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2 de março de 2015

PCB não participa de atos governistas

PCB não participa de atos governistas



Está sendo convocado, na internet, para o dia 13 de março, um conjunto de atos públicos, com extensa pauta. Entre as diversas entidades e partidos políticos que assinam a convocação, na versão que vem sendo veiculada, consta, ao lado do PT e outras agremiações que se situam no campo governista, o Partido Comunista Brasileiro.
Nesse sentido, a Comissão Política Nacional do PCB vem a público comunicar que o partido não participará desse ato e, portanto, não autoriza a inclusão de nossa sigla na lista de entidades promotoras.
Nos próximos dias estaremos divulgando uma nota política sobre as razões de nossa não participação nesses atos e sobre os temas neles referidos.
PCB – Comissão Política Nacional
Rio, 27 de fevereiro de 2015

Nota do PCB e UJC em Goias sobre as recentes prisoes de manifestantes da luta do transporte




O PCB-Partido Comunista Brasileiro e a UJC-União da Juventude Comunista vem a público prestar sua solidariedade militante aos presos políticos do Estado de Goiás, detidos no dia 26 de fevereiro, por colaborarem com as manifestações populares contra o aumento da tarifa da passagem no transporte público em Goiânia.
As prisões ocorreram de forma completamente autoritária e desmotivada, destacando-se que um dos detidos é moderador da página Desneuralizador, que faz cobertura das manifestações, e cobria o ato espontâneo no Terminal da Praça A.
A capital de Goiás há anos é palco de manifestações populares contra a mercantilização e sucateamento do direito ao transporte público. A atitude dos governos burgueses, sejam eles tucanos ou petistas, sempre foi a mesma: reprimir brutalmente o povo na luta por seus direitos e garantir os lucros das empresas de transporte.
O PCB exige a imediata libertação dos quatro presos políticos e chama todos os trabalhadores, estudantes e usuários do transporte público de Goiânia a fortalecer a luta por um transporte público gratuito, de qualidade e sob o controle popular.

17 de fevereiro de 2015

ZULEIDE FARIA DE MELO, PROFESSORA DE MARXISMO




Miguel Urbano Rodrigues
A grande maioria dos comunistas não leu O Capital. Mas uma percentagem elevada assimilou as lições fundamentais do marxismo e aplica esse conhecimento na compreensão da realidade social.
O papel dos intelectuais comunistas na transmissão do pensamento de Marx é portanto muito importante.
Escrever sobre marxismo é difícil e falar também não é fácil.
O intermediário, ao dirigir-se a trabalhadores e a jovens, tem de ser um comunicador muito dotado para que a mensagem seja assimilada.
O francês Georges Politzer foi um dos intelectuais comunistas que cumpriu exemplarmente essa tarefa. Contribuiu decisivamente para a difusão do marxismo na Europa no início do século XX.
No Brasil li há meses, oferecido pela autora, um livro, Atualidade do Marxismo, que me fez recordar Politzer.
Zuleide Faria de Mello foi presidente do Partido Comunista Brasileiro e lecionou, como professora titular, na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Identifico nela aquilo a que Gramsci chamou o intelectual orgânico.
O livro é a transcrição de uma aula sua na Universidade de Brasília em 2003. Em 64 páginas, ela dá uma lição original e cativante sobre marxismo.
Perguntaram um dia a Lenin qual o primeiro dever de um comunista? Respondeu: estudar, estudar, estudar!
Pierre Bourdieu escreveu que o saber de um grande cientista vale muito pouco se ele não souber transmiti-lo.
Zuleide estudou desde menina para transmitir a sucessivas geraçoes o conhecimento acumulado.
Na sua aula em Brasília, dirigindo-se a jovens, para ser convincente na defesa da atualidade de Marx, recorreu a um discurso semeado de metáforas e exemplos.
Principiou por descer aos materialistas gregos para demonstrar que Demócrito e Epicuro foram precursores da dialética. Lembra-nos que Marx colocou a dialética hegeliana «de cabeça para baixo» ao combater a filosofia idealista e formular os princípios do materialismo histórico.
Enquanto o objetivo da filosofia alemã era a compreensão do mundo, a grande tarefa do homem para Marx era a transformação do mundo.
Zuleide, didática, em viagem pela aventura humana, arranca da Grécia, dos conceitos de Estado, de democracia (e do seu uso perverso) de povo, de classes, para, em linguagem muito acessível, o que é a mais valia, o que significa a alienação no trabalho. É através de exemplos, citando Zola e Galeano e recorrendo a filmes bem conhecidos e a telenovelas que desmonta o mecanismo do fetichismo e ilumina as consequências do massacre da publicidade colocada a serviço do capital que, de bancário e industrial. passou a especulativo.
Obras de Marx, desde O Capital à Ideologia Alemã, passando pela Critica da Economia Política, são repetidamente citadas, para concluir que o grande revolucionário «ajuda a pensar a realidade do mundo, a realidade humana, como pensamos o mundo, atuamos no mundo e o reinterpretamos».
Os sacerdotes do grande capital acreditaram que o neoliberalismo iria «jogar Marx para fora da História».
Ilusão. O marxismo, como afirma Zuleide Faria de Mello no seu belo livro, «é absolutamente atual».
Vila Nova de Gaia, 3 de Fevereiro de 2015.

