. Defendemos a realização de um plebiscito para termos uma nova Lei do Petróleo que extinga a ANP, acabe com os leilões das bacias petrolíferas, retome o monopólio estatal do petróleo e aponte para a Reestatização da Petrobrás sob o controle dos trabalhadores. Somente desta forma podemos preservar a soberania nacional e assegurar que os extraordinários recursos financeiros que serão gerados pelo pré-sal sejam usados para a solução dos graves problemas sociais brasileiros e não para fortalecer o imperialismo e dar mais lucros ao grande capital.

A crescente criminalização dos movimentos sociais e os assassinatos de militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST são ações preocupantes que devem ser respondidas com o reforço nas ações de solidariedade e apoio militante ao MST. Entendemos que essa ofensiva contra o conjunto dos movimentos sociais, intensificada na criminalização do MST, é nitidamente uma iniciativa dos setores políticos mais conservadores do país, que hoje fazem parte inclusive do Governo Lula.

A UJC vem participando das mobilizações unitárias em conjunto com o PCB e a INTERSINDICAL que estão ocorrendo no Brasil defendendo que os ricos paguem pela CRI$E. Mas também denunciamos aqueles que sob a bandeira da unidade tentam conduzir os movimentos sociais, sindicais e de juventudes ao pacto social, agora “justificado" pela crise. A UJC fortalecerá as ações unitárias, mas buscará construir agendas próprias ou integrando campos progressistas, que identificam na crise questões inerentes do capitalismo. No Brasil defendemos a construção de uma FRENTE ANTICAPITALISTA E ANTIIMPERIALISTA, na perspectiva da formação de um Bloco Revolucionário do Proletariado que aglutine forças na luta pelo socialismo, que vá muito além de meras disputas eleitorais.



Seguimos lutando e criando!

A UJC retomou de forma regular sua participação junto a Federação Mundial das Juventudes Democráticas - FMJD fortalecendo a unidade das organizações de juventudes comunistas e revolucionárias no cenário internacional na luta contra o imperialismo e pelo socialismo. Além da participação no último Festival a UJC vem participando ativamente de reuniões, encontros e seminários da FMJD que ocorrem na América Latina.

Estivemos presentes no Conselho Geral da FMJD em Havana (CUBA) e na reunião regional da FMJD em Santiago (Chile) e vamos construir e participar do XVIIº Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes em 2010 alçando bem alto a bandeira do socialismo.

A UJC esta buscando estreitar cada vez mais seus laços de apoio e solidariedade com suas organizações amigas. O Congresso da Juventude Comunista da Venezuela – JCV realizado no final do mês de agosto do corrente ano sinalizou um importante acúmulo de experiências de lutas importantes para o conjunto das organizações de juventudes comunistas e da esquerda. Saudamos os 80 anos de fundação da Juventude Comunista do Equador – JCE. Compreendemos a importância e o compromisso revolucionário desta organização para o avanço da luta pelo socialismo no Equador e no mundo. Em setembro estivemos novamente presentes no Congresso da Juventude Comunista Paraguaia – JCP, organização com a qual aprofundamos as relações de solidariedade e internacionalismo, avançando nas lutas conjuntas pela soberania energética do Paraguai e na luta contra o latifúndio em nossos países.

A juventude trabalhadora é uma parcela da classe trabalhadora que sofre diretamente com a precarização, o desemprego e outras mazelas do capitalismo. A UJC vem acumulando experiências de organização e luta na organização dos jovens trabalhadores. Seguimos construindo a INTERSINDICAL e impulsionaremos a campanha NENHUM DIREITO A MENOS! AVANÇAR RUMO A NOVAS CONQUISTAS! Entre a juventude trabalhadora. A Coordenação Nacional da UJC convoca seus militantes da Frente de Jovens Trabalhadores a garantir a participação na Plenária Nacional da INTERSINDICAL nos dias 28 e 29 de novembro em Santos-SP, onde iremos realizar uma reunião nacional dos jovens trabalhadores ligados a UJC.

A UJC convoca seus militantes, amigos e simpatizantes a participação no processo de mobilização para a construção de um Seminário Nacional de Reorganização do Movimento Estudantil Secundarista durante o 38º Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas. A UBES que se destacou nos anos 90 na campanha pelo Fora Collor hoje atua em parceria com o ex-presidente na defesa das políticas compensatórias e focalizadas do governo Lula. Vamos participar do próximo congresso da UBES organizando os estudantes secundaristas e suas entidades de base (Grêmios) em cada estabelecimento de ensino com o objetivo de retomar o importante papel de mobilização e luta do movimento estudantil secundarista brasileiro. Movimento Estudantil Universitário

A destacada atuação unitária das Juventudes Comunistas do Fórum de Unidade dos Comunistas durante o último congresso da União Nacional dos Estudantes através da chapa POR UMA UNIVERSIDADE POPULAR marcou um passo importante no rumo de uma proposta de reorganização da UNE e da construção de um bloco no movimento estudantil brasileiro que prioriza o debate estratégico da construção da Universidade Popular em detrimento da disputa por cargos na direção da UNE e da opção por construir entidades paralelas. Não compartilhamos da visão idealista de que o movimento estudantil, em forte crise, será reorganizado por cima, através de criação de novas entidades, mas sim através de uma forte mobilização envolvendo o conjunto dos estudantes, em torno de propostas e programas claros de uma reestruturação do ME.

A União da Juventude Comunista vem reforçando sua atuação política em importantes universidades do país. Nossa participação nos processos eleitorais das entidades estudantis e nos congressos estudantis das universidades, não é um fim em si mesmo e sim uma possibilidade de potencializarmos o papel de organização e luta dos estudantes a partir do fortalecimento de suas entidades. Para tal, nos processos eleitorais e congressos que participamos buscamos construir um campo político que se contraponha aos campos governistas e paute o debate estratégico da construção da Universidade Popular.

Na UFG vencemos novamente as eleições para a gestão do DCE, enfrentando o boicote patrocinado pelas correntes governistas e a postura sectária de um setor do movimento. CRIAR, CRIAR, A UNIVERSIDADE POPULAR! Foi a palavra de ordem cantada na última ocupação de reitoria.

Em São Paulo mantemos nossa participação na construção do DCE da UNIFESP e estimulamos a organização do Movimento pela base, nos cursos, através dos Centros e Diretórios Acadêmicos e do movimento estudantil de área. Fortalecemos nossa atuação no Movimento Estudantil de Área, contribuindo com formulações no tocante a temas relacionados a saúde pública. Na USP TODO CARNAVAL TEM SEU FIM! É o nome de nossa chapa composta por militantes da UJC e estudantes independentes. Desde a ocupação da reitoria em 2007 ampliamos e qualificamos nossa intervenção política. A USP vem sofrendo vários ataques do Governo de José Serra, as mobilizações dos professores, técnicos administrativos e estudantes cresceram nos últimos anos.

No estado de Minas Gerais apoiamos a mobilização dos trabalhadores da Universidade Estadual de Minas Gerais contra o Governo Aécio Neves e estamos nos preparando para uma disputa contra a juventude do PSDB nas eleições para o Diretório Acadêmico da Faculdade de Educação - UEMG. Na UFMG após um processo eleitoral despolitizado e marcado por manobras políticas anti-democráticas que inviabilizaram nossa participação enquanto chapa e garantiu a vitória do campo governista,faz-se necessário a recomposição do campo de oposição a direção do DCE. Seguimos defendendo a realização de um Congresso dos Estudantes da UFMG para que neste congresso o movimento estudantil organizado possa construir uma plataforma de lutas pautada pela construção da UNIVERSIDADE POPULAR. Na UERJ não participamos do processo eleitoral e denunciamos o acordo feito entre setores governistas com um setor da esquerda que constrói uma nova entidade. Retomamos nossa atuação na UERJ e somamos força na construção de um campo de oposição ao Governo de Sérgio Cabral.

Em Pernambuco participamos ativamente do Congresso dos Estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) debatendo e combatendo posicionamentos anarcóides e pós-modernos que apontam para o fim das entidades estudantis. Na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) a cobrança de taxas é uma constante – seja na matrícula, no histórico escolar ou mesmo na expedição da 1º via do diploma de graduação. Enquanto militantes comunistas e defensores de um modelo educacional crítico e libertador, não aceitamos tal absurdo silenciosamente. É o nosso papel a organização dos estudantes para lutar contra as cobranças de taxas em universidades públicas e lutar pela construção de uma educação comprometida com as transformações necessárias e revolucionárias em nossa sociedade.

Na UFRGS, apoiamos a CHAPA 2 buscando manter o DCE na resistência aos ataques do Governo de Yeda Crusius a universidade e aos movimentos sociais. Na UFSM participamos da construção uma importante referência de esquerda no ME, que mesmo derrotada nas eleições para o DCE, politizou o debate e criou uma alternativa política de esquerda junto aos estudantes. Fortalecemos ainda nossa atuação na UFSC, denunciamos as manobras antidemocráticas feitas no Conselho de Entidades de Base e seguimos atuando em parceria com os movimentos sociais e pautando o debate estratégico da Universidade Popular.

A UJC esta retomando sua atuação no movimento de área fazendo o debate sobre as questões pertinentes a formação profissional na perspectiva da luta contra-hegemônica em relação ao capital. Participamos neste ano de vários encontros e buscaremos ampliar nossa participação nas executivas e federações de cursos, nos conselhos regionais e nacionais de entidades e no Fórum de Executiva e Federações de Cursos.

Os coletivos e núcleos de cultura da UJC estão desenvolvendo importantes atividades de cunho político e cultural pelo país. O Bloco Comuna que pariu! se prepara para sair novamente no carnaval do Rio de Janeiro, em Goiás o debate sobre Cultura Popular ganha cada vez mais fôlego, em Brasília a experiência do Teatro do Oprimido vem ampliando seus horizontes, Sábados vermelhos, Sexta Popular de Cultura e shows com bandas alternativas, são importantes experiências, que também levantam as bandeiras da União Juventude Comunista em diversos estados do país.

Ampliamos o núcleo da UJC em Cuba, denominado Carlos Marighela, que organiza estudantes brasileiros da Escola Latino-Americana de Medicina e da Escola Internacional Salvador Allende. Os jovens comunistas que estudam e vivem em Cuba, contribuem na construção do Socialismo na Ilha e nas lutas contra o Bloqueio e pela Liberdade dos 5 Heróis Cubanos.

Saudamos a realização do XIV Congresso Nacional do Partido Comunista Brasileiro – PCB, organização da qual surge a União da Juventude Comunista e a qual a UJC possui vínculos político-ideológicos inquebrantáveis. A reconstrução revolucionária do PCB é uma conquista para a juventude e classe trabalhadora do Brasil e do mundo e nesses marcos, a própria reorganização da UJC em 2005, foi e é uma parte importante.



