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16 de outubro de 2011

DILMA, O PATRIOTISMO E O ALINHAMENTO COM O IMPERIALISMO

DILMA, O PATRIOTISMO E O ALINHAMENTO COM O IMPERIALISMO


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Esquerda Marxista

Após o discurso da presidente Dilma na abertura da Assembléia da ONU, sua linha de aproximação e colaboração com o imperialismo ficou explícita, é oportuna a publicação desde texto da Esquerda Marxista que já expunha a via de afago entre Dilma e Obama.

Passou o 7 de setembro e passou junto em Brasília uma marcha contra a corrupção. Dez mil, vinte mil pessoas juntaram-se, passaram e sumiram. Como poeira em um vendaval. A imprensa, depois de anos calada sobre as falcatruas de todos os governos burgueses, ocupa o seu “papel” de guardiã mor e vestal da República, investigando todos os alfinetes e também os contratos, empregados e outros “deslizes” dos ministros. E estes, uma vez que caem regularmente, são esquecidos e também passam como a poeira levantada pelo vendaval que logo depois se levanta para soprar mais e mais forte.

Sim, é preciso dizer em voz alta e clara: são uma vergonha todos esses roubos. Vergonhas que sempre existiram, mas não precisariam existir. A sua origem é clara: a propriedade privada dos meios de produção e o assalto ao Estado, aos recursos acumulados com os impostos, é o assalto às empresas estatais.

imagemCrédito: EM


Agora é a espera do tempo e da vez de privatizarem o Banco do Brasil e Petrobras, as “jóias” da coroa que sobraram - já foram as elétricas, as telefônicas, os aeroportos e portos estão aguardando o tiro de misericórdia. A Vale do Rio Doce foi vendida por um preço bem menor que o lucro por ela obtido em dois anos depois de sua venda.

Enquanto esperam fazem negócios: os contratos de empreiteiras para construção de usinas, de estradas, de ginásios para a Olimpíada, de estádios para a Copa do mundo. E o Ministro Orlando Silva “canta” para os operários pedindo o seu “patriotismo” na hora em que estão em greve. Pois é, em pleno mês da “pátria” os operários entram em greve por medidas bem prosaicas: querem segurança no trabalho, querem ganhar um pouco mais.

Patriotismo? Como assim? Estamos em uma guerra e os operários precisam morrer para defender a pátria? Nada disso, trata-se simplesmente de um Ministro e dirigente do PCdoB que passou para o lado do capitalismo e agora defende o seu lado: o capital contra o trabalho e usa o apelo ao patriotismo como cortina de fumaça.

Ah, esta Copa que não chega! Faltam mil dias e Dilma vai a uma cerimônia com o novo governador de Minas, Anastasia e o antigo, Aécio Neves. Do lado de fora, uma cena que lembra a ditadura militar da qual um dia Dilma foi vítima: a Polícia Militar joga bombas nos professores em greve. Foi demais até para a nossa Dilma: ela recebe no aeroporto, depois da cerimônia, uma comissão de professores. Mas, da reunião, nenhuma promessa concreta, nada para resolver o problema dos professores que exigem apenas que...se cumpra a lei, que paguem o que a lei diz que deve ser pago. E tudo isso depois que vários governadores entraram no STF para dizer que a lei não valia, o STF declarou que valia sim, que existe um piso nacional para os professores. Os governadores dos Estados não pagam, os professores entram em greve, são espionados e apanham da PM. Bela cena, digna da ditadura militar.

Aliás, os trabalhadores começam a fazer greves em todos os cantos do país, seja nos canteiros de obras de estádios e de usinas, seja nas fábricas, professores em Minas e no Rio, bombeiros no Rio, servidores de universidades federais, os trabalhadores do correio enquanto o governo se cala, ou fala bobagem como falou o Ministro do PCdoB.

E Dilma, quando não está demitindo algum Ministro que foi pego com a mão na botija, está fazendo atos com governadores do PSDB ou escrevendo cartinhas para o Obama.

Sim, Dilma já pediu para que todos os trabalhadores das estatais “moderem” suas reivindicações. O Ministro pede patriotismo.

