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31 de julho de 2011

Discurso Final das Comemorações do 26 de julho

Discurso Final das Comemorações do 26 de julho

imagemCrédito: Resumen Latinoameriacano


A batalha de hoje tem uma frente decisiva no combate cotidiano e sem trégua contra nossos próprios erros e deficiências

Discurso proferido pelo segundo-secretário do Comitê Central do Partido e primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, José Ramón Machado Ventura, no ato efetuado em Ciego de Ávila, pelo 58º aniversário do ataque aos quartéis Moncada, de Santiago de Cuba, e Carlos Manuel de Céspedes, de Bayamo 

Companheiro Raúl;

Combatentes do Movimento 26 de Julho;

Compatriotas de Ciego de Ávila e de Cuba inteira:

CINQUENTA e oito anos depois das heroicas ações de 26 de julho de 1953, recordamos os que, naquele dia glorioso, entregaram suas vidas, muitos dos quais horas depois dos acontecimentos, vítimas da cobarde e brutal repressão desatada pela tirania de Fulgêncio Batista.

Nossa gratidão a todos os participantes daquela gesta e ao nosso povo combatente, cuja inquebrantável decisão de luta continua sendo a principal garantia da liberdade e do direito de sermos donos de nosso destino, conquistado em 1º de janeiro de 1959.

Realizamos pela terceira vez o ato central de comemoração do Dia da Rebeldia Nacional nesta província de Ciego de Ávila. A primera vez foi em 1980, poucos anos depois da divisão político-administrativa que tem atualmente este território. A segunda, mais de 20 anos depois, em 2002. E agora, como justo reconhecimento aos avanços em múltiplas áreas, esta província obteve a sede do ato.

Esta é terra de mambises (combatentes cubanos que lutaram pela independência contra os espanhóis no século 19), como os irmãos Gómez Cardoso e o coronel Simón Reyes, de líderes incorruptíveis como Tomás Grant e Enrique Varona, de jovens revolucionários como Raúl Cervantes, Ricardo Pérez Alemán, Pedro Martínez Brito e de Roberto Rodríguez ("El Vaquerito"), todos eles, representantes dignos e gloriosos desta província e inspiradores da nova geração.

Em Ciego de Ávila existem também exemplos de como trabalhar para vencer os desafios que hoje tem o país pela frente, particularmente no âmbito econômico, em meio a uma adversa conjuntura internacional. Os resultados alcançados nos últimos anos, principalmente na agricultura, sem obviar os de outros setores, tiveram um peso determinante na decisão do Bureau Político de outorgar a sede deste ato a esta província.

Cumprimos o grato dever de transmitir as congratulações de Fidel, Raúl e todo nosso povo aos operários, camponeses, combatentes, estudantes, donas de casa, aposentados, enfim, a todos os habitantes desta província como protagonistas das conquistas alcançadas.

Contudo, como vocês sabem, as conquistas ainda estão longe das potencialidades existentes. Isso foi assim analisado pela Assembleia Provincial do Partido, efetuada há uns dias, que, certamente, falou pouco de sucessos.

Como afirmou aqui Jorge Luis Tapia, Ciego de Ávila tem muitas tarefas importantes que cumprir na produção de alimentos, na safra açucareira e no desenvolvimento do turismo nas ilhotas do Norte da província, para apenas mencionar três setores relevantes.
Há pouco, o presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, general-de-exército Raúl Castro, entregou os diplomas de províncias destacadas a Villa Clara — que ganhou a emulação no ano passado e há 13 anos que faz parte do pelotão de vanguarda — e a Cienfuegos — com avanços apreciáveis em setores importantes. Por isso, estendemos nosso reconhecimento aos habitantes dessas duas províncias. A bem da verdade, devemos salientar que foi difícil escolher o melhor entre todos aqueles que realizam tamanho esforço no país.

Estes resultados têm grande significado, pois foram alcançados no ano do 6º Congresso do Partido, onde depois de um rico e frutífero debate popular, foram aprovadas as Diretrizes da Política Econômica e Social do Partido e da Revolução, que constituem a bússola para a atualização de nosso modelo econômico.

Desde a realização do Congresso até hoje, trabalha-se intensamente no cumprimento dos acordos. A Comissão Permanente do governo para a Implementação e Desenvolvimento das Diretrizes empreendeu sua atividade, com vista a dirigir harmonicamente os esforços e ações de todos os organismos e demais instituições envolvidas nessa atualização, que inclui também o aperfeiçoamento funcional e estrutural do governo, aos diferentes níveis e da Administração Central do Estado, bem como a elaboração e aprovação das normas jurídicas necessárias para respaldar as modificações que forem adotadas.

As sessões do 6º Congresso do Partido foram tão importantes quanto as ações prévias e posteriores a sua realização, constituindo estas últimas uma contundente demonstração de patriotismo, maturidade política, unidade e decisão de preservar o socialismo por parte da maioria dos cubanos.

Nosso povo acolheu bem este processo, pois constatou que nele foram abordados os principais problemas do país, e fundamentalmente, sob uma concepção realista, de como deve encará-los.