Construir o V Congresso: tarefa dos jovens comunistas

A Coordenação Nacional da UJC convoca seus militantes a começarem desde já os preparativos para o V Congresso Nacional da União da Juventude Comunista que se realizará nos dias 02, 03 e 04 de abril de 2010, na cidade de Goiânia/GO. O reforço na construção política e material da organização, a participação nas lutas políticas da juventude brasileira e a atenção na consecução das tarefas e objetivos traçados são peças fundamentais na consolidação da UJC a nível nacional como organização da juventude comunista na luta pelo socialismo no Brasil e no mundo.

A UJC mais do que nunca escreve em suas bandeiras e flâmulas: Fomos, Somos e Seremos Comunistas.



Viva a União da Juventude Comunista!

Viva o V Congresso Nacional da UJC!



COORDENAÇÃO NACIONAL DA UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA

Rio de Janeiro – RJ – Brasil – Novembro de 2009
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domingo, 29 de novembro de 2009

A mudança que vem de baixo. Por: Sammer Siman [*]

Políticas Sindicais 24/11/2009

Ilustração: William Medeiros


A mudança que vem de baixo.

Um elemento central para reagir a qualquer crise trata-se do resgate do caráter combativo dos movimentos sociais. No Brasil existe uma “semi-falência” da maior parte dos movimentos, sobretudo nos meios sindicais e estudantis.

As recorrentes avaliações sobre tal questão, atribuem este problema às divisões da esquerda, seja pela queda da União Soviética, seja pelo governo Lula, ou pela soma destes motivos, dentre outros. O que tem sido pouco refletido é a avaliação da existência da maléfica influência da democracia capitalista nestes movimentos.

Desde os tempos idos da ditadura militar, sindicatos e entidades estudantis estão organizados nos paradigmas deste tipo de democracia. Parte-se da dicotomia representante-representados, onde os primeiros são eleitos com plenos poderes para mandar e desmandar, e os representados, por outro lado, não participam do exercício do poder. E em eleições que, em geral, envolvem uma grande dependência de recursos financeiros. Este é um terreno fértil para a corrupção, para o aparelhamento.

Quando se exige dinheiro numa eleição de entidade, quem o tem na maioria das vezes é um partido político ou mesmo o “patrão”. Daí decorre o aparelhamento, a “pelegagem”; sindicato que não consegue fazer uma mísera luta por aumento salarial, mas que defende a fundo os interesses de políticas governamentais. Entidade estudantil que não consegue defender um simples interesse dos estudantes, mas que promove com maestria uma eleição para deputado.

Imbutir a prática de democracias proletárias nas organizações é algo urgente. Dar o poder às bases por meio de conselhos, que devem possuir o poder de eleger e revogar mandatos, assim como devem ter plenos poderes para decidirem os rumos das organizações.

Disse Gramsci; toda prática de poder é uma prática pedagógica. Forjar os militantes numa democracia de fato, é ensiná-los a prática do diálogo, a prática da defesa dos reais interesses das bases. Forjá-los na democracia capitalista, é profissionalizá-los em roubos, fraudes, divisionismo, exclusivismo etc. Disso decorre a degeneração de parte significativa dos partidos de “esquerda”. Partidos que hoje se agarram com todas as forças nas “tetas” do Estado. Partidos que possuem dirigentes que por mais que tenham lido bons livros, aprenderam com a prática militante o roubo, a trapaça.

A esquerda tem tido insucessos em grandes lutas por não dar atenção a muitos vícios que comete nos movimentos sociais. Refletir a organização política das entidades trata-se de um passo importante a ser dado. Mas para dar este salto de qualidade, é necessário se desfazer da “síndrome do curtoprazismo”, ou seja, estar voltada exclusivamente para questões imediatas sem olhar para as raízes dos problemas.

Sem movimentos combativos e militantes sociais bem formados, qualquer política, seja no âmbito dos movimentos sociais, seja no âmbito do Estado, tenderá a manter e aprofundar as práticas políticas que hoje predominam em nossa sociedade.

[*] Sammer Siman é Militante do PCB - São João Del Rey e Colunista do Site Rumos do Brasil (http://www.rumosdobrasil.org.br/2009/11/24/a-mudanca-que-vem-de-baixo/)
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Muro de Berlim: 223 mortos. Muro que separa os EUA do México: 5,6 mil mortos!


No aniversário de 20 anos da queda do Muro de Berlim, o mundo convive com uma série de barreiras que servem para conter a livre circulação de pessoas. O muro que divide a Cisjordânia de Israel e o que impede a passagem de imigrantes mexicanos para os Estados Unidos são os mais conhecidos, mas há outros.

O exemplo mais recente vem da Eslováquia. Em outubro, uma muralha de 150 metros de comprimento e dois de altura foi erguida na cidade de Ostrovany, uma comunidade rural no nordeste do país, com o intuito de isolar um acampamento de ciganos.

A ação, aprovada em 2008 pelas autoridades locais e colocada em prática na última semana, é o último capítulo da crescente tensão entre os habitantes da localidade e os ciganos. Os habitantes de Ostrovany os acusam de roubar frutas dos jardins privados. Episódios violentos foram registrados, como a morte de um fazendeiro por membros da comunidade cigana e manifestações de grupos de extrema-direita para qualificar o que chamam de “terror cigano”.

O prefeito de Ostrovany, Cyril Revákl, afirmou ao diário eslovaco SME que a medida não é racista. “Sei que há muita gente decente vivendo entre os ciganos, mas ninguém deve passar pelo inferno diário de enfrentamentos”.Já a secretaria que representa a comunidade cigana anunciou que investigará a construção do muro. O responsável, Ludovít Galbavý, classificou a construção como “discriminatória”.

Israel e Palestina
Um dos mais emblemáticos e polêmicos muros atuais é o que separa Israel do território palestino da Cisjordânia. Uma pequena parte dele (cerca de 20%) coincide com a antiga Linha Verde, fronteira definida em 1948; os 80% restantes situam-se em terras palestinas.

A muralha começou a ser construída em 2002, durante o governo do ex-primeiro ministro israelense Ariel Sharon, com a justificativa de evitar a entrada de terroristas em Israel. O Tribunal Penal Internacional a declarou ilegal em 2004, pois ela corta terras palestinas e isola cerca de 450 mil pessoas.De acordo com dados de abril de 2006 fornecidos por Israel, a extensão total da barreira é de 721 km, dos quais 58,04% estão construídos, 8,96% em construção e 33% por construir. Veja o mapa atual.

Às vésperas do aniversário da queda do Muro de Berlim, jovens palestinos derrubaram na sexta-feira (6) uma parte da construção na cidade árabe de Naalin e foram repreendidos por militares israelenses com bombas de gás lacrimogêneo (foto abaixo). “Não importa o quão alto sejam, todos os muros cairão”, proclamava um cartaz colocado na estrutura pelos jovens.

Para o analista israelense Michael Warschawski, diretor do Centro de Informação Alternativa, o muro tem um impacto duplo: “Primeiro, porque condena os palestinos a viverem em um gueto forçado. Segundo, porque reflete a política distorcida de isolamento de Israel, que prefere resolver seus problemas pela separação.”

De acordo com Warschawski, a ineficácia da construção, que chega a dividir cidades inteiras, é comprovada. “O muro não interrompe completamente a circulação de pessoas. Para cruzar os territórios, existem alternativas”.

EUA e México
Com o propósito de impedir a entrada de imigrantes ilegais mexicanos, os Estados Unidos ergueram um muro de 3.141 quilômetros na fronteira, que abrange os estados do Texas, Califórnia, Novo México e Arizona.

Desde 1994, quando a muralha começou a ser construída na gestão do ex-presidente Bill Clinton, mais de 5,6 mil pessoas morreram tentando atravessar para o lado norte-americano, segundo um relatório do escritório de contabilidade da Casa Branca (GAO, na sigla em inglês). Além disso, as causas das mortes mudaram. Antes eram provocadas por acidentes de trânsito, já que os imigrantes corriam em rodovias nas áreas fronteiriças. Agora, acontecem por hipotermia no deserto ou afogamentos no rio Grande.

O documento também apontou que os custos são igualmente altos. Cada vez que surge um buraco, são gastos 1.300 dólares no conserto. A manutenção do trecho de 1.058 km com uma cerca de duas camadas na fronteira EUA-México deverá custar 6,5 bilhões de dólares nos próximos 20 anos.

“É um desperdício de recursos e criatividade”, avaliou Jorge Mario Cabrera Valladares, da Coalizão por Direitos Humanos dos Imigrantes de Los Angeles (CHIRLA na sigla em inglês), à agência EFE. “Nosso dinheiro pago em impostos está sendo desperdiçado em uma estratégia velha e ineficiente em vez de trabalharmos em uma reforma séria, de longo prazo e aplicável à imigração”.

Neste site, é possível acompanhar pequenas histórias de imigração ao longo da fronteira. Neste filme, os diretores mostram o trabalho do grupo Beta na cidade de Nogales (foto abaixo), que busca convencer os mexicanos a não cruzarem para o lado norte-americano.

Brasil
O Rio de Janeiro também tem seu muro, construído com o argumento de evitar que construções precárias em favelas destruam trechos da vegetação da Mata Atlântica. No entanto, ONGs e movimentos sociais alegam ser na verdade uma forma de separar as partes mais ricas da sociedade das mais humildes.

"Não há discriminação. Pelo contrário, nós estamos construindo casas para eles em todos os lugares e melhorando suas vidas", disse Tania Lazzoli, porta-voz da Secretaria de Obras Públicas do governo.

Em março, o escritor português José Saramago criticou a ação em seu blog: “Cá para baixo, na Cidade Maravilhosa, a do samba e do carnaval, a situação não está melhor. A ideia, agora, é rodear as favelas com um muro de cimento armado de três metros de altura. Tivemos o Muro de Berlim, temos os muros da Palestina, agora os do Rio. Entretanto, o crime organizado campeia por toda a parte, as cumplicidades verticais e horizontais penetram nos aparelhos de Estado e na sociedade em geral”.

No morro Santa Marta, já foram construídos mais de 600 metros de muro, enquanto na Rocinha o governo concordou em limitá-lo às zonas com risco de deslizamento. O restante será transformado em sítios ecológicos e reservas naturais.

Fonte: Opera Mundi.
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

MANIFESTO DA INTERSINDICAL À CLASSE TRABALHADORA DE MG



Após um ano de erupção da crise econômica capitalista, a mídia brasileira deixou de noticiar os seus efeitos econômicos e sociais. O fato é que o número de desempregados é um dos maiores já registrados, os direitos sociais estão sendo violados, a miséria acentuou-se e a disparidade social cresceu sensivelmente.

