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14 de janeiro de 2014

Rolling Heads

Rolling Heads

Jacques Gruman
O que os olhos não veem, o coração não sente. Um cataclisma na Indonésia comove menos do que um vizinho que machuca o dedo. Não fosse isso, ficaríamos alarmados a cada dois dias, quando, longe das nossas vistas e das câmeras fotográficas, um prisioneiro das masmorras medievais brasileiras, vulgo sistema prisional, é assassinado por seus pares. Em 2013, foram 218 homicídios. Número subdimensionado, pois não inclui as mortes violentas em carceragens de delegacias. Pessoas sob custódia do Estado, empilhadas e vivendo em condições degradantes, viram animais. Alguma surpresa ? Nenhuma. O surpreendente é que não haja rebeliões diárias. O sangue está no ar.
O que acontece no complexo de Pedrinhas, no Maranhão, é um microcosmo da realidade penitenciária, radicalizada por sucessivos governos omissos. A barbárie no burgo dos Sarney tem várias formas de expressão. A que emergiu com a decapitação de presos é uma delas. Tomamos conhecimento de que o complexo de Pedrinhas responde por quase um terço de todos os homicídios cometidos em cadeias no país. “Aqui é um caldeirão do inferno”, disse um interno. Num espaço onde caberiam quatro detentos, acotovelam-se promiscuamente treze. Na terra de dona Roseana, a chance de ser morto num presídio é quase 60 vezes maior do que do lado de fora.
Outra expressão é a verbal. A governadora, num cinismo que beira o deboche, garante que seu governo não cometeu qualquer ato contra os direitos humanos. Completa afirmando que a piora da segurança se deve ... ao aumento da riqueza do estado ! Quer dizer que o Maranhão está se aproximando da Dinamarca e nós não sabíamos ? Madame coronel perdeu, definitivamente, a compostura. As estatísticas não perdoam. O Índice de Desenvolvimento Humano do Maranhão está me penúltimo lugar no Brasil. A mortalidade infantil lá é quase o dobro da média nacional. Das 100 cidades com melhor IDH no Brasil, nenhuma é maranhense. Mais de 20% dos maranhenses vivem em extrema pobreza. Como é praxe nas elites caboclas, o discurso Poliana vem regado a luxo e ostentação. A soberana faz questão de manter na despensa bacalhau de primeira, camarões variados (o gosto da doutora é refinado), lagosta, patinhas de caranguejo, salmão e oito sabores de sorvete. Tudo pago pelos cidadãos, que recebem, em contrapartida, serviços básicos calamitosos. Socorrei-os, são Virgulino !
Revolta o silêncio obsequioso do governo federal. É bom lembrar que, num surto de franqueza, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse, em 2012, que "entre passar anos num presídio brasileiro e perder a vida, eu talvez preferisse perder a vida". A calamidade, portanto, é bastante antiga e conhecida. Por que, dada a comoção nacional, a presidente não convoca uma cadeia nacional de televisão para demonstrar solidariedade aos parentes das vítimas, reconhecer a gravidade da situação e anunciar medidas concretas ? Por que sempre se adia uma discussão séria sobre a realidade penitenciária no Brasil ? Por que só ouvimos governantes irem à TV para falar abobrinhas, vomitar obviedades e repetir autoglorificações ? Será que o cálculo político-eleitoral prevalecerá sempre sobre os imperativos éticos ?
Abraço
Jacques

22 de setembro de 2009

Entre a Constituição e a coligação - Por: Frei Betto [*]


O governo Lula encontra-se num dilema hamletiano: respeitar a Constituição e desagradar o maior partido de sua coligação eleitoral, o PMDB, ou agradar os correligionários de José Sarney e desrespeitar a Constituição.