E a inflação volta. A perspectiva de crise ronda o mundo. Greves e manifestações explodem na Itália, na Espanha, na Grécia, em Israel, voltam no Egito. E o Brasil ainda está é bem calmo nesta situação toda. Patriotismo? Calma? E quem paga as contas no
final do mês, e quem vai consolar a família cujo pai morreu na obra do estádio? Nem os gols da seleção de futebol, que, aliás, continua jogando mal.

Mas jogando mal mesmo está o PT que em seu congresso passou longe dos problemas do país. Enquanto as greves aumentam, enquanto Dilma se aproxima do PSDB e afaga Obama e o imperialismo, o congresso do PT diz que tudo vai bem e continuamos no rumo certo. Rumo certo? Depois das coligações com o PMDB e outros partidos burgueses, que estão dando em todos estes escândalos, agora se abre caminho para coligação com Kassab (o prefeito de SP) e Bornhausen e Cia e por baixo do pano uma coligação informal com Aécio e Anastasia em Minas (sim, estes mesmos, estes que jogam bombas em professores).

Nesta situação, a Esquerda Marxista saúda o posicionamento da CUT em defesa das greves e contra a repressão, contra a desoneração da folha de pagamentos. Mas este posicionamento tem que traduzir-se em um plano de lutas concreto. Frente ao aumento da inflação já passa da hora de retomar a exigência do “gatilho” salarial (correção automática de salários). Isso permitiria unificar todas as lutas e abrir caminho para a satisfação das reivindicações no combate por um governo sem patrões, apoiado na CUT, MST e nas organizações populares. Esse governo só pode ser um Governo Socialista dos Trabalhadores.




Nota dos Editores:
 
Temos identidade com a análise que os camaradas da Esquerda Marxista fazem neste texto. Também defendemos a criação de condições para um governo de transição ao socialismo. Mas, no entender do PCB, a frente anticapitalista deve ter como principal eixo as organizações revolucionárias e não os movimentos populares. Estes devem ser parte importante da frente, mas não sua direção.

7 de agosto de 2011

Carta do Comando Nacional de Greve em resposta a tentativa do governo, através da AGU, de acabar com a greve a considerando ilegal

Carta do Comando Nacional de Greve em resposta a tentativa do governo, através da AGU, de acabar com a greve a considerando ilegal

imagemCrédito: Fasubra


Comando Nacional de Greve da FASUBRA

CRIMINALIZAÇÃO DO MOVIMENTO SINDICAL SEGUE FIRME NO GOVERNO DE DILMA ROUSSEFF

Brasília, 27 de julho de 2011

O movimento sindical sempre cumpriu importante papel na defesa dos direitos da classe trabalhadora brasileira e na defesa da prestação de serviços públicos de qualidade. Historicamente, são os movimentos sociais que impulsionam e provocam rupturas nas políticas dos setores públicos e privados que exploram os trabalhadores e que trazem prejuízos como a redução ou flexibilização dos direitos conquistados.

O golpe militar de 1964 no Brasil foi uma reação à ascensão dos setores populares que lutavam pelas “reformas de base” e ameaçavam os privilégios da elite nacional, associada ao capital transnacional. Nesse contexto, estavam inseridos os sindicatos e os movimentos sociais, duramente reprimidos pelo regime militar. Porém, mesmo durante a ditadura, as lutas pelos direitos e pela ampliação de conquistas não cessaram, e, por consequência, muitos lutadores foram exilados, presos, torturados e mortos, sem falar dos inúmeros desaparecidos políticos.

Foi exatamente durante esse período de retrocesso democrático da história brasileira que surgiu a FASUBRA Sindical. Ao longo de seus 32 anos de lutas e conquistas, a Federação passou por diversos governos que vão desde os generais Ernesto Geisel e João Figueiredo, até os civis Sarney, Collor de Mello, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, até chegarmos ao governo do Partido dos Trabalhadores com Lula da Silva e, atualmente, Dilma Rousseff.

Em todos esses governos ocorreram perseguições e criminalizações aos movimentos sociais, mas a judicialização das greves no setor público tomaram corpo a partir do governo Lula, um ex-operário e líder sindical que se aproveitou da ausência de legislação específica para impor estes ataques à organização da classe trabalhadora. Lula, no poder e ao lado dos patrões, investiu contra o direito de greve. É no governo da presidenta Dilma Rousseff, oriunda da guerrilha, de um partido que cresceu construindo greves, que a Advocacia Geral da União ingressou com ação na justiça contra a FASUBRA Sindical e outros 32 sindicatos da sua base, requerendo a ilegalidade da greve.

