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9 de agosto de 2009

UMA REALIDADE LATINO-AMERICANA E O BRASIL - Laerte Braga [*]


Brasileiros, temos sido, historicamente, omissos na luta latino-americana por uma realidade diferente da imposta pelos Estados Unidos. O caso de Honduras é exemplar. A própria História do Brasil se apresenta distinta da História dos países de língua espanhola. O ufanismo de nossas dimensões continentais não nos permitiu perceber, ainda, que nossa realidade se encontra à nossa frente nos países latino-americanos, nunca em Washington.

Percebo com freqüência reações ao termo bolivarianismo, seguidas da pergunta "o que temos com Simon Bolívar?" Temos a pretensão de sermos parte da Europa, a África é apenas uma escala para vôos a Paris e uma ignorância sem tamanho sobre nossas raízes - nacionais -, as raízes dos povos irmãos da América Latina e que não temos sido senão instrumento do capitalismo mais perverso que se possa imaginar, quando achamos que somos hoje os EUA de cinqüenta anos atrás e o destino nos reserva um papel relevante no mundo.

É exatamente como pensávamos na década de 50 do século passado. Que em 2000 seríamos o novo Estados Unidos.

O primeiro ponto é que nenhum país será um novo EUA pelo simples fato que a cada EUA que surgir o fim do planeta fica mais próximo. Leonardo Boff mostrou isso de forma incontestável num artigo magistral a semana passada. Seriam necessários cem planetas semelhantes ao nosso para que todos os países do mundo tivessem o mesmo nível de consumo que os norte-americanos.

Não vamos para a ALCA (embora as elites do país vizinho São Paulo estejam loucas para isso) para não virar um México, depósito de lixo dos EUA e do Canadá, mas não mergulhamos de corpo e alma no processo de transformação e unidade latino-americana porque afinal, são índios, são povos diferentes.

Somos penta-campeões mundiais, somos isso e aquilo, cada dia a Europa ser curva ao Brasil, como gostam de dizer colunistas sociais. Chegam em levas por aqui em busca de bundas de mulheres brasileiras vendidas a um custo baixo por agências de turismo européias e norte-americanos.

O brasileiro não percebe que é colonizado. Sub-EUA. E vai ser sempre assim.

Pensamos como eles, os norte-americanos, mas não vivemos como eles.

E não percebemos que temos sido o agente principal no processo de dominação da América Latina. De golpes de estado, de ditaduras brutais e violentas. Não conseguimos perceber que Obama é um boneco de propaganda e não um presidente. Um garçom e não um chefe de estado e governo.

O que foi o golpe de 1964? O presidente dos EUA Lyndon Johnson designou o general Vernon Walthers para comandar as forças armadas brasileiras, o embaixador Lincoln Gordon para gerenciar o esquema FIESP/DASLU para além das fronteiras de São Paulo, juntaram os latifundiários e se arvoraram em protetores da "democracia".

Enquadraram generais, deputados, senadores, transformaram o País num imenso território ocupado pela ideologia McDonalds e num grande campo de concentração que mais à frente se juntou a outros nos países latino-americanos onde as ditaduras prosperaram, tudo no pomposo nome de Operação Condor.

Fomos apenas os policiais um pouco mais categorizados, mas não menos brutais que os generais chilenos, argentinos, uruguaios, etc.

O governo seguinte, o de Nixon, definiu esse tipo de situação com clareza - "para onde se inclinar o Brasil, se inclinará a América Latina" -.

Lula parece ser aquele sujeito que imagina correr cem metros e quando chega a setenta, percebe que está à frente, pára e começa a afirmar que bastam os setenta para provar que podemos chegar aos cem. Só que aí voltamos ao marco zero.

Mergulhamos em crises desnecessárias com o tal argumento da governabilidade, enfiando numa viola que deveria tocar afinada, músicos de péssima catadura como Sarney, Renan, Jereissati, Virgílio, Serra, Aécio e outros, todos ufanistas com as praias do "meu Brasil."

Onde? Um condomínio fechado no estado do Rio de Janeiro, aquele que o governador está colocando muros para separar as favelas da "civilização," proíbe a circulação de pessoas para chegar a uma determinada praia e aí, na prática, privatiza a praia. É em Parati.