A Constituição Brasileira de 1988 traz, no bojo, inegável caráter social. Falta ao Executivo e ao Legislativo passá-lo do papel à realidade. Uma das exigências constitucionais é a revisão periódica - a cada 10 anos - dos índices de produtividade da terra. Eles são utilizados para classificar como produtivo ou improdutivo um imóvel rural e agilizar, com transparência, a desapropriação das terras para efeito de reforma agrária.

Os índices atuais são os mesmos desde 1975! Os novos seriam calculados com base no período de produção entre 1996 e 2007, respaldados por estudos técnicos do IBGE, da Unicamp e da Embrapa. Os índices também serviriam de parâmetro para analisar a produtividade em assentamentos rurais.

Inúmeros ruralistas, latifundiários e empresários do agronegócio não querem nem ouvir falar de revisão dos índices de produtividade. É o reconhecimento implícito de que predominam no Brasil grandes propriedades rurais improdutivas e que, portanto, segundo a Constituição, deveriam ser desapropriadas para beneficiar a reforma agrária.

Na quarta, 12 de agosto, dirigentes do MST e ministros do governo Lula reuniram-se em Brasília. O MST havia promovido, nos dias anteriores, uma série de manifestações, consciente de que governo é que nem feijão, só funciona na panela de pressão. Além de reivindicar a revisão dos índices de produtividade da terra, o MST, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf) querem a reposição do corte de R$ 550 milhões feito este ano no orçamento do Incra, quantia destinada à obtenção de terras para a reforma agrária.

O representante do Ministério da Fazenda declarou que a crise é grave, a arrecadação diminuiu entre 30% e 50% no primeiro semestre deste ano, e que o governo tem dificuldades de repor o orçamento do Incra, embora conste da lei orçamentária aprovada pelo Congresso.

Os trabalhadores rurais querem apenas que se cumpra a lei. É impossível acreditar que o Ministério da Fazenda não tenha recursos. Se fosse verdade, não teria desonerado impostos de outros setores da sociedade, como a indústria automobilística, cujo IPI mereceu desoneração de cerca de R$ 20 bilhões, e o depósito à vista dos bancos, que possibilitou a eles reter, em seus cofres, R$ 80 bilhões. O governo tem dinheiro, mas reluta em investir na reforma agrária e na pequena agricultura.

A reforma agrária viria modernizar o capitalismo brasileiro. Inclusive conter os reflexos da crise financeira mundial no setor agrícola. No Brasil, a crise afetou a produção de soja, algodão e milho, e reduziu o preço das commodities e a taxa de lucro dos produtores rurais. Mas quem pagou a conta foram os trabalhadores rurais assalariados. Cerca de 300 mil ficaram desempregados.

O agronegócio é o modelo de produção que expulsa mão de obra porque adota a mecanização intensiva. Que rumo tomaram os desempregados? Vieram engrossar o cinturão de favelas em torno das cidades, viver de bicos, enquanto seus filhos são tentados e assediados pela criminalidade. Por que o governo não assentou essa gente?

O Brasil é, hoje, o maior consumidor mundial de agrotóxicos. Na safra passada, jogaram 713 milhões de toneladas de veneno sobre o nosso solo, a nossa água e os nossos alimentos. Enquanto aumentam as exportações, aumenta também a produção de alimentos contaminados, responsáveis pela maior incidência de enfermidades letais, como o câncer. É preciso mudar o atual modelo agrícola, prejudicial ao meio ambiente e à agricultura familiar.

O prazo dado pelo presidente Lula para a revisão dos índices de produtividade da terra expirou em 2 de setembro, sem que o Planalto se posicionasse. A decisão sobre a atualização havia sido tomada em 18 de agosto, numa reunião de Lula com ministros, da qual não participou o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. Na ocasião, foi estipulado um prazo de 15 dias.

A portaria de revisão dos índices precisa ser assinada por Stephanes e pelo ministro Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário, a tempo de entrar em vigor em 2010. Segundo a assessoria do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Cassel rubricou a medida um dia após a promessa feita por Lula, e a encaminhou a Stephanes.