O governo Dilma acaba de entrar para os anais da Federação, ao protagonizar mais uma ação judicial contra a organização que representa os Trabalhadores Técnico-Administrativos das Instituições de Ensino Superior (IES), uma vez que, no Governo Fernando Henrique Cardoso, sofremos uma ação de “Interdito Proibitório”, que nos impedia de nos aproximarmos a 100 metros do prédio do Ministério da Educação.

O processo de criminalização do movimento sindical e, em especial da FASUBRA, será enfrentado de forma veemente pelo conjunto dos trabalhadores em greve, pela classe trabalhadora e sociedade em geral, além das centrais sindicais que não perderam o caráter classista e autônomo em relação aos governos.

É importante registrar que a categoria não está fazendo nada mais do que lhe é assegurado no Artigo 37 da Carta Magna brasileira. Ou seja, greve é um direito. Isto ocorre mesmo que, há cerca de um ano, tenha sido promulgada, pelo Congresso Nacional, a Convenção 151 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) da ONU, que dispõe sobre a organização sindical no setor público e garante o afastamento de dirigentes sindicais, negociação coletiva e aplicação do direito de greve. Neste sentido, o governo demonstra seu caráter autoritário, antidemocrático e intransigente não negociando com a categoria em greve, algo duramente combatido durante toda a história da Federação. Nem mesmo durante o período Fernando Henrique Cardoso, governo assumidamente de direita, ousou-se judicializar as greves.

A postura de Dilma, de tentar impedir a nossa luta, é explicada pelo compromisso com as políticas mundiais de privatização, de super exploração da classe e de forte arrocho salarial. Estes modelos de governos necessitam derrotar os que lutam. Foi assim com os operários de Jirau e Santo Antônio, onde houve a demissão de 4 mil trabalhadores que fizeram greve; com os bombeiros do Rio de Janeiro, que seguem sem anistia e reajuste, e agora com a Fasubra, pois nossa greve tirou a máscara do governo e está influenciando outros setores do funcionalismo, que prometem construir a sua greve.

Os fortes pacotes de cortes de diretos aplicados na Europa recaem especialmente sobre os trabalhadores públicos. A crise econômica nos EUA, onde Obama já admite “calote”, ameaça sua política imperialista e repercutirá principalmente sobre países submissos como o Brasil, onde haverá mais projetos e medidas governamentais contra nossos direitos. Diante desse contexto, será necessário que utilizemos todos os mecanismos possíveis, em especial seguir fortalecendo a greve. É preciso também ocupar os espaços para denunciar a política do governo Dilma que tenta aniquilar, no “tapetão”, a luta legítima dos trabalhadores em educação das IES.

Esta luta é histórica e traz em seu bojo a defesa dos hospitais universitários contra a privatização e a garantia do aprimoramento da carreira, objetivando sairmos da condição de menor piso salarial entre todos os servidores públicos federais.

Por fim, conclamamos a todas as organizações sindicais e movimentos sociais nacionais e internacionais, para, juntos, defendermos a bandeira contra a judicialização e criminalização dos movimentos legítimos de organização da classe trabalhadora. Indicamos, ainda, o fortalecimento da Greve, como forma de demonstrar a solidariedade histórica às causas coletivas, e repúdio aos processos judiciais contra a FASUBRA e contra dezenas de entidades sindicais, que resistem bravamente na luta pela ampliação de nossas conquistas.

Abaixo o processo de criminalização da FASUBRA!
Pelo fortalecimento da Greve dos Trabalhadores nas IES!

31 de julho de 2011

JOBIM COMEÇA A NOMINAR OS IDIOTAS – LULA E DILMA SÃO OS PRIMEIROS

JOBIM COMEÇA A NOMINAR OS IDIOTAS – LULA E DILMA SÃO OS PRIMEIROS

imagemCrédito: Estadão


Laerte Braga

O ministro da Defesa Nelson Jobim afirmou em entrevista ao site UOL – UNIVESO ON LINE – que votou em José Serra para presidente. Jobim era ministro de Lula à época e continua ministro de Dilma. Junto com Michel Temer, que quer se aliar a Alckimin para a disputa da Prefeitura de São Paulo, governam o País.

