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11 de setembro de 2011

O ONZE DE SETEMBRO. Por: Laerte Braga


Laerte Braga
A multidão que foi convocada a ir ao chamado marco zero – local onde existiam as torres gêmeas do World Trade Center – recebeu Obama com frieza e Bush com entusiasmo. É o que relatam as principais agências de notícias do mundo.

Os países latino-americanos em 1970, à exceção da Venezuela, Colômbia e Chile estavam sob controle de ditaduras militares instaladas pelos Estados Unidos. E apenas os governos de Cuba e do Chile se opunham ao império do norte. À época os norte-americanos estavam empenhados em sua “cruzada” no Vietnã, de onde saíram derrotados política e militarmente depois de causar mais de um milhão de mortes e destruir boa parte do país com armas químicas e biológicas (o agente laranja, usado hoje no agro negócio, o transgênico e nas lavouras do latifúndio).

No Brasil, em 1964, os Estados Unidos assumiram o controle do País. Designaram o general Vernon Walthers para o comando das forças armadas brasileiras (a parte nazi/fascista) e derrubaram o governo democrático de João Goulart. Documentos secretos revelados nos EUA mostram que nos dias do golpe a IV Frota norte-americana estava pronta a intervir em nosso País caso os golpistas não conseguissem dar conta do recado. O nome da operação era BROTHER SAM e foi revelada pelo extinto JORNAL DO BRASIL através do jornalista Marcos Sá Corrêa.

Um expurgo nas forças armadas brasileiras (militares legalistas foram presos, expulsos, reformados) colocou o País a reboque dos interesses norte-americanos e lotaram as prisões de adversários. A tortura era a regra geral desses patriotas. A barbárie e a violência eram os princípios.

Obama leu um salmo nas comemorações em homenagem às vítimas do onze de setembro. É claro que o salmo diz que Deus é norte-americano e habita em New York. Pode gerar uma disputa com Tel Aviv, pois os nazi/sionistas que governam Israel costuma alegar ser os “proprietários” de Deus.

O terrorista George Bush foi ovacionado pela massa ensandecida e dirigida pela grande campanha feita pela mídia para transformar um ato de guerra num ato terrorista. O medo gerado pela mídia a paranóia que viveram os norte-americanos nesta semana que se finda.

Milhões de homens, mulheres e crianças já foram assassinados nas guerras pós onze de setembro para “libertar” o mundo. Campos de concentração como Guantánamo, tortura autorizada no Ato Patriótico, prisões secretas, missões militares em função de interesses econômicos (sempre o petróleo e agora a água também).

A morte de inocentes – são inocentes as vítimas, lógico, como inocentes/estúpidos os que acreditam no american way life e moram em barracas, trailers, debaixo de pontes, etc, enquanto bancos e empresas se regalam com os bônus do governo qualquer que seja ele. Obama ou Bush – transformada em espetáculo eleitoral. Obama tenta dar a arrancada para as eleições do próximo ano e Bush dar uma ajuda aos republicanos. Um dos pretendentes de seu partido é Jeb Bush, seu irmão, ex-governador da Flórida e que fraudou uma das seções eleitorais que permitiu a vitória do irmão derrotado nos votos populares.

Em onze de setembro de 1973 o presidente do Chile, eleito pelo voto, Salvador Allende, foi derrubado por um golpe militar montado pela CIA (documentos secretos do governo norte-americano tornados públicos como manda a lei naquele país e depois de um determinado período, contam toda a história).

O Brasil através dos militares que governavam o nosso País foi cúmplice da barbárie. Numa extensão do controle dos EUA sobre as forças armadas de países que viviam regimes ditatoriais, líderes de oposição foram assassinados ao longo do tempo que os golpes sobreviveram. Caso do general chileno Carlos Pratts, que se recusou a participar do golpe de Pinochet (era um homem de confiança de Allende, mas a mala de dinheiro da CIA falou mais alto na hora agá).

Milhares de chilenos foram presos, torturados, submetidos a toda a sorte de violência e estupidez (características de militares golpistas). Como aconteceu com milhares de brasileiros, argentinos, uruguaios, paraguaios, peruanos e povos da América Central). E recentemente com Honduras e com hondurenhos.

A boçalidade do império norte-americano não tem limites.

A asfixia econômica do Chile foi a arma usada pela CIA com a cumplicidade de empresários, banqueiros e latifundiários para derrubar Allende. Banqueiros, latifundiários e grandes empresários não têm pátria, só interesses. É assim no mundo inteiro e o povo norte-americano começa a provar desse veneno na grande crise que assola o país e a grande mídia – podre e venal – silencia.

Um por cento do poder destruidor de uma bomba atômica foi a força do ataque às torres gêmeas. É o que revelam os jornalistas dos EUA Jim Dweyer e Kevin Flynn, no livro “102 MINUTOS – A HISTÓRIA INÉDITA DA LUTA PELA VIDA NAS TORRES GÊMEAS”.

Os norte-americanos despejaram em 1945 duas bombas atômicas sobre o Japão, nas cidades de Hiroshima e Nagazaki, numa guerra que já estava ganha, apenas para testar os efeitos do “artefato” e mostrar ao mundo quem de fato mandava e manda.

