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26 de outubro de 2011

Agora que o bando a serviço da CIA assassinou Kadafi, que país se seguirá à Líbia?

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por Paul Craig Roberts

Se os planos de Washington tiverem êxito, a Líbia tornar-se-á mais um estado fantoche americano. A maior parte das cidades e infraestruturas foi destruída por ataques das forças aéreas dos EUA e dos seus fantoches da OTAN. Firmas dos EUA e europeias agora obterão contratos fabulosos, financiados pelos contribuintes estadunidenses, para reconstruir a Líbia. O novo parque imobiliário será cuidadosamente concedido a uma nova classe dirigente escolhida por Washington. Isto colocará a Líbia firmemente sob a pata de Washington.

Com a Líbia conquistada, o AFRICOM arrancará para os outros países africanos em que a China tem investimentos em energia e mineração. Obama já enviou tropas americanas para a África Central sob o pretexto de derrotar o Exército da Resistência de Deus, uma pequena insurgência contra o ditador vitalício.

O porta-voz republicano da Câmara, John Boehner, saudou a perspectiva de mais uma guerra ao declarar que o envio de tropas dos EUA para a África Central "promove os interesses estadunidenses de segurança nacional e a sua política externa". O senador republicano James Inhofe acrescentou palavras acerca de salvar "crianças ugandesas", uma preocupação que o senador não tem para com crianças da Líbia ou da Palestina, do Iraque, do Afeganistão e do Paquistão.

Washington ressuscitou o Jogo da Superpotência e está a competir com a China. Mas enquanto a China faz investimentos e ofertas de infraestrutura à África, Washington envia tropas, bombas e bases militares. Mais cedo ou mais tarde a agressividade de Washington em relação à China e à Rússia irá explodir nas nossas caras.

De onde está a vir o dinheiro para financiar o Império Africano de Washington? Não do petróleo líbio. Grandes porções do mesmo foram prometidas aos franceses e britânicos por lhe proporcionarem cobertura a esta última guerra aberta de agressão. Não de receitas fiscais de uma economia estadunidense em colapso onde o desemprego, se medido corretamente, é de 23 por cento.

Com o déficit do orçamento anual de Washington tão enorme como é, o dinheiro só pode vir das máquinas de impressão.

Washington já fez as máquinas de impressão trabalharem o suficiente para elevar o índice de preços no consumidor para todos os consumidores urbanos (CPI-U) a 3,9% ao ano (até o fim de Setembro), o índice de preços no consumidor para assalariados e empregados administrativos (CPI-W) a 4,4% ao ano e o índice de preço no produtor (PPI) a 6,9% ao ano.

Como mostra o estatístico John Williams ( shadowstats.com ), as medidas oficiais de inflação são manipuladas a fim de manter baixos os ajustamentos de custo de vista para os que recebem da Segurança Social, portanto poupando dinheiro para as guerras de Washington. Quando medida corretamente, a presente taxa de inflação nos EUA é de 11,5%.

Que taxas de juro podem obter os poupadores sem assumir riscos maciços com títulos gregos? Os bancos dos EUA pagam menos do que meio por cento nos depósitos de poupança assegurados pelo FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation). Títulos a curto prazo do governo dos EUA pagam essencialmente zero.

Portanto, de acordo com estatísticas oficiais do governo estadunidense, os poupadores americanos estão a perder anualmente entre 3,9% e 4,4% do seu capital. Segundo a estimativa de John Williams da taxa real de inflação, os poupadores dos EUA estão a perder 11,5% das suas poupanças acumuladas.

Quando americanos aposentados não recebem juros sobre as suas poupanças, eles têm de gastar o seu capital. A capacidade de mesmo os mais prudentes sobreviverem com as taxas de juro negativas que estão a receber e a erosão pela inflação de quaisquer pensões que recebam chegará a um fim, uma vez que os seus activos acumulados sejam exauridos.

Exceto para os mega-ricos protegidos de Washington, o um por cento que capturou todos os ganhos de rendimento dos últimos anos, o resto da América foi remetido para o caixote do lixo. Nada, o que quer que seja, foi feito para eles desde o golpe da crise financeira de dezembro de 2007. Bush e Obama, republicanos e democratas, centraram-se em salvar o 1 por cento enquanto desprezavam os 99 por cento.

Finalmente, alguns americanos entenderam o "patriotismo" do desfraldar a bandeira que os remeteu para o caixote do lixo da história. Eles não vão afundar sem um combate e estão nas ruas. O Occupy Wall Street propaga-se. Qual será o destino deste movimento?