Devemos cumprir cabalmente a orientação dada por Raúl Castro: tudo aquilo que for acertado nunca mais deverá ficar como um papel na caixa de uma secretária.

Os acordos do Congresso do Partido são também compromissos para todos os níveis e especialmente para os centros de produção ou serviços, onde se materializam as decisões adotadas.

Definitivamente, devemos romper a inércia, essa que leva a gente a esperar e olhar para o céu; primeiramente, a pensar naquilo que falta ou seria bom ter antes de avaliar objetivamente quanto mais podemos fazer com os recursos disponíveis.

A direção do país continua priorizando o cumprimento do plano da economia e a produção de alimentos, sob as sérias consequências que traz a alta dos preços no mercado internacional.

Avançamos na entrega de terras ociosas em usufruto, ao abrigo do Decreto-Lei n.o 259 de 2008 e, embora se constatem em muitos lugares ótimos resultados produtivos, temos que encarar resolutamente as deficiências que afetam sua implementação. Existem ainda empresas e entidades de produção que não declaram o total das terras ociosas ou deficientemente exploradas, ao qual se acrescenta a demora na execução dos trâmites para a entrega delas. Por outro lado, alguns dos que já a receberam, demoram em pô-las a produzir e, além disso, está faltando atenção e capacitação das entidades da Agricultura e da Associação Nacional de Pequenos Agricultores (Anap) aos novos usufrutuários.

Em resumo, falta muito na exploração ao máximo da produção agropecuária. Nem sempre se cultiva no momento propício, o qual sempre não está ligado à falta de recursos ou ao fato de não recebê-los a tempo. Persistem fraquezas no processo de contratação e comercialização das produções. Continuaremos dando a máxima atenção a todos estes temos, que debatemos intensamente nas assembleias provinciais do Partido, terminadas há apenas uns dias.

No cotidiano, devemos tornar realidade as palavras expressas por Raúl Castro nas conclusões do 6º Congresso do Partido. Cito:

"Para ter sucesso nesta questão estratégica e nas outras é preciso concentrarmo-nos no cumprimento dos acordos deste Congresso, sob um denominador comum em nossa conduta: ordem, disciplina e exigência". Até aqui suas palavras.

Não podemos ficar satisfeitos até não conseguirmos aderir cada trabalhador e dirigente administrativo à luta pela eficiência econômica, organização e exigência sistemáticos; contra a indisciplina social e trabalhista, a deficiente contabilidade, o mal aproveitamento dos recursos, as atitudes burocráticas que geram descaso, desleixo e esquematismo e contra procedimentos absurdos que nada têm a ver com o socialismo.

Não ignoramos a falta de determinados recursos ou a existência de problemas organizativos alheios ao local de trabalho, que afetam direta ou indiretamente o esforço de seus trabalhadores e dirigentes administrativos, mas o fato de que alguns coletivos de trabalhadores alcancem resultados muito superiores a outros, apesar de agirem em lugares similares, demonstram quantas reservas não são utilizadas convenientemente.

Na batalha econômica que travamos é imprescindível eliminar o esbanjamento e as despesas superfluas. Economizar, trabalhar com a máxima racionalidade possível de força de trabalho e recursos é uma necessidade imperiosa em todos os setores. Isso depende de cada um de nós. Um povo culto, educado e organizado como este, que enfrenta há mais de 50 anos o bloqueio mais longo da história, tem que tirar o máximo proveito dos recursos de que dispõe.

Ao passo que o governo vem adotando as medidas, estamos trabalhando, desde o Partido, com vista a controlar, impulsionar e exigir o cumprimento das Diretrizes, em delimitar suas funções em relação às das administrações, em tomarmos conhecimento dos problemas em cada lugar, para alertar oportunamente, com argumentos sólidos, e eliminar aquilo que afete o bom adamento do plano da economia e o cumprimento dos acordos alcançados.

Nas assembleias provinciais e nas reuniões plenárias ampliadas dos comitês municipais do Partido recém-realizadas discutimos a respeito disso. Também se fez em reuniões de secretários-gerais das organizações de base e se está desenvolvendo o processo nos núcleos dos locais de trabalho. Em breve, efetuaremos uma reunião plenária do Comitê Central, que dará continuidade à análise destes temas, conforme foi acertado no Congresso.

Simultaneamente, estamos trabalhando na elaboração dos documentos que serão discutidos na Conferência Nacional do Partido, prevista para ser celebrada em seis meses. Apesar de o Congresso se ter dedicado à análise da economia, na Conferência abordaremos as mudanças de métodos e estilo de trabalho do Partido para consolidar seu papel de vanguarda organizada da Revolução e força dirigente da sociedade e do Estado, para fortalecer a democracia interna e tornar seu trabalho mais dinâmico e consequente com as mudanças que vem experimentando nossa sociedade.

Vamos abordar a política dos dirigentes e rever os conceitos e métodos com que nos relacionamos com a UJC e as organizações de massas. Precisaremos, aliás, o papel do Partido na liderança e controle sistemático do processo de atualização do modelo econômico e do andamento da economia. Como parte do último, projetaremos o trabalho de nossa organização política de modo a deixar atrás preconceitos com o setor não estatal da economia.