O PODER POPULAR: UM JORNAL COMUNISTA A SERVIÇO DAS LUTAS POPULARES


O Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB) apresenta aos trabalhadores e aos militantes dos movimentos populares o jornal O Poder Popular, que de ora em diante assume o papel de divulgação das ideias e proposições dos comunistas do PCB. É um jornal comunista a serviço da crítica ao capitalismo e suas mazelas, ao mesmo tempo em que se colocará sempre ao lado dos interesses e necessidades dos trabalhadores e das massas populares, nas lutas contra a exploração e as ações perversas provocadas pelo sistema e pelo imperialismo. É um jornal que buscará estar antenado com as movimentações da classe trabalhadora em todo o mundo, praticando a solidariedade internacionalista e bradando em defesa da revolução socialista.

O Poder Popular surge no contexto de consolidação do processo de reconstrução revolucionária do PCB. Por isso leva em seu nome a principal bandeira política que defendemos hoje, como uma proposta de construção dos instrumentos de organização da classe trabalhadora no enfrentamento à hegemonia política e cultural da burguesia e na busca por uma sociedade alternativa ao capitalismo.
O novo formato, disponibilizado para toda a militância do PCB em meio eletrônico, pretende agilizar a impressão e a distribuição do jornal, para que sirva de instrumento de agitação e propaganda nos locais de atuação dos comunistas, ou seja, nos bairros, nas fábricas, nos sindicatos, locais de trabalho, escolas, universidades, nas ruas, nas manifestações populares. Caberá agora aos Comitês Estaduais do PCB a tarefa de organizar a impressão e o trabalho com o jornal. E às células o compromisso de levar sempre o jornal para a militância cotidiana.
Seguindo o caminho aberto pelos órgãos da imprensa comunista, que, em períodos históricos diferenciados, cumpriram o papel da denúncia contra a burguesia, da propaganda das ideias socialistas e comunistas e da organização coletiva, como queria Lênin, mas sem a pretensão de copiar aquelas grandes experiências representadas por jornais como A Classe Operária, Novos Rumos, A Voz Operária e a Imprensa Popular, dentre outros, esperamos que O Poder Popular se afirme como um importante meio alternativo ao discurso dominante.
Comissão Nacional de Comunicação do PCB
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9 de abril de 2014

90 anos depois - A atualidade da Coluna Prestes

90 anos depois - A atualidade da Coluna Prestes




A Coluna Prestes revelou a capacidade de luta do povo brasileiro e nisso reside sua atualidade. Nos dias de hoje, transformações terão que apontar para o socialismo – única solução definitiva para os males que afetam os povos do continente latino-americano.
20/03/2014
Anita Leocadia Prestes
A 28 de outubro de 2014 completam-se 90 anos dos levantes no Rio Grande do Sul que deram início à Marcha da Coluna Prestes, também conhecida como Coluna Invicta.
Pela primeira vez na História do Brasil, um movimento com participação popular, dirigido contra o poder do Estado, não foi derrotado. Momento culminante do tenentismo, cujo programa de reformas de cunho liberal (voto secreto, representação e justiça, liberdades públicas, etc.) adotara, a Coluna Prestes, durante sua marcha de 25 mil quilômetros, com a duração de 2 anos e 3 meses,  através de 13 estados do Brasil, ao vencer 18 generais governistas e tentar a derrubada do presidente Artur Bernardes, contribuiu significativamente para debilitar o poder das oligarquias agrárias  - o sistema de dominação oligárquico -  então vigente no país.
A Coluna Prestes empolgou a opinião pública brasileira durante a segunda metade dos anos 1920, pois expressou em grande medida os anseios das populações urbanas da época. A Marcha da Coluna abalou as estruturas da Primeira República, abrindo caminho para a vitória do movimento armado de 1930 e a realização de reformas que propiciaram um desenvolvimento capitalista significativo no Brasil.
A Coluna Prestes distinguiu-se por seu caráter popular, pois seu contingente, de aproximadamente 1.500 combatentes, entre os quais havia 50 mulheres, era formado por homens simples do povo – soldados e cabos (jovens trabalhadores de origem rural), civis de diversas profissões, negros, mulatos, brancos e mestiços, em grande medida analfabetos. No comando da Coluna havia 10 oficiais (tenentes e capitães) do Exército e 2 oficiais (um major e um tenente) da Força Pública de São Paulo. Também participaram do comando 14 elementos civis, promovidos a postos militares segundo os critérios vigentes durante a Marcha.
Esses traços, juntamente com a adoção da tática da “guerra de movimento”, definiram a especificidade da Coluna Prestes - uma organização militar com características populares, o que a distinguia das demais revoltas tenentistas, assim como de outras experiências guerrilheiras conhecidas na História mundial. Um exército guerrilheiro, dirigido por militares profissionais, em que se garantia a iniciativa dos seus participantes - os soldados da Coluna não eram meros cumpridores de ordens superiores, conforme se verifica nos exércitos regulares. Organizados em pequenos grupos, de 5 ou 6 combatentes (as “potreadas”),  tinham autonomia para afastar-se do grosso da tropa em busca de informações sobre os movimentos do inimigo e a topografia dos locais por onde passavam, assim como de animais para a montaria e de víveres para o abastecimento da tropa. Os “potreadores”, movidos pela fidelidade à Coluna e aos seus comandantes sempre se reintegravam à Marcha e continuavam combatendo as forças inimigas, sem receberem qualquer tipo de remuneração.
Em contato com a situação de miséria das populações do interior do país, Prestes compreendeu que o liberalismo dos “tenentes” não seria a solução para os graves problemas do nosso povo. Durante a Marcha, a Coluna, sob o seu comando, assumiu a defesa dos despossuídos e oprimidos, vítimas da exploração dos poderosos locais, queimando listas de arrecadação de impostos escorchantes, libertando presos detidos injustamente, aplicando em alguns lugares medidas de reforma agrária, embora tímidas, lutando sempre por justiça e liberdade para os setores populares.
Sob o comando de Prestes, a Coluna tenentista transformou-se num exército popular revolucionário, embora Prestes e seus companheiros de luta não tivessem clareza do caminho a ser trilhado para a conquista de uma sociedade mais justa. Mas, a partir da experiência da Marcha, Prestes saltou da revolução ao comunismo, conforme apontado por Florestan Fernandes. A Coluna Invicta gerou a principal liderança da revolução social no Brasil – Luiz Carlos Prestes.
Da mesma forma como Simon Bolivar, José de San Martin, Mariano Moreno, Antônio José de Sucre e outros líderes da luta pela libertação das Américas do jugo colonial espanhol compreenderam, em seu tempo, que, para derrotar um inimigo tão poderoso, era necessário contar com a participação do povo em armas, um século mais tarde, Prestes perceberia que os artífices de um futuro de justiça social e democracia em nosso país seriam os setores populares, organizados, mobilizados e conscientes do seu papel transformador.
Se os “libertadores” do século XIX nas Américas souberam mobilizar as massas populares adotando medidas revolucionárias como a abolição da escravidão negra e da servidão indígena, a reforma agrária, a república e a promulgação de uma Constituição democrática, no Brasil, no século XX, frente às limitações impostas ao movimento revolucionário liderado por Prestes pelo poder das oligarquias agrárias associadas ao imperialismo, a saída seria outra: encerrar a Marcha e trilhar o caminho da revolução socialista, adotado por Luiz Carlos Prestes a partir de então.
A Coluna Prestes revelou a capacidade de luta do povo brasileiro e nisso reside sua atualidade. Mostrou que, no desenrolar das lutas populares, quando surgem lideranças autênticas, capazes de captar os seus anseios, torna-se possível mobilizar, organizar e conduzir os trabalhadores pelo caminho de transformações revolucionárias. Nos dias de hoje, tais transformações terão que apontar para o socialismo – única solução definitiva para os males que afetam os povos do continente latino-americano.
Anita Leocadia Prestes é professora do Programa de Pós-graduação em História Comparada da UFRJ e presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes
http://www.brasildefato.com.br/node/27823
O PCB E O GOLPE DE 1964