Será que a neve e o gelo do tempo frio acabará os protestos, ou os remeterá para dentro de edifícios públicos? Quanto tempo as autoridades locais, subservientes a Washington como são, toleram o sinal óbvio de que falta à população qualquer confiança que seja no governo?

Se os protestos perdurarem, especialmente se crescerem e não declinarem, as autoridades infiltrarão os manifestantes com provocadores da polícia que dispararão sobre a polícia. Isto será a desculpa para abaterem os manifestantes e prenderem os sobreviventes como "terroristas" ou "extremistas internos" e enviá-los para os campos de 385 milhões de dólares construídos por contrato do governo dos EUA pela Halliburton de Cheney.

Enquanto isso, perdidos na sua inconsciência, conservadores continuarão a resmungar acerca da ruína do país devido ao casamento homossexual, ao aborto e à mídia "liberais". Organizações liberais comprometidas com a liberdade civil, tais como a ACLU, continuarão a equiparar o direito da mulher a um aborto com a defesa da Constituição dos EUA. A Amnistia Internacional apoiará Washington demonizando o seu próximo alvo de ataque militar enquanto fecha os olhos aos crimes de guerra do presidente Obama.

Quando consideramos que Israel, sob a protecção de Washington, tem escapado impune – apesar de crimes de guerra, assassinatos de crianças, a expulsão em total desrespeito do direito internacional de palestinos da sua terra ancestral, do arrasamento das suas casas com bulldozers e do arrancamento dos seus olivais a fim de entregar terras a "colonos" fanáticos – podemos apenas concluir que Washington, o viabilizador de Israel, pode ir muito mais longe.

Nestes poucos anos de abertura do século XXI, Washington destruiu a Constituição dos Estados Unidos, a separação de poderes, o direito internacional, a responsabilidade do governo e sacrificou todo princípio moral a fim de alcançar hegemonia no mundo todo.

Esta agenda ambiciosa está sendo empreendida enquanto simultaneamente Washington removeu toda regulamentação sobre Wall Street, o lar da cobiça maciça, permitindo ao horizonte de curto prazo da Wall Street arruinar a economia dos EUA, destruindo portanto a base econômica para o assalto de Washington ao mundo.

Será que os EUA entrarão em colapso, num caos econômico, antes de dominarem o mundo?

21/Outubro/2011


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

25 de outubro de 2011

Há sete anos milicos brasileiros ocupam o Haiti

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Crédito: 3.bp.blogspot
Haiti, país ocupado

Eduardo Galeano

Consulte qualquer enciclopédia. Pergunte qual foi o primeiro país livre na América. Receberá sempre a mesma resposta: Estados Unidos. Mas os Estados Unidos declararam a sua independência quando eram uma nação com 650 mil escravos, que continuaram a ser escravos durante mais um século, e estabeleceram na sua primeira Constituição que um preto equivalia a três quintas partes de uma pessoa.

E se perguntar a qualquer enciclopédia qual foi o primeiro país a abolir a escravatura, receberá sempre a mesma resposta: Inglaterra. Mas o primeiro país que aboliu a escravatura não foi a Inglaterra mas o Haiti, que continua ainda a expiar o pecado da sua dignidade.

Os escravos negros do Haiti tinham derrotado o exército glorioso de Napoleão Bonaparte e a Europa nunca perdoou essa humilhação. Durante um século e meio, o Haiti pagou à França uma indenização gigantesca por ser culpado da sua liberdade, mas nem isso chegou. Aquela insolência negra continua a ferir os amos brancos do mundo.

De tudo isso sabemos pouco ou nada.

O Haiti é um país invisível.

Só se tornou famoso quando o terramoto de 2010 matou mais de 200 mil haitianos.

A tragédia levou o país a ocupar, fugazmente, o primeiro plano dos meios de comunicação. O Haiti não é conhecido pelo talento dos seus artistas, magos da sucata capazes de transformar o lixo em beleza, nem pelas suas façanhas históricas na guerra contra a escravidão e a opressão colonial. Vale a pena repetir uma vez mais, para que os surdos o oiçam: o Haiti foi o país fundador da independência da América e o primeiro país a derrotar a escravidão no mundo.

Merece muito mais que a notoriedade nascida das suas desgraças.

Atualmente, os exércitos de vários países, incluindo do meu, continuam a ocupar o Haiti. Como se justifica esta invasão militar? Alegando que o Haiti põe em perigo a segurança internacional.

Nada de novo.