Tais acontecimentos revelaram ainda mais a gravidade da crise vivida pelo movimento sindical brasileiro. Nos últimos anos o sindicalismo veio perdendo sua combatividade e arrefeceu a resistência às investidas do capital.

Amplos segmentos do sindicalismo curvaram-se diante o social-liberalismo. Ao fim e ao cabo, assumem a conciliação com o capital, vem se acomodando à ordem e estão atreladas ao Governo Lula. A Central Única dos Trabalhadores e centenas de entidades sindicais cederam aos interesses associativos dos patrões, dos fundos de pensão e das burocracias partidárias. Em Minas Gerais, a luta dos trabalhadores enfrenta uma burguesia unida contra os interesses populares. O centro articulador desta unidade é governo Aécio Neves, que impõe o chamado choque de gestão que retira investimentos públicos das áreas sociais e os transfere para a iniciativa privada, precariza as condições de trabalho de todo o funcionalismo público estadual e criminaliza os movimentos reivindicatórios na cidade e no campo.

É cada vez mais evidente que os ataques frontais às classes trabalhadoras vêm acentuando as contradições políticas e ideológicas já em curso. A perda de direitos elementares como ao trabalho e à vida em condições dignas, exige respostas à altura de todos aqueles comprometidos com as grandes maiorias nacionais e com a emancipação humana.

Num tempo em que a unidade “dos de baixo” é condição incontornável para resistir aos poderosos e garantir conquistas, temos assistido a diversas rupturas e à fragmentação sindical. Esse quadro precisa ser revertido com urgência e determinação.

A busca de respostas e saídas para vencer as dificuldades da luta sindical passa pela necessária reorganização e pelo reencontro unitário do conjunto dos trabalhadores em defesa de seus interesses imediatos e históricos.

Nós da INTERSINDICAL nos inserimos nesta realidade buscando romper com o imobilismo, a burocratização, a conciliação e a falta de inserção política das classes trabalhadoras no cenário brasileiro.

Reafirmamos o imperativo de se constituir um movimento sindical unitário combativo, independente, democrático e de massas. E, ao mesmo tempo, solidário as lutas populares e que mantenha a unidade de ação com todos que lutam contra o capital e o imperialismo.

A INTERSINDICAL pretende se organizar em Minas Gerais levando esses princípios para todos os locais de trabalho do Estado, seja no campo seja nas cidades. Ao mesmo tempo, apresentamos uma plataforma de mobilização e convidamos todos os sindicatos e sindicalistas, independentemente de seus posicionamentos, a discutirem ações comuns que qualifiquem a militância de todos nós.

· Nenhum direito a menos. Manutenção e ampliação dos direitos e benefícios vinculados ao processo de trabalho. Avançar nas conquistas.
· Redução da Jornada do Trabalho sem redução de salários.
· Ratificação imediata da Convenção 158 da OIT. Pela estabilidade no emprego e fim da demissão imotivada.
· Combate ao desemprego. Implantação de atividades e serviços que gerem postos de trabalhos permanentes e aberturas de frentes de trabalho.
· Ampliação do seguro desemprego e isenção de impostos aos desempregados.
· Fim do Fator Previdenciário. Garantia de direitos e reajustes para os aposentados e pensionistas.
· Pelo irrestrito direito de greve.
· Ratificação imediata da Convenção 151 e da Resolução 159 da OIT que garantem direitos aos servidores públicos.· Por serviços públicos universais e de qualidade.
· Contra a flexibilização da jornada, as terceirizações, o banco de horas e a suspensão dos contratos de trabalho.
· Extensão dos direitos trabalhistas aos trabalhadores rurais assalariados.
· Pelo fim do Latifúndio – Reforma Agrária já! Mudança do índice de produtividade para efeito de enquadramento do estabelecimento rural. Estabelecimento do limite de propriedade rural.
· Contra a criminalização da pobreza e dos movimentos populares.
· Pela autodeterminação e integração dos povos latinoamericanos.

Belo Horizonte, novembro de 2009.

40 anos do assassinato de Carlos Marighela.

Comissão de Organização do Seminário Estadual da INTERSINDICAL – MG
(Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora)
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Os Rumos da Frente de Esquerda (Nota Política do PCB)


O Partido Comunista Brasileiro – PCB, diante da conjuntura política e do posicionamento dos partidos que, em 2006, compuseram a Frente de Esquerda, apresenta sua posição a respeito das perspectivas políticas no processo que antecede as eleições de 2010.

1. Avaliando que o processo sucessório presidencial de 2010 ocorrerá dentro de um quadro no qual o debate e a disputa eleitoral colocam frente à frente o PT e o PSDB como as duas principais forças que disputam hoje a direção política do bloco conservador, formado por um grande campo de consenso sobre os rumos centrais da economia brasileira e sobre a continuidade da macro-política econômica até então em vigor,

2. Considerando ainda que o PT e o PSDB são antagonistas nos limites internos ao consenso burguês na gestão do capital e na manutenção da institucionalidade política hegemônica:

3. Destacamos a necessidade de que as forças de esquerda produzam uma agenda política, social e econômica contra-hegemônica ao consenso conservador, em função do que apresentamos, a seguir, um conjunto de reflexões e proposições para abrir o debate no sentido da elaboração de uma proposta alternativa que se diferencie essencialmente dos rumos hoje propostos.

4. Inicialmente, não consideramos fundamental propor e debater nomes de pré-candidatos à sucessão presidencial, sobretudo quando a discussão em torno destes pauta-se pelo critério central ou mesmo único da suposta “viabilidade eleitoral” de nomes. Discutir o processo político pré-eleitoral em torno de nomes configura a prática comum dos partidos da ordem, que submetem a agenda política a projetos de grupos restritos e rebaixam ou anulam o debate de propostas político-sociais.

5. Neste sentido, propusemos, desde o início deste ano, que retirássemos do centro da discussão os nomes colocados e iniciássemos um amplo processo de debate programático que necessariamente envolvesse, além dos partidos que compuseram a Frente de Esquerda (PCB, PSOL e PSTU), as organizações políticas sem registro eleitoral, os movimentos sociais, o movimento sindical, a intelectualidade de esquerda e as organizações de resistência e luta dos trabalhadores. Isto seria feito com o fim de conformar eixos centrais em torno dos quais poderíamos constituir uma alternativa política, não apenas para participar do processo eleitoral, mas para contrapor ao projeto conservador uma alternativa socialista e popular.

6. Ainda que tal proposta tenha encontrado uma receptividade, principalmente em parte significativa da intelectualidade de esquerda e entre os movimentos sociais que buscam diferenciar-se da lógica de inércia e amoldamento hoje dominante nas direções sindicais, estudantis e em outras entidades de massa, a dinâmica interna e os compreensíveis interesses imediatos, tanto do PSOL como do PSTU, acabaram por centrar o debate nas pré-candidaturas. Assim fazendo, subestimaram e postergaram a discussão programática e a construção política junto aos trabalhadores e movimentos.

7. Acreditamos que não se trata de uma mera escolha de nomes, mas fundamentalmente de envidar esforços para a construção de uma necessária frente permanente de caráter anticapitalista e antiimperialista, para além das eleições, frente esta que, em unidade na luta de massas, incorpore organizações políticas e sociais orientadas ao socialismo.

8. O impasse no PSOL e a possibilidade real de apoio à candidatura de Marina Silva inviabilizam qualquer possibilidade de uma frente política que envolva o PCB. Em nenhum momento nosso Partido foi procurado para partilhar de qualquer avaliação sobre linhas programáticas, tática eleitoral ou perfil de candidaturas que pudessem, ainda que remotamente, levar a esta alternativa, a nosso ver, descabida. Tampouco fomos procurados para dialogar sobre estes temas com os companheiros do PSTU, que já promovem o lançamento da sua pré-candidatura à Presidência da República.

9. A posição do PCB é de reafirmar que a tática eleitoral não deva priorizar o raciocínio de “viabilidade eleitoral” em detrimento do caráter político de classe da disputa, eixo sobre o qual os trabalhadores devem formular seu programa contra-hegemônico e construir formas e meios de ruptura face ao pacto político-social das classes dominantes e seus aliados.

10. O perfil político de Marina Silva e, ainda mais nitidamente de sua legenda partidária, é claramente formatado nos limites da ordem do capital e essencialmente subordinado a um método político que em nada se diferencia da tradicional forma manipulatória no debate de questões relevantes (no caso a ecológica), buscando atrair os trabalhadores para um projeto que, na essência, não corresponde aos seus interesses históricos.

11. Neste sentido, respeitando os partidos que se aliam na luta contra o governo Lula e o projeto conservador, revestido ou não de vernizes sociais ou eco-capitalistas, sempre reafirmamos a necessidade de método e ação políticos de mobilização para a construção dos eixos programáticos socialistas e populares, no sentido da criação de uma nova e concreta alternativa de poder para os trabalhadores da cidade e do campo.

12. Infelizmente, o adiamento da decisão do PSOL para março de 2010 e a quase unânime aprovação, por sua direção, da abertura de negociações com o PV, além do lançamento unilateral de candidaturas, praticamente inviabilizam a possibilidade de reedição e, menos ainda, da ampliação da Frente de Esquerda.

13. Face a este quadro, o PCB reafirma a necessidade de uma alternativa orgânica de esquerda, socialista, anticapitalista e antiimperialista, constituída como elemento estratégico fundamental na luta dos trabalhadores pelo poder político, para além dos marcos impostos pelo calendário político-eleitoral.

14. Neste sentido, resta-nos apelar para que essas forças de esquerda assumam a responsabilidade diante da conjuntura política e da história, deixando de submeter os objetivos estratégicos de construção da alternativa de poder popular e socialista a uma tática despolitizada em torno de nomes e ao pântano das soluções institucionais imediatas.


PCB – Partido Comunista Brasileiro – Comitê Central
Novembro de 2009
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O GOVERNO DOS EUA E OS GRANDES IMPÉRIOS DA MÍDIA MUNDIAL USAM OS “BLOGUEIROS MERCENÁRIOS”, EM SUA OFENSIVA CONTRA CUBA



Por J.P / laRepublica.es

Os grandes impérios midiáticos do mundo têm empreendido uma ofensiva sem impiedosa contra a Revolução Cubana, oferecendo uma espetacular cobertura de qualquer movimento dos blogueiros mercenários como Yoani Sanchez e seu marido, que recebem uma soma espetacular de dinheiro por artigos que escrevem contra o governo cubano e contra uma suposta censura, que não parece ser tal, em virtude da ampla cobertura de seus escritos.