Como foi acertado no Congresso, os documentos que serão votados na Conferência Nacional, serão debatidos previamente pelos militantes e pelos organismos de direção do Partido, bem como pelos diversos níveis da União dos Jovens Comunistas (UJC) e pelas organizações de massa.

Nós falamos claro ao povo. Ele pode ter certeza de que vamos para frente, como alguns afirmam, "sem pressa, mas sem pausas". Trabalhamos sistematicamente, seguindo a linha traçada e de maneira integral, já que não estamos remendando nem fazendo improvisos, mas sim buscando soluções a antigos problemas. Estamos prontos, muito atentos à opinião do povo, para retificar e adotar novas decisões.

Dois séculos depois da conquista da independência no continente americano, sopram com maior intensidade ares de autodeterminação e justiça social.

A Aliança Boliviariana para os Povos de Nossa América (ALBA) se fortalece e é já uma prova de quanto podemos fazer promovendo o muito que nos une, com respeito absoluto à soberania de cada país.

As forças progressistas continuam avançando no hemisfério. Prova disso é a próxima posse, em 28 de julho, de Ollanta Humala como presidente do Peru, que defende um programa nacionalista e de maior igualdade na distribuição da riqueza. Cuba faz votos de sucessos nesse empenho tão necessário a um povo irmão.

Companheiras e companheiros:

A batalha de hoje tem uma frente decisiva no combate cotidiano e sem trégua contra nossos próprios erros e deficiências.

Dispomos do essencial para conseguir a decolagem gradual da economia nacional: um povo preparado e pronto, e pelo menos, com os recursos imprescindíveis. Em primeiro lugar, a terra, que ainda estamos longe de explorar sequer satisfatoriamente.

Estamos cientes de que, além das limitações materiais, precisa-se de tempo para mudar a maneira de pensar das pessoas, única via para transformar sua forma de agir.

Os dirigentes políticos ou administrativos devem estar cientes de que antes de falar, se deve escutar com muita atenção e, fundamentalmente, levar em conta o que dizem os outros, não só nas reuniões, mas na conversa individual com os companheiros, sem ninguém pensar que é dono da verdade absoluta.

Antes de exortar a cumprir uma tarefa, é necessário informar tudo o referente a ela e explicar as razões pelas quais é necessária, até que seja compreendido por todos ou, pelo menos, pela maioria dos que devem executá-la. E para conseguir isso, é primordial ser exemplo.

Há onze anos, Fidel nos instou a mudarmos tudo aquilo que deve ser mudado, e ratificou, em sua Reflexão, em 17 de abril passado, a importância de que as novas gerações de revolucionários observem esse princípio, com a convicção de que a única coisa que jamais vai mudar é nossa decisão de construirmos e defendermos o socialismo, que, em essência, dito com suas palavras: "É também a arte de fazer o impossível: construir e levar avante a Revolução dos humildes, pelos humildes e para os humildes, e defendê-la durante meio século da mais poderosa potência que jamais existira", fim da citação.

Temos certeza de que o povo desta província continuará combatendo, junto aos demais cubanos, com o mesmo ímpeto e fervor patriótico que espantou Cuba e o mundo naquele 26 de julho de 1953 e, todos unidos, junto a Fidel, Raúl e nosso Partido, mais uma vez Venceremos!

Glória eterna aos mártires de 26 de Julho!

Viva a Revolução!

Viva o Socialismo!

Obrigado.

28 de agosto de 2009

ESSES SÃO OS VINTE E SEIS FATOS QUE DIFERENCIAM CUBA DE OUTRAS NAÇÕES DO MUNDO


"É isso que eles não podem nos perdoar, que estejamos aqui, sob seus narizes, e que tenhamos feito uma revolução socialista debaixo dos narizes dos Estados Unidos (...) Esta é a revolução socialista e democrática dos humildes, com os humildes e para os humildes", 16 abril 1961, do discurso de Fidel Castro, durante o funeral das vítimas do bombardeio que foi o prelúdio da invasão à Baía dos Porcos

Em Cuba a cada primeiro de janeiro se comemora mais um ano da revolução vitoriosa.

Até a chegada desse dia comemorativo da revolução socialista, transcorreram mais de um século de lutas e combates que forjaram a constituição de uma nação livre, independente e soberana. A revolução cubana é uma revolução concebida como um processo de construção nacional do povo, feita por homens e mulheres e para os homens e mulheres desse país.

Nesses 50 anos de Revolução, Cuba teve que suportar toda uma série de agressões (militares, terroristas, bacteriológicas, mediáticas...) por parte do império ianque, devido unicamente ter se rebelado e conquistado assim sua segunda independência (a primeira foi contra os espanhóis) e a manter, apesar do enorme sacrifício solicitado à sua população e, sobretudo, porque é um mal exemplo para outros povos neo-colonizados e dependentes do império, que poderiam, por sua vez, proclamar sua própria independência.