Ao longo de todo o século XIX, o exemplo do Haiti constituiu uma ameaça para a segurança dos países que continuavam a praticar a escravatura. Já Thomas Jefferson o dissera: do Haiti provinha a peste da rebelião. Na Carolina do Sul, por exemplo, a lei permitia prender qualquer marinheiro negro enquanto o seu barco estivesse no porto, devido ao risco de contágio da peste antiescravagista. E no Brasil, essa peste chamava-se “haitianismo”.

Já no século XX, o Haiti foi invadido pelos marines, por ser um país «inseguro para os seus credores estrangeiros». Os invasores começaram por se apoderar das alfândegas e entregaram o Banco Nacional ao City Bank de Nova Iorque. E uma vez que já lá estavam, ficaram durante dezenove anos.

Chama-se «o mau passo» à passagem da fronteira entre a República Dominicana e o Haiti. Talvez o nome seja um sinal de alarme: está a entrar no mundo negro, da magia negra, da bruxaria…

O vodu, a religião que os escravos trouxeram de África e que se nacionalizou no Haiti, não merece chamar-se religião. Do ponto de vista dos donos da civilização, o vodu é coisa de pretos, ignorância, atraso, superstição pura. A Igreja Católica, onde não faltam fiéis capazes de vender unhas dos santos e penas do arcanjo Gabriel, conseguiu que esta superstição fosse oficialmente proibida em 1845, 1860, 1896, 1915 e 1942, sem que o povo se desse por achado.

Mas há já alguns anos que as seitas evangélicas se encarregam da guerra contra a superstição no Haiti. Estas seitas vêm dos Estados Unidos, um país que não tem 13º andar nos seus prédios, nem fila 13 nos seus aviões, habitado por cristãos civilizados que acreditam que Deus criou o mundo numa semana. Nesse país, o pregador evangélico Pat Robertson explicou na televisão o terremoto de 2010. Este pastor de almas revelou que os negros haitianos tinham conquistado a independência à França recorrendo a uma cerimónia vodu, e invocando, do fundo da selva haitiana, a ajuda do Diabo. O Diabo, que lhes deu a liberdade, passou a fatura enviando-lhes o terremoto.

Até quando permanecerão no Haiti os soldados estrangeiros? Eles vieram para estabilizar e ajudar, mas estão há sete anos a desajudar e a desestabilizar este país que não os deseja.

A ocupação militar do Haiti custa às Nações Unidas mais de 800 milhões de dólares por ano.

Se as Nações Unidas destinassem esses fundos à cooperação técnica e à solidariedade social, o Haiti poderia receber um bom impulso para o desenvolvimento da sua energia criadora. E assim se salvariam dos seus salvadores armados, que têm alguma tendência para violar, matar e espalhar doenças fatais.

O Haiti não precisa que venham multiplicar as suas calamidades. Também não precisa da caridade de ninguém. Como diz um antigo provérbio africano, a mão que dá está sempre acima da mão que recebe.

Mas o Haiti precisa de solidariedade, de médicos, de escolas, de hospitais e de uma verdadeira colaboração que torne possível o renascimento da sua soberania alimentar, assassinada pelo Fundo Monetário Internacional, pelo Banco Mundial e por outras sociedades filantrópicas.

Para nós, latino-americanos, essa solidariedade é um dever de gratidão: seria a melhor maneira de agradecer a esta pequena grande nação que em 1804 nos abriu, com o seu contagioso exemplo, as portas da liberdade.

(Este artigo é dedicado a Guillermo Chifflet, que foi obrigado a demitir-se da Câmara de Deputados quando votou contra o envio de soldados uruguaios para o Haiti.)

Artigo de Eduardo Galeano, jornalista e escritor uruguaio, autor do livro "As veias abertas da América Latina". Tradução de Helena Pitta. Publicado originalmente em Brecha, Montevidéu, 30/09/2011.

http://diariogauche.blogspot.com/2011/10/ha-sete-anos-milicos-brasileiros-ocupam.html

16 de agosto de 2011

“Comoção e pavor” nos Estados Unidos pelo ataque dos talibãs

“Comoção e pavor” nos Estados Unidos pelo ataque dos talibãs


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Crédito: Nordeste1.com.br
Pepe Escobar (Asia Times Online)

Traduzido do inglês para Rebelión por Germán Leyens

É preciso falar de um duplo golpe. Não bastou a Standard Poor's rebaixar a qualificação creditícia dos Estados Unidos; com uma sincronização impecável e aparentemente de um só tiro, os talibãs, no Afeganistão, diminuíram simultaneamente o valor da colossal maquinaria bélica do império.