O PCB E O GOLPE DE 1964



(Nota Política do PCB)
O Brasil do final da década de 1950 e início dos anos 1960 vivenciava uma crise de consolidação e de crescimento do capitalismo no país, resultante do próprio processo de acumulação acelerado pelo modelo econômico implantado por Juscelino Kubitschek. O Estado brasileiro garantiu a infraestrutura necessária ao pleno desenvolvimento capitalista, com a montagem recorde dos setores mais dinâmicos da estrutura industrial brasileira, capitaneados, dentre outras, pelas empresas automobilísticas, de construção naval e mecânica pesada, majoritariamente controladas por capitais externos. A expansão capitalista era obtida com o aumento da produtividade industrial, com a incorporação de novas tecnologias facilitada pela abertura ao capital estrangeiro e o aprofundamento da exploração da força de trabalho.
Se esta política foi capaz de promover um alto grau de desnacionalização da economia brasileira, ao mesmo tempo não significou contradição aberta com os interesses dos capitalistas nacionais, pois propiciou a formação de um núcleo de empresas associadas aos grupos multinacionais instalados no Brasil. Esse quadro acabou projetando a burguesia brasileira associada ao capital internacional a uma posição de destaque dentre as demais frações da classe dominante que compunham o Estado no chamado “pacto populista”, até então mantido com base no equilíbrio entre elas. Os setores mais dinâmicos da burguesia brasileira queriam distância de qualquer projeto nacionalista que, de um lado, rejeitasse ou limitasse a presença do capital estrangeiro no país e, de outro, favorecesse ou não impedisse a mobilização crescente da classe trabalhadora e das massas populares por seus direitos.
Ao mesmo tempo, o desenvolvimento do capitalismo requeria uma nova onda de expansão produtiva, com o aprofundamento do processo de concentração de capital, a ser implementado por meio da expulsão do mercado das empresas menos poderosas e, portanto, menos competitivas. Logo, estava se dando uma crise de superacumulação do capital ou de superprodução, típica da fase monopolista do capitalismo. No início da década de 1960, a existência de um governo como o de João Goulart, identificado com propostas desenvolvimentistas nos marcos de um “capitalismo nacional autônomo” e que, em função de suas origens históricas, era obrigado a dialogar com as lideranças sindicais, significava claramente um obstáculo às pretensões da grande burguesia integrada de forma subalterna ao capital internacional, disposta, então, a tomar de assalto o poder de Estado, para fazer valer plenamente seus interesses.
Por outro lado, verificava-se no período a participação ativa de amplas camadas de trabalhadores urbanos e rurais nos embates políticos, atraindo setores de camadas médias, com destaque para estudantes e intelectuais. Se a ampliação da mobilização popular não colocava imediatamente em xeque a ordem capitalista, não deixava de representar uma séria ameaça aos interesses das frações de classe burguesas ligadas aos bancos, à grande indústria e ao latifúndio. Isto levava a uma conjuntura de crescente tensão, com o governo de João Goulart sendo pressionado por todos os setores da luta política e sofrendo um esvaziamento de poder e autoridade.
A resposta dos grupos capitalistas mais articulados no período, constituídos pela burguesia industrial, financeira e latifundiária, foi a preparação de um movimento reacionário para conter de pronto a ameaça que vinha das massas trabalhadoras. O golpe de estado de 1964, além de ter representado uma ação repressiva no sentido de esmagar e desbaratar as forças populares em ascensão, também teve por objetivo o rearranjo das forças políticas no núcleo central do poder, ao afastar as frações burguesas consideradas ultrapassadas, do ponto de vista do modelo de desenvolvimento econômico que se pretendia aprofundar, visando à consolidação do capitalismo monopolista no país, para o que seria necessário radicalizar a expropriação da classe operária, em níveis ainda mais violentos do que praticados anteriormente.
A ação golpista encontrou tímida resistência do conjunto do movimento sindical e popular. A linha política adotada pelo PCB, que influenciava amplos setores do movimento operário, na prática desarmava a militância para o enfrentamento à onda reacionária que tomava vulto a partir da difusão da ideologia anticomunista e do discurso do “perigo vermelho” pregados pelas associações empresariais e entidades como o IPES e o IBAD, aparelhos privados da hegemonia capitalista, além dos aparatos tipicamente coercitivos, como o Exército e a Escola Superior de Guerra, o que terminou contagiando parcelas significativas das camadas médias, atraindo-as para o apoio ao golpe de 1964.
As interpretações equivocadas da realidade brasileira, ainda vista como marcada por resquícios “feudais” e a definição da estratégia da revolução brasileira como nacional-democrática, a prever a aliança dos trabalhadores com uma “burguesia nacional” pretensamente indisposta com o imperialismo, fizeram com que os comunistas, assim como as principais lideranças dos grupos envolvidos nas lutas pelas reformas, subestimassem a preparação dos grupos fundamentais da classe dominante em direção ao golpe de estado. O PCB, com a Declaração de Março de 1958, entendia ser necessário lutar pela consolidação e ampliação da legalidade democrática, partindo da premissa segundo a qual era possível interferir mais diretamente no processo de mudanças vivido pela sociedade, organizando as pressões populares sobre o Estado e conduzindo a revolução brasileira por meios pacíficos. A dificuldade de associar a realidade brasileira da época à de uma sociedade capitalista madura levou a conclusões contraditórias, como a de apostar num projeto de revolução nacional-democrática, etapa ainda a ser realizada antes da revolução socialista. Na prática, a condução do processo ficou em mãos de setores da burguesia que não tinham pretensões de promover grandes mudanças no quadro social e econômico brasileiro.