O que fica claro na entrevista de Jobim é que o ex-presidente e atual presidente estão na lista de idiotas a que o ministro se referiu no aniversário de FHC. A presença de Dilma é a incontestável desde que afirmou que o tucano foi o responsável pela “estabilidade econômica no País”, jogando fora a herança maldita do governo Lula. Do qual, aliás, foi ministra durante os oito anos dos dois mandatos.

O poste que Lula escolheu para sucedê-lo está dando curto circuito.

Como o PT – Partido dos Trabalhadores – é uma das mais recentes repartições públicas brasileiras (na maioria de seus integrantes, restam poucos sobreviventes) diz que não é o responsável pela presença de Jobim no Ministério e o PMDB faz de conta que não é com ele, tudo leva a crer que Jobim foi imposto tanto a Lula como a Dilma; logo, claro está que a democracia brasileira é de aparência.

Que o diga o coronel Brilhante Ulstra, torturador, assassino, covarde escondido atrás da saia da mamãe anistia e agora colunista do jornal FOLHA DE SÃO PAULO, especialista em desova de corpos de presos assassinados no DOI CODI.

O mundo institucional está falido, a luta é nas ruas.

A simples permanência de Nelson Jobim no Ministério é prova cabal de que os setores estratégicos no Brasil são controlados de fora para dentro. Foi Jobim quem disse aos norte-americanos que Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães eram “antiamericanos viscerais”. Ambos foram afastados dos seus ministérios (Relações Exteriores e Assuntos Estratégicos) dando lugar a um corrupto ressuscitado no milagre da pilantragem, Moreira Franco, e a um pastel de vento, Anthony Patriot.

O poste que Lula elegeu só rosna com subordinados e se ajoelha para Jobim e Temer.

Vai ser duro consertar, mesmo porque, na base aliada, uma das principais empresas chamadas partido, o PC do B encontrou leito natural nos latifundiários (Aldo Rebelo e seu Código Florestal) e Haroldo Lima (entrega do pré-sal).

Achei que Dilma fosse apenas menor que o cargo que ocupa. É pior. Bem pior. Não tem a menor noção de nada e atira a esmo. O risco de um governo tucano em 2014 e o retorno do processo de venda do Brasil é real, concreto e foi por isso que José Serra resolveu retornar da Transilvânia e assombrar os brasileiros.

Votou-se em Dilma para rejeitar Serra e Dilma veste a roupa de Serra com laivos de FHC e se enche com o vento de Geraldo Alckimin na esperteza de Temer e Jobim.

Claro está que preenche uma das linhas da lista de Jobim, a dos “idiotas que nos cercam”.

É um escárnio um político corrupto e sem escrúpulos como Nelson Jobim ocupar o Ministério da Defesa, em si e por si, ainda mais agora, depois de declarar seu voto em Serra. Ele é livre para votar em quem quiser, mas não é livre para ludibriar e enganar os brasileiros, promover a entrega do Brasil.

Isso é canalhice e a coragem de Dilma se esvai quando tem que lidar com o PMDB dessa gente.

O PT não está nem aí, não vai correr o risco de perder mesas, carimbos, clips, telefones, etc, etc, que o poder proporciona.

Senta em cima e fica.

É de causar engulhos.

A primeira reação da presidente (presidente? De que?) deveria ter sido chamar Jobim e pedir a ele, educadamente, que oficializasse sua demissão. Se não fosse aceita a sugestão, demiti-lo sumariamente.

A julgar pela limpeza feita no Ministério dos Transportes não há lugar para Jobim e Moreira Franco no governo.

Exceto se volta a imperar o “complexo de vira latas”, definição precisa do ex-chanceler Celso Amorim.

A continuar assim, já já, o embaixador dos EUA assume o controle dos “negócios” sem intermediários, sem necessidade dos relatórios de William Waack para Hilary Clinton.

E cabe a Lula botar a boca no trombone. Jobim foi para Defesa escolhido por ele, ou, sabe-se lá, imposto pelos que tutelam a democracia brasileira.