Por mais que a elite do poder dos Estados Unidos se negue a aceitar que sua crise financeira foi causada por anos de cortes tributários de George W. Bush para os ricos e para as megacorporações, massivos resgates de bancos e companhias seguradoras e astronômicas despesas militares no declínio do Pentágono da Guerra Prolongada, a elite também se negará a reconhecer que a “nova” estratégia da guerra no Afeganistão também é um fracasso.

Chinook derrubado

O ruído desse helicóptero de transporte Chinook CH-47 derrubado por uma granada propulsada por foguete (RPG) na província de Wardak, ao sudoeste de Kabul, na sexta-feira, matando 38 pessoas, incluindo 19 SEAL (tropas especiais) da Armada norte-americana e sete comandos afegãos, foi o som digital full do império comovido e intimidado até à incredulidade; não importa quantos esforços faça o Pentágono para ordenar praticamente aos meios que “não dêem demasiada importância” à derrubada.

Wardak, junto com a vizinha Logar, é agora um terreno de primeira de "Talibanistão". Estão arraigados, conhecem o terreno em detalhes e, inclusive, têm tempo para preparar operações complexas. Além disso, os talibãs estão “conseguindo progresso” (jargão do Pentágono) não só em sua perícia nas relações públicas e na adaptação de novas armas para o campo de batalha, mas também na mecânica de dar um importante golpe psicológico nas forças ocupantes ocidentais.

Os SEAL fazem parte de uma enorme força de tarefas de 10.000 homens do Comando Conjunto de Operações Especiais (JSOC, suas siglas em inglês), com base no Afeganistão, que participou em até 70 incursões diárias em AfPak, capturando – segundo relato do Pentágono – 2.900 “insurgentes” e matando mais de 800 entre abril e julho. O alcance global do JSOC foi analisado em um artigo de Nick Turse (ver Rebelión de 7 de agosto “Uma guerra secreta em 120 países”)

Os SEAL mortos em Wardak faziam parte da mesma unidade, a Equipe 6, envolvida no ataque a Abbottabad, que matou o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, a princípios de maio. Mas em vez de voar em um dos helicópteros ‘ocultos’ de última tecnologia do 160º Regimento de Operações Especiais de Aviação do exército, os SEAL em Wardak faziam parte de uma operação de resgate, e viajavam em um Chinook da Guarda Nacional.

Enquanto decolavam, caíram em uma armadilha dos talibãs e foram atingidos por uma RPG – o que o blog detalhista Danger Room no site Wired identificou como um obus com apoio improvisado de morteiro (IRAM) - que levava uma ogiva maior que uma RPG disparada do ombro.

Segundo o porta-voz talibã Zabiullah Mujahid, foi certamente “uma arma similar a uma RPG… e estamos tentando conseguir mais”.

Portanto, supondo que o IRAM – que emigrou dos campos de batalha iraquianos – é agora, também, um protagonista no Afeganistão, poderia ser qualificado como retorno de um remix do Stinger. Durante os anos 80 na jihad afegã contra a União Soviética foi um importante fator que mudou as regras do jogo quando os Estados Unidos forneceram centenas de letais Stinger aos mujahideen, causando estragos entre os helicópteros do poderoso Exército Vermelho.

Uma comparação minuciosa entre as operações de Abbottabad e de Wardak poderá causar muito assombro, além de reinventar o mito dos SEAL da Armada como formidáveis caçadores-assassinos invencíveis. Em Abbottabad, enquanto entregavam uma versão atrás da outra do ataque aos meios, finalmente estabeleceu-se que um helicóptero ‘oculto’ simplesmente “se estilhaçou”. Ninguém sabe se foi um erro do piloto ou se dispararam no helicóptero.

O fato é que a “queda” deixou uma parte da cauda intacta do helicóptero ‘oculto’ dentro do complexo. Esse pedaço de cauda fez com que o Pentágono temesse que o mesmo pudesse ser “vendido” pelos paquistaneses aos chineses. É um pouco demais achar que a queda não causou vítimas, como o Pentágono e a Casa Branca fazem crer.

E como a narrativa do ataque a Bin Laden se modificou mais de uma vez, as mentes febris já vinculam essas vítimas com as baixas de Wardak, implicando que os SEAL que realmente morreram na queda em Abbottabad "voltaram a morrer" em Wardak. Não ajuda em nada que as versões iniciais do ataque de Wardak (posteriormente corrigidas ou modificadas) identificassem os SEAL como os mesmos que participaram no ataque para “matar Obama”.