Foi o maior atentado terrorista da história. O onze de setembro foi um ato de guerra. De uma guerra que os EUA começaram e mantêm em vários cantos do mundo na “missão divina” de levar liberdade e saquear riquezas (petróleo principalmente).

O onze de setembro gerou uma histeria da mídia em todo o mundo. No Brasil os canais da REDE GLOBO produziram programas em torno do ataque e seguiram a orientação de Washington ao dizer que é possível a repetição de um ato semelhante.

O medo gerado pelas imagens como forma de justificar boçalidade. No caso da GLOBO um faturamento extra, lógico e o rastejar humilhante de uma rede de comunicação corrupta, fétida e dominada de fora para dentro.

Usaram, aqui e em todo o mundo, nos EUA principalmente, de imagens de horror e sofrimento para justificar o horror e o sofrimento que infligem a povos outros em todo o mundo.

Obama e Bush cumpriram seus papéis de faces visíveis do terrorismo de Estado.

O onze de setembro gerou a maior organização terrorista do mundo. ISRAEL/EUA/TERRORISMO S/A.

Especialista em destruição, em saques, em extorsão, em chantagens, assassinatos, tortura, estupros, todo o leque de boçalidade que se possa imaginar e tudo em nome de Deus, o deles.

O espetáculo dirigido a partir da Casa Branca neste onze de setembro tem um objetivo. Manter vivo o medo, o pânico, consolidar mentiras, justificar presentes e futuras ações de terrorismo do complexo nazi/fascista a ressurreição do Reich de Hitler.

Causam engulhos tanto a imagem de dois criminosos – crimes contra a humanidade – Obama e Bush orando e falando em liberdade, como a histeria da mídia comprada nas besteiras ditas durante toda a semana.

A melhor imagem, no duro mesmo, talvez outras tantas, é aquela da menina vietnamita fugindo com o corpo queimando pela explosão de bombas de napalm, dilacerada pela “liberdade” do terrorismo norte-americano, na guerra do Vietnã.

Não creio que os bárbaros, como são chamados alguns povos da antiguidade, tenham atingido tal nível de estupidez como os norte-americanos e seus proprietários os sionistas, nos dias atuais.

Que o digam, se puderem e da forma que puderem, os mortos do onze de setembro, de todas as guerras estúpidas dos norte-americanos, usados e transformados em espetáculo no show de um mundo dominado pelo terror. Mas o terror dos que guardam arsenais capazes de destruir o planeta cem vezes se necessário for.E já mostraram que o fazem.

Hiroshima e Nagazaki.  

Estão buscando um tipo de Oscar. Obama e Bush. O da barbárie. 

16 de agosto de 2011

“Comoção e pavor” nos Estados Unidos pelo ataque dos talibãs

“Comoção e pavor” nos Estados Unidos pelo ataque dos talibãs


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Crédito: Nordeste1.com.br
Pepe Escobar (Asia Times Online)

Traduzido do inglês para Rebelión por Germán Leyens

É preciso falar de um duplo golpe. Não bastou a Standard Poor's rebaixar a qualificação creditícia dos Estados Unidos; com uma sincronização impecável e aparentemente de um só tiro, os talibãs, no Afeganistão, diminuíram simultaneamente o valor da colossal maquinaria bélica do império.

Por mais que a elite do poder dos Estados Unidos se negue a aceitar que sua crise financeira foi causada por anos de cortes tributários de George W. Bush para os ricos e para as megacorporações, massivos resgates de bancos e companhias seguradoras e astronômicas despesas militares no declínio do Pentágono da Guerra Prolongada, a elite também se negará a reconhecer que a “nova” estratégia da guerra no Afeganistão também é um fracasso.

Chinook derrubado

O ruído desse helicóptero de transporte Chinook CH-47 derrubado por uma granada propulsada por foguete (RPG) na província de Wardak, ao sudoeste de Kabul, na sexta-feira, matando 38 pessoas, incluindo 19 SEAL (tropas especiais) da Armada norte-americana e sete comandos afegãos, foi o som digital full do império comovido e intimidado até à incredulidade; não importa quantos esforços faça o Pentágono para ordenar praticamente aos meios que “não dêem demasiada importância” à derrubada.

Wardak, junto com a vizinha Logar, é agora um terreno de primeira de "Talibanistão". Estão arraigados, conhecem o terreno em detalhes e, inclusive, têm tempo para preparar operações complexas. Além disso, os talibãs estão “conseguindo progresso” (jargão do Pentágono) não só em sua perícia nas relações públicas e na adaptação de novas armas para o campo de batalha, mas também na mecânica de dar um importante golpe psicológico nas forças ocupantes ocidentais.

Os SEAL fazem parte de uma enorme força de tarefas de 10.000 homens do Comando Conjunto de Operações Especiais (JSOC, suas siglas em inglês), com base no Afeganistão, que participou em até 70 incursões diárias em AfPak, capturando – segundo relato do Pentágono – 2.900 “insurgentes” e matando mais de 800 entre abril e julho. O alcance global do JSOC foi analisado em um artigo de Nick Turse (ver Rebelión de 7 de agosto “Uma guerra secreta em 120 países”)

Os SEAL mortos em Wardak faziam parte da mesma unidade, a Equipe 6, envolvida no ataque a Abbottabad, que matou o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, a princípios de maio. Mas em vez de voar em um dos helicópteros ‘ocultos’ de última tecnologia do 160º Regimento de Operações Especiais de Aviação do exército, os SEAL em Wardak faziam parte de uma operação de resgate, e viajavam em um Chinook da Guarda Nacional.