O ministro da Agricultura, pressionado pela bancada do seu partido, o PMDB, já se manifestou publicamente contrário à proposta e não assinou a portaria. Resta ao presidente Lula decidir-se entre a Constituição, que ele assinou como constituinte e tem por obrigação respeitar, e o setor do PMDB que ainda encara o Brasil como um imenso latifúndio dividido entre a casa-grande e a senzala.

[*] Escritor é autor de Calendário do Poder (Rocco), entre outros livros

21 de agosto de 2009

O DESMANCHE DO PT - E DE LULA - Por: Laerte Braga

O DESMANCHE DO PT - E DE LULA - Por: Laerte Braga

Há um pensamento dominante entre petistas que qualquer crítica ao governo Lula signifique apoio, ou consentimento, ou ajuda, a manobras tucano/democratas para eleger José Serra em 2010. Ou o tresloucado governador de Minas Aécio Neves. Petistas não têm o hábito de olhar para o próprio umbigo e perceberem os equívocos cometidos pelo governo Lula e pelo partido numa trajetória errática que, mesmo com os altos índices de aprovação do presidente, não o exime de críticas.

Uma coisa são as alianças podres do governo e outra coisa são os podres tucanos e fétidos democratas. Eu não votaria em Aluísio Mercadante para nada. Mas entendo sua decisão de renunciar à liderança da bancada do partido no Senado. Não votaria nele, mas há diferenças abissais entre Mercadante e Jereissati ou qualquer tucano. Mercadante é um sujeito decente, tucano não sabe o que é isso.

O problema é que Sarney é um dos cânceres da política nacional e como todo câncer precisa ser extirpado. Do contrário todo o organismo fica comprometido. E não há nenhum milagre no fato de Lula ser mais popular que FHC. Qualquer um que não seja tucano ou democrata em qualquer canto do mundo.

O xis da questão é que quando os eleitores se libertaram do jugo corrupto dos tucanos, do governo FHC, elegeram Lula para fazer o contrário. Lula não fez. Dourou a pílula, evitou uma ou outra das costumeiras besteiras de FHC, o caráter entreguista do governo, mas não foi além do "capitalismo a brasileira", perfeita definição de Ivan Pinheiro.

E isso, evidente, porque há uma diferença de caráter entre o atual presidente e o ex-presidente. Lula não é bandido. Mas também não é mocinho.

A senadora Marina da Silva viveu na pele, sofreu, agüentou, tentou de todas as formas, que políticas ambientais - era o que lhe cabia no governo enquanto ministra - obedecessem ao programa do seu partido, o PT.

Esbarrou no pragmatismo de setores do governo e do partido, numa aliança inacreditável que levou, por exemplo, o norte-americano Henry Meireles (algumas pessoas chamam de Henrique) à presidência do Banco Central.

Em busca de uma "governabilidade" que não tinha nada a ver com os anseios e aspirações dos brasileiros que o elegeram, Lula juntou-se a partidos e políticos inaceitáveis em qualquer circunstância.

O que foi o mensalão? A jogada perversa, mas fria, planejada e pensada de um político ligado à ditadura militar, com postura de extrema-direita, mas corrupto confesso, Roberto Jéferson, em favor de tucanos.

Por detrás da postura de Jéferson havia apenas um jogo de interesses e o ex-deputado não fez nada daquilo por acesso de bom caratismo, até porque nada do que disse ficou provado até hoje. Ao contrário da compra de votos para aprovar a emenda constitucional da reeleição no primeiro governo de FHC. Mas Lula deixou-se enredar e cada vez mais foi atolando seu governo e seu partido num PMDB tucano, sob a batuta de Michel Temer e noutra faceta, a do coronelismo, sob a regência de José Sarney.

Existe algo maior que Lula e o PT. Não inventaram nem a esquerda e nem a luta popular. Se faz parte do governo uma figura com a estatura de Celso Amorim, ou do secretário geral do Itamaraty, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, do ministro da Saúde, que por sinal é do PMDB, José Carlos Temporão, fez parte até pouco tempo um embuste chamado Mangabeira Unger. Está no Ministério das Comunicações um político no mínimo complicado, Hélio Costa.

