Mostrando postagens com marcador Chile. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Chile. Mostrar todas as postagens

8 de fevereiro de 2012

Intervenção Militar Imperialista no Oriente Médio Ameaça a Paz Mundial

Intervenção Militar Imperialista no Oriente Médio Ameaça a Paz Mundial

imagem
Crédito: PC Chile
PARTIDO COMUNISTA DO CHILE

COMITÊ CENTRAL

DECLARAÇÃO

INTERVENÇÃO MILITAR IMPERIALISTA NO ORIENTE MÉDIO AMEAÇA A PAZ MUNDIAL


A ofensiva imperialista dos Estados Unidos e das potências também imperiais da União Europeia sobre a Síria e o Irã, está criando uma situação que ameaça desembocar numa agressão militar contra ambos os países.

A última guerra impulsionada pelos EUA e a OTAN na Líbia causou milhares de mortos e uma brutal destruição do país. O evidente objetivo do novo colonialismo norte-americano e europeu foi apoderar-se dos recursos naturais desse país e impor seu suposto direito de dominação no mundo.

Com objetivos similares, os Estados Unidos e seus colaboradores estão alocando tropas no Golfo Pérsico e nas proximidades da Síria. A agressão norte-americana e da OTAN já conduz ao início de uma guerra civil na Síria, que dá bases para uma agressão militar como a realizada na Líbia.

A isso se somam ações terroristas, como os assassinatos de cientistas iranianos e atentados no interior desse país. Neste caso, é a afirmação de que o Irã pretende construir bombas nucleares o que justifica tais ações. Sabe-se o que custou ao povo do Iraque a invasão de seu país, tendo como base informações falsas. Sabe-se, também, que o único Estado possuidor de armamento nuclear no Oriente Médio é Israel, adito ao poder imperial. A implantação de ações militares no Irã é um projeto já anunciado pelos chefes militares e políticos norte-americanos.

Devemos rechaçar o caminho da guerra e criar as condições para que se abra espaço para uma política de paz e colaboração internacional, que permita aos cidadãos sírios e iranianos decidirem seu próprio destino. A democracia não será alcançada, como afirmam os promotores destas políticas, com bombardeios, morte e destruição.

A agressão imperial em curso deve ser contida. É um assunto de todos os povos e ainda mais urgente em nossa América Latina. A persistente investida contra países latino-americanos que desenvolvem políticas independentes aos ditames imperiais, leva a crer que o império poderia expressar-se também em nosso continente com agressões semelhantes a que está em curso no Oriente Médio. Caso sejam impostas estas políticas de dominação extrema, o mundo inteiro será ameaçado.

Propomos ao Governo do Chile contribuir com um caminho que suspenda as sanções contra a Síria e o Irã, ponha fim à ingerência nos assuntos internos desses países, renuncie à participação numa guerra contra eles e abra espaços para ações que objetivem uma saída pacífica, efetivamente, garantindo a autodeterminação de seus povos.


PARTIDO COMUNISTA DO CHILE

Santiago do Chile, 1º de fevereiro de 2012

Tradução: Maria Fernanda M. Scelza (PCB)

21 de outubro de 2011

Chile baixa Lei de Segurança Nacional para reprimir protestos de estudantes

imagem
Crédito: PCB
 João Paulo Charleaux

O ministro do Interior do Chile, Rodrigo Hinzpeter, declarou hoje (18/10) que a Lei de Segurança Nacional passará a vigorar a partir de amanhã (19/10) em todo o país, no segundo dia da paralisação nacional convocada pelos movimentos estudantis e sindicatos de trabalhadores que há cinco meses reivindicam uma ampla reforma educacional e constitucional.

A medida foi anunciada depois que 15 manifestantes queimaram um ônibus articulado e montaram dezenas de barricadas em chamas em diversos pontos do centro da capital, Santiago. A Lei de Segurança Nacional amplia os poderes da polícia para interpelar suspeitos e deter pessoas sem acusação formal. Também restringe direitos de associação e circulação dos cidadãos e deve ter impacto nos protestos marcados para a noite de hoje e a manhã de amanhã.