Enquanto decolavam, caíram em uma armadilha dos talibãs e foram atingidos por uma RPG – o que o blog detalhista Danger Room no site Wired identificou como um obus com apoio improvisado de morteiro (IRAM) - que levava uma ogiva maior que uma RPG disparada do ombro.

Segundo o porta-voz talibã Zabiullah Mujahid, foi certamente “uma arma similar a uma RPG… e estamos tentando conseguir mais”.

Portanto, supondo que o IRAM – que emigrou dos campos de batalha iraquianos – é agora, também, um protagonista no Afeganistão, poderia ser qualificado como retorno de um remix do Stinger. Durante os anos 80 na jihad afegã contra a União Soviética foi um importante fator que mudou as regras do jogo quando os Estados Unidos forneceram centenas de letais Stinger aos mujahideen, causando estragos entre os helicópteros do poderoso Exército Vermelho.

Uma comparação minuciosa entre as operações de Abbottabad e de Wardak poderá causar muito assombro, além de reinventar o mito dos SEAL da Armada como formidáveis caçadores-assassinos invencíveis. Em Abbottabad, enquanto entregavam uma versão atrás da outra do ataque aos meios, finalmente estabeleceu-se que um helicóptero ‘oculto’ simplesmente “se estilhaçou”. Ninguém sabe se foi um erro do piloto ou se dispararam no helicóptero.

O fato é que a “queda” deixou uma parte da cauda intacta do helicóptero ‘oculto’ dentro do complexo. Esse pedaço de cauda fez com que o Pentágono temesse que o mesmo pudesse ser “vendido” pelos paquistaneses aos chineses. É um pouco demais achar que a queda não causou vítimas, como o Pentágono e a Casa Branca fazem crer.

E como a narrativa do ataque a Bin Laden se modificou mais de uma vez, as mentes febris já vinculam essas vítimas com as baixas de Wardak, implicando que os SEAL que realmente morreram na queda em Abbottabad "voltaram a morrer" em Wardak. Não ajuda em nada que as versões iniciais do ataque de Wardak (posteriormente corrigidas ou modificadas) identificassem os SEAL como os mesmos que participaram no ataque para “matar Obama”.

Passa-me o joystick

Após o ataque de Wardak, o novo chefe do Pentágono apareceu com o usual discurso no Afeganistão de “manter o curso”, enquanto os meios corporativos vomitavam que “está sendo programado para que todas as tropas de combate estrangeiras partam antes do final de 2014”. Porém todos sabem que o Pentágono nunca voltará atrás, morrerá e aceitará esse tipo de saída.

O que Wardak fez foi reforçar a ideia do Pentágono de que o governo de Kabul carece totalmente de preparo para manter a segurança em todo o país, sem importar o fato de que a maioria dos afegãos quer que os estrangeiros saiam para sempre. Enquanto a Casa Branca e o Pentágono cantam sua versão num remix de “Should I Stay or Should I Go” (Fico ou vou) do The Clash, tudo o que os talibãs têm de fazer é esperar pacientemente em silêncio (odeiam a música pop). Sabem que o fato de Kabul se fazer cargo da segurança nacional só reforçará sua posição estratégica.

É surpreendente (ou talvez não o seja) que a elite do poder de Washington simplesmente não se dê conta de que o império foi impiedosamente golpeado pelos talibãs durante o último mês. Os talibãs mataram o meio-irmão do presidente Hamid Karzai, senhor da droga e agente da CIA, Ahmad Wali. Mataram pessoas em seu funeral. Mataram o chefe de relações tribais de Karzai e um membro do Parlamento. E mataram o prefeito de Kandahar, Ghulam Hamidi.

Não faz muito tempo – no outono de 2010 – falava-se que os Estados Unidos e a OTAN se ocupariam de Kandahar em uma grande ofensiva de contrainsurgência e que ganhariam para sempre a guerra contra os talibãs.

Agora deixaram de lado essa afirmação devido aos fatos ocorridos. No entanto, seu artista conceitual – de forma típica para Washington – foi chutado. No Iraque, o general David Petraeus apresentou um truque de ilusionista e convenceu a todos em Washington de que sua ofensiva repentina e a contrainsurgência de 2007 foi um sucesso.

No Afeganistão, caiu uma rocha do Hindu Kush na cabeça de Petraeus. Em todo caso, foi promovido a chefe da CIA, de modo que outros serão os culpados. E enquanto caem mais Chinook no Afeganistão, pelo menos poderá ser divertido com o joystick, concentrando-se divertidamente em atacar mortalmente com drones as áreas tribais do Paquistão.

Pepe Escobar é correspondente itinerante do Ásia Times On-line e autor de “Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War” (Nimble Books, 2007) e “Red Zone Blues: a snapshot of Baghdad during the surge”. Seu último livro foi “ Obama does Globalistan” (Nimble Books, 2009). Pode ser contatado através do e-mail: pepeasia@yahoo.com .