Deve ser por isso que o brasileiro senta e almoça agrotóxico como mostra o notável Sílvio Tendler em seu documentário sobre o assunto.

Engoliu um poste, por que não transgênicos e agrotóxicos?

O tom da entrevista de Nelson Jobim sugere que todas as decisões do Planalto passam por sua mesa e Dilma só as toma após receber sua chancela e a de Michel Temer.

Moreira Franco é só um adereço a dez por cento dos “negócios”. Foi indicado por isso, é prestativo e barato. Como o jornal da BAND.

É um insulto a permanência dessas figuras no Ministério do governo (?) Dilma Roussef. Ao Brasil e aos brasileiros.

É por aí que os covardes da ditadura se refugiam no patriotismo canalha para omitir parte de nossa História, a da tortura e da boçalidade de 1964.

Dizem que vão marchar dia primeiro de agosto. A bandeira é o fim do auxílio reclusão. São tiranos liderando a manada. Não sabem que isso existe em qualquer nação decente.

Aqui não; têm Nelson Jobim e um poste que brinca e faz de conta que é presidente. Deve ser, do Grêmio Recreativo Partido dos Trabalhadores. Sai de chapa branca.

21 de agosto de 2009

O DESMANCHE DO PT - E DE LULA - Por: Laerte Braga

O DESMANCHE DO PT - E DE LULA - Por: Laerte Braga

Há um pensamento dominante entre petistas que qualquer crítica ao governo Lula signifique apoio, ou consentimento, ou ajuda, a manobras tucano/democratas para eleger José Serra em 2010. Ou o tresloucado governador de Minas Aécio Neves. Petistas não têm o hábito de olhar para o próprio umbigo e perceberem os equívocos cometidos pelo governo Lula e pelo partido numa trajetória errática que, mesmo com os altos índices de aprovação do presidente, não o exime de críticas.

Uma coisa são as alianças podres do governo e outra coisa são os podres tucanos e fétidos democratas. Eu não votaria em Aluísio Mercadante para nada. Mas entendo sua decisão de renunciar à liderança da bancada do partido no Senado. Não votaria nele, mas há diferenças abissais entre Mercadante e Jereissati ou qualquer tucano. Mercadante é um sujeito decente, tucano não sabe o que é isso.

O problema é que Sarney é um dos cânceres da política nacional e como todo câncer precisa ser extirpado. Do contrário todo o organismo fica comprometido. E não há nenhum milagre no fato de Lula ser mais popular que FHC. Qualquer um que não seja tucano ou democrata em qualquer canto do mundo.

O xis da questão é que quando os eleitores se libertaram do jugo corrupto dos tucanos, do governo FHC, elegeram Lula para fazer o contrário. Lula não fez. Dourou a pílula, evitou uma ou outra das costumeiras besteiras de FHC, o caráter entreguista do governo, mas não foi além do "capitalismo a brasileira", perfeita definição de Ivan Pinheiro.

E isso, evidente, porque há uma diferença de caráter entre o atual presidente e o ex-presidente. Lula não é bandido. Mas também não é mocinho.

A senadora Marina da Silva viveu na pele, sofreu, agüentou, tentou de todas as formas, que políticas ambientais - era o que lhe cabia no governo enquanto ministra - obedecessem ao programa do seu partido, o PT.

Esbarrou no pragmatismo de setores do governo e do partido, numa aliança inacreditável que levou, por exemplo, o norte-americano Henry Meireles (algumas pessoas chamam de Henrique) à presidência do Banco Central.

Em busca de uma "governabilidade" que não tinha nada a ver com os anseios e aspirações dos brasileiros que o elegeram, Lula juntou-se a partidos e políticos inaceitáveis em qualquer circunstância.

O que foi o mensalão? A jogada perversa, mas fria, planejada e pensada de um político ligado à ditadura militar, com postura de extrema-direita, mas corrupto confesso, Roberto Jéferson, em favor de tucanos.

Por detrás da postura de Jéferson havia apenas um jogo de interesses e o ex-deputado não fez nada daquilo por acesso de bom caratismo, até porque nada do que disse ficou provado até hoje. Ao contrário da compra de votos para aprovar a emenda constitucional da reeleição no primeiro governo de FHC. Mas Lula deixou-se enredar e cada vez mais foi atolando seu governo e seu partido num PMDB tucano, sob a batuta de Michel Temer e noutra faceta, a do coronelismo, sob a regência de José Sarney.