Há algumas semanas foi Yoani, que alegou ter sido atacada por agentes cubanos, embora não tenha oferecido nenhuma prova. Ademais, os médicos atenderam-na – Em entrevista para La República – afirmaram não terem encontrado nenhuma evidência de qualquer tipo de agressão.

Semana passada, foi a vez de seu marido, Reinaldo Escobar, que denunciaria as agressões e golpes por parte de uma multidão que reagiu à provocação do blogueiro, gritando em favor da Revolução Cubana. Mas, Escobar não sofreu um arranhão por parte da suposta "turba" descontrolada. (Leia mais sobre o assunto).

Estes eventos coincidem com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ter elevado aos altares do imperialismo, Yoani Sánchez, ao responder uma série de perguntas feitas pela blogueira mercenária e felicitando por seu blog anticastrista.

Acontece que Obama não hesitou em responder às perguntas da blogueira mercenária, mas ainda não respondeu a uma série de perguntas, que meses atrás, foram-lhe feitas pelo próprio Fidel Castro. Perguntas como "É certo que o presidente dos Estados Unidos ordene o assassinato de qualquer pessoa no mundo, seja qual for o pretexto?" "É ético que o presidente norte-americano ordene a tortura de outros seres humanos?" "O terrorismo de Estado é uma ferramenta que deve utilizar um país tão poderoso como os Estados Unidos, para que haja paz na terra?" ou "É boa e honrada uma Lei de Ajuste que se aplicada como castigo a um só país, Cuba, para desestabilizá-lo, mesmo que isso custe a vida de crianças e mães inocentes? "Se é boa, porque não se aplicam automaticamente o direito de residência aos haitianos, dominicanos e de outros países do Caribe, e se faz o mesmo com os mexicanos, centro-americanos e sul-americanos, que morrem como moscas no muro da fronteira mexicana ou no Atlântico e do Pacífico?", entre outras.

No entanto, o apoio governamental aos blogueiros pagos não vem sozinho. Aparentemente, na Espanha, o Congresso dos Deputados vai debater na próxima semana apoiar Yoani Sanchez, a "defensora da liberdade e contra a suposta perseguição" que o regime cubano mantem contra Yoani Sanchez e outros democratas no país do Caribe.

É engraçado que se vá debater o apoio a alguém que afirma ser censurada e tem tudo a cobertura da mídia internacional, que afirma ser atacada, mas não conseguiu provar a agressão, e que alega estar defendendo a liberdade e a democracia em Cuba, mas sem dúvida, aliada aos EUA, um país que durante 50 anos tem agredido militarmente e economicamente o seu país.

Fonte: Cambios en Cuba

Original em: La República

Tradução: Robson Luiz Ceron – Blog Solidários
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O povo se cansa de Yoani Sanchez




ONTEM, EM HAVANA…

O povo se cansa de Yoani Sanchez

Guillermo Nova / A República / Havana

Na sexta-feira, 20 de novembro, Reinaldo Escobar, marido Yoani Sanchez tentou acabar com o ato de encerramento da Feira Universitária do Livro e Leitura (FULL) , na central Rua 23, esquina com a Avenida dos Presidentes, em Havana. Mas, saiu-se mal.

Quando os jovens havaneiros desfrutavam da oferta de livros a preços baixos e música dos grupos de artistas amadores, o marido da blogueira cubano se colocou em frente dos meios de comunicação estrangeiros presentes e disse que ele estava ali como sinal de luto pelas supostas agressões à sua esposa, na semana passada.

Os cubanos já se cansaram de tanta provocação e ao ritmo da conga, os jovens que participavam do evento começaram espontaneamente a gritar "esta rua é revolucionária" e "abaixo a ‘gusanera’", e ainda "Raul, seguro, aos ianques dá-lhe duro".

O curioso do fato é que os agentes de segurança, aos que Yoani Sanchez tantas vezes denunciou por supostas agressões e assédio, tiveram que ser os que retiraram seu marido do local, para que não sofresse a ira de um povo cansado das muitas provocações.

A suposta agressão denunciada pela blogueira cubana, foi completamente desmentida, em declarações exclusivas à La República, pelos próprios médicos que atenderam e que em nenhum momento encontraram lesões, além de ser compatível com o exame médico que fez.

Fonte: LaRepública.es

Tradução: Robson Luiz Ceron – Solidários

Veja mais fotos:






A cara de b. do marido da mercenária, não precisa nem apontar quem é:




FONTE: ONTEM, EM HAVANA…
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LANÇAMENTO DO LIVRO DA MERCENÁRIA – A BURGUESIA REUNIDA E A PRESENÇA PATÉTICA DO SENADOR SUPLICY


Publicamos aqui o Relato dos Solidários paulistas, que estiveram presentes ao lançamento do livro da mercenária Yoani Sánchez, em São Paulo.

MOVIMENTO PAULISTA DE SOLIDARIEDADE A CUBA

contato

No dia 06 de novembro, o Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba compareceu ao lançamento do livro de Yoani Sanchéz, em São Paulo, na Livraria Cultura que fica no Conjunto Nacional, na Av Paulista. A expectativa do movimento era obter mais informações sobre a autora e sua obra, bem como garantir o debate de idéias.

Abaixo um relato que tenta expressar o que foi o evento.

A MESA

Havia uma mesa de trabalhos, composta pelo jornalista Eugênio Bucci e pelo senador Eduardo Suplicy, mediada pelo editor da Contexto, o historiador e professor da USP, o senhor Jaime Pinsky.

O PÚBLICO

O público presente parecia bastante homogêneo, característico dos freqüentadores do espaço mercadológico-cultural da avenida Paulista. O evento começou com cerca de 30 pessoas e, em seu momento “alto” por assim dizer, contava com cerca de 70 pessoas, incluindo, aproximadamente, 15 pessoas ligadas a solidariedade a Cuba em São Paulo.

A aparência geral era de um público majoritariamente de pessoas com média entre 35 e 50 anos, com meia dúzia de jovens e nenhuma pessoa negra. Evidentemente tratava-se da pseudo-intelectualizada classe média paulistana, confortavelmente ambientada em um de seus redutos culturais.

ABERTURA E A POSIÇÃO DA CONTEXTO

O evento começou com um vídeo focado na pessoa de Yoani, com claros traços de um marketing que produz a imagem de uma personagem digna, autônoma e de mártir, que estaria subjugada ao regime “ditatorial” de Cuba. O vídeo simplesmente reforça a imagem construída pela mídia burguesa sobre a blogueira, absolutamente desprovido de crítica.

Após o vídeo, veio a fala introdutória Jaime Pinski, editor da Contexto.

A fala de Pisky foi marcada pela superficialidade de conteúdo e pelo tom jocoso de sua expressão. Fez uma apresentação bastante coerente com a tônica do livro, que buscou transparecer um pretenso distanciamento do discurso político, se apoiando no descaracterizado conceito de “cotidiano” da vida em Cuba.

Não obstante a pretendida sublimação da política, não faltaram as referências insinuadas ao ambiente de “repressão” e de “ditadura” reinantes na Ilha. Em vários momentos a fala de Pinski acercou-se do ridículo, principalmente quando tentou pintar a imagem de uma Yoani casta e pura, que se apresentou como uma moça “de família” temente aos males que feririam a honra ao ter que se hospedar em “hotéis” no Brasil, caso viesse ao lançamento do livro.

Tentando disfarçar o posicionamento nitidamente reacionário, o “intelectual” fez coro à centena de premiações da autora, elevando o panfleto jornalístico da blogueira (fluido, envolvente e bem formatado, diga-se) ao status de “história do cotidiano”, o que nos parece um abuso destituído do rigor que se esperaria de um historiador.

O tom cínico e arrogante de Pisky chegou a ser irritante. Pelo posto acadêmico que ocupa, esperaríamos uma postura mais crítica e um discurso mais substancial, que tentasse, ao menos, inserir o suposto “cotidiano” de Cuba em seu rico e complexo contexto histórico. Mais uma vez se tenta “reescrever” a história cubana, sob a ótica burguesa, é claro.

FALA DO SENADOR EDUARDO SUPLICY

O discurso do senador Suplicy não ficou muito atrás, pecando pela falta de consistência, pela incapacidade de crítica e pelo tom rasteiro e jocoso (ainda que sem graça) de sua linguagem.

Entretanto, bastante coerente com a postura patética que tem marcado suas últimas aparições na mídia.

Em lugar do olhar crítico sobre as enormes dificuldades que enfrenta a revolução cubana, ao contrário, Suplicy expõe e ridiculariza Cuba, suas representações diplomáticas e o próprio partido dos trabalhadores, chegando ao desplante da falta de ética. Suplicy cumpriu papel muito melhor do que qualquer representante conservador e reacionário faria.

O senador dedicou praticamente todo o tempo da sua fala relatando detalhes de sua tentativa de trazer Yoani para o Brasil, sem sequer se preocupar em esclarecer sobre os normais trâmites burocráticos adotados por Cuba, em qualquer circunstância. O senador sequer se questionou se, realmente, a senhora Yoani teria interesse em se ausentar de Cuba, ou teria optado por mais uma peça do seu marketing pessoal. Aspectos da diplomacia e de política internacional estão ao alcance do discernimento do senador Suplicy. Talvez ele esteja mais capacitado para explicar a posição do Estado estadunidense que proíbe os cidadãos norteamericanos de pisarem em solo cubano (a menos que seja através das conhecidas botas manchadas de sangue nos costumeiros casos de invasão militar imperialista).

Com uma fala “sonsa”, como que despretensiosa, cita encontro com o secretário geral do Ministério de Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, quem teria sugerido que ele, Suplicy, não fizesse o convite para a vinda de Yoani ao Brasil para não prejudicar as relações entre os dois países. Referiu-se também a conversa que manteve com o secretário de relações internacionais do PT, Valter Pomar, que o teria orientado a evitar o convite, pois isso poderia gerar problemas para o partido e para ele próprio. Acrescentou sobre conversa com Frei Betto e Eugênio Bucci e, ainda assim, julgou que tinha o “dever” de fazer o pronunciamento no senado e levar o convite para a Embaixada.

Chegou ao nível de afirmar que, para a homenagem aos 50 anos da revolução cubana, a ser realizada no dia 1º de dezembro, sugerirá a vinda de Yoani, em clara postura leviana de desrespeito diplomático, para se dizer o mínimo.

O senador tenta legitimar a sua fala dizendo que já esteve com Fidel, que já foi diversas vezes a Cuba, que já viu “coisas interessantes” mas que sempre se “preocupou com esta questão de liberdade para todos, liberdade de imprensa, de organização, de expressão” etc.