Fonte: http://www.atimes.com/atimes/South_Asia/MH10Df01.html

Traduzido do espanhol por Valeria Lima

8 de agosto de 2011

Congresso dos Estados Unidos: um clube exclusivo para milionários

Congresso dos Estados Unidos: um clube exclusivo para milionários


imagemCrédito: Resumen


Deisy Francis Mexidor

Os milionários norte-americanos se multiplicam dentro do Congresso do país, utilizando este espaço para multiplicar suas ganâncias.

Resumen Latinoamericano/Prensa Latina – Enquanto milhões de famílias norte-americanas tentam se manter à tona em meio à atual crise econômica, a riqueza pessoal dos lideres do Congresso desse país se expande ano após ano.

Assim confirma a página digital Open Secrets, ao publicar fotos, estatísticas e avaliações dos “mais do Congresso”, uma seleta lista que encabeça o republicano Darell Issa, da Califórnia, cujo patrimônio se estima em mais de 251 milhões de dólares.

Aparecem na lista, entre outros, os democratas Jane Harman, também da Califórnia (244,7 milhões); Herb Kohl, democrata de Wisconsin, com uns 214,5 milhões; Mark Warner, da Virgínia (209,7 milhões) e John Kerry, senador por Massachussetts (208,8 milhões).

É curioso o dado, porque quando só um por cento de todos os residentes dessa nação pertence à classe dos milionários – segundo a própria página –, no Congresso, entre 40 e 50 por cento dos legisladores conta vários “zeros” à direita de seus ativos.

Uma investigação baseada nos dados de informação financeira federal confirmou, por sua parte, que 261 dos que ocupam postos no Capitólio (435 na Câmara de Representantes e 100 no Senado) são ricos.

De acordo com a análise, um a cada cinco deles possuem bens de, ao menos, 10 milhões de dólares. No entanto, a fortuna de oito ascende a 100 milhões de dólares ou mais.

Por exemplo, entre 2008 e 2009 – em meio à recessão –, a riqueza coletiva dos membros do Legislativo e aumentou em mais de 16 por cento, revelou um estudo publicado pelo Centro por uma Política Responsável.

Essa riqueza em expansão dos líderes e membros do Congresso, em sentido geral, se traduz em que um número significativo possui interesses nas principais companhias dos setores de saúde e serviços financeiros.

Suas ações se colocam, fundamentalmente, no Bank of America, Goldman Sachs, Wells Fargo, JPMorgan Chase y Citigroup, Pfizer, Johnson & Johnson e Merck. Os mesmo que recebem o dinheiro dos impostos federais, exploram a especulação imobiliária e fazem desatar a crise.

Os ganhos dos membros do Congresso subiram 19 por cento durante o ano passado (908 mil 255 dólares), enquanto os investimentos nacionais caíram 15 por cento.

É um mundo financeiro muito distante dos seus eleitores, opinou Sheila Krumholz, diretora executiva do Centro para Políticas Responsáveis.

A raiz do assunto está em que, nas sociedades capitalistas, tudo se move e desenvolve em benefício dos que donos do capital, segundo afirma, em entrevista à Prensa Latina, Manuel E. Yepe, analista de temas internacionais.

“Quem possui mais, pode mais”, destaca. “A vida é uma concorrência que se decide pela riqueza pessoal que cada um acumule. Todas as leis, regulamentos e até os costumes estão dirigidos a premiar os mais ricos. Os filhos se preparam, desde o nascimento, para serem competitivos”.

O sistema eleitoral norte-americano é, particularmente, exigente quanto à necessidade de dispor de muito dinheiro para participar nas eleições, argumenta.

“É uma aposta”, diz. “Quem reúne mais dinheiro para a campanha, unindo capital próprio ao que outros doam, em troca de benefícios posteriores derivados do exercício do cargo a que se aspira, será o candidato eleito”.

Na disputa por um mandato, o apoio que têm os candidatos provêem das grandes corporações representadas pelos conhecidos “lobbies”, que participam da festa eleitoral. São eles que respaldam aqueles que “oferecem aos seus mandantes garantias suficientes”.

Para Yepe, “ainda que, entre eles, existam aqueles que atuam, até certo ponto, com arranjo a determinados interesses de seus eleitores, o establishment está organizado de maneira que o dinheiro mande, não só no mercado, mas em todas as relações sociais”.

O mundo da bolha

Todo dia 15 de maio, os dentetores dos altos cargos do Poder Executivo apresentam os formulários correspondentes ao ano natural anterior, com os detalhes de suas finanças pessoais.

Por lei, devem declarar seus ativos e passivos, seus ingressos (sem incluir os salários do governo), os presentes que receberam, entre outras notificações e as evidências mostram um setor cada vez mais distante daqueles que, supostamente, representam.

Não relacionam seus salários, contudo o subsídio anual oficial dos membros de cada câmara é de 175 mil dólares, ainda que também desfrutem de uma série de benefícios, como o pagamento de gastos de viagem.
Os bens médios de um representante do Congresso alcançaram os 765 mil dólares, em 2009, em comparação com os 645 mil de 2008, enquanto os de um senador chegaram a quase 2,38 milhões de dólares, frente aos 2,27 milhões do ano anterior.

Soa até irônico num país onde muitos perderam seus empregos, suas poupanças minguaram e os valores de suas residências caíram.