“O governo tomou esta decisão contra os que, hoje, interceptaram um ônibus, aterrorizaram e fizeram descer todos os passageiros e o motorista e, logo, incendiaram o coletivo. Como governo, não estaríamos cumprindo nossa obrigação se não apresentássemos esta lei”, anunciou Hinzpeter no palácio de governo. Pelo menos 60 pessoas haviam sido detidas até o fim da tarde de ontem. Para a noite, os estudantes convocaram um panelaço na Plaza Italia, tradicional ponto de manifestações públicas da capital.

O anúncio provocou críticas de diversos setores. O analista político Patricio Navia, acadêmico da New York University e da Universidade Diego Portales de Santiago do Chile, disse ao Opera Mundi que “esta é uma lei da ditadura, criada para reprimir o que se chama no Chile de terroristas sem muita base legal”. Segundo ele, a mesma lei já foi invocada em pelo menos três ocasiões desde a volta da democracia, em 1990 – duas delas durante o governo da Concertación, coalizão de centro-esquerda que esteve no poder por 20 anos antes da direita voltar ao poder, em março de 2010.

“É simbolicamente importante que a Lei de Segurança tenha sido invocada agora, no primeiro governo de direita desde o fim da ditadura. Trata-se de uma tentativa do presidente Sebastián Piñera de recuperar sua popularidade entre os setores de direita. Menos de 30% dos chilenos apoiam seu governo, apesar de que o eleitorado de direita no Chile é de tradicionalmente 40%”, disse Navia.

Esta semana, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) anunciou que investigará a ação da polícia chilena na contenção de distúrbios. Há dois meses, a tropa de choque matou um jovem em Santiago com um disparo de fuzil e centenas de jovens são detidos toda semana sem acusação formal. A polícia chilena tem o direito de deter pessoas para “checar documentos” por até 12 horas, incluindo menores de idade.

O governo enviou ao Congresso um Projeto de Lei que impõe pena de três anos de prisão para quem ocupar escolas ou universidades para protestar, ou quem desviar o trânsito ou desrespeitar a polícia no meio de um protesto.

Além da preocupação manifestada pela CIDH, o relator da ONU para Liberdade de Expressão, Frank La Rue, também pediu que o governo chileno autorizasse a visita de uma missão da organização ao país. Desde o início do governo Piñera, em março de 2010, 12 jornalistas de agências estrangeiras de notícias foram diretamente agredidos pela polícia. Hoje, foi a vez de um fotógrafo da agência de notícias France Presse ser preso. A ONG Repórteres Sem Fronteiras lançou um comunicado mostrando preocupação pela situação no Chile.

Tensão

Hoje, o clima foi de expectativa e tensão entre os milhares de jovens que há cinco meses estão mobilizados em todo o Chile pedindo mudanças no sistema educacional. Pelo menos 50 mil deles podem perder o ano letivo por engajar-se num movimento que não dá sinais de cansaço e entrou nos últimos dias num momento perigoso, com o governo decretando a Lei de Segurança Nacional.

O Opera Mundi esteve na Universidade do Chile na tarde de hoje. Dezenas de estudantes mobilizados se mostravam animados com o que consideram ser uma vitória na batalha pelo apoio popular. Hoje, o movimento estudantil entregou ao Ministério da Educação o resultado de um plebiscito nacional no qual quase 89% dos chilenos que participaram da proposta apoiaram a principal demanda do movimento, que é a educação gratuita. Pelo menos 1,5 milhão de chilenos votaram.

Fonte: Opera Mundi

13 de setembro de 2011

Passeata no Chile relembra vítimas da ditadura

Passeata no Chile relembra vítimas da ditadura

imagem
Crédito: Estadão

Período de governo militar, que foi de 1973 a 1990, deixou cerca de 40 mil vítimas no país

11 de setembro de 2011 | 17h 52

'Não deixem de me procurar', diz o cartaz em alusão aos desaparecidos

SANTIAGO - Milhares de pessoas participaram neste domingo, 11, de uma passeata em Santiago, no Chile, para relembrar as cerca de 40 mil vítimas da ditadura militar inaugurada no país após o golpe de 1973 e encerrada 17 anos depois. Em determinado momento, porém, a homenagem foi interrompida por conflitos entre pessoas encapuzadas e a polícia.

