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7 de agosto de 2011

Congresso da UNE – Da lama ao caos - Por:    Paulo Winícius*

Congresso da UNE – Da lama ao caos - Por: Paulo Winícius*

imagemCrédito: UJC


Hoje o samba saiu procurando voce,
Quem te viu, quem te vê...”
Chico Buarque

Mais um Congresso da UNE - União Nacional dos Estudantes em Goiânia e pouco pôde ser aproveitado pelos estudantes das atividades na programação. Funcionando como moeda de troca na relação do PC do B com o governo federal, a direção da entidade fez de tudo para prestigiar o ex-presidente Lula, ministros de governo e funcionários de todos os escalões, afirmando-se como correia de transmissão das políticas governamentais junto aos estudantes.

O congresso bancado com muito dinheiro do governo do PT e também do Governo goiano do PSDB - que aliás ilustrava um boletim interno do congresso com seus “feitos” pela educação em Goiás - afirmou a UNE como entidade que se presta a jogar uma nuvem de fumaça acerca dos reais problemas enfrentados pelos estudantes brasileiros. Não se mencionou nas resoluções congressuais a penúria que vivem as Universidade Estaduais pelo Brasil, na abertura da atividade nada de falar da greve dos servidores técnicos administrativos das Universidades Federais por todo país e fez-se questão de esvaziar o debate sobre o Código Florestal dos latifundiários e desmatadores, recentemente aprovado na câmara, de relatoria do deputado Aldo Rebelo do PC do B.

De onde poderia se esperar algo, da oposição de esquerda, infelizmente o que se viu (com raras exceções) foi um jogo de vale-tudo para garantir uma função na diretoria executiva da entidade. Depois de eleitos os diretores e suas respectivas correntes mal se comunicam até o próximo congresso. Amarradas à lógica institucional que rege a entidade, várias correntes da oposição de esquerda pautavam sua unidade quase que exclusivamente pela contabilidade de delegados que os levaria a ocupar mais espaço, deixando em segundo plano a discussão programática desse campo. Nas bancadas da oposição de esquerda repetia-se a prática de “gincana” onde cada um grita pra si mesmo, despolitizando o debate, valorizando os gritos de guerra, inviabilizando os painéis e no final se desconsidera o que está sendo lido ou defendido no plenário, prática da situação governista ( PT,PC do B, PDT, PMDB, PTB, PSD, PPL e PSB) que é repetida e triste de se ver no campo dos lutadores.

Além do fato do Congresso, e suas resoluções, não problematizar a falta de recursos para a pesquisa , a ausência de assistência estudantil para quem sai de sua cidade para estudar e a falta de qualidade das faculdades particulares que se multiplicam por todo país, tivemos um triste exemplo de eleição de delegados fantasmas na UFG-Universidade Federal de Goiás . Justamente de onde se espera que venham lideranças juvenis que dêem um alento para o mar de injustiças que assolam o país, se vê exemplos de corrupção. A Juventude do PC do B: UJS -União da Juventude Socialista- e a juventude da corrente Articulação de Esquerda do PT- Partido dos Trabalhadores, fizeram um acordo de bastidores e retiraram crachás de delegados ao Congresso da UNE mesmo sem terem sido eleitos, demonstrando o caráter burocratizado e fraudulento desse congresso e de tais organizações. Não é a toa que essas correntes foram eleitas para diretoria da UNE na mesma chapa ao final do Congresso.

Fica a lição de que o movimento estudantil deve priorizar cada vez mais o movimento pela base e que de nada adianta a disputa por uma entidade nacional se não tivermos em mente em primeiro lugar qual o projeto de Universidade e Educação nós queremos. Destacaram-se neste Congresso da UNE os debates paralelos e mobilizações organizados pela UJC- União da Juventude Comunista , JCA-Juventude Comunsita Avançando e Juventude Libre para o Seminário Nacional de Universidade Popular que colocaram em questão um ponto central: Se as bandeiras do movimento estudantil não estiverem ligadas a um projeto estratégico de sociedade, para além do capitalismo, ficaremos disputando a qualquer custo estruturas estudantis burocratizadas que defendem vagamente uma “ universidade pública, gratuita e de qualidade” mesmo que esta sirva à manutenção das desigualdades sociais reinantes.