Alguns analistas opinam que poucos legisladores federais assumem a existência de males financeiros, como o desemprego, a falta de moradia e a diminuição das poupanças de que padecem milhões de norte-americanos.
Simplesmente porque eles “estão entre os mais ricos norte-americanos e lidam com quantidades de dinheiro que são impensáveis para a maioria de seus representados”.

Os dados mais recentes do Departamento de Trabalho sustentam que o índice nacional de desemprego está em 9,2 por cento e ainda não se pode recuperar os 8,4 milhões de postos de trabalho perdidos durante a crise.

O atual debate no Legislativo não apresenta um acordo entre democratas e republicanos em torno da elevação do teto da dívida pública da nação.

Os Estados Unidos possuem uma dívida externa que subiu de 10,701 bilhões, em final de junho de 2010, para 14,29 bilhões, em abril de 2011.

Em maio, o país ultrapassou o limite atual de endividamento autorizado, porém seguiu funcionando com ajustes e transferências de pagamentos, que são normais dentro do Departamento do Tesouro.

No entanto, além do 2 de agosto, como alertaram o presidente Barack Obama e vários porta-vozes de sua administração e de seu partido, o país encara um déficit de pagamentos, o que, nas palavras do chefe da Reserva Federal, Ben Bernanke, seria uma “catástrofe”.

As negociações com os republicanos – que são na atualidade maioria na Câmara dos Representantes –, foram paralisadas pela oposição tenaz a qualquer aumento do endividamento que não esteja equiparado com os corte nos gastos do governo aos programas sociais.

Esses cortes afetariam aos mais necessitados e aos setores de menor renda. No entanto, não permitem que elevem os impostos aos mais ricos. E adivinhem quem são esses privilegiados?

Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/index.php?option=com_content&task=view&id=2888&Itemid=1&lang=en

Tradução: Maria Fernanda M. Scelza

23 de agosto de 2009

“TODOS COMETERAM CRIMES” – TODOS QUEM CARA PÁLIDA? - Por: Laerte Braga

Em abril de 1964 militares comandados pelo general Vernon Walthers e subordinados no todo ao embaixador dos EUA no Brasil, Lincoln Gordon, com apoio da IV Frota daquele país, em águas territoriais brasileiras, depuseram o presidente constitucional do Brasil João Goulart e tomaram de assalto o poder. Iniciava-se um período de vinte anos de ditadura cruel e sanguinária, num processo de transformação do Brasil em colônia de interesses dos grandes grupos econômicos que controlam o mundo a partir de Washington e Wall Street.

O Brasil foi um dos muitos países latino-americanos onde os EUA compraram parte expressiva das forças armadas para sustentar ditaduras de extrema-direita. Esse tipo de ação aconteceu na África e na Ásia e obedecia à chamada doutrina de segurança nacional formulada numa comissão conhecida como Tri-lateral (AAA – América, África e Ásia). Da comissão, entre agências do governo dos EUA, faziam parte fundações como a FORD e a ROCKFELLER, representando interesses de grupos privados. A Fundação FORD hoje tenta controlar a Conferência Nacional de Comunicação convocado no Brasil para dezembro.

Quer ajudar a manter o monopólio da mentira, a chamada grande mídia.

Um ano após o golpe militar eleições para governador de dois dos maiores estados brasileiros, Minas e o antigo estado da Guanabara, mostraram que os ditadores não conseguiriam manter a farsa democrática que revestiu o golpe e foram extintos partidos políticos, imposto o bi-partidarismo, as eleições indiretas para governos estaduais, criados mecanismos para o controle do Parlamento e de assembléias legislativas e acelerado o processo que montou um impressionante aparelho repressivo, sem o qual a ditadura não teria conseguido sobreviver.

Milhares de resistentes foram presos, outros se buscaram asilo em países mundo afora e muitos torturados, estuprados e assassinados em prisões brasileiras. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife eram os principais centros de tortura.



O aparelho repressivo foi montado numa espécie de complexo entre militares, policiais estaduais sob controle de Brasília e empresa privada. Um deles, a OBAN – OPERAÇÃO BANDEIRANTES – teve a participação de empresas como a Mercedes Benz, a Supergasbras, jornais como a FOLHA DE SÃO PAULO (emprestava seus veículos para o transporte de presos torturados e que eram assassinados e desovados em partes da capital paulista e do seu entorno).

O DOI/CODI, departamento e centro de operações repressivas, que juntava todo o conjunto das forças ditatoriais na área, mais tarde, sob a coordenação do governo dos Estados Unidos, somou-se a aparatos semelhantes de países do chamado CONE SUL (BRASIL, ARGENTINA, URUGUAI e incluía também CHILE e PARAGUAI, todos sob ditaduras militares) na OPERAÇÃO CONDOR.

Líderes de oposição eram presos e assassinados, um deles em New York (Orlando Letelier, consultor da ONU e ex-chanceler do governo deposto de Salvador Allende, no Chile). Outros eram presos, torturados e entregues em seus países de origem, caso do major Joaquim Cerveira. Preso na Argentina, levado para o Uruguai e entregue ao DOI/CODI de São Paulo, então comandado pelo coronel Brilhante Ulstra, um dos mais covardes e sanguinários torturadores brasileiros. Cerveira oficialmente foi morto no Rio de Janeiro.