No entanto, após a instalação da ditadura e depois de um período de dispersão, em função de ter subestimado a possibilidade de golpe, o PCB foi capaz de articular instrumentos para a construção da resistência nos espaços possíveis, buscando ampliar a luta no sentido da retomada do movimento de massas, ao mesmo tempo em que participava da criação de uma grande força oposicionista congregada na frente democrática. Na década de 1980, os setores moderados da oposição burguesa liberal negociaram a transição pelo alto na direção da democracia formal, e o amplo movimento de luta contra a ditadura não foi capaz de aprofundar a mudança no rumo de uma alternativa anticapitalista para o Brasil.
O PCB, ao participar ativamente da resistência contra a ditadura e mesmo corretamente não tendo aderido à luta armada – por entender que essa forma de luta não era compatível com a correlação de forças -, pagou um alto custo por essa jornada de lutas: centenas de militantes comunistas foram presos, torturados, assassinados e exilados. Antes de implementar a “abertura lenta, segura e gradual”, e depois de derrotar as organizações que recorreram à luta armada, a ditadura concentrou-se numa violenta empreitada de liquidação do PCB.
No início de 1973, o dirigente regional do PCB Célio Guedes foi morto com um tiro na nuca nas dependências do Cenimar no Rio de Janeiro. No ano de 1974, foram assassinados os dirigentes nacionais Davi Capistrano da Costa, morto com requintes de crueldade; José Roman, operário; João Massena, metalúrgico; Luiz Ignácio Maranhão Filho, jornalista; Walter de Souza Ribeiro, oficia do Exército e ativo militante das lutas pela paz. Também foi morto neste ano o professor de História e presidente do sindicato dos professores do Rio de Janeiro Afonso Henrique Martins Saldanha.
No ano de 1975 a repressão seria ainda mais violenta contra o PCB, eliminando os membros do Comitê Central Elson Costa, líder da greve dos caminhoneiros em Minas Gerais; Hiran de Lima Pereira; Nestor Veras, líder das lutas camponesas; Itair Veloso, operário da construção civil; o jornalista e advogado Orlando da Silva Rosa Bomfim Júnior; o jornalista e advogado Jayme Amorim de Miranda; o dirigente da juventude comunista José Montenegro de Lima. Seus corpos nunca foram encontrados até hoje. E mais: morreram sob torturas o gráfico Alberto Aleixo, o tenente da PM de São Paulo José Ferreira de Almeida, o coronel reformado José Maximino de Andrade Netto, o comerciário Pedro Jerônimo de Souza. Fechando o ano de 1975, a repressão assassinou, sob tortura, Vladimir Herzog, professor da USP e jornalista, militante da base cultural do PCB em São Paulo. No ano seguinte, ainda tombariam, vítimas da ditadura, a militante Neide Alves Santos e o operário metalúrgico Manoel Fiel Filho, responsável pela distribuição do jornal Voz Operária nas fábricas da Mooca, em São Paulo.
Na sua reorganização, após a volta dos anistiados em 1979, o Comitê Central eleito em 1982 levou o Partido para o caminho da conciliação de classes, insistindo em manter a política de frente democrática, que tinha sido correta até então - mas já estava ultrapassada -, ao invés de promover uma inflexão para alianças à esquerda.
Superado o período ditatorial, 30 anos da chamada redemocratização da vida política nacional foram incapazes de alterar o quadro fundamental de uma sociedade marcada pela profunda desigualdade social, em que os governos de plantão tudo fazem para garantir os altos lucros das empresas, dos bancos e do latifúndio, plenamente integrados ao capitalismo internacional e retomando o aparato repressivo dos tempos de ditadura para conter, com todo o terror de Estado, a ameaça ao poder burguês identificada nas manifestações populares e na luta de classes. Isso porque mudou a forma da hegemonia burguesa, com o restabelecimento da legalidade democrática, mas o sistema capitalista em nada foi alterado, aprofundando cada vez mais a desigualdade e a exclusão social.
A transição pelo alto que conduziu o processo de passagem da ditadura para a democracia formal burguesa garantiu a impunidade dos torturadores e assassinos que atuaram a serviço do regime, possibilitando que hoje a tortura e a execução sumária de pessoas – em sua maioria, trabalhadores pobres, marginalizados pela sociedade de mercado – continue a ser uma prática adotada pela polícia em todo o país.
Aos 92 anos de existência, o PCB, vivendo hoje o processo de reconstrução revolucionária, reconhece os erros cometidos no passado e exalta os acertos, destacando o papel heroico de todos os quadros do Partido que lutaram contra a ditadura, sobretudo daqueles que pagaram com sua própria vida o compromisso histórico com a transformação da realidade brasileira e a revolução socialista.
PELA REVOGAÇÃO DA LEI DE ANISTIA, COM A PUNIÇÃO DOS TORTURADORES, ASSASSINOS E COLABORADORES DO REGIME DITATORIAL
PELA REVOGAÇÃO DA LEI DE SEGURANÇA NACIONAL E DA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA DEFESA, QUE PROMOVE A VOLTA DOS MILITARES À REPRESSÃO DOS MOVIMENTOS POPULARES.
PELA DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS.
COM O PODER POPULAR, RUMO AO SOCIALISMO!
Comitê Central do PCB.