Em um momento Suplicy fez uma concessão a Cuba dizendo que lá há “coisas positivas” citando os estudantes brasileiros que fazem medicina na Ilha, mas ainda assim, neste contexto, ele respalda a posição tosca do Demétrio Magnoli que afirma serem bons os índices sociais cubanos desde antes da revolução cubana, durante a ditadura de Fulgêncio Batista, e que considera “muito significativo” o que Yoani escreve sobre o cotidiano da ilha. Em nenhum momento o senador pondera, ou pelo menos contextualiza Cuba dentro dos relatos da blogueira, ora limitados, ora mentirosos. Sequer o senador se preocupa em saber quem está sustentando a enorme campanha internacional midiática de Yoani.

Segundo Suplicy, o presidente estadual do PT, Edinho Silva, teria sugerido a ele uma visita ao Cônsul de Cuba, pois este estaria “bravíssimo” com o senador (o que provocou risos jocosos no público). Suplicy disse que tentou ligar insistentemente no consulado, mas que é “tão difícil ligar lá” (o que fez Pinsky se divertir, cheio de ironia). Disse, ainda, que hoje [dia 06] resolveu ir até o Consulado em SP, mas que o Cônsul estava muito ocupado recebendo uma representante do Partido Comunista Cubano e não pode atendê-lo, o que levou Pinsky a se deliciar em ironia, com a complacência do “seleto” e inteligente público. Ali o senador Suplicy parecia entre os seus pares revelando a sua mais legítima herança dos Matarazzo que é.

NOSSA SAÍDA DO EVENTO

Finda a fala do senador, o próximo debatedor, Eugênio Bucci, começa a sua exposição agradecendo ao Suplicy por sua “coragem e bom coração”. Neste momento Suplicy, lisonjeado pela fala de seus “pares” no palco daquela tragicômica comédia bufa, em um contexto de “rasgação de seda”, resolve fazer uma piada sobre seu “bom coração” e uma situação com a apresentadora de programa de TV, Sabrina Sato, o que tornou aquele ambiente, definitivamente, insustentável, com a ridicularização completa do tema. Foi então que um dos companheiros que estava conosco levantou-se no meio do público e bradou algo parecido com “Sr. Senador, o senhor vir até aqui pra cumprir este papel ridículo, é demais. Vamos nos retirar dessa palhaçada”. Sem alternativa, tendo em vista que a dinâmica do evento não previa debates, decidimos nos retirar, devido ao seu baixíssimo nível intelectual. Talvez, bem condizente com a publicação lançada.

Seguimos na luta. VENCEREMOS!

FONTE: LANÇAMENTO DO LIVRO DA MERCENÁRIA – A BURGUESIA REUNIDA E A PRESENÇA PATÉTICA DO SENADOR SUPLICY
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“YOANI LEVANTA E ANDA” MILAGRES EM HAVANA


A FARSA DA MERCENÁRIA

“YOANI LEVANTA E ANDA” MILAGRES EM HAVANA

por Javier López

Há uma semana, o mundo se comovia pelas “chocantes” imagens da bloguera cubana Yoani Sánchez, que depois de uma “fenomenal surra”, executada por agentes de segurança “castro-comunistas”, havia quedada com graves sequelas para a saúde física e mental, algumas em partes nobres que a “regatada” blogueira não permitiu mostrar aos seus fãs. não o “modesto” blogger permissão para ver os seus fãs. Sem dúvidas, uma foto que aparece de muletas, ajudada por uma nobre samaritana, diante de sua incapacidade de cuidar de si mesma, varreu o mundo.

Veja a imagem (advertimos: as imagens podem ferir a sensibilidade dos leitores).

Mas, oh! O Milagre aconteceu!



Como na passagem bíblica, em que Jesus diante do pedido de um de suas seguidoras, virou-se para a vida de Lázaro (João 11:1-44) ungindo com óleo e ordenando “Lázaro, levanta-te e anda …” e João se levantou, convertendo-se, assim, em testemunha da grandeza do Senhor, hoje nós podemos ver com espanto a rápida recuperação de nossa intrépida blogueira, lutadora pela liberdade, pela justiça e pelo capitalismo humanista.

Sim, Yoani, a que sofreu tão dura experiência, , se, Yoake, que sofreu tanto experiência, aparece agora, uma semana depois, sem muletas, correndo com a câmera na mão e fotogravando os ditos “agentes de segurança” cubanos, que não a deixam em paz, nem de noite, nem de dia.

Veja a foto.




Foi um milagre divino, ou uma demonstração dos avanços surpreendentes da medicina cubana, que oferece os seus serviços, mesmo aqueles que negam o sistema que permite que estas realizações, ou uma combinação de ambos, que certamente Deus vai premiar aquelas sociedades que se preocupam com seus filhos favoritos, os seres humanos.

Ou foi, talvez, a mais clara demonstração da mitomania Dona Yoani. O mais incrível é que ela caiu por si mesma, como dizem no meu povo “cai primeiro um mentiroso, que um coxo”.

Assim como existe o testemunho, da rápida “recuperação” d ciberchancletera de outrora, Louvai ao Senhor! (mesmo para aqueles que não merecem).

Assista no YOUTUBE:

“LA REPÚBLICA. Está desmontada as mentiras de Yoani Sanchez: os médicos que atenderam-na, não encontrado ferimentos em seu corpo.”

http://www.youtube.com/watch?v=cPm68xcBzPs&feature=player_embedded


Fonte: ISLAMÍA

Tradução: Robson Ceron

FONTE: http://convencao2009.blogspot.com/2009/11/farsa-da-mercenaria.html

http://dariodasilva.wordpress.com/2009/11/19/yoani-levanta-e-anda%E2%80%9D-milagres-em-havana/
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DIREITOS HUMANOS EM CUBA


Fatos, não palavras! Os Direitos Humanos em Cuba.

Você sabia que Cuba segue o parlamentarismo, e por essa razão, Fidel era obrigado a se candidatar como deputado, para poder depois concorrer ao cargo de Chefe-de-Estado?

Você sabia que apesar de ser um partido único, quem decide quem serão os candidatos aos cargos políticos são as assembléias populares? Que, apesar do voto ser facultativo, a presença dos eleitores chega na marca dos 95%?
Que em Cuba há mais de 2 mil organizações não governamentais, religiosas, científicas, feministas, etc?
E que a lei de imigração norte-americana nega o visto de turista aos cubanos, mas dá Residência Permanente para os que chegam de maneira ilegal (por barcos e aviões clandestinos), mas os impede de voltar a Cuba sem perdê-la?

Conheça os direitos humanos em Cuba, veja como são tratados os deficientes e o prisioneiros, depois compare com o que temos no Brasil e EUA.

A Revolução Cubana não trouxe apenas educação de qualidade, mas trouxe o espírito crítico de seu povo e poder de participação dele.

Talvez seja por essa razão que os EUA aplicam tanta energia em criar mitos contra ela. Pois dessa maneira, se justifica um embargo econômico injusto e mesquinho. Pois se com tão poucas possibilidades comerciais Cuba tem o melhor IDH da América Latina, sem o embargo poderia se tornar um exemplo de sociedade que as poderosas corporações não gostariam de ver.

Assista ao documentário e derrube os mitos.

Download (Torrent, Legendado) : Clique Aqui

Enviado por: Diogo

Fonte: Documentários de verdade!

FONTE: DIREITOS HUMANOS EM CUBA
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DIGA SE YOANI SÁNCHEZ É UMA BLOGUEIRA OU UMA MERCENÁRIA FINANCIADA PELO IMPERIALISMO.

Trazemos outro texto traduzido que demonstra a verdade acerca da queridinha dos blogueiros da direita fascista, da imprensa burguesa brasileira (e de alguns de ‘esquerda’), Yoani Sánchez.

Neste texto a blogueira Norelys Morales Aguilera revela a localização dos provedores dos blogues de Yoani: o segundo maior provedor da Europa.

Apresenta outros dados e argumentos que fazem concluir o que já é óbvio: Yoani Sánchez é uma mercenária, a serviço do imperialismo, integrada em um projeto maior contrarevolucionário envolvendo personalidades da extrema-direita norte-americana (ver a respeito, PROJETO BLOG).

Diga se Yoani Sánchez é uma blogueira?

por Norelys Morales Aguilera.



Yoani Sánchez diz que o Geração Y é um blog. Um blogueiro espanhol escreveu que, se o Geração Y é um blog, sua página é do Vaticano. Parece que estamos perdendo algo.

O contato da administração do hosting yoani.sanchez), Santa Maria-Soledad, Torres Acosta, 2, Madrid, 28004, Espanha. Telefone: 34 918298497.

O contato técnico é assegurado pela: Hostmaster Strato Rechenzentrum. Cronon AG-IT Professional Services. (Hostmaster). Emmy Noether-Str. 10. Karlsruhe, D-76131, Alemanha. Telefone: +49 72166320305.

A data de criação: 25 de Janeiro de 2007. O registo caduca em 25 de janeiro de 2010.



Assim, quando Yoani Sánchez voltou a Cuba e com um gesto exibicionista rasgou seu passaporte e se surpreendeu de haver uma fila de cubanos regressando ao seu país, como disse, e com seus conhecimentos para fazer um blog para os seus "demônios", já sabia bem o que iria exorcizar e que não podia dizer.

"Comecei em abril de 2007, sou pioneira da blogosfera cubana", escreve Yoani para atribuir-se a premissa da blogosfera cubana, o que não é verdadeiro, já que existiam outros blogs na Ilha.
Mas, o que ela nunca disse, com um espírito descontraído, apresentando-se como uma jovem rebelde apolítica, é que ela já vinha com um domínio contratado a uma empresa alemã, que resulta ser o segundo maior provedor da Europa.

Desde 25 de janeiro de 2007 é a proprietária registada em Madrid, de acordo com dados fornecidos pelo site http://who.godaddy.com.

Mauricio Vicent revelou no jornal El Pais, do Grupo Prisa, que em 07 de maio desse ano em entrevista para ele, Yoani revelou: premissa.

- Vincente: mudar o sistema ou mudanças no sistema (de Cuba)?
- Yoani: do sistema.
- Vicente: E para que modelo?
- Yoani: … Por que não poderíamos fazer um capitalismo sui generis? …

Um "capitalismo sui generis" para Cuba, ignorando o contexto de agressão dos EUA, é uma proposta ou um desejo de insultar a nossa inteligência.

Yoani Sánchez foi denunciada em Projeto Blog, que a vincula aos terroristas da Rádio e TV Marti, Negroponte, Montaner e até mesmo ao Departamento de Estado, sendo que ela não deu sequer uma tímida declaração para esclarecer os fatos. Apenas a complacência, palhaçadas e a petulância inferniza.

De qualquer forma, como a questão permanece em aberto, para a enorme visibilidade dada ao Portal Generación Y, por causa de fenômenos que transcendem a blogosfera, este blog (Islamía) continua perguntando:

Quem é Josef Biechele, o amigo de Yoani que "desinteressadamente" mantem o servidor Desde Cuba, desde fora da Ilha?