Existe algo maior que Lula e o PT. Não inventaram nem a esquerda e nem a luta popular. Se faz parte do governo uma figura com a estatura de Celso Amorim, ou do secretário geral do Itamaraty, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, do ministro da Saúde, que por sinal é do PMDB, José Carlos Temporão, fez parte até pouco tempo um embuste chamado Mangabeira Unger. Está no Ministério das Comunicações um político no mínimo complicado, Hélio Costa.

Quais os avanços reais e efetivos na reforma agrária? Por que a entrega de ponderável parte do pré sal?

A opinião pública foi iludida no governo FHC com a conversa fiada que privatizando o governo teria mais dinheiro para a saúde, a educação e políticas sociais de reais e efetivos avanços, na prática, o programa bolsa família, tocado com a competência e a seriedade do ministro Patrus Ananias (uma das exceções positivas), mas e daí?

O governo Lula caiu na armadilha da política rasteira de Brasília, uma espécie de ilha da fantasia e os aspectos positivos acabam se perdendo nessa "arraia miúda", pagando o preço de defender um dos mais corruptos e venais políticos do Brasil contemporâneo, exatamente José Sarney.

O Senado todo é uma desnecessidade como afirma o jurista Dalmo Dalari de Abreu? Num projeto político de governo popular é sim. Não importa que existam cinco ou seis senadores decentes. A chamada Câmara Alta pratica a mais baixa forma de política.

Lula pensou pequeno.

A senadora Marina da Silva, à frente do Ministério do Meio-ambiente, tratou de defender interesses nacionais para além dos específicos de sua pasta.

A Amazônia é talvez o maior desafio para o País, ao lado do problema da Comunicação em poder de grupos controlados de fora. Por gente de fora. De olho na Amazônia.

Quando candidato a presidente Lula falava em projeto Brasil. Onde está? Nos acordos feitos com a MONSANTO para a produção de transgênicos? Na VALE privatizada? Na EMBRAER em mãos do capital estrangeiro?

Na PETROBRAS acossada dia e noite por bandidos do porte de Jereissati, FHC, Arthur Virgílio, de olho nas contas bancárias e nas contribuições das empresas estrangeiras do setor petrolífero?

Há dias a Marinha brasileira divulgou um comunicado oficial repudiando e desmentindo o jornal THE GLOBE (alguns conhecem como O GLOBO) sobre a questão dos submarinos movidos a propulsão nuclear. Já poderíamos ter pelo menos três desses submarinos tomando conta das costas, do litoral do Brasil e não o temos por conta do jogo de empurra e entrega do governo FHC e da falta de decisão do governo Lula. A decisão veio agora e como compensação política. Não como parte de um projeto de defesa da soberania nacional e da integridade de nosso território que passa pelo mar territorial brasileiro. São indispensáveis, os submarinos.

Pior ainda. A Aeronáutica brasileira está a mercê de interesses norte-americanos e de Israel no que diz respeito a ser reequipada com caças à altura das reais necessidades da segurança nacional. É um problema que rola desde os tempos de FHC e Lula não resolveu. Só procurou equilibrar-se na conversa de uma no cravo e outra na ferradura, ou em soluções paliativas.

Segurança não pode confundido com empregado do CARREFOUR levando um negro para um quartinho (a empresa é cúmplice, é bandida) pelo fato de ser negro e, portanto, suspeito de ser ladrão. Uai! FHC é branco. Sarney apesar de pintar cabelos e bigodes de preto é branco. E nunca ninguém levou os dois para quartinho escuro.

A política de Lula para a Amazônia, para além da questão ambiental, inexiste. Ou o que existe é um outro exercício de equilibrismo entre as mega concessões feitas a setores e grupos privados e as palhaçadas do ministro Minc com dados estatísticos que não comprovam coisa alguma no essencial.

Falta decisão política efetiva de uma integração latino-americana que exclui tropas no Haiti. E um monte de outras coisas.