14 de janeiro de 2014

Dossiê de J.F.Neres - Cassado em Sabará por ser um vereador comunista

José Francisco Neres, conhecido durante a clandestinidade na ditadura de 64/85 como Pinheiro, ou, para todos nós, simplesmente o camarada Neres, foi o último preso político a ser posto em liberdade em Minas Gerais.
Neres foi vereador em Sabará, e foi cassado não pelo governo federal ditatorial, mas pela própria câmara municipal de Sabará, que se aproveitou do golpe para tirar o mandato conseguido nas urnas.
Em 2012, décadas depois da covardia legislativa, a câmara em sessão solene devolveu simbolicamente o seu mandato.
Neres está produzindo um documento sobre suas vida e sua luta. Abaixo, reproduzimos trecho dessa obra. Sabará também tem seus heróis, abnegados na resistência à ditadura empresarial/militar. Boa leitura!
Interrompe-se bruscamente o sol; das flores só o cheiro cada vez mais distante. Da música os acordes mais dissonantes, depois estridentes até desaparecerem os acordes; a melhodia foi vencida.
Resta o barulho ensurdecedor tentando ofuscar a lembrança, as vozes de crianças, as vozes do povo, as vozes do novo, o barulho contra o grito.
Gritos, urros, homem contra maquina de dor, a maquina contendo refinada tecnologia, manejada com arte sinistra.
Homem no escuro, o ar cada vez mais fragmentado. Sombra da noite, enfim a noite. As asas do pássaro o carregam para a noite.
Mas não... é proibido anoitecer. Aqui também a medicina tem seu lugar, encobre a noite mas reforça a escuridão.
Nos raros intervalos em que se pode lembrar, explode o canto novo. É preciso ocupar todas as horas do dia, todos os dias da noite. Som, barulho, dança macabra, onde o velho e o filho bastardo descarregam sua ira como que vingano sua decadência.
Como pode o passado se atirar com tanta força contra o presente e o futuro? O velho foi ferido de morte em 1917. De lá para cá sobrevive sugando força de sua filha bastarda – a classe média, e se alimentando da bestialidade, do obscurantismo que tembém são sub produto do velho.
Agora a dança é mais feroz; não conta horas. O dia se perdeu, o ar ficou mais escasso, os combústiveis para vida foram cortados. Em lugar o seu terror, o delírio, as alucinações; o encontro com a noite se faz urgente antes que se apague da mente as cores, as lembranças e a força do novo.
Até a noite foi acorrentada, passou a ser jogada contra a escuridão. A força nova se mantém por um fio, comprida, reprimida. Momentos de refluxo: momentos em que o velho se impõe e festeja a vitória que antevê.
Mas, um rasgo de sopro passa pelo fio e arromba a janela. Impõe de novo o novo, de a lembrança, de novo a herança, e lá fora se distingue a cor vermelha, a tocha de luz que avança nas mãos da classe operária.
“Pensamento passado para fora da prisão por Neres clandestinamente, no mês de Junho de 1976.”
VEJA O VÍDEO DA SESSÃO DE RESTITUIÇÃO SIMBÓLICA DO MANDATO DE JF NERES