Fonte: BLOG ISLAMÍA

Tradução: Robson Luiz Ceron

FONTE: DIGA SE YOANI SÁNCHEZ É UMA BLOGUEIRA OU UMA MERCENÁRIA FINANCIADA PELO IMPERIALISMO.
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Pelo livre regresso de Aminatou Haidar a sua pátria - Comitê Central do Partido Revolucionário dos Comunistas de Canárias (PRCC)


Se a expulsão de Aminatou Haidar de sua pátria, o Saara Ocidental, por parte das
autoridades ocupantes marroquinas foi uma vileza que vulnerabiliza todo o direito
internacional, a cumplicidade do reino da Espanha com a monarquia tirânica
marroquina excede todos os limites, e revela que no Estado espanhol as leis e os
direitos humanos são somente um assunto de conveniência.
Aminatou Haidar, como todos os saarauis, têm direito a voltar ao seu país, ainda que
esteja ocupado e sofrendo uma brutal repressão, e a viver livremente nele. E o
governo imperialista espanhol não tem nenhum direito de mantê-la sequestrada
impedindo-a de regressar. Nem, muito menos, de maltratá-la como tem feito estes
dias, expulsando-a a força do aeroporto de Lanzarote e obrigando-a a passar a noite a
céu aberto.
O “democrático” governo do PSOE, que rápida e irregularmente expulsa aos
imigrantes pobres, tem que cumprir com a legalidade e permitir o regresso de
Aminatou Haidar a sua pátria. Não cabem mais delongas nem velhacarias.
Chamamos à solidariedade o conjunto dos trabalhadores e do povo canário com esta
companheira, retida ilegalmente pela Espanha, para exigir sua imediata liberação e
seu regresso ao Saara Ocidental.
Liberdade para Aminatou Haidar!
Livre regresso de todos os saarauis a sua pátria!
Pela Autodeterminação do Povo saaraui!
Não à cumplicidade colonialista das monarquias espanhola e marroquina!
Canárias, 15 de novembro de 2009.
(tradução de Roberta Moratori)
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Aos Militantes da Intersindical - (Nota Política do PCB)


A Comissão Política Nacional do PCB saúda a realização do Encontro Nacional da Intersindical (Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora), a realizar-se nos dias 28 e 29 deste mês, em São Paulo, e dirige-se a todos os militantes que constroem esta importante ferramenta, no seguinte sentido:

1 - Quando da lamentável divisão da Intersindical, no ano passado, o PCB optou corretamente por prosseguir os esforços para o fortalecimento deste espaço de luta, sem se deixar levar pelo imediatismo da criação a qualquer custo de uma central sindical classista.

2 - Como nossos parceiros na Intersindical, pensamos que a criação da central deve ser produto de um processo de unidade de ação nas lutas cotidianas dos trabalhadores e de acordo com um calendário que não seja burocrático e muito menos se deixe confundir com a agenda eleitoral nacional.

3 - Por isso, não nos parece prudente marcar açodadamente um congresso para criar uma central, ainda mais sem que previamente se defina o caráter desta central. Sendo a central uma união voluntária de forças políticas e sindicais nenhuma delas pode impor a outras a sua concepção, sob pena de se tratar de uma falsa unidade.

4 - Por estas razões, o PCB orienta os companheiros que militam na Unidade Classista e propõe aos demais militantes da Intersindical que não participemos do congresso marcado para junho de 2009, com o objetivo precípuo de criar uma central, que não se sabe se será baseada na centralidade do trabalho, como defendemos, ou uma organização eclética, diluída e movimentista.

5 - Além da falta de definição sobre o que se vai criar, o mês escolhido coincide com o início de eleições gerais no Brasil, o que pode se constituir em mais um complicador, seja pelos riscos de instrumentalização ou de divisão.

6 - Apesar de não participarmos desse congresso, pelas razões expostas, respeitamos todas as forças que o comporão, porque sinceramente têm, como nós, a vontade política de criar uma necessária central sindical classista. Nossas divergências têm a ver com a metodologia que orienta a convocação deste congresso que julgamos equivocado e inoportuno.

7 - Mas é fundamental que a Intersindical mantenha permanente e franco diálogo com estas forças, nossos principais aliados na luta contra o capital, com vistas a iniciativas e ações unitárias de luta, através da refundação de um espaço comum de ação nos moldes do Fórum Nacional de Mobilização.

8 - Na questão da futura central sindical classista unitária de trabalhadores, este diálogo deve privilegiar os setores que, apesar de não comporem a Intersindical que estamos ajudando a construir, têm a mesma perspectiva da centralidade do trabalho.

9 - É nesse sentido que propomos aos nossos aliados na Intersindical que envidemos o melhor dos nossos esforços para recompor o campo político que a originou e ampliá-lo com outras forças classistas. Defendemos que a função principal da Intersindical é a de ser, a partir da organização e das lutas nos locais de trabalho, um espaço de articulação e unidade de ação do sindicalismo que se contrapõe ao capital, visando à construção, sem açodamento nem acordos de cúpula, de uma ampla e poderosa organização intersindical unitária, que esteja à altura das necessidades das lutas da classe.

10 - Mas estes objetivos só serão alcançados se fortalecermos a Intersindical e a implantarmos de fato na grande maioria dos Estados brasileiros. Assim sendo, conclamamos todos os militantes do PCB e da Unidade Classista que atuam no ambiente sindical a comparecerem ao Encontro Nacional e, mais ainda, a ajudarem a construir efetivamente a Intersindical.

São Paulo, 15 de novembro de 2009

PCB - Partido Comunista Brasileiro
Comissão Política Nacional
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Muros, mortos e mentiras. Por: Jorge Cadima [*] - 22.11.09







Jorge Cadima

“«O adeus ao comunismo? Provocou um milhão de mortos». O título não é duma publicação comunista. É dum jornal do grande capital italiano, o Corriere della Sera (9.11.09), que noticia um estudo de professores de Oxford e Cambridge, publicado na conceituada revista médica britânica The Lancet”.


«O adeus ao comunismo? Provocou um milhão de mortos». O título não é duma publicação comunista. É dum jornal do grande capital italiano, o Corriere della Sera (9.11.09), que noticia um estudo de professores de Oxford e Cambridge, publicado na conceituada revista médica britânica The Lancet. «Baseados nos dados da Unicef, de 1989 a 2002» os autores afirmam que «as políticas de privatização em massa nos países da União Soviética e na Europa de Leste aumentaram a mortalidade em 12,8% […] ou seja, causaram a morte prematura a um milhão de pessoas».

«Morreu-se mais lá onde se adoptaram as “terapias de choque”: na Rússia, entre 1991 e 1994, a esperança de vida diminuiu em 5 anos». Conclusões de estudos anteriores foram ainda mais gravosas. Como escreve o Corriere della Sera, «A agência da ONU para o desenvolvimento, a UNDP, em 1999 contabilizou em 10 milhões as pessoas desaparecidas na telúrica mudança de regime, e a própria UNICEF falou em mais de 3 milhões de vítimas». Foi para celebrar estes magníficos resultados que o estado-maior do imperialismo se reuniu em Berlim, com pompa, circunstância e transmissões televisivas infindáveis, numa comemoração de regime dos 20 anos da contra-revolução a Leste.

O balanço da restauração do capitalismo é ainda mais grave. Mesmo sem falar no sofrimento dos vivos a Leste – o alastrar de pobreza extrema, dos sem-abrigo, da prostituição, da toxico-dependência ou a emigração em massa para sobreviver – os efeitos das contra-revoluções de 1989-91 fizeram-se sentir em todo o planeta. As «terapias de choque» dum imperialismo triunfante e ávido de reconquistar as posições perdidas ao longo do Século XX tornaram-se uma mortífera realidade global, e tiveram em 2008 o seu corolário inevitável: a maior crise do capitalismo desde os anos 30. Uma escalada de mortíferas guerras foram ao mesmo tempo desencadeadas pelo imperialismo, liberto do contrapeso dos países socialistas. Muitas centenas de milhares de mortos (mais de 650 mil só no Iraque, segundo outro estudo publicado em 2006 na Lancet) são o fruto «da queda do Muro» no Golfo, na Jugoslávia, no Afeganistão, no Iraque, no Líbano, na Palestina, e agora no Paquistão – para não falar das agressões «menores».

E foram acompanhadas pelo «Gulag» de prisões secretas dos EUA espalhadas por todo o mundo, no qual desaparecem milhares de pessoas raptadas e torturadas por um sistema de repressão acima de qualquer controlo. Os dirigentes do «mundo livre» que se juntaram, ufanos, em Berlim, são todos responsáveis por este banho de sangue e repressão. Podem mostrar-se de cara simpática e tratarem-se amigavelmente por Hillary, Angela, Nicolas, Bill, Tony ou «porreiro, pá». Mas das suas mãos escorre o sangue e sofrimento de milhões de pessoas em todo o planeta – de Peshawar a Guantanamo (que continua aberta), de Abu Ghraib às Honduras (que continua sob controlo dos golpistas e a indiferença da comunicação social «democrática»), das «maquiladoras» mexicanas aos campos de refugiados palestinos (que continuam – há 60 anos – à espera do seu Estado).

Pelo «Gulag» democrático-ocidental passou Khalid Shaikh Mohammed, que vai agora a julgamento nos EUA, acusado de ser o responsável primeiro do 11 de Setembro (mas não era o Bin Laden?). Segundo o New York Times (15.11.09) «foi submetido 183 vezes à técnica de quase afogamento chamada 'waterboarding'». O jornal afirma que ele também se diz responsável «por uma série de conspirações» como «tentativas de assassinato do Presidente Bill Clinton, do Papa João Paulo II e as bombas de 1993 no World Trade Center».

Mais um afogamento simulado e confessaria também ser responsável pelo aquecimento global e o sumiço de D.Sebastião em Alcácer-Quibir. Mas atente-se na vida do acusado: paquistanês, criado no Kuwait e diplomado por uma universidade americana viajou, após os estudos «para o Paquistão e o Afeganistão, a fim de se juntar aos combatentes mujahedines que, nessa altura, recebiam milhões de dólares da CIA para lutar contra as tropas soviéticas» (NYT, 15.11.09). Afeganistão hoje ocupado e onde «segundo responsáveis da NATO […] um terço dos polícias afegãos são toxicodependentes» (Sunday Times, 8.11.09). Admirável mundo novo que a «queda do Muro» pariu!



[*] Jorge Cadima é Professor universitário e analista de política internacional



Avante nº 1.877 de 19 de Novembro de 2009
http://www.odiario.info/b2lhart_imp.php?p=1380&more=1&c=11
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Saudação ao Povo Negro (Nota Política do PCB)


O Partido Comunista Brasileiro associa-se às celebrações pela passagem do Dia da Consciência Negra.