Onde o governo Lula consegue avanços - e existem - é onde estão figuras que na verdade garantem o mínimo de credibilidade e visibilidade desses avanços. Do contrário seria só uma exibição fantástica de carisma de Lula, inegável, mas compreensível se comparado com alguém como FHC, uma figura que tipifica o ser amoral. Sem escrúpulos.

Ou você acha que Obama chama Lula de "o cara" por que?

O governo dá a sensação, outro ponto, que não atinou para a grave ameaça à soberania nacional e especificamente a Amazônia, no que diz respeito ao acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos. Sete bases militares para "combater o narcotráfico"? Ora, o narcotráfico, segundo o departamento de combate às drogas do governo dos EUA, está no governo colombiano. Em Álvaro Uribe.

E é o que menos importa. Importa o controle da Amazônia. Quando a GLOBO e outros se referem às FARCs como "terroristas" estão apenas tentando criar na opinião pública - e criaram - o monstro que devora criancinhas, mata idosos, não permite a democracia, quando no duro, as FARCs são um ponto de resistência ao avanço dos EUA sobre a Amazônia brasileira ou não.

Em seguida ao cancelamento da visita do presidente do Irã ao Brasil, o líder sionista (sinônimo de fascismo) que ocupa o ministério das Relações Exteriores de Israel apareceu por aqui para deitar falas sobre cooperação, de olho em comunidades palestinas no sul do País e na água, no controle da tríplice fronteira, onde agem às escancaras terroristas do MOSSAD.

Por que o governo brasileiro não rompeu relações diplomáticas com o governo golpista de Honduras? Qual a razão da presença de tropas brasileiras no Haiti num processo de ocupação e repressão ao sabor dos interesses dos EUA?

Marina da Silva não é a ponta de um iceberg. É o próprio. Não agüentou digerir tantos sapos assim. E existem diferenças fundamentais entre ela e Heloísa Helena. A senadora Marina tentou de todas as formas resistir dentro do PT. Não é uma temperamental como a alagoana. E não vai aqui nenhuma crítica sobre conduta em relação a Heloísa Helena, só a forma, ao jeito.

A decisão de deixar o partido foi consciente. Pensada e pesada. O que vai fazer daqui para a frente é outra conversa. Se se deixar ludibriar pelo canto de tucanos e democratas joga fora sua história. Não creio que faça isso. A senadora não dá mostras, nunca, de assimilar a convivência com pústulas padrão José Serra.

O problema Marina da Silva não é só Marina da Silva, o tamanho da perda (imenso). É o processo autofágico de Lula e do PT.

Isso significa que presidente e partido são absolutamente irresponsáveis no que diz respeito à luta popular e pensam apenas e tão somente na política menor de um institucional carcomido pela corrupção e pelo entreguismo.

Não se pode exigir das pessoas que fechem os olhos a isso e apóiem incondicionalmente o governo e seu partido.

Apoio incondicional, um político mineiro dos velhos tempos dizia que a gente "só presta a mãe".

O que está em jogo é bem maior que Lula e o PT.

Os caminhos são outros. Ou esse País vira estado norte-americano, república de bananas, com bases militares no Nordeste como querem os EUA, sob a batuta de bandidos tucanos democratas à frente José Serra e toda a corte FIESP/DASLU.

Na luta pelo Brasil soberano, independente e justo, Lula e o PT são episódicos. Essa construção está acima deles. E a resistência se estende a atitudes e posturas como a de aliar-se a figuras como Sarney. Não se trata de sobreviver a nada, mas tão somente de criar condições de governabilidade dentro de um processo corrupto e anti-nacional.

É abrir as portas para José Serra em 2010. Ou pior, o irresponsável do governador de Minas. O tal que não tem dinheiro, mas compra apartamento de 12 milhões de reais.

[*] Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, trabalhou no Estado de Minas e no Diário Mercantil.

17 de julho de 2009

LULA DEFENDE SARNEY E ABRAÇA COLLOR: O vale tudo para a eleição de Dilma! (Ivan Pinheiro)

Não costumo me entusiasmar com campanhas contra a corrupção, quando personalizadas exclusivamente em algum corrupto específico. Passa sempre a ilusão de que, uma vez derrubado o personagem, a ética volta a imperar na política e nas instituições burguesas. A corrupção é sistêmica no capitalismo; é inerente a ele. A queda de um corrupto não acaba com ela.

