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25 de maio de 2012
30 de outubro de 2011
GREVE HISTÓRICA DO SINTRAJUFE/CE
Sindical - Greve| Crédito: Sintrajufe-CE |
O dia 24 de outubro de 2011 é mais uma data que ficará para a história da categoria dos servidores da Justiça Federal no Ceará. De acordo com o Sintrajufe-CE, pela primeira vez uma greve acontece pra valer na seção cearense da JF-CE.
O primeiro dia de greve na Justiça Federal foi marcado por uma adesão muito forte dos servidores na capital e no interior do estado. Em Fortaleza, as atividades se concentraram no Edifício Sede da JF, no centro da cidade. Segundo o sindicato, o número de servidores em greve reunidos foi tão grande que sequer era possível circular no átrio do edifício. Além das falas dos diretores executivo e social do Sintrajufe-CE, Jesu Júnior e Márcio Frois, o primeiro dia de greve na JF-CE contou com a presença de trabalhadores de diversas categorias, tais como professores, sapateiros e trabalhadores na construção civil, além de representantes da Unidade Classista, Intersindical e TRS [Tendência Revolucionária Socialista], os quais reforçaram seus apoios à luta da categoria.
Diversos servidores da base também fizeram uso da palavra, apresentando informes e sugestões. Ainda em Fortaleza, foi registrado o apoio expressivo de servidores das subseções do interior do estado, que prestaram importante reforço às atividades na capital nesse primeiro dia do movimento.
Já no interior do estado, os diretores do Sintrajufe-CE em Juazeiro do Norte enviaram informações de que a adesão à greve foi muito expressiva naquela subseção, contando inclusive com a cobertura da imprensa local. Segundo o sindicato, da mesma forma, diversos foram os relatos no decorrer do dia sobre o sucesso do movimento paredista em todas as subseções.
“Com isso, os servidores da Justiça Federal no Ceará deram uma demonstração da sua força e capacidade de mobilização, numa resposta clara e objetiva ao TRF-5, que chegou a se referir á greve, na véspera de sua deflagração, como um ‘movimento inexpressivo’”, afirma a diretoria do Sintrajufe-CE.
Salienta-se a fundamental participação e apoio dos sindicalistas da Construção Civil, dos Sapateiros, Comerciários de Fortaleza, da Unidade Classista, que em muito contribuiu e ainda contribui no cotidiano da greve e da garantia da continuidade das mobilizações, apoiando e marcando presença nas ações fortalecendo a crescente adesão dos servidores junto ao chamado do SINTRAJUFE/CE.
25 de setembro de 2011
E Que Ninguém Nunca Mais Duvide do Poder da Classe Trabalhadora
Sindical - GreveFábio Bezerra*
Mais de 100 Dias da Heróica Greve dos Trabalhadores em Educação de Minas.
A mais de cem dias, os trabalhadores em
educação de Minas Gerais travam uma batalha heróica em defesa da
carreira do magistério e pelo pagamento do Piso Salarial Nacional.
Iniciada em 08 de Junho, a Greve dos
educadores de Minas já é a mais longa da história da categoria e hoje
uma das mais longas greves do funcionalismo público brasileiro.
Mas o que chama a atenção a esse
processo não é a sua temporalidade, mas sim as condições nas quais o
movimento eclodiu e principalmente as reações do Governo tucano de
Antônio Augusto Anastasia e de toda a estrutura de poder e repressão a
serviço do Estado e da classe dominante.
Em 2010, o que chamo de Ensaio Geral, os
educadores de Minas entram em Greve questionando o fato de o Estado ter
o pior piso salarial de todos os Estados da Federação, pagando aos
profissionais do magistério a fabulosa bagatela de R$ 369,00!
Isso em um Estado que possui o 2º maior
PIB do Brasil e que teve a 2ª maior arrecadação em ICMS entre todos os
entes federativos.
A reivindicação era simples e baseada na
lei recentemente aprovada pelo congresso e sancionada pelo executivo; o
pagamento do PSN (Piso Salarial Nacional), criado no Governo Lula como
parâmetro para uma isonomia salarial e base para as carreiras do
magistério do ensino básico municipal e estadual em todo o país.