Contra Cuba há uma enorme campanha mediática de desinformação lançada através da grande mídia que está a serviço do Império e assim nos chega apenas alguns acontecimentos que ocorrem na ilha, precisamente aqueles que estão fora do contexto cubano ou distorcidos e manipulados dando a impressão que em Cuba existe uma ditadura criminosa e sanguinária, que oprime seus habitantes e que não defende os direitos humanos. Essa é a visão que hoje predomina em nossas sociedades, pois é isso que nos mostra os serviços de comunicação do império.

Vamos a seguir listar uma série de fatos, desconhecidos por muitos e que mostram outra visão, mais real do que ocorre em Cuba e com sua revolução.

1) Sabiam vocês que o povo cubano vem suportando um bloqueio econômico, comercial e financeiro por parte dos Estados Unidos desde o ano de 1961, como medida de guerra que castiga toda empresa que negocia com Cuba e que tal embargo/bloqueio não está legitimado pelas Nações Unidas? Em outubro do ano passado 185 países dos 192 que integram as Nações Unidas votaram a favor para que seja cessado o embargo/bloqueio. Os danos causados á economia cubana por tal atitude foi estimado em 53 bilhões de euros entre 1961 a 2008. Quem exerce então uma política genocida contra o povo cubano? Com certeza são os Estados Unidos e seus aliados!

2) Sabiam vocês que o povo cubano celebra eleições a cada cinco anos, nos âmbitos municipal, estadual e federal e que na mesma não concorrem os partidos políticos, nem tampouco o Partido Comunista? Existe então livre concorrência de candidatos nas eleições, que são propostos por assembléias populares de cada âmbito, ao estilo da
democracia assembleísta da Revolução Francesa nos seus primeiros anos. A Cuba lhe criticam por não permitir pluripartidarismo político, mas hoje sabemos que o pluripartidarismo político, sob uma sociedade capitalista, que tudo compra não garante que haja em seu bojo a democracia, ou seja, um governo do povo e para o povo – fomentado assim uma plutocracia a serviço dos mais ricos, com o surgimento de um forte bipartidarismo, onde as elites se alternam no poder segundo suas tendências ideológicas (mais liberal ou mais conservadora).

3) Sabiam vocês que o povo cubano aprovou uma Constituição democrática de caráter socialista, no ano de 1976 com voto favorável de 97% do eleitorado, que reconhece e garante os direitos fundamentais amparados da Declaração Universal dos Direitos Humanos e que é uma das mais avançadas do mundo? A Cuba se critica por sua falta de democracia – mas igual a outros paises – foi dotada de uma Constituição que regula seu sistema políticoinstitucional, sempre referendado por seu povo e por isso não podemos qualificá-la de ditatorial, apenas devido sua opção socialista.

4) Sabiam você que Cuba ocupa o posto número 50 em Desenvolvimento Humano (Alto Desenvolvimento Humano), entre um total de 177 países estudados, levando em conta que está incluída naquelas sociedades que melhoram as condições de vida de seus habitantes através do aumento dos bens para cobrir as necessidades básicas e complementares e na criação de um entorno em que se respeitem os direitos humanos – segundo o informe de 2006 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento?

5) Sabiam vocês que Cuba é o único país do mundo que cumpre com os critérios mínimos para a sustentabilidade ecológica segundo informe de 2006 apresentado pela Associação Suíça ADENA – Fundo Mundial para a Natureza?

6) Sabiam vocês que Cuba é, segundo a UNICEF, o único país da América Latina que erradicou a desnutrição infantil, inclusive durante o duro período especial dos anos 90 e exibe a Esperança de Vida mais alta do chamado Terceiro Mundo (78 anos) e a taxa de mortalidade infantil mais baixa da América Latina e Caribe? (4,7 por cada mil nascidos vivos, inclusive mais baixa daquela apresentada pelos Estados Unidos).

7) Sabiam vocês que Cuba com seus escassos recursos é um dos países que mais compromissos tem em cooperação com os países do terceiro mundo, desenvolvendo programas como “Barrio Adentro” na Venezuela em que cada bairro/favela foi dotado de um Centro de Saúde e também a “Operación Milagro” que durante seus últimos quatro anos de funcionamento devolveu a visão para um milhão de meio de pessoas de mais de vinte nacionalidades diferentes de forma gratuita e com o apoio do governo da Venezuela?

8) Sabiam vocês que Cuba erradicou o analfabetismo em 1961, somente dois anos depois da revolução e que atualmente através do programa de alfabetização de adultos “Yo, si puedo” permitiu que em escassos dois anos, países como a Venezuela, Nicarágua e Bolívia ficassem livres do analfabetismo? E que através do programa de bolsas, permitiu a graduação de 47.000 jovens procedentes de 126 países em mais de 33 especialidades técnicas? E que desde 1961, Cuba cooperou com 154 países do mundo com um aporte de 270 mil voluntários e que na atualidade cooperam no exterior mais de 41 mil profissionais cubanos em 97 países, das quais 31 mil são do setor saúde? E que Cuba é o país do mundo que aloca mais médicos na Campanha das Nações Unidas contra a AIDS com mais de três mil médicos, quando os Estados Unidos e a União Européia juntos aportam apenas um mil? Isso indica que as Nações Unidas, sem o apoio dos médicos cubanos não poderia realizar tal campanha? O mesmo acontece com os 2.500 médicos cubanos enviados para cobrir o terremoto do Paquistão em 2005, onde foram salvas mais de 1.500 pessoas e curadas centenas de milhares mais. Sabiam vocês que Cuba tem o melhor handicap médico por habitante do mundo e quem afirma isso é a OMS?