Os participantes da passeata, que foi convocada por uma ativista dos direitos humanos, partiram do centro da cidade e percorreram 32 quarteirões até o Memorial dos Presos Desaparecidos durante a ditadura. A marcha foi pacífica durante a maior parte do percurso, mas ao chegar ao memorial surgiram grupos de encapuzados que jogaram pedras, garrafas e bombas na polícia, que respondeu com jatos de água e bombas de gás lacrimogêneo.

Ainda não há informações oficiais sobre os presos e feridos, mas se sabe que um policial foi atingido por uma pedra, um jornalista teve um ferimento na mão e um cavalo da polícia foi atacado com uma arma branca.

Há 38 anos, o presidente do Chile à época, Salvador Allende, e outros 40 assessores resistiam no palácio presidencial enquanto eram atacados pelo exército do próprio país com dois aviões Hawker Hunter que sobrevoaram nove vezes o edifício, lançando mísseis em sua direção e provocando um grande incêndio.

Quando estava prestes a ser capturado pelos golpistas, Allende mandou que seus assessores deixassem o local e se suicidou com um fuzil AK 47 que havia ganhado de presente de Fidel Castro. Começava assim a ditadura militar chilena, comandada por Augusto Pinochet, que assassinou 3.065 opositores e submeteu 36.948 pessoas a torturas ou à prisão por questões políticas, de acordo com dados oficiais divulgados em agosto. As informações são da Associated Press.

20 de agosto de 2011

Os estudantes chilenos encurralam Piñera e exigem “mudar de modelo"

Os estudantes chilenos encurralam Piñera e exigem “mudar de modelo"

imagem
Crédito: ODiario.info

Carlos Aznárez

Está em curso no Chile um poderoso movimento de mobilização de massas. Teve início e assenta fundamentalmente no protesto estudantil generalizado, mas continuam a somar-se-lhe aliados: mineiros do cobre, ambientalistas, índios mapuches, moradores dos bairros degradados. O governo de Piñera responde com a repressão. Resta saber se a repressão será suficiente para deter um movimento que conta com a simpatia de 80% da população, farta da continuidade do pós-pinochetismo.

Enquanto o governo de Sebastián Piñera se encontra em queda livre em termos de aceitação pública (num ano passou de 47% a 26%, e nem sequer tirou proveito do aniversário do badalado resgate dos mineiros), os seus ministros ligados à área da Educação parecem não encontrar outra via que não seja a repressão para acalmar as manifestações estudantis que têm mobilizado multidões. De facto, nos dias que passam, os estudantes dos ensinos secundário e universitário de todo o país, juntamente com professores e pais e um número considerável de trabalhadores em luta cumprem uma greve nacional e voltam a apossar-se das amplas avenidas de Santiago para mostrar que o movimento que reivindica uma educação mais voltada para a inclusão do que para o lucro está de boa saúde.

A vaga de protesto estudantil – que já conta mais de 60 dias de greve e que mantém a ocupação de numerosas escolas secundárias – já derrubou um ministro emblemático da direita, como era o caso de Joaquín Lavín, e empurra agora contra as cordas o seu sucessor, Felipe Bulnes. Mais ainda: o movimento gerou, em pouco tempo, um clima generalizado de levantamento contra a política de Piñera.

Este ex-empresário da companhia aérea LAN Chile, que chegou à Casa de la Moneda graças aos fracassos sucessivos da “Concertación”, pretendeu, numa primeira fase, ignorar as reivindicações estudantis e, ao constatar que esta táctica não resultava, inventou um “grande acordo social” que tentava superficialmente acolher alguns dos pontos apresentados pelos grevistas. A iniciativa capotou de imediato face ao repúdio por parte de toda a comunidade educativa. Perante esta situação, e ignorando em seguida a contraproposta apresentada pelos estudantes, que assumia igualmente “um grande acordo social”, Piñera depositou a tarefa de resolver o conflito nas mãos dos carabineiros do Chile. Uma instituição que representa, desde o tempo de Pinochet, o símbolo da violência estatal e que, tendo-lhe sido concedida luz verde, arremeteu sobre a multidão estudantil à paulada e com gás. Em apenas duas semanas os calabouços chilenos receberam perto de um milhar de detidos, e este número ameaça continuar a aumentar nos próximos dias.