Quais os avanços reais e efetivos na reforma agrária? Por que a entrega de ponderável parte do pré sal?

A opinião pública foi iludida no governo FHC com a conversa fiada que privatizando o governo teria mais dinheiro para a saúde, a educação e políticas sociais de reais e efetivos avanços, na prática, o programa bolsa família, tocado com a competência e a seriedade do ministro Patrus Ananias (uma das exceções positivas), mas e daí?

O governo Lula caiu na armadilha da política rasteira de Brasília, uma espécie de ilha da fantasia e os aspectos positivos acabam se perdendo nessa "arraia miúda", pagando o preço de defender um dos mais corruptos e venais políticos do Brasil contemporâneo, exatamente José Sarney.

O Senado todo é uma desnecessidade como afirma o jurista Dalmo Dalari de Abreu? Num projeto político de governo popular é sim. Não importa que existam cinco ou seis senadores decentes. A chamada Câmara Alta pratica a mais baixa forma de política.

Lula pensou pequeno.

A senadora Marina da Silva, à frente do Ministério do Meio-ambiente, tratou de defender interesses nacionais para além dos específicos de sua pasta.

A Amazônia é talvez o maior desafio para o País, ao lado do problema da Comunicação em poder de grupos controlados de fora. Por gente de fora. De olho na Amazônia.

Quando candidato a presidente Lula falava em projeto Brasil. Onde está? Nos acordos feitos com a MONSANTO para a produção de transgênicos? Na VALE privatizada? Na EMBRAER em mãos do capital estrangeiro?

Na PETROBRAS acossada dia e noite por bandidos do porte de Jereissati, FHC, Arthur Virgílio, de olho nas contas bancárias e nas contribuições das empresas estrangeiras do setor petrolífero?

Há dias a Marinha brasileira divulgou um comunicado oficial repudiando e desmentindo o jornal THE GLOBE (alguns conhecem como O GLOBO) sobre a questão dos submarinos movidos a propulsão nuclear. Já poderíamos ter pelo menos três desses submarinos tomando conta das costas, do litoral do Brasil e não o temos por conta do jogo de empurra e entrega do governo FHC e da falta de decisão do governo Lula. A decisão veio agora e como compensação política. Não como parte de um projeto de defesa da soberania nacional e da integridade de nosso território que passa pelo mar territorial brasileiro. São indispensáveis, os submarinos.

Pior ainda. A Aeronáutica brasileira está a mercê de interesses norte-americanos e de Israel no que diz respeito a ser reequipada com caças à altura das reais necessidades da segurança nacional. É um problema que rola desde os tempos de FHC e Lula não resolveu. Só procurou equilibrar-se na conversa de uma no cravo e outra na ferradura, ou em soluções paliativas.

Segurança não pode confundido com empregado do CARREFOUR levando um negro para um quartinho (a empresa é cúmplice, é bandida) pelo fato de ser negro e, portanto, suspeito de ser ladrão. Uai! FHC é branco. Sarney apesar de pintar cabelos e bigodes de preto é branco. E nunca ninguém levou os dois para quartinho escuro.

A política de Lula para a Amazônia, para além da questão ambiental, inexiste. Ou o que existe é um outro exercício de equilibrismo entre as mega concessões feitas a setores e grupos privados e as palhaçadas do ministro Minc com dados estatísticos que não comprovam coisa alguma no essencial.

Falta decisão política efetiva de uma integração latino-americana que exclui tropas no Haiti. E um monte de outras coisas.

Onde o governo Lula consegue avanços - e existem - é onde estão figuras que na verdade garantem o mínimo de credibilidade e visibilidade desses avanços. Do contrário seria só uma exibição fantástica de carisma de Lula, inegável, mas compreensível se comparado com alguém como FHC, uma figura que tipifica o ser amoral. Sem escrúpulos.

