11 de agosto de 2011

PARECE JUIZ DE FORA. Por: Laerte Braga

O Ministério Público vai pedir a prisão preventiva de 17 suspeitos de participar de um esquema para despejo de entulhos em áreas proibidas. É em Itapecerica da Serra, na região da Grande São Paulo. O esquema por lá envolve fiscais da Prefeitura, policiais ambientais e um vereador. Esse, segundo o MP recebia mesada de empresários.

O aterro sanitário de Dias Tavares foi construído em área proibida por lei. À época o fato contou com a cumplicidade do ex-prefeito Alberto Bejani, envolvia uma empresa laranja da empreiteira Queiroz Galvão e a exceção de quatro ou cinco vereadores (os tais legisladores e defensores do povo) os demais silenciaram em torno do assunto.

Chegou Custódio Matos e a obra continuou, foi concluída, a Queiroz Galvão opera o aterro – mantém ainda o de Salvaterra – e traz para Juiz de Fora o lixo de cidades vizinhas como Ubá, por exemplo, algo em torno de 50 toneladas dia.

Para que o aterro em Dias Tavares se consumasse foi necessária a aprovação da FEMA/MG – Fundação Estadual do Meio Ambiente em Minas Gerais –, mas isso foi barbada. O procurador do órgão, um tal JoaQUINZINHO levou uma baita grana, providenciou todos os documentos e liberou o “negócio”.

Há propina para todos os lados no esquema. No início do governo Custódio o ex, Bejani, deu um murro à mesa e passou a participar dos “lucros”. Segundo ele em reunião com o próprio Custódio, o negócio começou em seu governo e nada mais justo que participar da “sociedade”.

A Queiroz Galvão é uma das quadrilhas mais perigosas no setor conhecido como “máfia do lixo”. Responde a vários processos por irregularidades várias. O procurador da Fundação Estadual do Meio Ambiente, o tal JoaQUINZINHO, já foi condenado num estado da região norte onde presidiu a companhia de águas, a devolver dinheiro aos cofres públicos. Tinha levado para casa por engano, com certeza. Em Minas esteve envolvido em irregularidades em concessões de direitos de mineração a algumas empresas e há na Assembléia Legislativa registros das trapaças de JoaQUINZINHO.

O governador era Aécio Neves (aquele que mora no Rio e se for solto no centro de Belo Horizonte não sabe para onde ir, tem que se socorrer de um táxi) e hoje é Antônio Anastasia – pai do fator previdenciário –, uma das maiores aberrações políticas já geradas no ventre do tucanato e assemelhados.

A Câmara? Cinco ou seis vereadores têm consciência da situação, são minoria. A maioria senta em cima e faz de conta que o vento está muito forte não dá para ler os papéis da tremenda negociata que corre solta.

Enfrentar a Queiroz Galvão? Como? A máfia tem atuação em todo o país, dispõe de um exército de pistoleiros, advogados para defendê-la, parlamentares no bolso, prefeitos e governadores na ante sala esperando a mesada, é o exemplo pronto e acabado do modelo sonhado por tucanos. Tudo privatizado ou terceirizado.

Se atentarmos para o noticiário de fatos como esse em São Paulo vamos observar o seguinte. A mídia – no caso FOLHA DE SÃO PAULO, o jornal que emprestava caminhões para a ditadura desovar corpos de presos assassinados na tortura – ao denunciar os fatos, cita policiais, cita um vereador, cita fiscais da prefeitura, mas não cita o nome dos empresários que compram e pagam a turma.

É claro. Em máfias quando a coisa fica feia a própria organização entrega algumas cabeças, com isso mantém os chefões impunes e o esquema continua firme, forte, além, isso é o óbvio, comprar o silêncio da mídia privada.

Pensar a cidade como primeira e mais imediata realidade de cada um de nós é entender que a cidade deve ser produto da vontade popular com transparência, com participação.

Câmaras Municipais, adereços absolutamente desnecessários no processo democrático, têm às suas portas, ou portais de entrada, sinos de madeira. Batem, batem, mas não ecoam. Ou porque, como acontece aqui, a maioria está no esquema do prefeito corrupto, ou porque não conseguem andar e falar ao mesmo tempo, precisam de ajuda.

O governador de Minas, uma aberração política, defendeu hoje a CPI da Corrupção. Pois é, deveria estender-se ao Estado e a algumas prefeituras (Juiz de Fora inclusive). Dar transparência aos atos de governo desde o início do governo Aécio (o hoje senador não tem idéia de nada de governo, Anastasia e Andréa Neves governavam o estado, Aécio assinava e passeava no Rio e outras plagas mais).

Pode ser que Biotônico Fontoura, quem sabe, acorde alguns vereadores, dê-lhes consciência do significado de um mandato popular e uma grande quantidade de “Harpic” – o tal que limpa vasos sanitários como nada faz igual – despejada sobre o Paraibuna afaste as sandices da Louca do Paraibuna (monstro que habita as profundezas do rio, sofre de bla bla bla e a essa altura pesa toneladas) e a cidade renasça numa perspectiva de refazer-se em função de sua história, suas tradições, que nada têm a ver com o prefeito atual, com o anterior e com a maioria dos vereadores da Câmara, como disse, um adereço desnecessário ao processo democrático.

Não convém é perguntar aos vereadores José Laerte Barbosa, Rodrigo Matos, Noraldino Júnior sobre o assunto. Não vão saber falar nada e no mínimo um mês irão precisar para decorar o que tem que ser dito. Vítor Valverde e Suely Reis vão ajudá-los a entender alguma coisa do assunto. Aí sim, aí falam. Num arranque só, pois se alguém pará-los ao meio aí tem que começar desde o começo outra vez. Não vão saber o ponto em que pararam, se no Neca ou no Venâncio.

Povo resolve.  

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Oleh

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