Dan Mitrione, que chegou a virar nome de rua no Brasil (não é mais), foi um dos agentes enviados pelos EUA para treinar e instruir torturadores no Brasil, no Chile, na Argentina e no Uruguai. Foi capturado por forças resistentes em Montevidéu, julgado e executado.

A anistia concebida e formulada pelo regime militar tinha um objetivo principal, já que percebida a repulsa do povo ao governo ditatorial e a impossibilidade mantê-lo por um tempo maior. O de evitar, no caso do Brasil, a prisão e o julgamento de torturadores, caso do próprio Brilhante Ulstra, ou de figuras consideradas dentro da caserna, sob controle dos golpistas, como “patriotas” e “democratas”.

Se na Argentina, no Chile e no Uruguai os principais agentes da repressão foram presos e julgados, o próprio Pinochet foi preso no exterior e em seu país, no Brasil permanecem impunes. E escondidos. A história da repressão, da boçalidade do regime militar, do caráter abjeto dessas figuras, entre nós, tem sido revelada em pingos de conta gotas, arrancada a fórceps diante da intransigência de boa parte dos militares de deixar vir a público os documentos oficiais desse período.

E da obstinação que compromete a própria instituição forças armadas, em manter impunes os responsáveis por essa fase sombria e repugnante da história do Brasil.

Casos como o da estilista Zuzu Angel, morta em condições misteriosas depois de denunciar ao mundo o caráter despótico e sanguinário do regime (seu filho Stuart Angel foi preso, torturado e assassinado pelos militares) chegaram a virar filme e a comover a opinião pública do País. Ou o do jornalista Wladimir Herzog, do operário Fiel Filho, mortos já no chamado período de distensão, nas dependências do DOI/CODI de São Paulo.

O que, aparentemente, era um instrumento legal destinado a permitir a volta de brasileiros que estavam no exílio, ou o fim dos crimes contra a “segurança nacional”, numa pressuposta condição de “maturidade do povo brasileiro”, para tomar em suas mãos o seu destino através de uma nova constituição, eleições diretas para presidente e governos estaduais, fim da censura da imprensa, ou do caráter de imprensa oficial da ditadura, REDE GLOBO, era e continua sendo uma forma de garantir a impunidade de torturadores.

A expressão “todos cometeram crimes” não tem sentido e implica na admissão de crimes por parte da ditadura militar. Se o regime foi oriundo de um golpe contra instituições em pleno funcionamento, contra um governo legal, a resistência não se constitui crime e nem pode. A tortura, à luz do direito internacional, é crime hediondo e imprescritível.



E até porque a repressão começa no próprio golpe, no dia do golpe, com as prisões das principais lideranças de oposição, lideranças populares, e muitas vezes meros desafetos, em fatos que revelaram de imediato a natureza e os propósitos do golpe. As cassações em massa. Deputados, senadores, professores, cientistas de renome internacional, figuras como Celso Furtado, Oscar Niemeyer, foram postos à margem da “lei” da estupidez e da boçalidade dos que tomaram o poder.

A história não contada da guerrilha do Araguaia e da execução de guerrilheiros a sangue frio e depois de incontáveis sessões de tortura e todo o regime de horror montado contra populações da área na sanha repressiva dos homens e instrumentos da ditadura.

A anistia foi um a conquista da luta como um todo e os golpistas no poder trataram de estendê-la aos seus carrascos. De torná-la ampla, geral e irrestrita, palavras que na verdade, antes de se referirem a resistentes políticos, opositores, garantiam a impunidade a figuras da repressão em todo o processo.

Os trinta anos da lei da anistia nos remetem à necessidade de rediscutir esse período da nossa história. Trazer a público toda a inteira dimensão da violência que foi o golpe de 1964 e levar ao banco dos réus os torturadores.

Não como ação de vingança ou revanche, rótulos que esses “patriotas” costumam usar para esconder as práticas covardes e desumanas. Mas como exigência de algo maior, a História. Para que toda a prática estúpida e golpista dos militares responsáveis por 1964 seja pública. Para que não se repitam anos de horror e crueldade, para que se puna o crime da tortura em todos os seus espectros, origem e conseqüência, já que, em si, descaracteriza o ser humano como espécie racional.

A reação e a resistência ao golpe militar foi uma conseqüência legítima e uma luta de bravura, dada até a correlação de forças, como agora em Honduras, onde saem das catacumbas os “célebres” generais do patriotismo canalha atrelado a interesses de grupos econômicos.



Os trinta anos da lei de anistia sinalizam na necessidade de ruptura com o passado golpista e ditatorial e essa ruptura passa por revelar toda a inconseqüência bestial do regime. Do contrário permanecem impunes assassinos, estupradores, escondidos sob o manto de uma lei que não pode permitir que um período de barbárie vivido por uma Nação permaneça oculto e seja desconhecido de boa parte do seu povo.

A expressão “todos cometeram crimes” é cínica, covarde e revela o inteiro teor dos golpistas.

Todos quem cara pálida? Desde quando resistir a golpes de estados, a violência e a boçalidade de regimes totalitários, é crime?

Existe ainda um longo caminho a ser trilhado na luta popular. Para que se conheça esse rio de sangue de milhares de brasileiros vítimas de 1964 e que permanece com seu curso oculto e escondido na costumeira covardia que é marca registrada de golpistas em qualquer lugar do mundo. Como desaparecidos, portanto ocultos, estão os corpos de brasileiros que tombaram na luta contra a ditadura. E órfãs as suas famílias. E a história do Brasil, logo, o povo brasileiro.

