
ricardo miranda
Repórter
Após ficar conhecido em Juiz de Fora na última disputa para prefeito, com o slogan “Pimenta neles”, o advogado Rafael Pimenta (PCB) retorna à cena política agora na condição de candidato ao Senado. Crítico do sistema político vigente, ele lamenta o fato de ainda não ter financiamento público de campanha, o que daria à sua candidatura condições de igualdade com os demais concorrentes. Mas, não é a falta de recursos que vai lhe tirar o humor. “Vamos assoviando e chupando cana.” Com a polêmica proposta de entrar para o Senado e, literalmente, acabar com a Casa, Pimenta alega, nesta entrevista à Tribuna, que o modelo bicameral, com Câmara e Senado, é oneroso demais para os cofres públicos. “Sem o Senado, acaba-se com uma série de cargos, dezenas de assessores, passagens aéreas, carros e outra série de regalias.”
Tribuna - A questão do desenvolvimento da Zona da Mata nunca esteve tão latente para o eleitoral da região. Nesse sentido, como um senador pode contribuir?
Rafael Pimenta - A gente tem que batalhar, independentemente de cargo, para aprofundar a discussão sobre o desenvolvimento da Zona da Mara. A matéria sobre desenvolvimento social na Zona da Mata, publicada pela Tribuna, traz um dado interessante sobre o nosso passado. Quando o foco de desenvolvimento foi transferido de Juiz de Fora para Belo Horizonte houve uma preocupação com o desenvolvimento igualitário de todas as regiões. O que aconteceu, nos últimos 50 anos, no entanto, é que a Zona da Mata vem sendo sistematicamente prejudicada em detrimento de outras regiões. Como senador, a gente precisa lutar para que haja uma maior distribuição de renda entre todas as regiões, olhando com igualdade de condições para todos os municípios.
A disputa pelo Senado em Minas tem nomes de peso como do ex-presidente Itamar Franco (PPS) e do ex-governador Aécio Neves (PSDB), além do ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT). Qual o papel da sua candidatura nesse processo?
O PCB tem utilizado o espaço no horário eleitoral para promover uma discussão sobre aquilo que nós do PC pensamos. O Ivan Pinheiro (PCB), nosso candidato a presidente da República, está propondo que os recursos do pré-sal sejam distribuídos aos estados de forma inversamente proporcional ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O que ele quer com isso é promover um desenvolvimento mais equitativo do país. Então, se São Paulo tem um desenvolvimento superior ao Amapá, os recursos para São Paulo serão menores e para o Amapá a fatia do bolo será maior. Acreditamos que, com isso, vamos conseguir promover o desenvolvimento de todas as regiões de uma forma mais justa que a atual. As demais candidaturas listadas na sua pergunta possuem uma visão muito profundamente arraigada no capitalismo. Nós queremos desenvolvimento para todos. Minha candidatura, em relação às demais, então, se coloca como opção contrária às mazelas da nossa política.
Desde quando começou o horário eleitoral gratuito, sua principal proposta envolve a extinção do Senado. Por que acabar com a função de senador?
Minha principal proposta, de fato, é acabar com o atual sistema bicameral (Câmara e Senado) com a extinção do Senado. Penso que só temos a ganhar com a extinção do Senado, que é muito oneroso. Estamos falando de uma estrutura com mais de dez mil funcionários, com os salários de cargos menores, aqueles sem necessidade de graduação, girando em torno de R$ 13 mil. Isso é uma ilha da fantasia. E quem são os senadores brasileiros? São os representantes dos bancos, das mineradoras, das indústrias farmacêuticas, das montadoras de carros, das empreiteiras. Ou seja, temos encastelados ali (no Senado) os representantes dos principais exploradores da sociedade brasileira. Nossa candidatura vem para denunciar esse Senado.
Mas não parece contraditório querer entrar no Senado para pedir sua extinção?
Não vejo como contradição a proposta de extinção do Senado. Com a mudança, todos os senadores continuariam como parlamentares, mas na condição de deputados. Seriam todos deputados. O senador continuaria como parlamentar, mas sem necessidade de os projetos tramitarem nas duas casas. Dessa forma, não teríamos mais uma Casa revisora ou outra fiscalizadora. Sem o Senado, acaba-se com uma série de cargos, dezenas de assessores, passagens aéreas, carros e outra série de regalias.
Sua campanha tem sido bem modesta na cidade. Como fazer uma campanha comunista?
Como, no Brasil, nós ainda não temos financiamento público de campanha, o que deveria acontecer, para termos uma igualdade de condições entre todas as candidaturas, seguimos como é possível. O que acontece hoje com todas as candidaturas a deputado, senador, governador e presidente? Quem é que financia essas candidaturas? O candidato que pretende gastar R$ 2 milhões com sua a candidatura vai tirar esse dinheiro de onde? Dos bancos, das mineradoras, das indústrias farmaceuticas, das empreiteiras. São esses grupos que vão sustentar as campanhas milionárias. Com isso, o modelo de disputa eleitoral adotado no Brasil só permite aparecer as candidaturas bancadas pelos poderosos. Nossa campanha é pequena, mas conseguiu usar bem a televisão. Vamos continuar tentando espalhar nossas notícias pela cidade. Vamos assoviando e chupando cana. Não vamos nos acomodar dizendo que é difícil ocupar o espaço e não ocupá-lo.








3 comentários
comentáriosO candidato deveria estudar mais a dialética marxista. Nesta sua entrevista ele entra em contradição. Propõe a extinção do senado com o argumento de que a casa representa o latifúndio, o agronegócio, os bancos, as empreiteiras, ou seja o capital. E que o custo do senado é alto. Mas logo depois propõe que os senadores continuem como parlamentares, mas rebaixados a deputados? Não vejo mudança aí, vejo sim uma grande contradição na proposta do candidato.
ResponderPELO FIM REAL DO SENADO E POR UM PARLAMENTO POPULAR!
Queremos o fim real do senado e um parlamento popular. Para isso, é preciso uma mudança na estrutura do congresso por emenda constitucional. Alguma forma de extinção precisa ser adotada e aprovada. Pode ser de rebaixar os senadores, de extinguir seus mandatos, reduzí-los, já que cairiam de 8 para 4 anos ou outra forma. É discussão que se inicia, posta em debate pelo PCB e outros. No seu próprio comentário não há qualquer sugestão. O PCB tem posição pela extinção do senado. Após eleitos, vamos estudar as formas possíveis de fazê-lo, ouvindo a população, já que tais propostas não foram elaboradas ainda por nenhum segmento social ou político no Brasil.
ResponderCaso não sejamos eleitos, da mesma forma iniciamos agora esta discussão no Brasil e a aprofundaremos.
Iremos buscar entre pessoas que tenham alguma contribuição a dar, as soluções e saídas para a questão. Isto é a participação popular nas decisões políticas.
Rafael Pimenta
Quais são suas outras propostas, além da extinção do Senado ?
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