PELA LIBERTAÇÃO DE FRANCISCO TOLOZA, MILITANTE PELA PAZ NA COLÔMBIA

(Nota do PCB)
O PCB (Partido Comunista Brasileiro) vem a público denunciar o estado terrorista colombiano pela prisão arbitrária de um dos principais dirigentes do movimento político-social Marcha Patriótica, cujo principal objetivo é a luta pela paz com justiça social na Colômbia, através de uma solução política para o conflito que persiste naquele país há quase meio século.
Francisco Toloza é um dos militantes colombianos mais conhecidos e reconhecidos pelas forças progressistas no Brasil e na América Latina em geral, graças a sua intensa participação em eventos pela paz e pela democracia em seu país, tendo sido um dos principais articuladores do Fórum pela Paz na Colômbia, de âmbito latino-americano, realizado em 2013, em Porto Alegre.
A prisão de um incansável lutador pela paz pelas forças de repressão desmascara a dupla moral do presidente colombiano, Manoel Santos. Enquanto passa ao mundo e a parte da população colombiana a imagem de um campeão da paz, não aceita a proposta de cessar-fogo bilateral que lhe apresenta as FARC e prende aqueles que lutam exatamente pela paz!
O PCB conclama todas as instituições e personalidades progressistas, do Brasil e de toda a América Latina, a reforçar a solidariedade à Marcha Patriótica e a todas as forças populares colombianas e a exigir a libertação imediata de Francisco Toloza.
PCB – Partido Comunista Brasileiro
(Comissão Política Nacional, 5 de janeiro de 2014)

11 de dezembro de 2013

INSCRIÇÃO - 6º MÓDULO DO CURSO DE FORMAÇÃO MARXISTA - EXPERIÊNCIAS SOCIALISTAS PELO MUNDO



6º MÓDULO DO CURSO DE FORMAÇÃO MARXISTA - EXPERIÊNCIAS SOCIALISTAS PELO MUNDO


6 de novembro de 2013

Contra a criminalização dos movimentos sociais. Todo apoio às lutas da juventude e do proletariado. Pelo Poder Popular!

Contra a criminalização dos movimentos sociais. Todo apoio às lutas da juventude e do proletariado. Pelo Poder Popular!

(Nota Política do PCB)

As lutas sociais vêm se intensificando de maneira expressiva no Brasil após as extraordinárias jornadas que se iniciaram em junho. Como o governo não atendeu as reivindicações populares e como a população, especialmente a juventude, perdeu o medo de se manifestar, o conflito social tem se tornado cada vez mais explosivo em várias cidades do País, especialmente no Rio de Janeiro e São Paulo. Todo dia em alguma cidade brasileira a população proletarizada e a juventude saem às ruas para protestar contra alguma arbitrariedade do governo e do capital, fecham rodovias, paralisam a circulação de mercadorias, enfrentam as forças policiais, sendo reprimidos violentamente.

Enquanto isso, o governo federal e os governos estaduais, numa santa aliança do grande capital, afiam seus instrumentos políticos, militares e de inteligência para reprimir os movimentos sociais. A esta estratégia se juntam os meios de comunicação de massas desenvolvendo uma grande campanha de manipulação no sentido de caracterizar as manifestações de massas como atos de vandalismo, depredações e caos. Para tanto, procuram criar bodes expiatórios, para esconder o descontentamento da população, justificar a violência policial contra os manifestantes e afastar a população das ruas.

No entanto, cada vez fica mais claro para o povo que a origem da violência são as dramáticas condições de vida da população brasileira,que enfrenta cotidianamente um transporte coletivo caótico e caro, a saúde e a educação indignas, a habitação precária e a violência policial nos bairros populares. Em vez de resolver esses problemas concretos do povo, o estado burguês, como sempre, trata a questão social como caso de polícia. Dessa forma, amplia a repressão contra a justa luta da população e da juventude por seus direitos sociais básicos e contra os desmandos policiais nos bairros das grandes cidades e até chamam o Exército e a Força Nacional para reprimir as greves e manifestações, como ocorreu recentemente nos protestos contra a entrega do petróleo ao capital.

Essa é a tradição das classes dominantes brasileiras, que foram viciadas historicamente na impunidade e na violência contra o proletariado e atualmente vêm realizando uma verdadeira guerra aberta conta o povo. Isso pode ser sintetizado em recente entrevista do governador de São Paulo, após o massacre de jovens pela polícia. Arrogante, ele disse:“quem não reagiu está vivo”,  numa autorização à barbárie. Nessa guerra, a polícia utiliza armas letais, carros blindados, balas de borracha, gás lacrimogêneo e de pimenta, bombas de efeito moral e todo um aparato bélico para enfrentar a população e os manifestantes, além do fato de que ainda infiltra agentes provocadores nas manifestações para justificar a repressão. Todos são testemunhas das prisões em massas nos recentes protestos, dos assassinatos e da violência, sobretudo contra jovens pobres e negros,vítimas principais da polícia, sem direito de defesa e mais ainda a “embargos infringentes”.

Alguns exemplos concretos podem ilustrar a barbárie contra a população e a juventude. Recentemente, o ajudante de pedreiro Amarildo foi torturado até a morte numa Unidade de Polícia “pacificadora” do Rio de Janeiro. Em São Paulo, um policial matou com um tiro no peito jovem Douglas Rodrigues numa batida policial, sem nenhum motivo. “Por que o senhor atirou em mim?” foram as últimas palavras do jovem antes de morrer. Durante as manifestações de junho a polícia atirou com balas de borracha e cegou dois manifestantes, um estudante e um fotógrafo.

Portanto, essa é a verdadeira violência, a violência institucionalizada, a violência do Estado e do capital. O que é mais desumano? Quebrar algumas agências de banco, lojas comerciais e bater num policial que estava provocando os manifestantes ou a tortura até a morte do ajudante de pedreiro Amarildo, o assassinato do jovem Douglas Rodrigues ou furar os olhos de dois jovens?  Portanto, a violência da população não é nada mais nada menos que a resposta às atrocidades de que cotidianamente são vítimas o proletariado  e a juventude nos bairros populares.