Ou você acha que Obama chama Lula de "o cara" por que?

O governo dá a sensação, outro ponto, que não atinou para a grave ameaça à soberania nacional e especificamente a Amazônia, no que diz respeito ao acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos. Sete bases militares para "combater o narcotráfico"? Ora, o narcotráfico, segundo o departamento de combate às drogas do governo dos EUA, está no governo colombiano. Em Álvaro Uribe.

E é o que menos importa. Importa o controle da Amazônia. Quando a GLOBO e outros se referem às FARCs como "terroristas" estão apenas tentando criar na opinião pública - e criaram - o monstro que devora criancinhas, mata idosos, não permite a democracia, quando no duro, as FARCs são um ponto de resistência ao avanço dos EUA sobre a Amazônia brasileira ou não.

Em seguida ao cancelamento da visita do presidente do Irã ao Brasil, o líder sionista (sinônimo de fascismo) que ocupa o ministério das Relações Exteriores de Israel apareceu por aqui para deitar falas sobre cooperação, de olho em comunidades palestinas no sul do País e na água, no controle da tríplice fronteira, onde agem às escancaras terroristas do MOSSAD.

Por que o governo brasileiro não rompeu relações diplomáticas com o governo golpista de Honduras? Qual a razão da presença de tropas brasileiras no Haiti num processo de ocupação e repressão ao sabor dos interesses dos EUA?

Marina da Silva não é a ponta de um iceberg. É o próprio. Não agüentou digerir tantos sapos assim. E existem diferenças fundamentais entre ela e Heloísa Helena. A senadora Marina tentou de todas as formas resistir dentro do PT. Não é uma temperamental como a alagoana. E não vai aqui nenhuma crítica sobre conduta em relação a Heloísa Helena, só a forma, ao jeito.

A decisão de deixar o partido foi consciente. Pensada e pesada. O que vai fazer daqui para a frente é outra conversa. Se se deixar ludibriar pelo canto de tucanos e democratas joga fora sua história. Não creio que faça isso. A senadora não dá mostras, nunca, de assimilar a convivência com pústulas padrão José Serra.

O problema Marina da Silva não é só Marina da Silva, o tamanho da perda (imenso). É o processo autofágico de Lula e do PT.

Isso significa que presidente e partido são absolutamente irresponsáveis no que diz respeito à luta popular e pensam apenas e tão somente na política menor de um institucional carcomido pela corrupção e pelo entreguismo.

Não se pode exigir das pessoas que fechem os olhos a isso e apóiem incondicionalmente o governo e seu partido.

Apoio incondicional, um político mineiro dos velhos tempos dizia que a gente "só presta a mãe".

O que está em jogo é bem maior que Lula e o PT.

Os caminhos são outros. Ou esse País vira estado norte-americano, república de bananas, com bases militares no Nordeste como querem os EUA, sob a batuta de bandidos tucanos democratas à frente José Serra e toda a corte FIESP/DASLU.

Na luta pelo Brasil soberano, independente e justo, Lula e o PT são episódicos. Essa construção está acima deles. E a resistência se estende a atitudes e posturas como a de aliar-se a figuras como Sarney. Não se trata de sobreviver a nada, mas tão somente de criar condições de governabilidade dentro de um processo corrupto e anti-nacional.

É abrir as portas para José Serra em 2010. Ou pior, o irresponsável do governador de Minas. O tal que não tem dinheiro, mas compra apartamento de 12 milhões de reais.

[*] Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, trabalhou no Estado de Minas e no Diário Mercantil.

