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15 de novembro de 2011

PCB - ATO DE HOMENAGEM AO COMANDANTE ALFONSO CANO


imagemCrédito: lh3



ATO DE HOMENAGEM AO COMANDANTE ALFONSO CANO
DIA 14 DE NOVEMBRO (segunda-feira), às 18:30

 
Exibição do filme:

“FARC-EP - A insurgência do século XXI”
(A câmara na selva)

O conflito armado do ponto de vista da rebeldia colombiana (*)

(*) – vide a sinopse do filme em seguida

Local: Rua da Lapa, 180 – grupo 801 – Lapa
Sede nacional do PCB - Rio de Janeiro

Promoção:
Partido Comunista Brasileiro
União da Juventude Comunista

A câmera na selva

Sobre o documentário FARC-EP: a insurgência do século XXI

Florencia Torres Freeman, para o Rebelión.

Enquanto os Estados Unidos lançam sua Quarta Frota e instalam sete novas bases militares na Colômbia, em diferentes países da América Latina acaba de estrear simultaneamente o filme FARC-EP, a insurgência do século XXI, documentário de longa metragem que narra o conflito armado do ponto de vista da guerrilha bolivariana.

No século XXI a insurgência é apenas uma lembrança do passado? Acabaram as ideologias? Os revolucionários se converteram em delinquentes, narcotraficantes, bandoleiros, terroristas?

Os grandes monopólios da (in)comunicação insistem numa mensagem velha, gasta e única: a insurgência colombiana não tem ideologia, formação cultural nem projeto político. Seu coração mercenário bateria no ritmo frenético e louco da coca. O antigo e tenebroso “ouro de Moscou” teria sido substituído pelas maletas repletas de dólares e euros, provenientes do narcotráfico. Indígenas massacrados, mulheres violadas, jovens maltratados. Nas telas de TV o movimento guerrilheiro se converteu em um monstro muito mais temível que Satã, Lúcifer, Luzbel e os piores demônios medievais.

O velho e barbudo Karl Marx começou seu célebre Manifesto Comunista afirmando que “Um fantasma corre a Europa: o espectro do comunismo. Contra este espectro se conjuraram numa santa matilha todas as potências da velha Europa... Não há um único partido de oposição que os adversários governantes não acusem de comunista”. Se substituirmos “comunismo” por “FARC-EP” (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo), hoje o fantasma continua perambulando por aí. Que movimento social radicalizado da América Latina não foi estigmatizado e acusado de simpatizar com as FARC? Hoje em dia, a CIA, o FBI, o DEA e outros organismos “democráticos” vivem distribuindo a acusação de “colaborador das FARC” a qualquer um que tente, pareça ou aspire a ser um dissidente radical.

A obra As bruxas de Salem, de Arthur Miller, parece ter sido escrita ontem. O macartismo se mantém arrogante e provocador. Toda dissidência, em qualquer parte do mundo, cheira a guerrilha bolivariana. Vivemos um controle do pensamento que faria empalidecer os presságios mais sombrios das estórias de 1984, Um mundo feliz e Fahrenheit 451, ou dos filmes Brazil, Matrix e até o mais recente Setor 9.
Desde os mega-noticiários de TV até a ficção de Hollywood, passando pelas toneladas de papel manchado de tinta dos grandes empórios jornalísticos, hoje todos batem na mesma tecla. Inclusive os principais presidentes da América Latina devem discutir com Uribe, servil ventríloquo local do grande amo imperial, tomando como eixo o rechaço ou a indiferença frente às FARC-EP. Nem UNASUR nem a OEA têm escapado destes debates.

Nesse contexto global, onde o fim da guerra fria não tem permitido que se baixe um grau sequer à temperatura da guerra psicológica contra as rebeliões armadas contemporâneas, o que pensam realmente as FARC-EP? Possuem um plano? Têm ideologia? Mantêm sob força e ameaça as suas dezenas de milhares de jovens combatentes? Como vêem o futuro da América Latina?