Essa conjuntura é que provocou o surgimento de diversos grupos e táticas que identificamos como anticapitalistas, incluindo os chamados Black Blocs, que vêm dando resposta violenta à violência da polícia, expressando a indignação da juventude contra a repressão permanente ao povo, contra as humilhações cotidianas das batidas policiais nos bairros e as precárias condições de vida da população. Os jovens e os proletários não querem mais ver seus irmãos, amigos e conhecidos serem assassinados nesta escalada da criminalização da pobreza. Esses grupos combativos de jovens são um fenômeno social e não podem ser tratados como marginais, nem criminosos. São jovens indignados com a violência do capital, que imaginam estar contribuindo para o enfraquecimento do capitalismo com ações espetaculares, de pequenos grupos ousados. Os jovens comunistas, nas manifestações populares, perfilam lado a lado com esses grupos na autodefesa contra a violência policial.

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) tem longa experiência de luta contra o capital. Sabemos que só as lutas que envolvam grandes massas, com protagonismo da classe operária e dos trabalhadores em geral, são capazes de derrubar o capitalismo. Por isso, procuramos organizar os trabalhadores, a juventude e o povo pobres dos bairros para derrotar o sistema capitalista. Entendemos que os Black Blocs, anarquistas e outros grupos que se formam em função da resistência à violência policial não são nossos inimigos, como alguns setores da esquerda institucionalizada procuram fazer crer. São companheiros que utilizam uma tática diferente da nossa, mas merecem respeito e solidariedade e temos a obrigação de dialogar com esses segmentos e procurar trazê-los para a luta organizada de massas.

Entendemos que a luta de classes mudou de patamar no País e tende a se acirrar à medida em que a crise econômica mundial avança e que a crise social se intensifica no Brasil. É bom que a esquerda institucionalizada vá se acostumando com a resposta das massas à violência do Estado. As jornadas de junho foram apenas o começo de um processo que será longo, violento e tenso, como toda a luta de classes. Como organização revolucionária, nós estaremos sem vacilações na linha de frente das lutas sociais e políticas no Brasil, procurando contribuir para a organização e autodefesa do povo e construção do poder popular, no rumo da sociedade socialista.

Contra a criminalização dos movimentos sociais!

Toda solidariedade aos que estão na luta anticapitalista!

Pela libertação dos presos políticos e o fim dos processos judiciais!

Pelo Poder Popular!

PCB (Partido Comunista Brasileiro)
Comissão Política Nacional
(novembro de 2013)

PCB REFUNDADO NO ESPÍRITO SANTO!

Realizou-se esta semana em Vitória um ato público emocionante. Depois de 21 anos sem vida regular e contínua no Espírito Santo, o PCB foi refundado no auditório da Assembléia Legislativa do Estado.

O ato foi aberto com saudações e informes dos três membros da Comissão Provisória do PCB no Estado (Mauro Ribeiro, Miguel Madeira e Manoel Tavares). Todos ressaltaram o processo criterioso de refundação do PCB no Estado, que levou dois anos de aproximação, com diversas idas de membros do Secretariado Nacional do Partido para reuniões com os camaradas.

Em seguida, Ivan Pinheiro, Secretário Geral do PCB, fez uma palestra resumindo a história do PCB (com ênfase na fase de sua reconstrução revolucionára), a estratégia e a tática do Partido e a visão sobre a crise do capitalismo, o ressurgimento das manifestações de massas no Brasil, a conjuntura e as possibilidades da esquerda socialista.

Aberto o debate, usaram da palavra 15 oradores, seja para saudar o PCB, para expor opiniões convergentes e divergentes ou formular perguntas, numa platéia que ultrapassou 50 pessoas, muitas delas já militantes, outras aspirantes ou amigas do PCB .

Prestigiaram o ato delegações do PSOL e do PSTU, alguns militantes do PSB e do PT, além do ex-governador Max Mauro, que durante a ditadura foi solidário a militantes do PCB na clandestinidade. Valorizamos também a generosa saudação que nos mandou o coordenador do Fórum Memória e Verdade (ES), Francisco Celso Calmon.

Foi significativa a presença de jovens interessados em conhecer melhor a linha política do PCB, o que pode contribuir para o surgimento no Estado da UJC (União da Juventude Comunista).

4 de novembro de 2013

PCB LANÇA MAURO IASI PRÉ CANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

A Comissão Política Nacional do PCB, reunida nesta data, conforme decisão do Comitê Central, submete à apreciação da militância do Partido, de seus amigos e aliados, a proposta de lançamento da pré-candidatura do camarada Mauro Iasi à Presidência da República, levando em conta as seguintes razões principais:
  • A necessidade de fazermos um contraponto à escancarada antecipação da campanha eleitoral de 2014, um teatro de mau gosto em que predominam falsas divergências entre políticos e partidos burgueses, negociatas, barganhas e toda sorte de cenas da mesma novela bianual da disputa por espaços na máquina estatal;
  •  O desinteresse dos partidos com os quais compartilhamos a oposição de esquerda em construir uma frente permanente programática, para a unidade na luta para além das eleições e dos partidos com registro. Desde 2006, o PCB insiste nesta proposta, recusando-se a formar coligações efêmeras, engendradas às vésperas das eleições e apenas em função delas;
  •  A necessidade de apresentarmos um programa político que denuncie a opressão e a violência do capitalismo e contribua com a construção do Poder Popular, dialogando com todos e todas cujas vozes se levantam nas ruas, respeitando suas formas de luta e sua recusa em participar do jogo institucional burguês;
  • O fato de a pré-candidatura de Mauro Iasi vir brotando da militância e de simpatizantes do PCB, inclusive angariando a simpatia de outros setores progressistas e de esquerda, desencantados com a postura eleitoreira de partidos e movimentos, parlamentares e candidatos de plantão.
Assim sendo, a CPN, ouvido o Comitê Central, resolve iniciar um processo de discussão no interior do Partido a respeito desta proposta, recomendando que os Congressos Regionais do PCB, que se realizarão no próximo mês de novembro em todo o país, nos marcos do XV Congresso Nacional do PCB, repercutam esta proposta, sem perder a centralidade dos debates no temário principal do Congresso.