Porém, a mesma Lei do Piso traz consigo
contradições que são oportunistamente apropriadas por diversos governos a
fim de não cumprir o pagamento integral da mesma.
Ela condiciona o pagamento a uma jornada
de até 40 h/semanais para os servidores, o que no caso mineiro abre uma
prerrogativa ao Governo de alegar que já paga o piso devido ao fato de
em MG a jornada ser de 24h/semanais e dessa forma se aplicar a
proporcionalidade o que naquela época chegava ao patamar de R$ 545,00.
Mas o que muitos não sabem é que já em
2010 parte desses R$ 545,00 mantinham o piso de quase 10 anos, ou seja,
R$ 369,00 acrescidos de um abono que se chamava PRC (Parcela
Remuneratória Complementar), o que por sua vez causava outra
irregularidade, pois o Piso é integral e não comporta em sua
contabilidade abonos ou qualquer outro tipo de penduricalho aos quais o
Governo ao longo dos últimos 20 anos determinou como modelo de “reajuste
salarial”.
Para os menos desavisados, esses
penduricalhos não servem como patamar para biênios e quinquênios
incindirem na remuneração total, ou seja, as vantagens adquiridas com o
tempo de serviço incidem apenas no salário base, que é há mais de 10
anos R$ 369,00!
Mas voltando a Greve do Ensaio Geral, a
Greve de 2010; ela foi marcante e significativa, pois nunca na história
de Minas Gerais, nem em 1979 ou 1986 quando se tem os maiores registros
de greves dos educadores mineiros, uma greve foi tão atacada e combatida
pelo Governo e seu batalhão de serviçais arautos da moralidade e da
segurança pública.
Primeiro a costumeira ação deletéria da
pusilânime, nojenta e provincial impressa mineira, que parece ainda
viver nos tempos de Chateaubriand....
Esse pseudo quarto poder, nos perseguiu
de todas as formas possíveis e inimagináveis, atacando os educadores
como criminosos culpados pelas crianças estarem nas ruas, como
baderneiros que atrapalhavam o trânsito de BH e de outras cidades do
Estado, como insensíveis às contas públicas e a famigerada Lei de
Responsabilidade Fiscal e por fim como oportunistas por estarmos em
Greve em um ano eleitoral!
Poucas e raras foram as matérias isentas de juízo de valor contrário ao movimento.
Depois veio o leal escudeiro dos
Governos do PSDB, a Bem Conceituada Federação de Pais de MG, que só
aparece nos cerimoniais do Governo para puxar saco ou nos períodos de
Greve para criticar o movimento.
Mas até aqui nada de diferente do que já
presenciamos em outras Greves da educação, a não ser o fato de pela
primeira vez na história o Tribunal de Justiça ter sido acionado pelo
Governo e em menos de 48 horas dar um veredito de ilegalidade da greve e
a multa diária ao sindicato caso persistisse em manter o movimento.
Como disse anteriormente, nem no período da Ditadura em 1979 e nem em outras épocas o Governo de Minas chegou a tanto.
E qual a resposta da categoria?
Manteve a Greve, com muito mais vigor e
determinação. Tanta por sinal que após a assembleia ratificar por
unanimidade a continuação da Greve, seguiram em passeata, mais de cinco
mil manifestantes, em direção ao Palácio da Justiça para comunicar
pessoalmente aos juízes qual era a nossa decisão e se tivesse que
começar a demitir os 72 mil designados em educação de MG que começasse
por ali mesmo.
A própria Direção do Sindicato um dia
antes, já ciente da decisão judicial, balançou frente à ameaça de
demissão de todos (as) os (as) servidores contratados, mas por fim
prevaleceu o bom senso que esse debate deveria ser avaliado e decidido
pela categoria em luta.
E esta não titubeou!