14 de agosto de 2009

Estudantes são detidos em frente ao gabinete de Sarney


Dez estudantes de um grupo que se intitula Coletivo Independente de Manifesto e Ativismo (Cima) entraram nesta quinta-feira no Senado, se posicionaram em frente ao gabinete do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), e abriram folhas de papel ofício com "Fora, Sarney" escrito em vermelho. Como o Regimento Interno do Senado proíbe manifestações dentro do prédio, os seguranças começaram a retirar à força os estudantes, que resistiram e foram detidos. Eles tiveram de prestar depoimento nas instalações da Polícia Legislativa, que funcionam na garagem do Senado.

Apesar de serem apenas dez estudantes, quando os agentes que os conduziam chegaram ao Salão Azul houve um princípio de tumulto, pois o grupo misturou-se a grande número de repórteres, fotógrafos, policiais legislativos e servidores. Enquanto os manifestantes eram levados à Polícia Legislativa, um deles, Rodrigo Grassi, coordenador do Cima, gritava para os seguranças: "Aqui, ninguém tem medo de prisão! Vocês deviam prender esses senadores. Estão prendendo estudantes, igual na época da ditadura."

Na terça-feira, os mesmos dez estudantes tentaram entrar no Senado carregando 12 caixas de pizza que simbolizavam o arquivamento de 11 denúncias contra Sarney e uma contra o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), no Conselho de Ética. A intenção deles era a de entregar as caixas ao presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), mas foram impedidos de entrar no prédio.

Postado:Prof.Sérgio

12 de agosto de 2009

A CRISE NO SENADO É A CRISE DO SISTEMA BURGUÊS - NOTA POLITICA DO PCB


Só o Poder Popular fará avançar a democracia!
(Nota Política do PCB)

Os lamentáveis fatos que vêm ocorrendo no Senado Nacional, envolvendo seu presidente, José Sarney – as frequentes quebras de decoro parlamentar ou os inúmeros abusos de poder que se manifestam nas nomeações (sem concurso) de parentes de deputados e senadores para funções públicas, nos chamados atos secretos, ou nas denúncias de corrupção que a toda hora aparecem na mídia – geram um grande desgaste para as instituições políticas e contribuem para o aumento da descrença de grande parte da população nos partidos, nas ações políticas e mesmo na chamada democracia representativa.

Nas formações sociais capitalistas, a disputa pelo poder político, seja no executivo, no legislativo e mesmo no judiciário, por vias indiretas, se manifesta, principalmente, nas ações e interesses da classe dominante, com o apoio direto dos meios de comunicação privados, que traduzem a realidade conforme a ótica burguesa.

Os grandes grupos econômicos injetam volumosos recursos financeiros nos partidos da ordem. Destes, alguns se apresentam com linha política e base ideológica mais definida, voltada para a ordenação da sociedade pelos preceitos liberais e visando favorecer a acumulação capitalista. Outros se propõem a representar interesses privados mais localizados. As leis eleitorais reforçam o sistema, protegendo e viabilizando os grandes partidos burgueses e dificultando ao máximo a organização e a ação dos partidos e organizações formados por representantes e segmentos das classes trabalhadoras.

Se a Câmara dos Deputados representa de forma um pouco menos distorcida o conjunto da sociedade (com o voto proporcional dos eleitores), o Senado, com três representantes por estado, independentemente do seu tamanho, reforça os segmentos mais conservadores.

A contrapartida oferecida pelas representações parlamentares burguesas é o atendimento dos interesses privados, que se fazem representar diretamente ou por meio de pressões organizadas (lobbies). Os meios para o exercício do poder, por estes grupos, cobrem desde os procedimentos legais e formais da apresentação e aprovação de leis de seu interesse até o uso de esquemas diversos de corrupção (que, por sua vez, vão da compra de votos à apropriação privada de recursos e patrimônio públicos).

No Brasil, a prática da usurpação do patrimônio público por interesses privados vem desde a Colônia e se mantém até o presente na ação dos grandes latifundiários, dos chamados “coronéis” que compram votos com grande facilidade. Esta prática se estende aos “capitães da indústria” e aos grandes banqueiros. Os longos períodos de ditaduras contribuíram também para o enorme distanciamento entre a estrutura política representativa e a maioria da população, além de enfraquecer – muitas vezes com prisões e assassinatos – as representações políticas dos trabalhadores.