9) Sabiam vocês que Cuba condenou o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 e que cinco cubanos permanecem presos em cárceres dos Estados Unidos desde 1997 por terem se infiltrado em organizações terroristas de Miami e por haverem alertado ao governo dos Estados Unidos dos planos para a realização de 170 atentados na ilha, sendo equivocadamente acusados de espionagem em processo judicial armado previamente e na qual foram condenados as altas penas de prisão, entre elas duas condenações perpétuas a uma mesma pessoa? E que tais prisioneiros são torturados em masmorras conhecidas com “el Hueco”? Sabiam vocês que ocorre nesse momento uma campanha mundial para que os prisioneiros cubanos nos Estados Unidos sejam libertados?

10) Sabiam vocês que o povo cubano tem enviado centenas de milhares de voluntários para combater o colonialismo em vários países do mundo, apoiando todos os movimentos de libertação nacional desses países, principalmente na África, como na Argélia, Congo e Angola e na América Latina como Bolívia e Nicarágua?

11) Sabiam vocês que na batalha de “Cuito Cuanavale” em Angola em 1987, graças as tropas cubanas, foi derrotado o exército da África do Sul apoiado pelos Estados Unidos e Israel e com isso se obteve a independência total de Angola, Namíbia e Zimbawe e ao mesmo tempo dado um golpe mortal no regime racista da África do Sul – o que permitiu o desmoronamento poucos anos depois desse regime e a libertação de Nelson Mandela?

12) Sabiam vocês que em 1984 Cuba e Estados Unidos firmaram um acordo em que os Estados Unidos se comprometiam a conceder vinte mil vistos de entrada ao ano para os cubanos que quiserem viajar e se fixar a esse país e que na realidade nunca deram mais de mil ao ano, forçando desse modo a que se produza uma emigração clandestina e que muitos que arriscam sua vida em alto mar em barcos precários, emigração essa premiada nos Estados Unidos com a Lei de Ajuste, que concede a nacionalidade estadunidense a quem viaja ilegalmente, sempre que declare ser vitima de perseguição política por parte do governo cubano?

13) Sabiam vocês que os Estados Unidos proíbem seus cidadãos viajar para Cuba e quem o fizer se sujeitarão a penas de 10 anos de prisão?

14) Sabiam vocês que enquanto em Cuba são mantidos abertos escritórios de vários meios de comunicação estrangeiros, tanto europeus como estadunidenses (entre eles a CNN) os Estados Unidos não autorizam jornalistas cubanos a trabalharem nesse país?

15) Sabiam vocês que Cuba foi o primeiro país a solicitar que se suprima a dívida externa dos chamados países do terceiro mundo?

16) Sabiam vocês que Cuba tem um dos melhores sistemas sanitários e educativos do mundo de caráter público, gratuito, universal, reconhecido pelas Nações Unidas – da qual beneficiam inclusive cidadãos estadunidenses de baixa renda, e que chegam a Cuba tanto para estudar como para serem medicados e que correm riscos no retorno ao seu país de sofrerem represálias de autoridades governamentais? Nos Estados Unidos tais serviços são precários para essa faixa populacional, geralmente explorado por empresas privadas.

17) Sabiam vocês que Cuba é uma potência em biotecnologia e que muita patentes farmacológicas são empregadas para curar numerosas enfermidades no mundo a preços baratos, entre elas o fármaco que cura úlceras em pés e pernas de diabéticos.

18) Sabiam vocês que enquanto Cuba é tachada pelo império de violar os direitos humanos por ter condenado no ano de 2003, 75 cubanos que conspiravam juntamente com o governo dos Estados Unidos para derrubar o regime socialista existente na ilha; em 50 anos de revolução, delitos graves como assassinatos políticos, tortura, desaparecimentos de pessoas, seqüestro, tráfico de seres humanos e cárceres-limbo como o que existe em Guantânamo, vôos secretos de aviões, execuções extra-judiciais nunca foram constatados na ilha? A ocorrência de tais fatos é comum nos Estados Unidos, países europeus aliados e em suas respectivas colônias de domínio e não em Cuba e isso consta em relatórios da entidade Anistia Internacional. Sabiam vocês que pelo quinto ano consecutivo Cuba faz parte do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas, com o apoio principal dos países do chamado Terceiro Mundo, enquanto isso os Estados Unidos estão alijados desse fórum.