Para o povão, seja classe média inclusive, haja REDE GLOBO, haja VEJA, acha infográfico na FOLHA DE SÃO PAULO, haja ventos monárquicos e escravagistas no ESTADO DE SÃO PAULO e toda mulher acredita que vira modelo e casa com Bradd Pitt, como todo homem acredita que na sua vida vai aparecer uma Madona.

Nesse caso lambuza o sanduíche todo de catchup. Marlene Dietrich dizia que catchup era "coisa de americano que come tudo com gosto de catchup, tudo tem o mesmo gosto". Mas é importante o pacotinho. Aquele que muita gente enfia no bolso antes de sair, no pressuposto que está passando a perna na multinacional, sem saber que ela adora aquilo. Dali a comprar um vidro de litro é um passo.

Nessa presunção toda que somos o Brasil de milhões de quilômetros quadrados não somos nada. Pouco mais que um México, bem menos que um EUA e de costas voltadas para a História.

Se um bando de generais comprados, associados a uma elite podre (semelhante à nossa), dão um golpe de estado e assumem o controle de um país de dimensões territoriais pequenas como Honduras, tudo bem, é um golpe, mas fazer o que?

O problema é deles? Chávez é aquela figura caricata que a GLOBO mostra deliberadamente? Evo é um índio?

Vai fazer o que? Chamar os ossos do general Custer para enfrentar esse bando de Crazy Horse?

O general Heleno para proclamar a república da VALE?

Ouvir do fundo do túmulo a voz de um crápula lato senso, Fernando Henrique Cardoso falando em modernidade?

O conceito de democracia não precisa necessariamente significar o governo da maioria. A maioria não tem a menor idéia que exista vida fora da REDE GLOBO. E um mundo diferente da fantasia do JORNAL NACIONAL. Quando Bonner chama o telespectador padrão de Homer Simpson ele sabe que esse paspalho vai achar engraçado e aceitar conformado esse papel de idiota.

Já foi domado, dominado e está domesticado.

"Pensa como americano, mas não vive como americano."

A luta bolivariana no sentido de se construir uma sociedade socialista, democrática e popular passa pelos movimentos de base. Passa por enfrentar as elites e passa por rejeitar esse modelo em todos os sentidos, perceber que, no máximo, no máximo, o institucional é um instrumento. E de pouca validade.

Toda essa parafernália que chamam de republicana é apenas a camisa de força dos donos, ou o chicote dos senhores de escravos.

Honduras é uma luta de todos os povos latino-americanos. Há que se esgotar todos os recursos possíveis de luta pacífica, mas não se pode descartar a hipótese de enfrentamento aberto dos generais boçais que ocupam o governo a mando das elites e nem de alijar essas elites da forma que for possível de qualquer capacidade de decisão.

Elites são podres, são apátridas e servem a um único dono.

Somos latino-americanos sim. Somos argentinos, chilenos, paraguaios, bolivianos, venezuelanos, hondurenhos, equatorianos. Somos inclusive peruanos e colombianos que enfrentam governos do narcotráfico. Somos nicaragüenses e somos salvadorenhos e hondurenhos.

E se assim não o entendermos breve não seremos um nada maior ainda. Um gigante imóvel e bobalhão dominado por elites desavergonhadas e fétidas.

O golpe em Honduras sinaliza, o primeiro sinal, que é hora de nos aprontarmos para lutas muito maiores, de maior envergadura. Daqui a pouco designam para cá um general como fizeram em 1964 e um embaixador para abrir portas da frente e dos fundos para toda a súcia que controla o Brasil.

E dizem que os irmãos da América Central são de "repúblicas bananas". São não. Estão lutando, dando vidas pela liberdade. Cuba está aí de pé. Bananas somos nós.

[*] Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, trabalhou no Estado de Minas e no Diário Mercantil.

7 de agosto de 2009

SETE PUNHAIS NO CORAÇÃO DE AMÉRICA - Por Fidel Castro


Leio e torno a ler dados e artigos realizados por personalidades inteligentes, conhecidas ou pouco conhecidas, que escrevem para diversos meios e extraem a informação de fontes que não questionadas por ninguém.

