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15 de setembro de 2013

Declaração ao povo da Síria

Declaração ao povo da Síria

 

Partido Comunista Sirio

O Partido Comunista Sírio dirige-se a vós nestes dias difíceis para apelar a cerrar de fileiras e fazer todo o possível para lutar contra esta agressão colonial brutal.

O imperialismo mundial e sua ponta de lança, os EUA, não conseguiu por as suas mãos na Síria através do embargo, do apoio às operações dos grupos terroristas que cometeram atrozes actos criminais e subversivos, incluindo massacres horríveis, muitos deles de base sectária comunitária e étnica. Estes grupos sabotam e destroem a infraestrutura económica do país impondo leis obscurantistas estranhas às tradições do povo sírio, que se distingue por sua abertura de espírito e tolerância. Pensamos que o imperialismo americano está disposto a dirigir uma agressão militar com seus aliados sob o pretexto de acções realizadas por seus agentes e supervisionadas por seus órgãos.

Fica claro que o imperialismo americano apoia sua agressão em falsas acusações que procuram justificar sua acção. Esta potência brutal acusa-nos de crimes que foram cometidos por ela no mundo inteiro sob a bandeira hipócrita da "defesa do mundo livre e da democracia".

O recurso a armas bacteriológicas e químicas pelas forças americanas na guerra contra a Coreia em meados do século passado e o recurso às mesmas armas na guerra contra o movimento de libertação nacional do povo do Vietname, cujo agente "Laranja B" faz com que mulheres do Vietname dêem à luz crianças mal-formadas 40 anos depois do fim desta guerra na qual o imperialismo foi derrotado e humilhado.

A máquina de guerra americana utilizou urânio empobrecido na guerra contra nossos irmãos do Iraque mas isso não lhes permitiu consolidar sua ocupação e os invasores americanos retiraram-se da terra orgulhosa do Iraque como ratazanas a escaparem do naufrágio.

Todos os crimes cometidos pelo imperialismo americano durante décadas tornam necessário processar seus dirigentes, inclusive seus presidentes, diante de um tribunal internacional semelhante ao que julgou os responsáveis da Alemanha de Hitler. Os líderes imperialistas e sionistas, como ontem os nazis, terão o mesmo destino graças à luta de libertação dos povos do mundo inteiro.

O valente povo sírio, com o seu exército, persevera na sua resistência patriótica heróica desde há mais de dois anos frente à guerra não declarada lançada contra a Síria. Vai-se opor ainda com mais força e resolução a esta agressão militar. Vai-se inspirar nos exemplos heróicos, nos vencedores de Hattin (vitória de Saladino em 1187 contra os cruzados que libertou Jerusalém), nos mártires de Maysaloun (batalha perdida pelos nacionalistas sírios contra os colonizadores franceses em 1920) ou nos heróis das Grande Revolta Síria de 1925.

A defesa do regime nacional sírio que não baixa a cabeça contra todas as formas de agressão, recusando a humilhação e a submissão, é lutar pelo país, sua soberania e sua independência.

Nestes tempos difíceis para o nosso país e o nosso povo, deve-se fazer todo o possível para fortalecer todas as frentes: a política, a militar e a económica. O povo sírio não está só na batalha, conta com o apoio de todos os povos livres do mundo.

Que a vergonha e o desprestígio caiam sobre o imperialismo e seus agentes.

Glória à nobre resistência patriótica!

A Síria não se dobra!

07/Setembro/2013

6 de dezembro de 2011

Contra as ameaças imperialistas à Síria

Contra as ameaças imperialistas à Síria

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Crédito: PCB
(Nota Política do PCB)

Estamos assistindo ao auge do cinismo do imperialismo nesta campanha pelo domínio do Oriente Médio. Comparemos o que está acontecendo em dois países.

No Egito, praticamente só há manifestações contra o governo militar: majoritárias, pacíficas, autênticas, espontâneas e constantes. Nenhuma manifestação a favor do governo.