19) Sabiam vocês que em Cuba os adultos maiores de idade realizam voluntariamente tarefas sociais de interesse comunitário e devido a isso em Cuba não existem anciões que vivem sós? Tais tarefas são estimuladas e apoiadas pelas empresas/entidades onde tais pessoas trabalham.

20) Sabiam vocês que a cada ano toda sua população recebe um programa de simulação para defesa contra furacões, chamado Meteoro – o quem tem possibilitado que existam poucas vítimas no momento em que fenômeno natural atinge a ilha (cerca de uma dezena de pessoas em 10 anos), enquanto em outros países da zona do Caribe, inclusive nos Estados Unidos, morrem milhares de pessoas, como foi no caso do furacão Katrina?

21) Sabiam vocês que em Cuba existe 65 escolas de arte, se editam 80 milhões de livros ao ano e são rodadas 5 ou 6 filmes anualmente e que existem 11 mil instalações esportivas gratuitas, sendo uma potência mundial no esporte, com 24 medalhas em Pequim e 27 em Atenas?

22) Sabiam vocês que Cuba é juntamente com a Venezuela, a pioneira em estabelecer um sistema de integração socioeconômica latino-americana de caráter solidário, chamado ALBA, no qual vão se somando outros países (são nove até o momento) que conseguiu bloquear os tratados de livre comércio promovido pelos Estados Unidos, que tanto tem arruinado o desenvolvimento dos povos latino-americanos?

23) Sabiam vocês que Cuba é o único país da América que dá às mulheres grávidas um ano de licença, com recebimento de salário integral e no retorno ao trabalho há garantias de que essa pessoa não perderá o emprego? E se a criança necessitar cuidados especiais, a mãe pode tirar outra licença e o salário dela irá para o pai se assim o casal concordar?

24) Sabiam vocês que cada cidadão cubano tem o direito de ser atendido sem despesas para si em operações cirúrgicas de alto custo como doenças do coração, homodiálise, AIDS, transplantes de órgãos e outros.

25) Sabiam vocês que em Cuba atualmente há mais mulheres relacionadas às pesquisas científicas do que homens? Que na área profissional técnica também há também mais mulheres trabalhando do que homens? Que nas universidades as matriculas de mulheres são maiores do que aquelas realizadas por homens?

26) Sabiam vocês que todos os serviços básicos oferecidos a população como água, luz, gás telefone, cesta básica, transporte público, pagamento de aluguéis para moradia e outros são subsidiados pelo governo, portanto as famílias pagarão preços reduzidos pelo uso dos mesmos e que tal fato pode ser considerado como sendo salário indireto aos trabalhadores.

Tradução de Jacob David Blinder fundamentada nos textos enviados por Pedro Gellert, José Iván Dávalos e Mayra Godoy.

7 de agosto de 2009

SETE PUNHAIS NO CORAÇÃO DE AMÉRICA - Por Fidel Castro


Leio e torno a ler dados e artigos realizados por personalidades inteligentes, conhecidas ou pouco conhecidas, que escrevem para diversos meios e extraem a informação de fontes que não questionadas por ninguém.

Os povos que habitam o planeta, em todas as partes, correm riscos econômicos, ambientais e bélicos, derivados da política dos Estados Unidos da América, mas em nenhuma outra região da terra vem-se ameaçados por tão graves problemas como seus vizinhos, os povos localizados neste continente ao Sul daquele país hegemônico.

A presença de tão poderoso império que em todos os continentes e oceanos dispõe de bases militares, porta-aviões e submarinos nucleares, navios de guerra modernos e aviões de combate sofisticados, portadores de todo o tipo de armas, centos de milhares de soldados, cujo governo reclama para eles impunidade absoluta, constitui a dor de cabeça mais importante de qualquer governo, seja de esquerda, centro ou direita aliado ou não dos Estados Unidos da América.

O problema, para os que somos seus vizinhos, não é que lá se fale outra língua e seja uma nação diferente. Há norte-americanos de todas as cores e todas as origens. São pessoas iguais do que nós e capazes de qualquer sentimento em um senso ou outro. A questão dramática é o sistema que foi desenvolvido ali e imposto a todos. Tal sistema não é novo ao respeito do uso da força e os métodos de domínio que tem prevalecido ao longo da história. O novo é a época que nós vivemos. Tratar o assunto desde pontos de vista tradicionais é um erro e não ajuda ninguém. Ler e saber o que pensam os defensores do sistema, ilustra muito, porque significa estar cientes da natureza de um sistema apoiado na constante apelo ao egoísmo e aos instintos mais primários das pessoas.

Caso não existir a convicção do valor da consciência, e sua capacidade de prevalecer sobre os instintos, não poderia expressar-se sequer a esperança de mudança em qualquer período da brevíssima história do homem. Também não poderiam compreender-se os terríveis obstáculos que encaram os diferentes líderes políticos nas nações latino-americanas ou ibero-americanas do hemisfério. Em último termo, os povos que viviam nesta área do planeta desde há dezenas de milhares de anos, até a famosa descoberta da América, não tinham nada de latinos, de ibéricos ou de europeus; suas características eram mais parecidas à dos asiáticos de onde procederam seus antepassados. Hoje os vemos nas faces dos índios de México, América Central, Venezuela, Colômbia, Equador, Brasil, Peru, Bolívia, Paraguai e Chile, um país onde os araucanos escreveram páginas inesquecíveis. Em certas zonas do Canadá e no Alasca conservam suas raízes indígenas com toda a pureza possível. Mas no território principal dos Estados Unidos da América a grande parte dos antigos povoadores foi exterminada pelos conquistadores brancos.