O lançamento da pré-candidatura própria do PCB não é um expediente para barganhar com os partidos da oposição de esquerda, com os quais queremos construir uma frente de unidade na luta cotidiana, a partir das bases. Nos Estados em que essa unidade já se desenvolve, devemos estimular a possibilidade de alianças nas eleições regionais.

Nos dias 7 e 8 de dezembro próximo, mais uma vez o Comitê Central estará reunido e dedicará um espaço em sua agenda, voltada para o XV Congresso e outros temas, para conhecer a repercussão da proposta nas bases e, se for o caso, dar outros passos no sentido da pré-candidatura do camarada Mauro Iasi.

Comissão Política Nacional do PCB
Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2013
PT = PSDB

PT = PSDB


O PT, principal partido da base do governo, e o PSDB, maior partido da oposição à presidente Dilma Rousseff, devem caminhar juntos, em 2014, na eleição estadual do Mato Grosso do Sul. A notícia vem do jornal Valor Econômico, que informa, ainda, que a a articulação da aliança está sendo operada pelo senador Delcídio do Amaral (PT-MS), provável candidato petista para disputar o governo do Estado no próximo ano, e pelo deputado federal Reinaldo Azambuja, do PSDB, que aspira à vaga de senador .

A movimentação ajuda a colocar por terra a alegação, largamente usada nas campanhas eleitorais , de que há diferenças de fundo entre as duas legendas. PT e PSDB quase em nada divergem na condução da política econômica – de corte neoliberal – com direito a privatizações a granel e venda de riquezas nacionais para empresas estrangeiras. Os dois partidos têm a mesma postura quanto ao apoio total aos interesses dos grandes grupos econômicos privados e à retirada de direitos dos trabalhadores, entre muitas outras identidades.

28 de outubro de 2013

O PCB não se esquecerá de Mauricio Azedo!


Um jornalista militante; um militante jornalista

Neste 25 de outubro, morreu Mauricio Azedo, um dos maiores símbolos da imprensa brasileira e da resistência à ditadura. Era presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), onde havia sido reeleito há pouco tempo, por ampla maioria de votos. Nos últimos dias de sua vida, teve uma decepção que não merecia. À falta de votos, a chapa derrotada pelos jornalistas bateu às portas da Justiça, postergando a posse dos eleitos.

Desde cedo, Mauricio Azedo se colocou na linha de frente das lutas mais sentidas de  nosso povo, como membro da União da Juventude Comunista (UJC), na campanha do Petróleo é Nosso.

Na década de 60, liderou a primeira greve de jornalistas dentro do antigo Jornal do Brasil, já como militante do PCB.

Durante a ditadura militar de 64, continuou na luta. Em 1968, em uma de suas mais violentas ações, a PM invadiu a antiga Faculdade de Medicina, na Praia Vermelha, e fez mais de 500 prisões de estudantes de vários cursos que realizavam uma plenária, colocando todos os presos dentro do então campo do Botafogo, na Rua General Severiano. Essa violência gerou a maior passeata daquela época. 
Mauricio Azedo, rubro-negro apaixonado, foi o autor, no extinto Jornal dos Sports, da seguinte manchete acerca da passeata que respondia à violência policial: “100 mil vão às ruas pelo Botafogo”. A única manchete política em toda a história do Jornal dos Sports...

Na década de 1970, levou adiante uma ação dos comunistas na cidade do Rio de Janeiro que representava a resistência cultural à censura dos generais e coronéis de plantão. Fundou o Cine-Clube Macunaíma, na ABI, reduto de encontro de lideranças políticas na ilegalidade em que vivia o PCB.

Fruto desta constante luta política, Azedo foi preso, em 1976, e barbaramente torturado nas dependências do DOI-CODI, no Rio de Janeiro.

No início da década de 80, Mauricio Azedo se afasta do Partido, acompanhando o camarada Luiz Carlos Prestes em sua divergência com o então Comitê Central. Azedo sempre se manteve fiel aos seus princípios, firmando-se como uma das principais lideranças no campo da imprensa de esquerda no Brasil. No PDT, para onde migraram os camaradas que seguiram Prestes, foi vereador e presidente da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro.

Desde o processo de reconstrução do PCB, a partir da década de 90, Mauricio Azedo se tornou um grande amigo do Partido, prestigiando-nos com sua presença em vários eventos, inclusive nas comemorações pelos 90 anos do PCB, em 2012, que se realizou exatamente na ABI.

Neste ano, o Comitê Central do PCB resolveu conceder a Mauricio Azedo a Medalha Dinarco Reis, uma homenagem a todos aqueles que honram a história do Partido. Mauricio ficou emocionado e honrado com a homenagem, que infelizmente não se concretizou ainda em vida, pela pendência judicial em relação às eleições na ABI. A homenagem será mantida, em memória, porque sua história é parte da nossa história.

O PCB se orgulha de Mauricio Azedo, sente-se gratificado por esse filho do povo brasileiro ter pertencido aos seus quadros. O PCB sempre esteve presente na vida de Mauricio Azedo, e a vida política do PCB estará sempre ligada a esta figura ímpar chamada OSCAR MAURICIO AZEDO.