Os povos que habitam o planeta, em todas as partes, correm riscos econômicos, ambientais e bélicos, derivados da política dos Estados Unidos da América, mas em nenhuma outra região da terra vem-se ameaçados por tão graves problemas como seus vizinhos, os povos localizados neste continente ao Sul daquele país hegemônico.

A presença de tão poderoso império que em todos os continentes e oceanos dispõe de bases militares, porta-aviões e submarinos nucleares, navios de guerra modernos e aviões de combate sofisticados, portadores de todo o tipo de armas, centos de milhares de soldados, cujo governo reclama para eles impunidade absoluta, constitui a dor de cabeça mais importante de qualquer governo, seja de esquerda, centro ou direita aliado ou não dos Estados Unidos da América.

O problema, para os que somos seus vizinhos, não é que lá se fale outra língua e seja uma nação diferente. Há norte-americanos de todas as cores e todas as origens. São pessoas iguais do que nós e capazes de qualquer sentimento em um senso ou outro. A questão dramática é o sistema que foi desenvolvido ali e imposto a todos. Tal sistema não é novo ao respeito do uso da força e os métodos de domínio que tem prevalecido ao longo da história. O novo é a época que nós vivemos. Tratar o assunto desde pontos de vista tradicionais é um erro e não ajuda ninguém. Ler e saber o que pensam os defensores do sistema, ilustra muito, porque significa estar cientes da natureza de um sistema apoiado na constante apelo ao egoísmo e aos instintos mais primários das pessoas.

Caso não existir a convicção do valor da consciência, e sua capacidade de prevalecer sobre os instintos, não poderia expressar-se sequer a esperança de mudança em qualquer período da brevíssima história do homem. Também não poderiam compreender-se os terríveis obstáculos que encaram os diferentes líderes políticos nas nações latino-americanas ou ibero-americanas do hemisfério. Em último termo, os povos que viviam nesta área do planeta desde há dezenas de milhares de anos, até a famosa descoberta da América, não tinham nada de latinos, de ibéricos ou de europeus; suas características eram mais parecidas à dos asiáticos de onde procederam seus antepassados. Hoje os vemos nas faces dos índios de México, América Central, Venezuela, Colômbia, Equador, Brasil, Peru, Bolívia, Paraguai e Chile, um país onde os araucanos escreveram páginas inesquecíveis. Em certas zonas do Canadá e no Alasca conservam suas raízes indígenas com toda a pureza possível. Mas no território principal dos Estados Unidos da América a grande parte dos antigos povoadores foi exterminada pelos conquistadores brancos.

Como todo o mundo sabe, milhões de africanos foram tirados de suas terras para trabalhar como escravos neste hemisfério. Em algumas nações como Haiti e grande parte das ilhas do Caribe, seus descendentes constituem a maioria da população. Em outros países formam amplos setores. Nos Estados Unidos da América os descendentes de africanos constituem dezenas de milhões de cidadãos que, geralmente, são os mais pobres e discriminados.

Ao longo de séculos essa nação reclamou direitos privilegiados sobre o nosso Continente. Nos anos de Martí tentou impor uma moeda única baseada no ouro, um metal cujo valor tem sido o mais constante o longo da história. Geralmente o comércio internacional baseia-se nele. Hoje nem sequer isso. Desde os tempos de Nixon, o comércio mundial foi instrumentado com notas de papel impresso pelos Estados Unidos de América: o dólar, uma divisa que hoje tem um valor por volta de 27 vezes menor do que no começo da década dos 70, uma das tantas maneiras de dominar e calotear o resto do mundo. Hoje, no entanto, outras divisas substituem o dólar no comércio internacional e nas reservas de moedas conversíveis.