Como todo o mundo sabe, milhões de africanos foram tirados de suas terras para trabalhar como escravos neste hemisfério. Em algumas nações como Haiti e grande parte das ilhas do Caribe, seus descendentes constituem a maioria da população. Em outros países formam amplos setores. Nos Estados Unidos da América os descendentes de africanos constituem dezenas de milhões de cidadãos que, geralmente, são os mais pobres e discriminados.

Ao longo de séculos essa nação reclamou direitos privilegiados sobre o nosso Continente. Nos anos de Martí tentou impor uma moeda única baseada no ouro, um metal cujo valor tem sido o mais constante o longo da história. Geralmente o comércio internacional baseia-se nele. Hoje nem sequer isso. Desde os tempos de Nixon, o comércio mundial foi instrumentado com notas de papel impresso pelos Estados Unidos de América: o dólar, uma divisa que hoje tem um valor por volta de 27 vezes menor do que no começo da década dos 70, uma das tantas maneiras de dominar e calotear o resto do mundo. Hoje, no entanto, outras divisas substituem o dólar no comércio internacional e nas reservas de moedas conversíveis.

Se por um lado as divisas do império são desvalorizadas, por outro suas reservas militares crescem. A ciência e a tecnologia mais moderna, monopolizada pela superpotência, foram orientadas consideravelmente para o desenvolvimento das armas. Atualmente não se fala só em milhares de projéteis nucleares, ou do poder destrutivo moderno das armas convencionais; se fala em aviões sem pilotos, tripulado por autômatos. Não se trata uma simples fantasia. Já estão sendo usadas algumas naves aéreas desse tipo no Afeganistão e outros pontos. Recentes relatórios mostram que em um futuro relativamente próximo, no 2020, muito antes de que o casquete do Antártida se derreta, o império, entre seus 2 500 aviões de guerra, projeta dispor de 1100 aviões de combate F-35 e F-22, em suas versões de caça e bombardeiros da quinta geração. Pará para ter uma idéia desse potencial, baste dizer que os que dispõem na base de Soto Cano, nas Honduras, para o treinamento de pilotos desse país são F-5; os que forneceram às forças aéreas, da Venezuela, antes de Chávez, ao Chile e outros países, eram pequenas esquadrilhas de F-16.

Mais importante ainda, o império projeta que no decurso de 30 anos todos os aviões de combate dos Estados Unidos da América, desde os caças até os bombardeiros pesados e os aviões cisterna, serão tripulados por robôs.

Esse poderio militar não é uma necessidade do mundo, é uma necessidade do sistema econômico que o império impõe ao mundo.

Qualquer um pode entender que se os autômatos podem substituir aos pilotos de combate, também podem substituir aos operários em muitas fábricas. Os acordos de livre comércio que o império tenta de impor aos países deste hemisfério, implica que os trabalhadores terão que competir com a tecnologia avançada e os robôs da indústria ianque.

Os robôs não fazem greves, são obedientes e disciplinados. Já vimos pela televisão às máquinas que coletam às maçãs e outras frutas. É necessário fazer também a pergunta aos trabalhadores norte-americanos. Onde estarão as vagas? Qual é o futuro que o capitalismo sem fronteiras, em sua fase avançada do desenvolvimento designa aos cidadãos?

Ao lumiar de esta e de outras realidades, os governantes dos países da UNASUL, do MERCOSUL, do grupo de Rio e de outros, não podem deixar de analisar a justa pergunta venezuelana. Qual é o sentido das bases militares e navais que os Estados Unidos querem estabelecer ao redor da Venezuela e no coração da América do Sul? Lembro que há vários anos, quando entre a Colômbia e a Venezuela, duas nações irmãs pela geografia e pela história, as relações viraram perigosamente tensas, Cuba promoveu em silêncio importantes passos de paz entre ambos os países. Os cubanos jamais estimularemos a guerra entre países irmãos. A experiência histórica, o destino manifesto proclamado e aplicado pelos Estados Unidos, e a fraqueza das acusações contra a Venezuela de fornecer armas às FARC, associadas às negociações com o propósito de conceder sete pontos do seu território para uso aéreo e naval das Forças Armadas dos Estados Unidos, obrigam iniludivelmente a Venezuela a fazer investimentos em armas, recursos que poderiam ser empregues na economia, nos programas sociais e na cooperação com outros países da área com menos desenvolvimento e recursos. Não se arma a Venezuela contra o povo irmão da Colômbia, arma-se contra o império, que tentou já derrocar a Revolução e hoje tenta instalar nos arredores da fronteira venezuelana as suas armas sofisticadas.