Mais que a lição dos erros fica a motivação pelo acerto, a coragem para lutar por uma Universidade que atenda às necessidades da maioria trabalhadora da população, tal qual fez a UNE em outros tempos. Uma universidade preocupada com os problemas de transporte, que denuncie a especulação imobiliária e a devastação do Cerrado pelo agronegócio. Tal qual os estudantes do Chile que neste momento vão ás ruas para defender verba pública só para educação pública – bem diferente do que a UNE defende-, o movimento estudantil se faz vivo no Brasil, na luta pelo Passe Livre, pela Universidade Popular e por mudanças estruturais.

*Paulo Winícius “Maskote”
Membro da Coordenação Nacional da UJC- União da Juventude Comunista
Membro da Direção Estadual do PCB em Goiás

5 de agosto de 2009

Manifesto da unidade pela Universidade Popular*


Diante dos ataques que a universidade pública vem sofrendo mais intensamente nos últimos anos, da crise que provoca desemprego em massa, perdas dos direitos trabalhistas e entrega das riquezas naturais de nosso povo, o 51° Congresso da União Nacional dos Estudantes (CONUNE) realizado entre os dias 15 a 19 de julho ignorou todo um passado histórico de lutas do Movimento Estudantil. Já foi o tempo em que cinco dias de Congresso da UNE representariam um período de intenso debate político que instrumentalizasse os estudantes frente ao desafio histórico de defender a educação das garras do mercado.

É lamentável fazer um balanço deste CONUNE e visualizar que este conseguiu ser mais despolitizado e aparelhado que o de 2007. Quando pensamos que a abertura se deu em plenário do Congresso Nacional, que os dois primeiros dias foram de ócio programado, que os atos do dia 16 (PROUNI e Petróleo) foram financiados e regidos pelo Governo Federal, nos perguntamos: onde estará a autonomia de uma entidade que historicamente tinha papel protagonista e que hoje está a reboque do Estado? Os heróicos militantes que dedicaram a sua vida para a luta no movimento estudantil, certamente não poderiam prever algo que foi tão explicito em matéria de aparelhamento partidário. A "primeira participação" de um presidente no Congresso - apresentando sua possível candidata a presidente em 2010 - ouvido por uma claque de estudantes exclusivamente convocados para este fim, foi emblemática da situação atual de subserviência da nossa entidade nacional.

No terceiro dia, a enxurrada de mesas foi assustadora na programação: 25 em um curto espaço de 8 horas, exigindo que um estudante interessado se dividisse em pelo menos 10 pra acompanhar os debates! Ainda assim, temas importantes como o de Ciência e Tecnologia foram simplesmente boicotados. O fim do dia estaria reservado para o pior: os 13 Grupos de Discussão - que em tese deveriam tirar as principais linhas a serem defendidas pela entidade - não existiram! Méritos para a oposição que "forçou" a mesa de Movimento Estudantil, que o bloco governista majoritário da União da Juventude Socialista (UJS) logo se prontificou a abafar, levando parte de seus militantes para fazer guerra de torcida e não para colocar suas posições políticas.

O sábado e o domingo estariam reservados para as Plenárias Finais (ou seriam iniciais?). No sábado seria a definição dos eixos em Conjuntura, Educação e Movimento Estudantil que a UNE defenderia nos próximos 2 anos e no domingo a escolha da Diretoria. Participamos em conjunto com os companheiros da Oposição de Esquerda, defendendo eixos importantíssimos para o movimento estudantil, na defesa da universidade pública e gratuita, contra todas as medidas da Contra-Reforma Universitária, e na defesa do projeto estratégico que o ME carece no momento: a Universidade Popular.

Toda a insuficiência da UNE enquanto entidade organizadora das lutas do ME; autônoma aos governos, partidos e reitorias; protagonista de campanhas históricas pelas riquezas naturais de nosso povo; por um projeto de sociedade mais justa e igual e na luta contra a autocracia da ditadura militar; - ficou exposta de forma emblemática na plenária final de "eleição" da nova diretoria da UNE. O debate se resumiu aos dez minutos de cada chapa, na defesa das bandeiras de cada organização e numa votação em que a "guerra pelos crachás", se constituía na briga pelas 17 vagas na diretoria executiva (remuneradas) e nas mais de 80 vagas na diretoria plena.

Diante de toda a falta de debates, da necessidade de um congresso de verdade e não de uma fachada institucionalizada de disputa de cargos, apresentamos a chapa "Por uma Universidade Popular", convocando os estudantes para a necessária reorganização do ME de "baixo pra cima" a partir de cada entidade de base. Convocamos todos a lutar contra os efeitos da crise econômica sobre o povo e pelo o que identificamos como fundamental: a construção de um projeto estratégico do movimento estudantil. Após a apresentação da chapa nos retiramos do processo de eleição da diretoria por entender que não é uma possível diretoria - nas condições já descritas deste congresso - que auxiliará para a reorganização do ME. Na situação despolitizante deste CONUNE, nossa disputa prioritária foi no campo das idéias, buscando construir laços que possam ter repercussões para além deste evento.