O comprometimento de nosso partido para com as lutas pela valorização do povo negro brasileiro vem de longa data. Já em julho de 1930, denunciávamos a persistência de elementos de escravidão na situação real experimentada pelos negros do país, não obstante a tão propalada Abolição da Escravatura. Neste mesmo ano, nas eleições presidenciais, apresentamos ao povo a candidatura de Minervino de Oliveira, militante de nosso partido, que se tornou então o primeiro negro e o primeiro operário a disputar a presidência da república.

Em nossa Primeira Conferência Nacional de julho de 1934, realizada na mesma época em que se iniciava a propagação da tese da “democracia racial brasileira”, denunciávamos o racismo das classes dominantes e nos comprometíamos a apoiar todas as lutas pela igualdade de direitos econômicos, políticos e sociais de negros e índios.

Ainda em meados da década de 30, o intelectual comunista baiano Edison Carneiro iniciava uma vasta e significativa obra de investigação e resgate da cultura afro-brasileira, tornando-se um dos pioneiros em tal campo de estudos e uma referência fundamental até os dias de hoje. Este mesmo Edison Carneiro, com o apoio de outros intelectuais comunistas como Jorge Amado e Aydano do Couto Ferraz, criava, no ano de 1937, a União de Seitas Afro-Brasileiras, a primeira entidade criada no país com o objetivo de proteger e cultivar os valores e as tradições religiosas de matriz africana.

Na década de 1940, o PCB solidificou seu engajamento na luta contra o racismo e em defesa da cultura afro-brasileira. Sob sua legenda elegeu-se, em 1945, Claudino José da Silva, primeiro negro a exercer mandato parlamentar e primeiro constituinte negro da história do Brasil. Durante os trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte de 1946, coube ao escritor e deputado comunista Jorge Amado a elaboração do projeto da primeira lei federal que estabeleceu a liberdade para a prática das religiões afro-brasileiras. Este período registra também a criação do Teatro Experimental do Negro, que tem como um de seus principais expoentes o ator, poeta e teatrólogo comunista Francisco Solano Trindade, que marcaria com sua atividade intensa a arte popular brasileira das décadas seguintes. Alguns anos mais tarde, apareceram os primeiros trabalhos de Clóvis Moura, então vinculado ao PCB, cuja contribuição aportaria uma importante contribuição aos estudos históricos e sociológicos sobre o negro no Brasil.

Se no passado nós comunistas estivemos presentes em praticamente todos os momentos relevantes da trajetória do povo negro brasileiro, no presente continuamos a apoiar e nos envolver com essas lutas. Apoiamos as reivindicações imediatas e conquistas parciais do movimento negro brasileiro, como o acesso ao ensino público e gratuito de qualidade, o estabelecimento de reservas de vagas das universidades públicas, a titulação das terras das comunidades remanescentes de quilombos e o Estatuto da Igualdade Racial. No entanto, compreendemos que nenhuma destas conquistas parciais estará assegurada no futuro enquanto perdurarem: a) o esvaziamento e sucateamento das universidades públicas, a privatização e a mercantilização do ensino; b) o controle do Estado pelos grandes proprietários fundiários e a subordinação da política agrária do governo aos interesses do agro-negócio; c) a hegemonia dos interesses do grande capital nacional e internacional no interior da sociedade brasileira e a subordinação das necessidades do povo à lógica da acumulação capitalista.

Para que as atuais conquistas sejam mantidas e aprofundadas e para que novas sejam alcançadas é essencial que as lutas do povo negro, sem prescindir de sua especificidade, estejam combinadas às lutas gerais do povo e dos trabalhadores brasileiros. É necessário somar esforços aos movimentos em defesa de uma universidade pública gratuita e de qualidade, voltada para a resolução dos problemas nacionais e para a promoção social das classes populares, apoiar as ações contra o monopólio da propriedade da terra pelos grupos latifundiários e por uma reforma agrária ampla e radical, mobilizar-se enfim, por um poder político que seja a encarnação da vontade de negros e negras, trabalhadores das cidades e dos campos, pequenos proprietários urbanos e rurais, artistas e intelectuais avançados.

Salve o Dia da Consciência Negra!

PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB)

20 de novembro de 2009
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

TODA SOLIDARIEDADE A CESARE BATTISTI. NÃO À EXTRADIÇÃO! (Nota Política do PCB)





O Partido Comunista Brasileiro (PCB) vem a público reafirmar sua plena solidariedade para com o cidadão italiano Cesare Battisti, seriamente ameaçado de ser extraditado para a Itália, onde o governo neofascista de Berlusconi, mesmo sem qualquer prova, transformou-o em símbolo de uma pretensa campanha "contra o terrorismo", em ação orquestrada com a mídia burguesa internacional, que busca a todo momento criminalizar aqueles que se dedicaram - e continuam a fazê-lo mundo afora - a lutar contra as injustiças e desigualdades promovidas pelo capitalismo.

A ameaça da extradição se verifica com o voto de minerva a ser dado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, na próxima quarta-feira, dia 18 de novembro, tendo em vista o caminho adotado pelo órgão máximo da Justiça no Brasil, que resolveu entrar no mérito da questão, ao invés de reconhecer a competência do governo federal para tratar de assuntos inerentes às relações internacionais. Esta postura acabou contrariando a decisão anterior tomada pelo Ministro da Justiça, Tarso Genro, de conceder asilo político ao militante comunista italiano.

Para as forças de esquerda em todo o mundo, a situação é muito preocupante, por duas razões: em primeiro lugar, são mais do que conhecidas as posições ultraconservadoras do Ministro Gilmar Mendes, que já declarou publicamente sua opinião em favor da extradição. Em segundo lugar, a viagem de Lula à Itália, a quarenta e oito horas da decisão do STF, é um sinal de que a cabeça de Battisti pode estar a prêmio. Lula encontrou-se com o líder da oposição e deputado do Partido Democrático, Massimo D'Alema, o qual, coerente com a prática de um partido que, na década de 1990, abandonou o programa socialista e rendeu-se à lógica do capitalismo, faz parte do lobby que pede a extradição do "ex-guerrilheiro", de quem afirma ter sido condenado por "graves crimes, não por razões políticas". Lula também foi recebido pelo primeiro ministro Berlusconi, líder da direita italiana. Após o encontro, disse, referindo-se ao parecer do STF: "Não existe possibilidade de seguir ou ser contra. Se a decisão foi determinativa, não se discute: cumpre-se".

Caso seja extraditado, Battisti será condenado à prisão perpétua na Itália. Trata-se de uma condenação sem provas: ele foi indiciado em crimes de assassinato a partir das acusações feitas por um ex-companheiro da organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), Pietro Mutti, que se valeu de um recurso jurídico italiano, conhecido como "delação premiada", em troca da liberdade e de uma nova identidade. Battisti é acusado de haver cometido dois crimes, ocorridos em duas cidades distantes uma da outra, no mesmo dia e apenas com meia hora de diferença entre eles, um em Milão e outro na cidade de Udine. Além disso, Battisti foi julgado em sua ausência e teve sua assinatura falsificada, para que o governo pudesse nomear advogados que aceitaram participar de um julgamento sem a presença do réu.

Todo o processo contra Battisti baseou-se apenas nos relatos de Mutti, existindo ainda indícios substanciais de que essas "confissões" tenham sido arrancadas sob torturas, conforme denunciou à época a Anistia Internacional. No período posterior à violenta repressão que se abateu sobre os grupos que, entre 1969 e 1980 na Itália, optaram pela luta armada em prol do socialismo, passou a prevalecer uma lei de exceção que concedia às investigações das organizações consideradas terroristas detenções de pessoas sem autorização judicial. Ou seja, sob o pretexto de combater o "terrorismo", o Estado italiano passou a desrespeitar as mais básicas regras democráticas e os direitos humanos, reforçando as posições da ultradireita e colaborando para a progressiva criminalização da esquerda em geral e das lutas anticapitalistas. Para o avanço da onda conservadora no país, muito contribuiu a desintegração do PCI, cujos antigos membros passaram a propor a "refundação do capitalismo", sob a máscara de uma democracia radical.

A velha direita fascista de Berlusconi e a "nova esquerda" de Massimo D'Alema transformaram o "caso Battisti" em uma questão de honra, fazendo coro com o pensamento burguês hegemônico, segundo o qual qualquer luta mais radicalizada contra os efeitos perversos do capitalismo no mundo acaba sendo confundida com crime, com "terrorismo". Esse discurso manipulador de consciências é bem conhecido de todos nós: a burguesia brasileira, com o auxílio luxuoso da mídia capitalista, persegue e criminaliza os movimentos sociais que, a exemplo do bravo MST, lutam contra a exploração do grande capital em nosso país.

Diante deste quadro, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) conclama todos os trabalhadores, militantes de esquerda, lutadores sociais e democratas de nosso país a prestar efetiva solidariedade a Cesare Battisti, através de manifestações públicas que pressionem o Supremo Tribunal Federal e o Presidente Lula a manterem a decisão do Ministério da Justiça no sentido de conceder asilo político a Battisti.

Partido Comunista Brasileiro
Comissão Política Nacional
Novembro de 2009
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CARTA DE ANITA LEOCÁDIA PRESTES AO PRESIDENTE LULA

Exmo. Sr. Presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva.

Na qualidade de filha de Olga Benário Prestes, extraditada pelo Governo Vargas para a Alemanha nazista, para ser sacrificada numa câmera de gás, sinto-me no dever de subscrever a carta escrita pelo Sr. Carlos Lungarzo, da Anistia Internacional, na certeza de que seu compromisso com a defesa dos direitos humanos não permitirá que seja cometido pelo Brasil o crime de entregar Cesare Battisti a um destino semelhante ao vivido por minha mãe e minha família.

Atenciosamente,
Anita Leocádia Prestes
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Carta aberta de Cesare Battisti a Lula e ao Povo Brasileiro


14 de Novembro de 2009

Como última sugestão eu recomendo que vocês continuem lutando pelos seus ideais, pelas suas convicções. Vale a pena! Por Cesare Battisti

“CARTA ABERTA”
AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
SUPREMO MAGISTRADO DA NAÇÃO BRASILEIRA
AO POVO BRASILEIRO

“Trinta anos mudam muitas coisas na vida dos homens, e às vezes fazem uma vida toda”.
(O homem em revolta - Albert Camus)

Se olharmos um pouco nosso passado a partir de um ponto de vista histórico, quantos entre nós, podem sinceramente dizer que nunca desejou afirmar a própria humanidade, de desenvolvê-la em todos os seus aspectos em uma ampla liberdade. Poucos. Pouquíssimos são os homens e mulheres de minha geração que não sonharam com um mundo diferente, mais justo.