Seria um erro grave pensar que a ameaça é apenas contra a Venezuela; é dirigida a todos os países do Sul do continente. Nenhum poderia iludir o tema e dessa maneira o têm declarado vários deles.

As gerações presentes e futuras julgarão os seus líderes pela conduta que adoptarem neste momento. Não se trata só dos Estados Unidos, mas sim dos Estados Unidos e do sistema. O que é que oferece? O que é que busca?

Oferece a ALCA, isto é, a ruína antecipada de todos os nossos países, o livre trânsito de bens e de capital, mas não livre trânsito de pessoas. Agora experimentam o temor de que a sociedade opulenta e consumista seja alagada de latinos pobres, índios, negros e mestiços ou brancos sem emprego em seus próprios países. Devolvem todos aqueles que cometem um erro ou sobram. Muitas vezes matam-nos antes de entrarem, ou os retornam como rebanhos quando não precisam deles; 12 milhões de imigrantes latino-americanos ou caribenhos são ilegais nos Estados Unidos. Em nossos países surgiu uma nova economia, principalmente nos mais pequenos e pobres: a das remessas. Quando há crise, ela fustiga, sobretudo os imigrantes e seus familiares. Pais e filhos são separados de maneira cruel, às vezes para sempre. Se o imigrante tem idade militar, outorgam-lhe a possibilidade de alistar-se para combater a milhares de quilômetros de distância, “em nome da liberdade e da democracia”. Quando regressam, se não morrem, lhe é concedido o direito a serem cidadãos dos Estados Unidos. Como estão bem treinados oferecem-lhe a possibilidade de serem contratados não como soldados oficiais, mas sim como civis soldados das empresas privadas que prestam serviços nas guerras imperiais de conquista.

Existem mais outros gravíssimos perigos. Constantemente chegam notícias dos emigrantes mexicanos e de outros países de nossa área que morrem quando tentam atravessar a atual fronteira entre o México e os Estados Unidos. Todos os anos a cota de vítimas ultrapassa com cresces a totalidade dos que perderam a vida nos quase 28 anos de existência do famoso muro de Berlim.

O mais incrível ainda é que quase não circula pelo mundo a notícia de uma guerra que neste momento custa milhares de vidas por ano. Em 2009, já morreram mais mexicanos do que os soldados norte-americanos que morreram na guerra de Bush contra o Iraque ao longo de toda sua administração.

A guerra no México foi desatada por causa do maior mercado de drogas que existe no mundo: o dos Estados Unidos. Porém, dentro de seu território não existe uma guerra entre a polícia e as forças armadas dos Estados Unidos lutando contra os narcotraficantes. A guerra foi exportada para o México e a América Central, mas principalmente para o país asteca, o mais próximo do território dos Estados Unidos. São horríveis as imagens divulgadas pela televisão, de cadáveres amontoados e as notícias que chegam de pessoas assassinadas nas próprias salas cirúrgicas onde tentavam salvar-lhes a vida. Nenhuma dessas imagens procede de território norte-americano.

Essa onda de violência e sangue estende-se em maior ou menor grau pelos países da América do Sul. Donde provém o dinheiro senão do infinito manancial que emerge do mercado norte-americano? Por sua vez, o consumo tende também a se estender aos outros países da área, causando vítimas e mais dano direto ou indireto do que a AIDS, o paludismo e outras doenças juntas.

Os planos imperiais de dominação vão precedidos de enormes somas designadas para as tarefas de mentir e desinformar a opinião pública. Para isso contam com a total cumplicidade da oligarquia, da burguesia, da direita intelectual e da mídia.

São especialistas em divulgar os erros e as contradições dos políticos.
A sorte da humanidade não deve ficar nas mãos de robôs convertidos em pessoas ou de pessoas convertidas em robôs.

No ano 2010, o governo dos Estados Unidos utilizará 2 200 milhões de dólares através do Departamento de Estado e da USAID para promover sua política, 12% a mais do que os recebidos pelo governo de Bush no último ano do seu mandato. Deles, quase 450 milhões serão destinados a demonstrar que a tirania imposta ao mundo significa democracia e respeito aos direitos.

Apelam constantemente ao instinto e ao egoísmo dos seres humanos; desprezam o valor da educação e da consciência. É evidente a resistência demonstrada pelo povo cubano ao longo de 50 anos. Resistir é a arma à qual não podem renunciar jamais os povos; os porto-riquenhos conseguiram fazer com que acabassem as manobras militares em Vieques, colocando-se no polígono de tiro.

A pátria de Bolívar hoje é o país que mais lhes preocupa, por seu papel histórico nas lutas pela independência dos Povos da América. Os cubanos que ali prestam seus serviços como especialistas na saúde, educadores, professores de educação física e desportos, informática, técnicos agrícola, e outras áreas, devem dá-lo tudo no cumprimento dos seus deveres internacionalistas, para demonstrar que os povos podem resistir e serem portadores dos princípios mais sagrados da sociedade humana. Caso contrário o império destruirá a civilização e própria espécie.


Fidel Castro Ruz
Agosto 5 de 2009
11h16