A saída imediata de José Sarney da presidência do Senado será, sem dúvida, um passo importante para a moralização daquela casa legislativa. Mas é preciso ir adiante. Sem qualquer ilusão de que seja possível chegar-se a uma democracia plena no capitalismo, é urgente avançar na legislação eleitoral para que a maioria da população – os trabalhadores – esteja melhor representada no sistema político.

Defendemos a mais ampla liberdade de organização partidária, o financiamento público das campanhas eleitorais, o voto em listas, a abertura dos espaços legislativos para o controle e a participação direta das diferentes entidades representativas da sociedade. O fim do Senado, com o fortalecimento de um Congresso unicameral e a construção do Poder Popular – eleito diretamente pela população em cada região – são medidas essenciais para o aprimoramento da democracia dos trabalhadores.

O PCB entende que estes avanços só poderão ser conquistados com muita luta, com a maior organização dos trabalhadores, no bojo da luta maior – a luta de classes – no caminho da construção revolucionária do Socialismo.

PCB – Partido Comunista Brasileiro

Agosto de 2009

10 de agosto de 2009

Simon volta a pedir afastamento de Sarney e critica intervenção de Lula no Senado

Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009


Simon voltou a pedir o afastamento de Sarney da presidência do Senado durante discurso no Senado


Agência Senado
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) voltou a pedir em discurso nesta segunda-feira que o senador José Sarney (PMDB-AP) se afaste da presidência do Senado para que se possa investigar se as denúncias feitas contra ele têm fundamento. Ele criticou a decisão do presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), que arquivou todas as representações e denúncias contra Sarney, "sem investigar nada".

Simon também criticou o que ele chamou de "intervenção" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado, levando o PT a apoiar o senador Sarney.

“Chego aos 79 anos e desde os 18 tenho mandatos. Enfrentei dificuldades políticas de toda sorte. Eu vi ministros militares, generais, presidentes de plantão agirem. Eu não vi uma intervenção tão grosseira, tão sem pudor como a do presidente Lula com relação à manutenção do presidente Sarney” disse o peemedebista, acrescentando que "o perigo para o presidente Lula é a soberba", por causa de sua aprovação de 80%.

O senador gaúcho disse ver a ministra Dilma Rousseff, (Casa Civil) "com simpatia", ao afirmar que ela lutou para que não houvesse indicação política para estatais importantes, como a Petrobras e a Eletrobrás, mas acabou sendo derrotada nas suas intenções. Disse que ela "não merecia" ter ido à casa de Sarney pedir, em nome do presidente, que ele não renunciasse ao Senado.

Pressão de Lula

Simon lamentou que o presidente Lula tenha pressionado os senadores petistas a defender a manutenção de Sarney na presidência em nome da governabilidade. Observou ainda que "um fato novo importante pode estar surgindo" na política com a possível ida da senadora Marina Silva (PT-AC) para o PV, pelo qual poderia concorrer à Presidência da República.

O senador também questionou os primeiros rumos tomados pela CPI da Petrobras, em que o relator, senador Romero Jucá (PMDB-RR), "arquivou 90% das petições" e decidiu "convidar", e não "convocar", o presidente da Petrobras. Ele se mostrou cético sobre a possibilidade de investigações profundas na CPI. Para o senador, se o governo agiu "de forma tão radical" para tentar impedir a criação da CPI, fica parecendo "que há coisas que a gente não sabe", mas "que eles têm medo de que venha à tona".

Simon anunciou ter enviado comunicação à Mesa do Senado pedindo que a Corregedoria da Casa interpele o senador Fernando Collor (PTB-AL), para que ele informe, oficialmente, fatos que diz conhecer, os quais poderiam comprometê-lo. Collor fez a afirmação em Plenário, na semana passada

Postado:Prof.Sérgio