O longa-metragem FARC-EP: a insurgência do século XXI tenta responder estas perguntas, submetendo à discussão a propaganda barroca e macartista promovida a partir dos EUA. A equipe de cinema «Glauber Rocha», formada por cinegrafistas de diversos países da América Latina e da Europa, se internou na selva, percorreu as cordilheiras e as montanhas, mostrando de dentro, como nunca antes se viu, a vida cotidiana nos acampamentos das FARC-EP. O documentário, que dura quase duas horas, contém entrevistas com os principais comandantes guerrilheiros do secretariado das FARC-EP e numerosos testemunhos de combatentes de base, camponeses e jovens urbanos do Partido Comunista Clandestino da Colômbia (PCCC), incluindo sequências sobre o papel fundamental das mulheres na luta guerrilheira, os indígenas e povos originários, o problema do narcotráfico, o para-militarismo, os prisioneiros de guerra, as novas bases militares estadunidenses e a violação sistemática dos direitos humanos por parte do terrorismo de Estado na pátria do líder independentista Simón Bolívar.

A estrutura formal do documentário constitui uma imensa colagem, onde aparecem reconstruídos desde as matanças da empresa bananeira UNITED FRUIT em 1928, o assassinato do dirigente popular Eliécer Gaytan em abril de 1948 e a fundação das FARC-EP, até a captura de militares estadunidenses na selva colombiana, o caso recente de Ingrid Betancourt e as declarações dos principais referentes paramilitares (aliados de Uribe) que confessam ter recebido dinheiro das empresas bananeiras para assassinar guerrilheiros e massacrar a população civil.

Nesse mosaico que não deixa nada ou quase nada de fora, são retratados pela primeira vez na história (até onde temos notícias) os cursos de formação, políticos, ideológicos e militares, dos combatentes comuns das FARC-EP e também de suas forças especiais. Em meio à selva, aos rios, às árvores imensas e aos animais aparecem bibliotecas, grupos de leitura, quadros-negros e muita, mas muita gente jovem estudando. Quem assistir a alguma projeção deste filme (até agora projetado em circuitos underground, será ele projetado nas grandes salas?) não poderá deixar de recordar das cenas daquelas paisagens da guerra revolucionária esculpidas e retratadas em outra época pela excelente escrita de Ernesto Che Guevara, um dos inspiradores da ideologia das FARC-EP junto a seu legendário comandante e fundador Manuel Marulanda Vélez, recentemente falecido. Mas as cenas e entrevistas retratadas neste filme não pertencem aos nostálgicos anos sessenta, tão louvados e tão esgarçados, e sim... ao século XXI.

Como em Cuba, Nicarágua e El Salvador, como na Argélia e, sobretudo, no Vietnã, hoje a Colômbia vive uma guerra civil. Este filme mostra o que jamais aparece na CNN e em outras usinas do poder: o conflito armado do ponto de vista da rebeldia bolivariana. Não passará despercebido.


FICHA TÉCNICA (com algumas homenagens...!

Roteiro e direção / Script and Direction: Diego Rivera

Montagem / Editing: Alejo Carpentier

Câmeras / Cameras: Diego Rivera, Tina Modotti y César Vallejo

Fotografia / Cinematography: Frida Kahlo

Produção / Production: Grupo de cinema «Glauber Rocha»

Pós-produção / Post-production: Julius Fucik e André Gunder Frank

Música / Music: Banda de sonido de las FARC-EP / Songs of FARC-EP

Pesquisa jornalística / Journalistic Research: Roque Dalton

Assessoria historiográfica / Historical Consultant: Ruy Mauro Marini

Agradecimentos / Thanks: Frida Kahlo, Ulrike Meinhof e Vladimir Maiacovsky

112 minutos / minutos - 2009

(tradução de Rodrigo Fonseca)

Obs: filme legendado em português por pelo jornal Inverta.
Os que morrem pela vida não podem ser chamados de mortos

Os que morrem pela vida não podem ser chamados de mortos

imagem
Crédito: EA.com.py

Não recordo quando se fez habitual falar da realidade colombiana como se esta pudesse igualar-se à de qualquer país “democrático” ou quando se promoveu um pacto para a manutenção do silêncio.