Essa história não pode ficar insepulta. Muitos dos seus protagonistas, do lado da ditadura, estão vivos e ativos, caso do presidente do Senado José Sarney, dos ex-presidentes da República Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso (o falso preso político, cabo Anselmo com “patente” de general Anselmo) e continuam causando males ao Brasil e aos brasileiros.

[*] Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, trabalhou no Estado de Minas e no Diário Mercantil.

18 de agosto de 2009

Honduras e a SIP - Por: Atilio A. Boron


O prolongamento da crise em Honduras não tem um efeito neutro, pois joga a favor dos golpistas. O repúdio e o isolamento universais não impressionam os usurpadores. Muito pelo contrário: confirmam sua visão paranóica de um mundo dominado por comunistas, subversivos e revolucionários que conspiram sem cessar para frustrar sua patriótica iniciativa. Tanto os militares como os civis hondurenhos golpistas compartilham esse delírio que continua sendo alimentado, dia após dia, pelo Pentágono, pela CIA e boa parte do establishment político do império, para os quais a guerra não terminou nem vai terminar jamais.

Guerra sobretudo contra esse imenso e inesperado movimento social que se tem posto em marcha a partir do golpe e que ultrapassa ampla - e talvez irreversivelmente - os estreitos marcos da mal chamada "democracia representativa" em Honduras. Bastou que Zelaya pretendesse honrar essa fórmula para que a santa aliança abandonasse em tropel as cavernas e saísse à batalha: ali se juntaram, para unir forças, os representantes militares e políticos do império com a corrupta oligarquia local, a perversa hierarquia da Igreja Católica, as diversas frações do patronato e o poder midiático que este conglomerado de riqueza e privilégio controla em seu entorno, fazendo da liberdade de imprensa uma farsa sangrenta.

Não é casualidade que o sítio da internet da benemérita Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), sempre tão atenta diante de tudo o que acontece com os meios de comunicação em Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador, ocultou descaradamente o que está acontecendo em Honduras. A resolução mais importante sobre o tema dos meios de comunicação, adotada em 24 de julho, é uma condenação... ao presidente Rafael Correa, por apoiar "incessante clima de confrontação e injúrias contra jornalistas, proprietários de meios de comunicação e suas empresas" Nenhuma palavra sobre Gabriel Fino Noriega, jornalista hondurenho da Rádio Estelar, assassinado por forças paramilitares, como informa a Missão da ONU enviada para investigar a situação dos direitos humanos em Honduras.

A mesma delegação comprovou que Tegucigalpa, Canal 36, Rádio TV Maya e Rádio Globo foram militarizadas, constatando-se também o assalto a diversas sedes de meios de comunicação e ameaças de morte contra jornalistas, o bloqueio de suas transmissões ou a interceptação telefônica e o bloqueio de seu acesso à internet. A missão também confirmou o metralhamento da cabine de transmissão da Rádio Juticalpa, em Olancho, e as ameaças de morte feitas contra jornalistas como o diretor do diário El Libertador, Johnny J. Lagos Enríquez e o jornalista Luis Galdanes.

Na cidade de Progresso, os militares silenciaram as transmissões de Rádio Progresso, sendo hostilizado seu diretor o sacerdote jesuíta Ismael Mareno, e detido temporariamente um de seus jornalistas enquanto outros recebiam ameaças de morte. Outro caso é o do Canal 26, TV Atlântida, cujo diretor declarou ante a missão da ONU que os militares ordenaram aos meios de comunicação do Estado que estes deveriam abster-se de transmitir outras versões ou informações que não emanassem do governo de fato.

Ante a agressão sofrida pelos jornalistas da Telesur e Venezuelana de Television - sem cujo valente trabalho o mundo jamais haveria acompanhado o que ocorreu em Honduras - a SIP se limitou a emitir um tímido comunicado lamentando os fatos; em troca, emitiu uma resolução dura contra Correa.

Seria muito longo enumerar todas as violações à liberdade de imprensa e dos direitos humanos, à parte do assassinato de Noriega, que passaram desapercebidas frente os atentos censores da SIP e seus doutrinários, Mario Vargas Llosa e a pandilha dos "mais-que-perfeitos idiotas latino-americanos". Seu silêncio cúmplice revela a descompostura moral do império, suas permanentes mentiras e a impunidade com a qual se movem esses falsos defensores da "liberdade de imprensa". E diante deste cenário, a Secretária de Estado Hillary Clinton se atreve a qualificar como imprudente o gesto de Zelaya de viajar à fronteira de seu país! Ao passo que seu porta-voz, Philip Crowley, advertia contra "qualquer ação que possa conduzir à violência" em Honduras.

Já falta muito pouco para que Washington comece a declarar que o verdadeiro golpista é Zelaya e que foi ele e não outro quem arrastou seu país a um caos de violência e morte. A promessa de novas negociações a cargo da Casa Branca só servirá para desfigurar ainda mais a verdade e inclinar o fiel da balança a favor dos golpistas e seus mandantes.

Traduzido por Dario da Silva.