Já naquele momento, não era apenas a
imprensa boca de latrina, os baba ovo e puxa saco do governo que acham
que falam em nome de pais, nem tão pouco os cassetetes, cães e cia Ltda.
da costumeira repressão militar, agora a justiça nos desafiava e nos
tentava subjugar.... E o que assistimos naquele momento foi uma das mais
belas aulas de luta de classes e tomada de consciência de um movimento
em si e seu real papel na sociedade, assim como qual é o real papel do
Estado, dos aparelhos ideológicos e do aparato repressivo.
Se há muito não se via um cenário onde
os atores políticos não assumiam os seus papéis na realidade
conjuntural, chego a dizer que a Greve de 2010 recolocou na ordem do dia
e no imaginário do movimento sindical a ideia e o sentido da luta de
classes.
Pois ao questionar o não cumprimento do
Piso Salarial Nacional, mesmo com as suas contradições, o movimento dos
educadores em Greve pôs o dedo na ferida das contas públicas do Estado e
das prioridades do Governo de Aécio Neves e Antônio Anastasia.
Prioridades estas que privilegiam as
mineradoras com renúncia fiscal, apesar de Minas ser a maior produtora
de minério de ferro do Brasil, que sobrecarrega a massa trabalhadora com
as mais altas taxas de ICMS do país e isenta as grandes indústrias
privadas instaladas em Minas.
Prioridades que sonegam recursos para os
serviços públicos desde o famigerado Choque de Gestão, com cortes e
redução de pessoal e investimentos, destinando volumosas quantias de
dinheiro público para a rolagem de juros de dívidas questionáveis e para
a fábrica de obras faraônicas que serviriam de outdoor para as
candidaturas do PSDB e seus aliados.
Lamentável foi e ainda o é a postura do
PT no Governo Federal, que se omitiu em retirar da Lei do Piso o
parágrafo ambíguo sobre as 40h/ semanais.
Chamo de Ensaio Geral a Greve de 2010,
pois ela reacendeu a perspectiva da luta na categoria e pode promover da
melhor maneira possível, ou seja, através da práxis política, do
exercício do confronto de posições e do aprendizado ontológico desse
processo, sendo um prelúdio do reencontro da categoria consigo mesmo e
com o seu potencial político de mobilização e de identidade de classe.
Se hoje os bravos educadores (as) de
Minas Gerais, mesmo que cansados e castigados pelo corte de salários
nos últimos dois meses, além de toda a angústia e do drama em viver no
fronte das ruas, o dia a dia da maior greve de todos os tempos do
funcionalismo público em Minas, chegam a cem dias de luta, podem ter
certeza que não são mais os mesmos.
São mais do que grevistas, pois na luta e
no combate diário que estão travando contra o governo, constituíram um
novo patamar de homens e mulheres conscientes de sua força, conscientes
de suas atribuições e principalmente enrijecidos pelas pancadas e
auguras do combate diuturno contra o poder do Estado e porque não dizer
do capital.
Um dos grandes companheiros que conheci
nas jornadas de lutas que travamos ao longo desses últimos anos, o
companheiro Euller Conrado, de maneira peculiar e muito fortuita cunhou
esse agrupamento de servidores guerrilheiros da defesa da educação
pública e da profissão de educador de Núcleo Duro da Greve.
E é assim que melhor classifico essa
brava gente: “O Núcleo Duro Da Greve”, pois como muro de arrimo, tanta
pancada vem suportando e a cada embate com o mar revolto consolida sua
firmeza e sua posição de resistência.
Certa ocasião o velho bolchevique e
líder da revolução russa, o camarada Vladimir Ulianov (Lênin) proferiu
em uma sessão nos Sovietes de Petrogrado a celebre frase que sintetiza a
ontologia do ser social sob a égide da luta contra o poder do capital e
seus agentes: “A Luta Muda o Homem que Luta”.
E é assim que compreendo, ao ver meus
companheiros de categoria, que se no passado tinham receios e dúvidas em
relação à luta por nossos direitos e dignidade, se descobrirem como
sujeitos históricos, agentes de transformação e que se transformaram em
soldados de uma guerra que já acontece às claras há muito tempo, mas
sempre era velada e escondida pela mídia, pela ignorância, pela
ideologia dominante e principalmente pela mediocridade e pelo medo.