Passa-me o joystick

Após o ataque de Wardak, o novo chefe do Pentágono apareceu com o usual discurso no Afeganistão de “manter o curso”, enquanto os meios corporativos vomitavam que “está sendo programado para que todas as tropas de combate estrangeiras partam antes do final de 2014”. Porém todos sabem que o Pentágono nunca voltará atrás, morrerá e aceitará esse tipo de saída.

O que Wardak fez foi reforçar a ideia do Pentágono de que o governo de Kabul carece totalmente de preparo para manter a segurança em todo o país, sem importar o fato de que a maioria dos afegãos quer que os estrangeiros saiam para sempre. Enquanto a Casa Branca e o Pentágono cantam sua versão num remix de “Should I Stay or Should I Go” (Fico ou vou) do The Clash, tudo o que os talibãs têm de fazer é esperar pacientemente em silêncio (odeiam a música pop). Sabem que o fato de Kabul se fazer cargo da segurança nacional só reforçará sua posição estratégica.

É surpreendente (ou talvez não o seja) que a elite do poder de Washington simplesmente não se dê conta de que o império foi impiedosamente golpeado pelos talibãs durante o último mês. Os talibãs mataram o meio-irmão do presidente Hamid Karzai, senhor da droga e agente da CIA, Ahmad Wali. Mataram pessoas em seu funeral. Mataram o chefe de relações tribais de Karzai e um membro do Parlamento. E mataram o prefeito de Kandahar, Ghulam Hamidi.

Não faz muito tempo – no outono de 2010 – falava-se que os Estados Unidos e a OTAN se ocupariam de Kandahar em uma grande ofensiva de contrainsurgência e que ganhariam para sempre a guerra contra os talibãs.

Agora deixaram de lado essa afirmação devido aos fatos ocorridos. No entanto, seu artista conceitual – de forma típica para Washington – foi chutado. No Iraque, o general David Petraeus apresentou um truque de ilusionista e convenceu a todos em Washington de que sua ofensiva repentina e a contrainsurgência de 2007 foi um sucesso.

No Afeganistão, caiu uma rocha do Hindu Kush na cabeça de Petraeus. Em todo caso, foi promovido a chefe da CIA, de modo que outros serão os culpados. E enquanto caem mais Chinook no Afeganistão, pelo menos poderá ser divertido com o joystick, concentrando-se divertidamente em atacar mortalmente com drones as áreas tribais do Paquistão.

Pepe Escobar é correspondente itinerante do Ásia Times On-line e autor de “Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War” (Nimble Books, 2007) e “Red Zone Blues: a snapshot of Baghdad during the surge”. Seu último livro foi “ Obama does Globalistan” (Nimble Books, 2009). Pode ser contatado através do e-mail: pepeasia@yahoo.com .

Fonte: http://www.atimes.com/atimes/South_Asia/MH10Df01.html

Traduzido do espanhol por Valeria Lima

31 de julho de 2011

Comunicado: Despejo do Drummond - Não há nada poético nisso... - BRIGADAS POPULARES

Amanhã, segunda-feira, dia 1º de agosto, a Polícia Militar de Minas Gerais dará início ao despejo da comunidade "Carlos Drummond", em Itabira-MG (há 110 km de BH), onde vivem cerca de 300 famílias desde o ano 2000.


Foto do corredor do abrigo improvisado pela Prefeitura 
Apesar da brava luta da comunidade (acampamento montado na porta da Prefeitura de Itabira há mais de 2 meses, várias mobilizações de rua, audiências públicas, greve de fome, etc) não foi possível impedir a determinação das autoridades itabiranas em realizar o despejo. Prefeito, Juiz, Promotores de Justiça, Polícia Militar, Vereadores e proprietários: todos unidos para efetivar a remoção das famílias do Drummond.



 Foto de cima do abrigo improvisado pela Prefeitura de Itabira
A partir de amanhã, irão demolir 296 casas para favorecer os herdeiros da família Rosa, pessoas ricas que reinvindicam a área sem jamais ter dado função social à propriedade. São mais de 8 milhões de reais de dívida de IPTU!

A situação na comunidade é desoladora... Tememos por ações de desespero... Casas já estão sendo destruídas pelos próprios moradores. A Polícia circula a comunidade o tempo todo com dezenas de viaturas, impondo o medo e o terror. A Prefeitura improvisou um abrigo que mais parece um campo de refugiados e, mesmo assim, não há vagas nem para metade dos moradores. O Judiciário negou todos os pedidos e recursos formulados pelos advogados populares que atuam na defesa do Drummond.