Se por um lado as divisas do império são desvalorizadas, por outro suas reservas militares crescem. A ciência e a tecnologia mais moderna, monopolizada pela superpotência, foram orientadas consideravelmente para o desenvolvimento das armas. Atualmente não se fala só em milhares de projéteis nucleares, ou do poder destrutivo moderno das armas convencionais; se fala em aviões sem pilotos, tripulado por autômatos. Não se trata uma simples fantasia. Já estão sendo usadas algumas naves aéreas desse tipo no Afeganistão e outros pontos. Recentes relatórios mostram que em um futuro relativamente próximo, no 2020, muito antes de que o casquete do Antártida se derreta, o império, entre seus 2 500 aviões de guerra, projeta dispor de 1100 aviões de combate F-35 e F-22, em suas versões de caça e bombardeiros da quinta geração. Pará para ter uma idéia desse potencial, baste dizer que os que dispõem na base de Soto Cano, nas Honduras, para o treinamento de pilotos desse país são F-5; os que forneceram às forças aéreas, da Venezuela, antes de Chávez, ao Chile e outros países, eram pequenas esquadrilhas de F-16.

Mais importante ainda, o império projeta que no decurso de 30 anos todos os aviões de combate dos Estados Unidos da América, desde os caças até os bombardeiros pesados e os aviões cisterna, serão tripulados por robôs.

Esse poderio militar não é uma necessidade do mundo, é uma necessidade do sistema econômico que o império impõe ao mundo.

Qualquer um pode entender que se os autômatos podem substituir aos pilotos de combate, também podem substituir aos operários em muitas fábricas. Os acordos de livre comércio que o império tenta de impor aos países deste hemisfério, implica que os trabalhadores terão que competir com a tecnologia avançada e os robôs da indústria ianque.

Os robôs não fazem greves, são obedientes e disciplinados. Já vimos pela televisão às máquinas que coletam às maçãs e outras frutas. É necessário fazer também a pergunta aos trabalhadores norte-americanos. Onde estarão as vagas? Qual é o futuro que o capitalismo sem fronteiras, em sua fase avançada do desenvolvimento designa aos cidadãos?

Ao lumiar de esta e de outras realidades, os governantes dos países da UNASUL, do MERCOSUL, do grupo de Rio e de outros, não podem deixar de analisar a justa pergunta venezuelana. Qual é o sentido das bases militares e navais que os Estados Unidos querem estabelecer ao redor da Venezuela e no coração da América do Sul? Lembro que há vários anos, quando entre a Colômbia e a Venezuela, duas nações irmãs pela geografia e pela história, as relações viraram perigosamente tensas, Cuba promoveu em silêncio importantes passos de paz entre ambos os países. Os cubanos jamais estimularemos a guerra entre países irmãos. A experiência histórica, o destino manifesto proclamado e aplicado pelos Estados Unidos, e a fraqueza das acusações contra a Venezuela de fornecer armas às FARC, associadas às negociações com o propósito de conceder sete pontos do seu território para uso aéreo e naval das Forças Armadas dos Estados Unidos, obrigam iniludivelmente a Venezuela a fazer investimentos em armas, recursos que poderiam ser empregues na economia, nos programas sociais e na cooperação com outros países da área com menos desenvolvimento e recursos. Não se arma a Venezuela contra o povo irmão da Colômbia, arma-se contra o império, que tentou já derrocar a Revolução e hoje tenta instalar nos arredores da fronteira venezuelana as suas armas sofisticadas.

Seria um erro grave pensar que a ameaça é apenas contra a Venezuela; é dirigida a todos os países do Sul do continente. Nenhum poderia iludir o tema e dessa maneira o têm declarado vários deles.

As gerações presentes e futuras julgarão os seus líderes pela conduta que adoptarem neste momento. Não se trata só dos Estados Unidos, mas sim dos Estados Unidos e do sistema. O que é que oferece? O que é que busca?