Essa greve, caro leitor, é mais do que
uma greve pela valorização da educação... É mais do que uma greve de
resistência, pois essa categoria chegou ao fundo do posso e como dizia o
bom e velho Marx, no Manifesto Comunista: “(...) já não tem mais nada a
perder a não ser os grilhões que os acorrentam.” é mais do que uma
greve salarial!
Ela hoje atingiu um ponto culminante
entre o econômico e o ideológico, nem sempre comuns nos movimentos
reivindicatórios, dando condições de suporte da retomada do papel
político do movimento sindical na educação e de revigoramento do
conjunto dos movimentos sociais no Estado, pois num determinado momento,
a Greve dos Trabalhadores em Educação de Minas reluziu em si todo o
esplendor e sentido da luta política entre capital e trabalho, entre o
funcionalismo público e o autoritarismo do Estado, entre os pobres que
dependem de serviços públicos de qualidade e aqueles que se apoderaram
da máquina e das finanças do Estado, entre dois modelos de
governança... Atraindo para si os olhares, simpatia e apoio militante de
lideranças sindicais e movimentos sociais que isoladamente vinham, a
seu modo, travando pelejas contra a máquina do Governo e até mesmo, em
alguns casos, contra o imobilismo e o ceticismo tão comuns em épocas de
sindicalismo pelego e conciliações de classe.
Muitos questionam precipitadamente a
validade do movimento e se este de fato irá atingir os seus objetivos
econômicos, outros apostam no malogro de tão contaminados que estão pelo
senso comum de só enxergar resultados baseados em cifras.
Mas o que a burguesia desse Estado e seu
auto- comissariado sabem bem é que o germe da rebeldia, da
insubordinação, do questionamento mais agudo e crítico, da agitação
revolucionária de brasa quase imperceptível que existia, se tornou uma
labareda capaz de consumir todas as injúrias e ataques desesperados a
ponto de ser uma chama viva e reluzente que alimenta os sonhos, as
esperanças e quem sabe ilumine um novo trilhar de conquistas ao conjunto
da classe trabalhadora de Minas e do Brasil.
Não é a toa que o PSDB em Minas sob a
batuta de Antônio Anastasia, chamado por muitos de Anastasista, tenta
desesperadamente sufocar esse sopro de rebeldia, antes que contamine
mais e mais o conjunto do funcionalismo e antes que comece a derreter,
mais ainda, a frágil estátua de cera do Governo Aécio Neves proponente
candidato tucano às eleições de 2014.
Para a burguesia mineira e o PSDB- MG, a
derrota da Greve é agora uma questão de princípios, pois querem dar um
exemplo a toda a elite brasileira e em especial à burguesia paulista,
não apenas para salvar a imagem do modelo imposto em MG desde o período
de Aécio Neves, mas também como modelo de coerção e tratamento de
choque, especialidade desse governo no tratamento ao funcionalismo
público no Estado.
Mas quero aproveitar para ressaltar que
há entre nós, muitos pseudos amigos do povo, que se juntaram a nós
nesse momento por interesses eleitorais visando as disputas municipais
contra o PSDB e seus aliados e a disputa eleitoral entre PT e PSDB para
2014.
Os correligionários de Dilma, por
exemplo, nada ou quase nada fizeram para impedir a aprovação do
famigerado parágrafo que tanto tem servido de álibi a Secretaria de
Planejamento e Educação para dizer que em Minas o Piso é pago
proporcionalmente às 40 horas previstas na lei.
Mas enfim, são contradições as quais não
há como se evitar e que nesse momento temos que saber distinguir sem
nutrir falsas ilusões e expectativas.
Só a luta muda a vida e isso tem sido o
mais importante nessa tônica tenaz em que a Greve dos Educadores de
Minas vem construindo em nossas vidas e na vida política desse país.
E que ninguém nunca mais duvide do poder da classe trabalhadora!
*Professor de Filosofia e membro do CC do PCB.
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