O Governador do Estado se omitiu diante da situação, mesmo tendo recebido ofícios da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Comissões de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa e da OAB, rogando pela suspensão da reintegração de posse. Nada disso foi suficiente para sensibilizar o mau Governo que trata conflito social como caso de polícia, com repressão e choque de gestão.


De todo sacrifício, restou a certeza de que a comunidade "Drummond" se inscreveu na história de Minas Gerais como mais uma comunidade de resistência! Outras comunidades irão carregar seu nome e Itabira jamais será a mesma... Dessa luta brotarão muitos frutos, pois consciências foram despertadas. Seguiremos em luta...

Força Drummond! Lutar Sempre, Desistir Jamais!




Ocupação Carlos Drummond, PRESENTE!


Itabira-MG, 31 de julho de 2011, véspera do despejo.


- Frente pela Reforma Urbana -
BRIGADAS POPULARES





13 de agosto de 2009

Falar suavemente acompanhado de um porrete De 'Teddy' Roosevelt a Obama -  Por: Jorge Altamira

Falar suavemente acompanhado de um porrete De 'Teddy' Roosevelt a Obama - Por: Jorge Altamira

A revelação de que a Colômbia havia posto à disposição do Pentágono sete bases militares em seu território deu como que uma guinada violenta na crise internacional desatada pelo golpe em Honduras. Agora, a negociação para repor Zelaya na presidência desse país abarca um temário mais amplo. Na primeira fase, quando se estabeleceu a mediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, o retorno de Zelaya ficou condicionado à aceitação da retirada de sua proposta de convocação de uma Constituinte, da formação de um gabinete de coalizão com os golpistas e até do adiamento das eleições convocadas para novembro. Curiosamente, Zelaya aceitou esta extorsão, pela qual se deve supor que o fez com o apoio dos governos da Alba, que Honduras integra por decisão do mesmo Zelaya.

Também curiosamente os golpistas rechaçaram a proposta, o que, se supõe, fizeram porque contavam com respaldo norteamericano, apesar de Obama exigir publicamente que se restabeleça a presidência de Zelaya. Como se vê, a verdade não se encontra atrás das palavras. Na trajetória deste assunto, o Congresso e a Corte de Honduras ratificaram logo a destituição de Zelaya, ou seja, torpedearam pela segunda vez os 'bons trabalhos' costarriquenhos. Tudo transparente como a água: a mediação de Arias serviu para ganhar tempo e para algo mais: para que o arco internacional do golpismo obtivesse a possibilidade de tomar a iniciativa.

É o que acaba de ocorrer com uma série de medidas que a Colômbia adotou: a denúncia de que as FARC financiaram a campanha eleitoral de Correa, no Equador; a denúncia de que Chávez entregou às FARC foguetes terra-ar comprados da Suécia para as forças armadas da Venezuela; a autorização para que os militares estadunidenses utilizem bases na Colômbia; finalmente, um giro de Uribe - que aponta fundamentalmente para o Brasil -, para deixar claro que a estabilidade regional depende de uma neutralização política da Venezuela de Chávez, muito antes que de uma solução ao golpe em Honduras. O colombiano Uribe, vinculado com o paramilitarismo e o narcotráfico, acusou a Venezuela, com o seu hábito de não pestanejar, de ser o corredor da droga para o Caribe.

Com a responsabilidade que têm os Estados Unidos na transformação do México em um Estado narcotraficante, a invenção de Uribe transforma=se em uma provocação - em especial quando o governo de Obama se declara satisfeito pelos resultados da colaboração com Cuba para a luta contra o narcotráfico. Em definitivo, quando a poeira baixar, a questão da reposição de Zelaya já estará 'prescrita'.

Evo Morales acredita que a coisa ainda vai mais longe: segundo a sua apreciação, uma vitória provável da direita nas eleições do Chile e do Uruguai 'aproximaria' os países bolivarianos. Talvez isso nem faça falta, já que as 'esquerdas' que se apresentam nestes países são tão fiéis à independência nacional como os gatos. O presidente da Bolívia, entretanto, se esqueceu de mencionar a crise política na Argentina e a passividade diante do golpe em Honduras manifestada pelo novo governo da FMLN em El Salvador. Enquanto isso, em Honduras, reapareceram os 'grupos-tarefas' com o assassinato de vários ativistas docentes e um camponês.