Oferece a ALCA, isto é, a ruína antecipada de todos os nossos países, o livre trânsito de bens e de capital, mas não livre trânsito de pessoas. Agora experimentam o temor de que a sociedade opulenta e consumista seja alagada de latinos pobres, índios, negros e mestiços ou brancos sem emprego em seus próprios países. Devolvem todos aqueles que cometem um erro ou sobram. Muitas vezes matam-nos antes de entrarem, ou os retornam como rebanhos quando não precisam deles; 12 milhões de imigrantes latino-americanos ou caribenhos são ilegais nos Estados Unidos. Em nossos países surgiu uma nova economia, principalmente nos mais pequenos e pobres: a das remessas. Quando há crise, ela fustiga, sobretudo os imigrantes e seus familiares. Pais e filhos são separados de maneira cruel, às vezes para sempre. Se o imigrante tem idade militar, outorgam-lhe a possibilidade de alistar-se para combater a milhares de quilômetros de distância, “em nome da liberdade e da democracia”. Quando regressam, se não morrem, lhe é concedido o direito a serem cidadãos dos Estados Unidos. Como estão bem treinados oferecem-lhe a possibilidade de serem contratados não como soldados oficiais, mas sim como civis soldados das empresas privadas que prestam serviços nas guerras imperiais de conquista.

Existem mais outros gravíssimos perigos. Constantemente chegam notícias dos emigrantes mexicanos e de outros países de nossa área que morrem quando tentam atravessar a atual fronteira entre o México e os Estados Unidos. Todos os anos a cota de vítimas ultrapassa com cresces a totalidade dos que perderam a vida nos quase 28 anos de existência do famoso muro de Berlim.

O mais incrível ainda é que quase não circula pelo mundo a notícia de uma guerra que neste momento custa milhares de vidas por ano. Em 2009, já morreram mais mexicanos do que os soldados norte-americanos que morreram na guerra de Bush contra o Iraque ao longo de toda sua administração.

A guerra no México foi desatada por causa do maior mercado de drogas que existe no mundo: o dos Estados Unidos. Porém, dentro de seu território não existe uma guerra entre a polícia e as forças armadas dos Estados Unidos lutando contra os narcotraficantes. A guerra foi exportada para o México e a América Central, mas principalmente para o país asteca, o mais próximo do território dos Estados Unidos. São horríveis as imagens divulgadas pela televisão, de cadáveres amontoados e as notícias que chegam de pessoas assassinadas nas próprias salas cirúrgicas onde tentavam salvar-lhes a vida. Nenhuma dessas imagens procede de território norte-americano.

Essa onda de violência e sangue estende-se em maior ou menor grau pelos países da América do Sul. Donde provém o dinheiro senão do infinito manancial que emerge do mercado norte-americano? Por sua vez, o consumo tende também a se estender aos outros países da área, causando vítimas e mais dano direto ou indireto do que a AIDS, o paludismo e outras doenças juntas.

Os planos imperiais de dominação vão precedidos de enormes somas designadas para as tarefas de mentir e desinformar a opinião pública. Para isso contam com a total cumplicidade da oligarquia, da burguesia, da direita intelectual e da mídia.

São especialistas em divulgar os erros e as contradições dos políticos.
A sorte da humanidade não deve ficar nas mãos de robôs convertidos em pessoas ou de pessoas convertidas em robôs.

No ano 2010, o governo dos Estados Unidos utilizará 2 200 milhões de dólares através do Departamento de Estado e da USAID para promover sua política, 12% a mais do que os recebidos pelo governo de Bush no último ano do seu mandato. Deles, quase 450 milhões serão destinados a demonstrar que a tirania imposta ao mundo significa democracia e respeito aos direitos.

Apelam constantemente ao instinto e ao egoísmo dos seres humanos; desprezam o valor da educação e da consciência. É evidente a resistência demonstrada pelo povo cubano ao longo de 50 anos. Resistir é a arma à qual não podem renunciar jamais os povos; os porto-riquenhos conseguiram fazer com que acabassem as manobras militares em Vieques, colocando-se no polígono de tiro.

A pátria de Bolívar hoje é o país que mais lhes preocupa, por seu papel histórico nas lutas pela independência dos Povos da América. Os cubanos que ali prestam seus serviços como especialistas na saúde, educadores, professores de educação física e desportos, informática, técnicos agrícola, e outras áreas, devem dá-lo tudo no cumprimento dos seus deveres internacionalistas, para demonstrar que os povos podem resistir e serem portadores dos princípios mais sagrados da sociedade humana. Caso contrário o império destruirá a civilização e própria espécie.


Fidel Castro Ruz
Agosto 5 de 2009
11h16