Se aqueles que opinam, como se conhecessem os conflitos colombianos, pudessem se aproximar um pouco da realidade, pelo menos através dos dados, veriam que esta nação irmã não pode chegar à paz sem as armas, enquanto for mantido um Estado terrorista como o que hoje governa Juan Manuel Santos.

A história da Colômbia está repleta de violência, na mesma proporção que estão cheias de árvores as montanhas que protegem as FARC. Liberais e conservadores mantém um regime terrorista, baseado no sangue e no fogo. Nesse marco, surgiram as resistências armadas.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) nasceram depois da ofensiva do exército colombiano, em 1964, que buscava reafirmar a autoridade da Frente nacional. Esta avançou sobre a República de Marquetalia, uma das comunidades autônomas criadas em fins da época de violência, que se seguiu ao Bogotazo, um período de protestos, desordens e repressão, seguintes ao assassinato de Jorge Eliezer Gaitán, em 1948. Muitos apontam esse acontecimento como o início do conflito armado atual.

A guerra na Colômbia não nasceu do nada. Seus antecedentes são claros e estão vinculados diretamente à repressão, à violação sistemática aos direitos humanos e ao esmagamento das reivindicações dos movimentos populares. Esse é o marco da guerra.

Por acaso o mundo esqueceu a União Patriótica e seu extermínio?

Em 1985, uma boa parte da militância social acreditou que se podia tomar um caminho pacífico na Colômbia. Várias organizações, inclusive as FARC, ingressaram na União Patriótica (UP). O resultado foi brutal. Foram assassinados 2 candidatos à presidência, 8 congressistas, 13 deputados, 70 vereadores, 11 prefeitos e milhares de militantes, quaes 5.000 militantes. O documentário “O Baile Vermelho” (El Baile Rojo) oferece uma clara imagem do massacre.

Os pedidos que fazem os movimentos sociais na Colômbia, estão relacionados ao respeito aos direitos cidadãos, à liberdade de organização, à democracia, à justiça social. São estas bandeiras que sustentam até hoje a guerrilha mais antiga de Nossa América. Alfonso Cano as sintetizava da maneira mais clara: “Nossos objetivos são a convivência democrática com justiça social e exercício pleno da soberania nacional, como resultado de um processo de participação cidadã massiva que encaminhe a Colômbia para o socialismo”.

Tal como afirma a Coordenadora Simón Bolívar: “O assassinato de Alfonso Cano é uma bofetada na paz”. Cano era herdeiro intelectual de Jacobo Arenas e sucessor de Manuel Marulanda. Sua morte representa a queda do maior líder da guerrilha, mas não o fim da luta do povo colombiano por sua libertação.

Em janeiro de 2008, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de maneira brilhante, propôs reconhecer as FARC como força beligerante, pois reconheceu que este era o único caminho para uma paz negociada. Até então, Chávez não costumava prender nem entregar revolucionários, como fez com Joaquín Pérez Becerra, editor da Agência de Notícias Nova Colômbia (ANNCOL) e Julián Conrado.

Para as chamadas nações civilizadas, é mais fácil olhar para o outro lado e acusar as FARC de terrorismo, como se esta guerrilha, que conta com cerca de 20.000 combatentes, fosse simplesmente um grupo de foragidos. É mais fácil ignorar a Guerra Civil Colombiana.

Incomodando ou não aos louros do império, aos defensores do status quo, aos contrarrevolucionários, podemos dizer com total segurança que a morte de Alfonso Cano atenta contra qualquer processo de paz na Colômbia, alenta a beligerância e assegura a continuidade da Guerra Civil.