Onde foi parar, então, o alegado 'triunfo' do anti-imperialismo, como progressistas e bolivarianos disseram da resolução que pôs fim à exclusão de Cuba da OEA? Se a OEA não funciona como Ministério das Colônias dos ianques, ela simplesmente se enfraquece. Foi o que ocorreu, precisamente, há quase cinquenta anos, quando todos os governos que votaram contra a exclusão de Cuba foram atingidos por golpes militares, com a exceção do México. Inclusive depois da festejada resolução de dois meses atrás, Cuba segue excluída, pois somente pode reingressar a seu pedido, se for autorizada a isso ao cabo de uma negociação.

O jogo político desatado pela crise hondurenha se volta agora para o papel do Brasil, cujo projeto de aliança político-militar na América do Sul, a Unasul, foi desafiado pelo acesso do Pentágono às bases militares colombianas e pelo reforço político de sua grande base militar em Honduras, como consequência da vitória dos golpistas. O embaixador brasileiro questionou a instalação norteamericana na Colômbia como se ignorasse que isso já vinha ocorrendo em função do Plano Colômbia, cujo pretexto é combater a "narcoguerrilha" e o narcotráfico.

Alguns analistas sustentam que a ampliação da presença militar ianque na Colômbia atentaria contra a segurança da Amazônia. Neste caso, seria um excelente pretexto para reforçar a militarização que já se encontra em curso no Brasil. Mais adiante, talvez com outro governo, tudo poderia terminar com uma aliança militar entre Estados Unidos e Brasil.

Mas chama a atenção que o embaixador brasileiro associasse o tema das novas bases militares com a negociação comercial de Doha (onde o Brasil briga por um forte rebaixamento das tarifas que prejudicam as suas exportações) e com os altos impostos que exigem os Estados Unidos para vender o etanol nesse país - o "biocombustível" que deriva da cana de açúcar. Com isso temos outra peça mais na jogada e na negociação desatada pelo golpe em Honduras. Os fatores de choque poderiam ser estendidos ainda mais; a oposição patronal que ganhou as eleições na Argentina, em fins de junho passado, não esconde que a sua principal reivindicação de política exterior é a ruptura política com o chavismo. Para agregar às curiosidades: a Bush lhe "molharam a orelha" em 2005, em Buenos Aires, mas a vingança quem executa é Obama.

O último personagem a ingressar na cena é o governo do rei da Espanha, que pressionou a União Europeia para que não reconhecesse aos golpistas hondurenhos. Logo da nacionalização, ainda que a preço de ouro, do Banco Santander por parte de Chávez, isto deveria surpreender, assim como que isto ocorra depois da expropriação de um par de propriedades rurais de espanhóis. Mas estes acontecimentos recentes são já história velha, porque Rodríguez Zapatero acaba de obter suculentos contratos de obras públicas da parte de Chávez (bilhões de dólares para ferrovias e hidroeletricidade) e um par de acordos petroleiros para a Repsol na zona do Orinoco e para refinar o petróleo cru venezuelano em uma filial que o "polvo" tem no Equador. São negócios que um governo esquálido [burguês], na Venezuela, seguramente já teria reservado para os polvos norteamericanos. Do mesmo modo, a Repsol disse que o seu principal campo de investimentos na América Latina estará no Brasil. Do que se conclui que assistimos, em toda esta crise, a toda uma boa jogada interimperialista - ou seja, que a fatura será paga pelas massas. A 'resistência nac & pop' das pseudo burguesias nacionais derrete-se como neve na primavera; suas principais preocupações políticas são sobreviver às crises políticas em suas próprias casas.

Esta dilatação continental e internacional da fagulha hondurenha é uma consequência da bancarrota capitalista mundial; assistimos a um estreitamento das margens de negociação e a uma acentuação das crise políticas. Por isso, a luta contra o golpe hondurenho e contra as provocações do imperialismo exige uma reivindicação de conjunto. É esta a oportunidade para uma conferência latinoamericana de organizações combativas, independentes das burguesias nacionais e de seus governos, para desenvolver um plano de ação em escala continental.

10 de agosto de 2009

FORA IANQUES DA AMÉRICA LATINA! NÃO À INSTALAÇÃO DAS BASES MILITARES DOS EUA NA COLÔMBIA!


(Nota Política do PCB)


O Partido Comunista Brasileiro (PCB) vem a público repudiar a intenção do governo dos Estados Unidos, com o apoio e beneplácito do presidente fascista da Colômbia, Álvaro Uribe, de instalar bases militares em sete pontos do território colombiano. A estratégia, negociada secretamente entre os dois governos nos últimos meses e agora tornada pública, visa substituir a base de Manta, no Equador, até então o mais importante centro de operações dos EUA na região, depois da devolução do Canal do Panamá, em 1999.