Entretanto, frequentemente, por pura curiosidade ou circunstâncias, somente alguns decidiram lançar-se na luta, sacrificando a própria vida.

A minha história pessoal é notoriamente bastante conhecida para voltar de novo sobre as relações da escolha que me levou à luta armada. Apenas sei que éramos milhares, e que alguns morreram, outros estão presos, e muito exilados.

Sabíamos que podia acabar assim. Quantos foram os exemplos de revolução que faliram e que a história já nos havia revelado? Ainda assim, recomeçamos, erramos e até perdemos.

Não tudo! Os sonhos continuam!

Muitas conquistas sociais que hoje os italianos estão usufruindo foram conquistadas graças ao sangue derramado por esses companheiros da utopia. Eu sou fruto desses anos 70, assim como muitos outros aqui no Brasil, inclusive muitos companheiros que hoje são responsáveis pelos destinos do povo brasileiro. Eu na verdade não perdi nada, porque não lutei por algo que podia levar comigo. Mas agora, detido aqui no Brasil não posso aceitar a
humilhação de ser tratado de criminoso comum.

Por isso, frente à surpreendente obstinação de alguns ministros do STF que não querem ver o que era realmente a Itália dos anos 70, que me negam a intenção de meus atos; que fecharam os olhos frente à total falta de provas técnicas de minha culpabilidade referente aos quatro homicídios a mim atribuídos; não reconhecem a revelia do meu julgamento; a prescrição e quem sabem qual outro impedimento à extradição.

Além de tudo, é surpreendente e absurdo, que a Itália tenha me condenado por ativismo político e no Brasil alguns poucos teimam em me extraditar com base em envolvimento em crime comum. É um absurdo, principalmente por ter recebido do Governo Brasileiro a condição de refugiado, decisão à qual serei eternamente grato.

E frente ao fato das enormes dificuldades de ganhar essa batalha contra o poderoso governo italiano, o qual usou de todos os argumentos, ferramentas e armas, não me resta outra alternativa a não ser desde agora entrar em “GREVE DE FOME TOTAL”, com o objetivo de que me sejam concedidos os direitos estabelecidos no estatuto do refugiado e preso político. Espero com isso impedir, num último ato de desespero, esta extradição, que para mim equivale a uma pena de morte.

Sempre lutei pela vida, mas se é para morrer, eu estou pronto, mas, nunca pela mão dos meus carrascos. Aqui neste país, no Brasil, continuarei minha luta até o fim, e, embora cansado, jamais vou desistir de lutar pela verdade. A verdade que alguns insistem em não querer ver, e este é o pior dos cegos, aquele que não quer ver.

Findo esta carta, agradecendo aos companheiros que desde o início da minha luta jamais me abandonaram e da mesma forma agradeço àqueles que chegaram de última hora, mas, que têm a mesma importância daqueles que estão ao meu lado desde o princípio de tudo. A vocês os meus sinceros agradecimentos. E como última sugestão eu recomendo que vocês
continuem lutando pelos seus ideais, pelas suas convicções. Vale a pena!

Espero que o legado daqueles que tombaram no front da batalha não fique em vão.

Podemos até perder uma batalha, mas tenho convicção de que a vitória nesta guerra está reservada aos que lutam pela generosa causa da justiça e da liberdade .

Cesare Battisti
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Tristeza, indignação e sei lá mais o que! - Por: Luiz Rodolfo Viveiros de Castro (Gaiola)


É com muita tristeza, mas tanta, tanta, que suplanta a indignação, que quase me paralisa - e para tentar não ficar parado tento escrever para vocês.

Acabei de entrar agora no globo.com, pensando em ver os resultados do futebol. Já sabia que meu time tinha perdido para o Barueri e que o Flamengo tinha ganho do Náutico; queria saber como foi para o Flu e para os adversários diretos na luta contra o rebaixamento do meu Botafogo. Mas que futebol, que nada. O que importa estar na primeira ou na segunda divisão?

Antes de ir para a parte de esportes me deparei com uma chamada para a matéria sobre o encontro do Lula com o líder da oposição na Itália, o representante da esquerda (?) moderna (?), Massimo D'Alema, que pediu pela extradição do Cesare Battisti.

Não quero nem comentar a matéria toda, dá nojo. Mas aí vai somente um trecho: Lula, ao saber que Battisti estava fazendo greve de fome, brincou: "Eu diria a ele para não fazer greve de fome, eu já fiz e é ruim".

Não sei o que fazer, não sei o que propor, mas quero pedir pra todos - sobretudo para os que estivemos presos - temos que fazer alguma coisa.

Battisti teve a mesma militância que nós, na mesma época. Vivemos num mundo em que o Régis Debray - que caiu na guerrilha do Che na Bolívia - foi ministro da Cultura na França, em que o Franklin Martins, o nosso Franklin, participou do sequestro do embaixador norteamericano: se não contam as motivações políticas, sequestro seria crime hediondo, Não é? Pois é, querem - o governo fascista da Itália - pegar o Battisti como bode expiatório.

Acho que todos conhecem o caso e o processo, mas nunca é demais lembrar que ele foi julgado à revelia, defendido por um advogado a quem nunca deu procuração para tal (e que ficou comprovada a falsificação de sua assinatura na constituição deste rábula) e as únicas "provas" são as acusações de um ex-militante que aceitou a delação premiada, provavelmente até pensando, naquela época, que pelo fato de Battisti estar fora do país podia jogar a culpa nele.

O ministro relator do caso disse que o Brasil devia extraditá-lo mas sem aceitar a prisão perpétua que não existe aqui; temos que exigir da Itália que a pena seja reduzida para 30 anos. Ora, o Battisti tem 65 anos, qual é a diferença? Vai sair com 95?

Sei lá, só sei que se não fizermos nada, nem que seja chorarmos juntos, seremos cúmplices diretos. Pois neste caso a injustiça, no meio de tantas, a perda de uma vida, no meio de tantas perdas, está ocorrendo pertíssimo de nós, com um dos nossos.

Em tempo: os suicídios recentes de presos políticos nos cárceres italianos, acho que foram 14 nos últimos tempos.

Despeço-me dizendo que concordo com a declaração de Battisti - que o Lula deve ou deveria ter lido, sobre a greve de fome - dizendo que prefere morrer fazendo greve de fome do que nas mãos de seus algozes italianos fascistas.

Saudações tristes, revoltadas e sei lá mais o que!
Gaiola
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BATTISTI VAI VIVER OU MORRER NO BRASIL. DAQUI NÃO SAIRÁ - Por: Celso Lungaretti(*)


Terminada a segunda sessão do julgamento do pedido de extradição de Cesare Battisti no Supremo Tribunal Federal, batalhões de jornalistas colhiam as impressões dos personagens do Brasil oficial à porta da lei (kafkiana como nunca!), mas quem fazia a melhor avaliação dos acontecimentos era o jovem orador que, com seu megafone, falava a algumas dezenas de outros jovens, localizados a uns 300 metros de distância, no Brasil real:

- Já não existe mais Supremo Tribunal Federal. Isso aí agora é uma delegacia de polícia.

Só faltou acrescentar: dos tempos da ditadura militar. Uma delegacia como o distrito policial que servia de fachada para os carrascos da Operação Bandeirantes.

Quem passava pela rua Tutóia, no bairro paulistano do Paraíso (!!!), só via as instalações de uma instituição dedicada a proteger os cidadãos.

Nos fundos, sorrateiramente, infiltraram-se os efetivos de uma instituição infernal, dedicados a atentar contra a liberdade, a integridade física e a própria vida dos cidadãos.

Também o STF tem efetivos dedicados a tal faina.

Já atentaram contra a liberdade do escritor e perseguido político Cesare Battisti, ordenando sua discutível detenção e mantendo-o sequestrado depois que o Governo brasileiro lhe concedeu refúgio humanitário, há dez meses.

Também atentaram contra sua integridade física: a ansiedade e a mágoa por estar sendo tão injustiçado o reduziram a um trapo.

E tramam contra sua vida, pois -- prestem muita atenção no que afirmo! -- Cesare Battisti jamais será extraditado para a Itália. Vai viver ou morrer no Brasil, dependendo da decisão das autoridades brasileiras. Daqui não sairá.

Na 5ª feira em que o ministro Marco Aurélio Mello honrou as calças que veste, vocês-sabem-quem se comportou como um garoto assustado: molhou-as e preferiu não aparecer em público, pensando que assim evitaria o vexame.

Em vão: seu papel neste drama jamais será esquecido. Ou vai buscar sua dignidade onde a atirou, ou passará à História com o estigma da infâmia e da cumplicidade num assassinato.

Pois, repito: Cesare Battisti não será extraditado para a Itália. Vai viver ou morrer no Brasil. Daqui não sairá.

Falo o que dele ouvi e tenho absoluta certeza de que cumprirá o que disse, pois pertence à classe dos homens, não à dos garotinhos mijões.

Marco Aurélio não apenas votou, mas fez o verdadeiro relatório do Caso Battisti, reduzindo a pó o papelucho de César Peluso.

Provou, sem deixar sombra de dúvida, que o STF não tem direito de rever o refúgio concedido a Battisti.

Está apenas usurpando prerrogativa de outro Poder, o que implica burlar uma lei e ignorar a jurisprudência firmada nos casos congêneres por ele próprio apreciados anteriormente.

Provou que a sentença que a Itália quer ver aplicada contra Battisti especifica claramente (34 vezes!) que os delitos cometidos pelos Proletários Armados para o Comunismo constituíam subversão contra o poder do Estado.

O pobre Tarso Genro, por proclamar esta obviedade, foi fulminado como juridicamente ignorante pela engrenagem de comunicação a serviço dos juridicamente matreiros e juridicamente delinquentes.

Provou que os delitos falsamente imputados a Battisti estão, ademais, prescritos.

E provou a má fé dos que, depois de ouvirem a verdade cristalina, não modificaram seu voto, para agirem como verdadeiros juristas.

Por enquanto, não passam de vis linchadores, da mesma laia daqueles que entregaram Olga Benário aos nazistas (pois foi o STF quem decidiu tal ignomínia, tendo Getúlio Vargas apenas lavado as mãos, ao ignorar o pedido de clemência).

E serão definitivamente linchadores se desperdiçarem a última oportunidade, na próxima 4ª feira (18), para salvarem sua reputação e sua honra, evitando acumplicar-se com um assassinato.

Pois, a minha última palavra é também a definitiva de Cesare Battisti: ele vai viver ou morrer no Brasil. Daqui não sairá.

* Jornalista, escritor e ex-preso político. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com
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