10 de agosto de 2009

FORA IANQUES DA AMÉRICA LATINA! NÃO À INSTALAÇÃO DAS BASES MILITARES DOS EUA NA COLÔMBIA!


(Nota Política do PCB)


O Partido Comunista Brasileiro (PCB) vem a público repudiar a intenção do governo dos Estados Unidos, com o apoio e beneplácito do presidente fascista da Colômbia, Álvaro Uribe, de instalar bases militares em sete pontos do território colombiano. A estratégia, negociada secretamente entre os dois governos nos últimos meses e agora tornada pública, visa substituir a base de Manta, no Equador, até então o mais importante centro de operações dos EUA na região, depois da devolução do Canal do Panamá, em 1999.

O governo democrático e popular de Rafael Correa recusou-se a renovar a permanência dos militares estadunidenses em seu país, em respeito à decisão aprovada na reforma constitucional referendada pelo povo equatoriano em setembro de 2008. A atitude de Correa também foi uma resposta à ação terrorista contra as FARC, montada a partir da base de Manta, sob comando dos EUA e com apoio de Uribe, responsável pelo assassinato do dirigente revolucionário Raul Reyes.

A Colômbia passará a ser ocupada oficialmente pelos EUA através de sete bases militares, conforme anunciado pelo general James Jones, assessor de Segurança Nacional do presidente Barack Obama. Se depender do desejo de seu ditador de plantão, os colombianos perdem em definitivo a soberania de parte de seu território, oficializando, assim, a condição do país de mera base de operações e cabeça de ponte do imperialismo no hemisfério sul.

As bases militares, que serão usadas pelo Exército, a Marinha e a Aeronáutica dos EUA, servirão para que as forças armadas ianques, a partir do território colombiano, vigilância e controle militar e aéreo sobre os próprios colombianos e os povos da América Latina e do Caribe e, possivelmente, até sobre nações da África banhadas pelo Oceano Atlântico, que ficarão sob o poder de fogo da aviação norte-americana.

Há algumas semanas, o embaixador estadunidense na Colômbia, William Bronfield (cérebro da operação militar de dezembro de 1989, realizada para resgatar o ditador Noriega, aliado dos EUA no Panamá, à custa de cerca de dois mil civis mortos), confirmou tratar-se da transferência da base de Manta para a Colômbia. A subserviência do governo colombiano é tanta que um dos pontos do acordo prevê a total impunidade dos militares e civis estadunidenses perante a justiça local. No Equador, 300 norte-americanos jamais puderam ser julgados, mesmo tendo cometido delitos como roubos e homicídios.

O objetivo do plano é que as bases militares possam servir como ameaça permanente aos "perigosos" países vizinhos, como o Equador e a Venezuela, onde processos eleitorais associados a movimentos sociais marcados por intensa participação popular conduzem a importantes transformações socioeconômicas, responsáveis pelo enfrentamento à burguesia e pelo progressivo controle sobre o antes intocado poder do capital nestes países. As ações militares, mais uma vez sob o falso argumento de ampliar a guerra contra o narcotráfico e de atacar o "terrorismo" - isto é, as guerrilhas e as lutas das massas contra o capitalismo, serão dirigidas, centralmente, contra populações em toda a América Latina, do Pacífico ao Caribe.

Desde a década de 1980, em nome da pretensa guerra contra as drogas, os governos dos EUA financiam, treinam e armam tropas colombianas para o combate às guerrilhas formadas a partir da grande revolta popular de 1948, El Bogotazo (que desencadeou inúmeros conflitos sociais entre 1948 e 1953, período conhecido como La Violencia, quando morreram 180 mil colombianos). A estratégia de ocupação foi ampliada com o Plano Colômbia, em 2000, visando o combate às FARC, que passaram a dominar grande parte do território colombiano. Mas, fundamentalmente, aumentava-se a presença norte-americana em uma região de grande interesse geopolítico, por sua posição estratégica e pela riqueza em recursos minerais e energéticos, como petróleo, gás e carvão.

Está claro que a iniciativa do governo de Obama faz parte da política imperialista, que, em favor dos interesses das corporações e da indústria bélica estadunidense, mantém seus tentáculos mundo afora. A face moderada de Obama busca ofuscar a política do big stick. Mas a máscara começa a cair, pois o silêncio sobre o massacre israelense na Faixa de Gaza, o recrudescimento da guerra no Afeganistão, a manutenção da ocupação do Iraque, as ameaças veladas ao Irã e ao Paquistão, assim como o apoio ao golpe civil-militar em Honduras, demonstram que as ações do imperialismo, unindo os interesses econômicos das transnacionais à ameaça constante da guerra, continuam mais vivas que nunca. Na América do Sul, à reativação da IV Frota na costa sul-atlântica vem somar-se agora o projeto de instalação de bases militares na Colômbia.

O PCB repudia o acordo criminoso entre Obama e Uribe, denunciando a iniciativa como uma ameaça concreta à paz e à convivência fraterna entre os povos do nosso continente. Conclamamos as forças de esquerda, democráticas e populares em nosso país a prestar solidariedade ativa aos trabalhadores e movimentos sociais em luta em toda a América Latina e ao protesto organizado contra mais esta ação agressiva do imperialismo estadunidense.

PCB - Partido Comunista Brasileiro
Comitê Central
agosto de 2009