O governo democrático e popular de Rafael Correa recusou-se a renovar a permanência dos militares estadunidenses em seu país, em respeito à decisão aprovada na reforma constitucional referendada pelo povo equatoriano em setembro de 2008. A atitude de Correa também foi uma resposta à ação terrorista contra as FARC, montada a partir da base de Manta, sob comando dos EUA e com apoio de Uribe, responsável pelo assassinato do dirigente revolucionário Raul Reyes.

A Colômbia passará a ser ocupada oficialmente pelos EUA através de sete bases militares, conforme anunciado pelo general James Jones, assessor de Segurança Nacional do presidente Barack Obama. Se depender do desejo de seu ditador de plantão, os colombianos perdem em definitivo a soberania de parte de seu território, oficializando, assim, a condição do país de mera base de operações e cabeça de ponte do imperialismo no hemisfério sul.

As bases militares, que serão usadas pelo Exército, a Marinha e a Aeronáutica dos EUA, servirão para que as forças armadas ianques, a partir do território colombiano, vigilância e controle militar e aéreo sobre os próprios colombianos e os povos da América Latina e do Caribe e, possivelmente, até sobre nações da África banhadas pelo Oceano Atlântico, que ficarão sob o poder de fogo da aviação norte-americana.

Há algumas semanas, o embaixador estadunidense na Colômbia, William Bronfield (cérebro da operação militar de dezembro de 1989, realizada para resgatar o ditador Noriega, aliado dos EUA no Panamá, à custa de cerca de dois mil civis mortos), confirmou tratar-se da transferência da base de Manta para a Colômbia. A subserviência do governo colombiano é tanta que um dos pontos do acordo prevê a total impunidade dos militares e civis estadunidenses perante a justiça local. No Equador, 300 norte-americanos jamais puderam ser julgados, mesmo tendo cometido delitos como roubos e homicídios.

O objetivo do plano é que as bases militares possam servir como ameaça permanente aos "perigosos" países vizinhos, como o Equador e a Venezuela, onde processos eleitorais associados a movimentos sociais marcados por intensa participação popular conduzem a importantes transformações socioeconômicas, responsáveis pelo enfrentamento à burguesia e pelo progressivo controle sobre o antes intocado poder do capital nestes países. As ações militares, mais uma vez sob o falso argumento de ampliar a guerra contra o narcotráfico e de atacar o "terrorismo" - isto é, as guerrilhas e as lutas das massas contra o capitalismo, serão dirigidas, centralmente, contra populações em toda a América Latina, do Pacífico ao Caribe.

Desde a década de 1980, em nome da pretensa guerra contra as drogas, os governos dos EUA financiam, treinam e armam tropas colombianas para o combate às guerrilhas formadas a partir da grande revolta popular de 1948, El Bogotazo (que desencadeou inúmeros conflitos sociais entre 1948 e 1953, período conhecido como La Violencia, quando morreram 180 mil colombianos). A estratégia de ocupação foi ampliada com o Plano Colômbia, em 2000, visando o combate às FARC, que passaram a dominar grande parte do território colombiano. Mas, fundamentalmente, aumentava-se a presença norte-americana em uma região de grande interesse geopolítico, por sua posição estratégica e pela riqueza em recursos minerais e energéticos, como petróleo, gás e carvão.

Está claro que a iniciativa do governo de Obama faz parte da política imperialista, que, em favor dos interesses das corporações e da indústria bélica estadunidense, mantém seus tentáculos mundo afora. A face moderada de Obama busca ofuscar a política do big stick. Mas a máscara começa a cair, pois o silêncio sobre o massacre israelense na Faixa de Gaza, o recrudescimento da guerra no Afeganistão, a manutenção da ocupação do Iraque, as ameaças veladas ao Irã e ao Paquistão, assim como o apoio ao golpe civil-militar em Honduras, demonstram que as ações do imperialismo, unindo os interesses econômicos das transnacionais à ameaça constante da guerra, continuam mais vivas que nunca. Na América do Sul, à reativação da IV Frota na costa sul-atlântica vem somar-se agora o projeto de instalação de bases militares na Colômbia.

O PCB repudia o acordo criminoso entre Obama e Uribe, denunciando a iniciativa como uma ameaça concreta à paz e à convivência fraterna entre os povos do nosso continente. Conclamamos as forças de esquerda, democráticas e populares em nosso país a prestar solidariedade ativa aos trabalhadores e movimentos sociais em luta em toda a América Latina e ao protesto organizado contra mais esta ação agressiva do imperialismo estadunidense.

PCB - Partido Comunista Brasileiro
Comitê Central
agosto de 2009