ME e a necessidade do projeto estratégico: "Criar, criar, a universidade popular!"

A unidade entre as teses Une de Volta pra Luta, A Hora é Essa e Ciência em Disputa, se deu em torno de alguns eixos: a visualização da conjuntura desfavorável ao conjunto dos trabalhadores do mundo e ao futuro da universidade; a defesa de um projeto de educação que tenha como objetivo a emancipação política, social e econômica do povo; e o chamado "urgente" para a reorganização de movimento estudantil autônomo e combativo, que expresse o clamor das bases organizadas. Essa unidade programática foi uma vitória para o processo de reorganização do ME, pois mesmo com todas as críticas à fragilidade da UNE e sua insuficiência para potencializar as lutas dos estudantes, acreditamos que não podemos nos ausentar deste espaço que é apenas um reflexo da totalidade do movimento.

Saímos deste CONUNE com a certeza de que o Movimento Estudantil tem que superar os seus vícios institucionais, que fazem com que o absurdo da falta de debates seja naturalizado em nome de uma suposta "representatividade da base" sacralizada nos rituais de escolha da Diretoria. Precisamos romper o atrelamento espúrio e a tendência "parlamentarista" que a UNE tem se emaranhado nos últimos tempos, delegando todas as lutas para os gabinetes fechados, ignorando as ruas e as ocupações de Reitoria.

Chamamos todos os companheiros da "Oposição de Esquerda" para uma unidade real nas lutas de base, que supere o imediatismo da unificação nos períodos de escolha da Diretoria da UNE. Para isso, acreditamos que é imprescindível ampliar o movimento por uma universidade popular: debatendo e formulando rumos para o movimento estudantil; questionando a que(m) serve a produção de conhecimento da universidade; que lute pela democracia interna das universidades disputando seus projetos; sendo críticos e criadores do novo conhecimento para a emancipação de nosso povo trabalhador; pintando a universidade com as cores dos movimentos sociais, com a cara dos operários, camponeses e todos setores explorados de nossa sociedade!

Sabemos que a Universidade Popular não se realizará plenamente nesta sociedade regida pela ordem do Capital, mas compreendemos que é preciso ir além do debate sobre qualidade e de resistência às políticas governamentais. É necessário apontar para quem queremos tal qualidade. A ciência e tecnologia devem ser bases para a construção de um projeto popular de transformação social, exigindo do Movimento Estudantil que postule uma Universidade ao lado daquele a quem deve servir: o povo.

"Vem estudante, vamos lutar!...Por uma Universidade Popular!"

*Assinam este manifesto as teses "Une de Volta pra Luta", "A Hora é Essa" e "Ciência em Disputa", que constituíram no 51° CONUNE a frente "Por uma Universidade Popular".

30 de julho de 2009

Imobilidade estudantil



Ao término do 51º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), no último domingo, 19, o que todos já sabiam aconteceu: vitória de Augusto Chagas, estudante da USP, que encabeçava a chapa da União da Juventude Socialista (UJS), a juventude do PC do B.

A UJS domina a entidade há quase vinte anos e, após as duas eleições de Lula, conseguiu subsídios federais sob a forma de repasses de verbas públicas, além de contribuições, para a organização de congressos que pouco ou nada representam em termos de avanços das lutas estudantis, tal como o encerrado na última semana.

A confirmação da direção formada por militantes da UJS e correligionários, baseada no apoio à política adotada pelo PT nos últimos anos, já causou graves feridas à imagem e à história de lutas da entidade. Fato é que, no passado, eram levantadas bandeiras em favor do monopólio estatal do petróleo, da luta pela democracia, vozes e ações militantes contra a ditadura e o imperialismo, solidariedade internacional a Cuba, presença destacada na campanha pelas Eleições Diretas e pelo impeachment de Fernando Collor de Mello, através das passeatas comandadas pelos "caras pintadas". Na contramão deste passado de lutas, ao qual se junta o período glorioso dos Centros Populares de Cultura - os CPCs da UNE, de onde saíram artistas e intelectuais brasileiros de renome, hoje predomina, da parte das direções da UNE, uma postura imobilista e a defesa das políticas do governo para a educação. É sintomática e patética a atitude passiva e de total silêncio perante as alianças esdrúxulas de Lula com o que há de pior na política nacional: a família Sarney e Collor de Mello.