Entretanto, este processo que nasceu em nome da reivindicação de uma educação pública gratuita e de qualidade, que o governo da “Concertación” não foi capaz de resolver (mas em que aplicou aos jovens da escola secundária a mesma receita repressiva), tornou-se gora um gigantesco movimento que põe em causa toda a estrutura do sistema. Tal como diz Camila Vallejo, a principal dirigente da Confederação de Estudantes do Chile: “cansámo-nos de tanto menosprezo, e não apenas nós mas todo o povo, decidimos não nos deter até ser alcançada uma mudança total nestas anquilosadas estruturas de continuidade do pós-pinochetismo”. Na passada sexta-feira Vallejo foi ameaçada de morte por uma ultra-direitista funcionária do Ministério da Cultura. Trata-se de Tatiana Acuña Selles, que não teve pejo em inspirar-se no ditador Pinochet, afirmando: “Mata-se a cadela e acaba-se com a ninhada”.

Mas nem as ameaças nem a repressão fizeram mossa no estado de espírito da revolta estudantil. Por isso não surpreende que, para além de conquistar as ruas, elevaram a fasquia e repudiam – como fazem os “indignados” espanhóis – os partidos e a política tradicional, e investem, com uma criativa imaginação que não se via no Chile desde o tempo de Salvador Allende, contra a burocracia e a corrupção estatais.

Pela voz dos seus principais porta-vozes – como a própria Camila ou os seus pares Paloma Muñoz e Freddy Fuentes, da Federação Metropolitana de Estudantes Secundários – estão a assumir que estão empenhados, nem mais nem menos, em atacar as raízes “do capitalismo selvagem que vimos suportando desde a ditadura até ao presente”. E vão inclusivamente mais além, falando da necessidade de acabar com a Constituição pinochetista e de convocar uma Assembleia Constituinte que envolva todos aqueles cuja opinião nunca foi ouvida. Assumindo-se como a ponta de um icebergue que até agora se mantivera - tal como grande parte do povo chileno – em atitude passiva, estão a gerar, com as suas marchas animadas e alegres que recordam o Maio francês de 68, um clima generalizado de subida da auto-estima em todos os outros sectores da população que acorrem às ruas para os apoiar.

Por outro lado, a Piñera não faltam conflitos, e é por isso que os mineiros do cobre se juntaram ao apoio à maré estudantil, reivindicando melhores salários e o fim da perseguição aos sindicatos, e o mesmo fizeram os ambientalistas que lutam contra o polémico e controverso projecto HidroAysén que inclui a devastadora construção de cinco centrais hidroeléctricas na Patagónia chilena. E igualmente manifestaram as suas reclamações os mapuches, que há poucas horas foram atacados à bala pelos carabineiros na região de Ercilla, na comuna Temucuicui e, por último, também saíram à rua os moradores chilenos das Callampas (povoados informais, semelhantes aos nossos bairros da lata), juntando às reivindicações dos seus filhos estudantes as suas reivindicações específicas à habitação e ao trabalho digno.

Este cenário complexo de protestos depositou de forma quase natural a direcção nos quadros estudantis, uns “cabros chicos” (jovens valentes) como se diz no Chile, que contam hoje com a simpatia de 80% da população, que vê neles indivíduos não contaminados pela política tradicional que não hesitam em exprimir em voz alta as reivindicações do resto dos cidadãos.

Outro aspecto muito singular deste fenómeno mobilizador é o facto de que nenhuma partido de esquerda possa atribuir-se – sem cair no risco de ser desmentido pelos próprios estudantes – a paternidade desta vaga de descontentamento. Mesmo os movomentos de esquerda extra-parlamentar tiveram que reconhecer que, ao contrário de outras situações não muito distantes, os seus grupos decidiram participar, mas como “acompanhantes” da movimentação estudantil, e deixar que a condução das manifestações seja assumida por esses protagonistas adolescentes e jovens.

O governo, entretanto, continua sem encontrar saída que lhe permita suster o desprestígio. De facto deixou claro nas últimas horas, através do seu porta-voz Andrés Chadwick, que não cederá à pressão para negociar “enquanto prosseguirem as mobilizações de rua”. Em nome de todos os mobilizados deu-lhe resposta Camila Vallejo, que não hesitou em aconselhar o governo, “antes que seja demasiado tarde”, a que “olhe à sua volta e constate que, por fim, já não os tememos”.

Fonte: http://www.odiario.info/?p=2175