O imperialismo faz vista grossa à violência estatal que, só nesta semana, assassinou mais de cinqüenta manifestantes e feriu milhares. A mídia e os líderes das grandes potências não falam em “ajuda humanitária”, “direitos humanos”, “sanções”, “ditadores”, “rebeldes”. Pedem o “bom senso” dos dois lados, como se o poder de fogo fosse igual. Depois da maior manifestação do povo egípcio, na última sexta-feira, o governo ianque pressiona os militares a entregarem o governo a civis, é claro que do mesmo campo político. Uma solução mediada por cima no Egito também dá legitimidade ao imperialismo para isolar e invadir a Síria.

Claro. O governo egípcio é aliado dos Estados Unidos e da OTAN. É o segundo país que mais recebe “ajuda militar” norte-americana, depois de Israel, de quem o Egito é grande aliado ajudando a sufocar os palestinos na sua fronteira com a Faixa de Gaza.

Na Síria, as maiores manifestações são em defesa do governo civil. Tendo começado exigindo mudanças econômicas, sociais e políticas, hoje elas têm como eixo central o repúdio à crescente ameaça de invasão militar imperialista. São milhões de pessoas, desfraldando a bandeira contra a intervenção estrangeira.

As manifestações contrárias ao governo, infinitamente inferiores às favoráveis, são manipuladas e superdimensionadas pela mídia. Mercenários super armados pela CIA, o M16 e o MOSSAD, com o apoio das oligarquias árabes, infiltram-se pelas fronteiras da Turquia e da Jordânia, que fazem o jogo do imperialismo. O confronto entre provocadores e franco atiradores e as forças militares e policiais fazem vítimas dos dois lados e acabam provocando vítimas civis. Este cenário é utilizado para justificar a intervenção militar no país.

Já sobre a Síria, os círculos imperialistas, mal disfarçando suas garras, já falam em “zona de exclusão”, “corredor humanitário”, “rebeldes”, “forças de paz”, “sanções”, enfim toda a cantilena preparatória das ocupações militares. Porta-aviões dos Estados Unidos já se encontram na costa síria; crescem as sanções para estrangular o país e os tradicionais apelos para que abandonem a Síria os estrangeiros das grandes potências que pretendem invadir o país.

Claro. A Síria é um dos maiores obstáculos aos intentos expansionistas do imperialismo e do sionismo. É um dos poucos países com que os palestinos têm podido contar. Tem localização estratégica para o projeto expansionista chamado Grande Israel e cria condições para agressão em seguida ao Irã e talvez o Líbano, para ajudar a completar a limpeza étnica que o sionismo leva a efeito na Palestina e a hegemonia imperialista em todo o Oriente Médio.

Na Líbia, o governo “rebelde”, aplaudido por uma certa esquerda pautada pela mídia, se ocupa agora de entregar o petróleo aos vencedores e transformar o país numa enorme base militar imperialista para dominar o continente africano.

Com que moral os Estados Unidos e a OTAN - que já mataram, torturaram e feriram nos últimos anos mais de um milhão de pessoas, a imensa maioria civis, em diversos países – pode falar em direitos humanos?

Com que moral a Arábia Saudita, os emirados e monarquias árabes, os regimes mais conservadores e autoritários do mundo, podem falar em democracia?

Por isso, o PCB não vacila. A luta de classes tem sempre lado. O nosso lado é o dos trabalhadores e daqueles que lutam contra o imperialismo.

Por isso, conclamamos o governo brasileiro a rever seu voto na ONU, de condenação à Síria, e aos trabalhadores brasileiros a se manifestar em solidariedade ao povo sírio.

Por isso, toda a nossa solidariedade à esmagadora maioria dos egípcios e sírios.

Rio, 28 de novembro de 2012

PCB - Partido Comunista Brasileiro

Comissão Política Nacional