As recentes diretorias da UNE, após muitos Congressos de “crachás marcados”, afastaram-se cada vez mais do estudantado brasileiro, fazendo com que a UNE perdesse sua identidade combativa, pois preferiram apoiar-se nos braços seguros do governo Lula. Seus principais momentos de deliberação, que deveriam girar em torno do debate democrático, são submetidos às malandragens dos que necessitam manter-se na direção. Opositores são sabotados e tudo, no final, se resume a uma votação orientada pelas lideranças.

No entanto, pelo passado histórico, a UJC defende, apesar da linha política adotada pelos militantes da UJS, a manutenção da entidade como aglutinadora do movimento estudantil. A história já provou que a criação de entidades paralelas, formadas de “cima para baixo”, sem a ampla participação dos maiores interessados, neste caso, os estudantes universitários, não resolve as questões organizacionais.

A UJC é oposição à diretoria atual da UNE e será sempre quando sua direção agir contra os verdadeiros interesses do movimento estudantil e se calar diante das políticas antipopulares adotadas pelos governo. A UJC é oposição à UNE porque “educação não é mercadoria”, e a política educacional não pode continuar sendo a atual, que favorece os tubarões do ensino, permite o crescimento sem freios da iniciativa privada na educação, das universidades-mercado, dos cursos à distância sem fiscalização alguma, do ataque aos direitos dos profissionais do ensino, dos salários rebaixados dos professores. A UJC e o PCB propõem uma mobilização nacional pela reconstrução da UNE, pela retomada da postura combativa da entidade histórica representativa dos estudantes e em defesa da Educação Superior pública, gratuita, de qualidade.

20 de julho de 2009

A UNE FOMOS NÓS, NOSSA FORÇA, NOSSA VOZ! - Por: Ivan Pinheiro*



O congresso da UNE na semana passada começou e acabou no mesmo dia. Após a palavra do primeiro orador, não havia mais o que discutir.

Logo na abertura, acompanhado de sua candidata à sucessão, o Presidente da República - que havia mandado o Estado pagar a conta do evento - deu o tom e a linha política, defendendo um programa de seu governo (PROUNI) que deveria ser objeto de um grande debate num congresso de estudantes, já que repassa verbas públicas para o ensino privado, os "tubarões do ensino", no antigo jargão da UNE.

Mas como criticar o programa, se o Ministério da Educação entrou com 600 mil reais, na "vaquinha" estatal para organizar o congresso, cuja prestação de contas, como a das famosas carteirinhas, ninguém verá. A UNE, que já foi uma escola de política, se transformou numa escola de políticos, no pior sentido da palavra.

O importante para os organizadores do "congresso", na verdade, foi o ato público de louvação a Lula e apoio à sua candidata em 2010. O resto é a matemática de contar os crachás de delegados levados pela máquina e eleger quem vai exercer a presidência da entidade, meio caminho andado para a Câmara dos Deputados.

Não faltou também uma passeata sobre o tema do petróleo. Não com o discurso combativo dos anos cinqüenta do século passado, em que a UNE foi um dos baluartes da campanha "O PETRÓLEO É NOSSO". A manifestação chapa branca foi contra a CPI da Petrobrás e não pela reestatização da empresa, como lutam unitariamente as forças progressistas, em torno da atual campanha O PETRÓLEO TEM QUE SER NOSSO.

Também, pudera. A maioria da direção da UNE é do mesmo partido que dirige a ANP, a agência que opera a privatização e a entrega do nosso petróleo às multinacionais.

Mas a juventude brasileira não pode entregar os pontos. Não pode desistir de resgatar a independência e a tradição de luta da UNE, rendendo-se aos que a aparelham e envergonham a sua história. Também não se trata de criar uma UNE paralela, um outro aparelho partidário, outra forma de se render à maioria eventual que hoje desvia a entidade de seus objetivos.

A juventude brasileira que ainda se rebela contra a injustiça e a iniqüidade precisa construir um amplo MOVIMENTO PELA RECONSTRUÇÃO DA UNE que, a partir das escolas e dos Centros Acadêmicos, tome nas mãos as rédeas do movimento estudantil e saia às ruas de todas as cidades brasileiras, voltando a gritar bem alto o mais histórico refrão da entidade:

A UNE SOMOS NÓS, NOSSA FORÇA, NOSSA VOZ!

* Ivan Pinheiro é Secretário Geral do PCB