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Fonte: Blog Maria do Resguardo (http://mariadoresguardo.blogspot.com.br/2011/09/av-getulio-vargas-fabrica-bernardo.html) |
Nascemos numa cidade no seio de uma família, crescemos, nos
formamos e constituímos laços familiares, a nossa extensão, dentro de nossas
cidades. É nas cidades que vendemos nossas forças de trabalho.
A cada dia dos que vivemos acordamos na cidade.
A História de Juiz de Fora está intimamente ligada à História
do Brasil desde o período do Brasil colônia. Por aqui passavam as caravanas que
levavam o ouro de outras cidades das Minas Gerais para a matriz, Portugal.
O próprio nome da cidade – JUIZ DE FORA – mostra esse caráter
de local de trânsito em seus primeiros momentos. Um juiz de fora desembargava
aqui as demandas do povoado.
Já fomos vila e em 1850 nos transformamos em cidade.
Rui Barbosa em sua campanha civilista de 1910, num comício
na esquina de rua Fernando Lobo com rua de Santo Antônio chamou a cidade de
MANCHESTER BRASILEIRA. Referia-se a nossa indústria têxtil e nos comparava à
cidade de Manchester na Inglaterra, à época principal centro da indústria do
império britânico.
Aos poucos nossas características foram sendo mudadas. A
cidade que, originalmente, foi de trânsito das caravanas de ouro, se organizou
em torno de empreendimentos industriais, foi a primeira na América do Sul a ter
energia elétrica, para que, nos dias de hoje, segundo observamos, estar vestida
de cidade de prestação de serviços, de estudantes e comércio.
A pujança industrial perdeu-se
Por quê? Para alguns a mudança da capital do Brasil, Rio de
Janeiro, para Brasília foi um fator de esvaziamento econômico de Juiz de Fora.
O PCB entende que não. A Manchester que Rui Barbosa enxergou
era produto dos investimentos de famílias tradicionais, fator de acumulação de
riquezas, nascedouro da luta dos trabalhadores por direitos básicos e
fundamentais.
Faliu na inconseqüência desses investidores, de olho em seu
próprio benefício e sem visão seja de futuro, ou seja, de direitos da classe
trabalhadora.
Foi em Juiz de Fora, segundo registra John Dulles em seu
trabalho ANARQUISTAS E COMUNISTAS NO BRASIL – Volume 1, Ed. Nova Fronteira, que
se editou o primeiro jornal de esquerda em toda a América do Sul. E foi em Juiz
de Fora, em 1945, em seu breve período de legalidade, que o PCB elegeu um
vereador à Câmara Municipal, o líder de trabalhadores da construção civil
Lindolfo Hill.
Somos, por natureza, uma cidade de trabalhadores. As lutas
do passado, muitas delas duras e reprimidas com violência pelas classes
dominantes mostram isso.
É necessário retomar essa consciência. Conhecer a História
para melhor conhecermos nossas origens e a nossa realidade.
É o debate que o PCB propõe aos trabalhadores, aos
estudantes, a Juiz de Fora.
Com a convicção que esse debate, em tempos de
neoliberalismo, é fundamental para a retomada da História e conseqüentemente a
de Juiz de Fora, num caminho em que o progresso não apenas o privilégio de uns,
mas o bem comum de todos, sempre escorado em ampla participação popular, do
contrário não terá sentido.
O que vemos hoje é um crescimento desordenado, que favorece
a grupos que nem têm raízes na cidade (as obras públicas, as terceirizações) e a
classe trabalhadora cada vez mais relegada às periferias tanto no sentido físico,
como político e social.
O PCB quer o debate, propõe o debate e traz consigo a idéia
de reencontro do trabalhador com sua cidade. Do estudante com sua cidade. E a
construção de uma cidade camarada.
Temos História de lutas para encontrar esse caminho.
JUIZ DE FORA – 162 ANOS
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Oleh
Rubens Ragone