Com a vitória do “Fora Renan”, veio o “Fora Sarney”. Também não adianta levantar o “Fora Senado”, pois ainda restará a Câmara dos Deputados, aquela do “mensalão”, presidida pelo indefectível Michel Temer, com aquele ar de mordomo de filme de terror.

A esquerda já devia ter aprendido que não pode fazer da luta contra a corrupção a sua bandeira principal, ainda mais dissociada da luta contra o capital. A não ser por oportunismo, para angariar votos na próxima eleição. Como ajudamos a despolitizar o “Fora Collor”, deixando de denunciar seu governo como neoliberal! O seu impedimento resultou em Itamar Franco, que logo iniciou o processo de privatização e de flexibilização de direitos trabalhistas.

No caso do “Fora Sarney”, entretanto, a campanha pode ter um bom resultado político e até mesmo ideológico, se conseguirmos associá-la à denúncia da farsa da democracia burguesa e do caráter corrupto do capitalismo. Ninguém melhor do que Sarney para simbolizar a corrupção, entendida em todos os seus variados tipos e aspectos; ele é a cara do Estado brasileiro.

Não tenho também ilusão de convencer lulistas que ainda se dizem “de esquerda” (hoje há também os de direita e de centro), depois de quase seis anos de um governo cujo eixo é o “espetáculo do crescimento”, o destravamento do capitalismo, custe o que custar em questões sociais ou ambientais.

Podem anotar: a disputa em 2010 vai ser em torno de números macroeconômicos, ou seja, quem foi melhor para o capital: FHC ou Lula? Como foi a entrada de capital estrangeiro? E o “Risco Brasil”? Quem gerou mais e piores empregos? Quem ajudou mais o capital?

Lula realmente é “o cara”, um ex-sindicalista terceirizado pela burguesia. Ninguém com mais autoridade para iludir os trabalhadores. É hoje o principal garoto propaganda mundial do “capitalismo do bem”; é o contraponto ao socialismo e à luta de classes, o animador de todos os shows midiáticos das cúpulas internacionais. Distribui sorrisos e camisas da seleção brasileira; acha chique o Brasil emprestar ao FMI.

Suas viagens internacionais são fundamentalmente para criar “janelas de oportunidade” para as multinacionais de origem brasileira surfarem na crise e, de quebra, reforçar uma imagem que lhe capacite a ocupar importantes papéis no cenário mundial, nos quatro anos em que estará fora da Presidência. Quem sabe uma importante função no Banco Mundial ou na ONU?

Mas, com tudo isso, ainda causa desconforto ver a foto de Lula abraçado com Collor em Alagoas, fazendo “justiça” pública a este e a Renan, seus candidatos, naquele Estado, às eleições de 2010, o primeiro a Governador e o segundo a Senador!

Esta fotografia marca o início do mergulho ao fundo do poço. A partir de agora, não estranhemos mais nada. O governo Lula é, cada vez mais, refém da governabilidade institucional burguesa e da corrupção que lhe é inerente. Foi seqüestrado politicamente pelo PMDB e pelo que há de pior entre os caciques políticos brasileiros: Sarney, Renan, Collor, Jader Barbalho, Gedel Vieira Lima, Michel Temer.

Se necessário, Lula vai humilhar mais o PT. Chegou ao ponto de exigir que o partido defenda Sarney a qualquer custo e que não lance candidatos a governador, para entregar os Estados a oligarcas aliados. É capaz de pagar qualquer preço para o resgate do seqüestro: a eleição de Dilma como sucessora.

Mas é preciso ficar claro que essa obsessão não é ditada pela preocupação da continuidade de um projeto de governo. Lula sabe que com Dilma, Serra ou Aécio este projeto continua. É o projeto do Estado burguês brasileiro. O que pode mudar apenas são as boquinhas e o estilo.

Lula resolveu escolher como candidata um “poste político”, sem densidade eleitoral, exatamente para que tenha que comer pela sua mão, de forma a garantir seus verdadeiros projetos: o domínio da máquina estatal, a não apuração de atos de seu governo, um protagonismo internacional e, sobretudo, a volta triunfal para mais oito anos, em 2014, para delírio dos lulistas de todos os matizes.