Mostrando postagens com marcador Nota Política do PCB. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nota Política do PCB. Mostrar todas as postagens

14 de janeiro de 2014

PELA LIBERTAÇÃO DE FRANCISCO TOLOZA, MILITANTE PELA PAZ NA COLÔMBIA

(Nota do PCB)
O PCB (Partido Comunista Brasileiro) vem a público denunciar o estado terrorista colombiano pela prisão arbitrária de um dos principais dirigentes do movimento político-social Marcha Patriótica, cujo principal objetivo é a luta pela paz com justiça social na Colômbia, através de uma solução política para o conflito que persiste naquele país há quase meio século.
Francisco Toloza é um dos militantes colombianos mais conhecidos e reconhecidos pelas forças progressistas no Brasil e na América Latina em geral, graças a sua intensa participação em eventos pela paz e pela democracia em seu país, tendo sido um dos principais articuladores do Fórum pela Paz na Colômbia, de âmbito latino-americano, realizado em 2013, em Porto Alegre.
A prisão de um incansável lutador pela paz pelas forças de repressão desmascara a dupla moral do presidente colombiano, Manoel Santos. Enquanto passa ao mundo e a parte da população colombiana a imagem de um campeão da paz, não aceita a proposta de cessar-fogo bilateral que lhe apresenta as FARC e prende aqueles que lutam exatamente pela paz!
O PCB conclama todas as instituições e personalidades progressistas, do Brasil e de toda a América Latina, a reforçar a solidariedade à Marcha Patriótica e a todas as forças populares colombianas e a exigir a libertação imediata de Francisco Toloza.
PCB – Partido Comunista Brasileiro
(Comissão Política Nacional, 5 de janeiro de 2014)

27 de dezembro de 2013

Nota Política do PCB sobre o caso Edward Snowden

Nota Política do PCB sobre o caso Edward Snowden



Sua “carta Aberta ao Povo Brasileiro” e o pedido de asilo político
Em “Carta Aberta ao Povo Brasileiro”, divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, nesta terça feira, 17 de dezembro de 2013, o ex-agente da NSA (Agencia Nacional de Segurança dos EUA) sintetiza parte da sua trajetória desde que revelou ao mundo um conjunto de provas que explicitaram as ações, e meios ilegais, utilizadas pelo governo americano em parceria com os grandes grupos capitalistas da internet e do mundo digital (Google, Microsoft, Facebook, Yahoo, dentre outras), para monitorar e espionar pessoas em qualquer parte do planeta, ao seu bel prazer, e como isto o resultou com inúmeras represálias e perseguições por parte do governo estadunidense.
Nela reafirmou, também, que a NSA tem monitorado diariamente bilhões de pessoas pela internet e pelos serviços de telefonia, sobre o falso pretexto da segurança nacional e do combate ao terrorismo, quando na verdade, este monitoramento sistemático visa tão somente garantir interesses econômicos e políticos, seja pela espionagem industrial e individual, ou mesmo pelo “monitoramento global em massa”, como meios de garantir a “ordem social” de acordo, claro, com os os interesses do Governo dos EUA (e, obviamente, dos grandes grupos capitalistas que o financiam, apoiam e colaboram direta, ou indiretamente com estas ações).
Ao final da carta, Snowden deixa claro o interesse de dar continuidade às suas denúncias e contribuir, inclusive, para a construção de um grande movimento que tenha por objetivo enfrentar os interesses poderosos que alicerçam estas práticas nefastas que representam um grande ataque aos interesses da humanidade.
Por estas questões que destacamos, o PCB vem a público manifestar seu apoio ao pedido de asilo político feito por Edward Snowden, não somente como forma de cessar as inúmeras formas de pressão e retaliações que ele vem sofrendo, mas também como meio de garantir que ele possa divulgar ainda mais documentos que explicitam o caráter fascista do monopólio da internet exercida pelos EUA.
Somente com a divulgação de todas as informações acerca dos atentados efetivados pelo imperialismo americano contra a privacidade das pessoas é que poderemos mudar bruscamente a correlação de forças neste campo. Correlação esta que, ainda hoje, continua completamente favorável às ações de espionagem que claramente se ligam aos processos de criminalização da classe trabalhadora e dos diversos grupos sociais que lutam contra as injustiças perpetradas pelo sistema capitalista no Brasil e no mundo.
Conceder asilo a Edward Snowden é trazer a público toda a verdade sobre este problema e, com isto, possibilitar a criação e o fortalecimento de mecanismos (como o uso da criptografia em massa) que garantam o fim da espionagem global e, até mesmo, desenvolver e propagandear o uso de ferramentas dentro do conceito de software livre ( com códigos abertos e, por tanto, autônomos em relação às grandes empresas capitalistas do ramo) capazes de garantir o direito à privacidade das pessoas e a soberania e autodeterminação dos países subalternos no sistema imperialista.
Se o governo brasileiro quer realmente lutar contra a espionagem em massa promovida pelos Estados Unidos, como proclama publicamente, ou concederá asilo a Snowden ou deixará consignada sua submissão ao imperialismo. E ainda romperá com uma tradição brasileira de concessão de asilo político.
Carta Aberta ao Povo Brasileiro
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/12/1386291-leia-integra-da-carta-de-snowden-ao-brasil.shtml

6 de novembro de 2013

Contra a criminalização dos movimentos sociais. Todo apoio às lutas da juventude e do proletariado. Pelo Poder Popular!

Contra a criminalização dos movimentos sociais. Todo apoio às lutas da juventude e do proletariado. Pelo Poder Popular!

(Nota Política do PCB)

As lutas sociais vêm se intensificando de maneira expressiva no Brasil após as extraordinárias jornadas que se iniciaram em junho. Como o governo não atendeu as reivindicações populares e como a população, especialmente a juventude, perdeu o medo de se manifestar, o conflito social tem se tornado cada vez mais explosivo em várias cidades do País, especialmente no Rio de Janeiro e São Paulo. Todo dia em alguma cidade brasileira a população proletarizada e a juventude saem às ruas para protestar contra alguma arbitrariedade do governo e do capital, fecham rodovias, paralisam a circulação de mercadorias, enfrentam as forças policiais, sendo reprimidos violentamente.

Enquanto isso, o governo federal e os governos estaduais, numa santa aliança do grande capital, afiam seus instrumentos políticos, militares e de inteligência para reprimir os movimentos sociais. A esta estratégia se juntam os meios de comunicação de massas desenvolvendo uma grande campanha de manipulação no sentido de caracterizar as manifestações de massas como atos de vandalismo, depredações e caos. Para tanto, procuram criar bodes expiatórios, para esconder o descontentamento da população, justificar a violência policial contra os manifestantes e afastar a população das ruas.

No entanto, cada vez fica mais claro para o povo que a origem da violência são as dramáticas condições de vida da população brasileira,que enfrenta cotidianamente um transporte coletivo caótico e caro, a saúde e a educação indignas, a habitação precária e a violência policial nos bairros populares. Em vez de resolver esses problemas concretos do povo, o estado burguês, como sempre, trata a questão social como caso de polícia. Dessa forma, amplia a repressão contra a justa luta da população e da juventude por seus direitos sociais básicos e contra os desmandos policiais nos bairros das grandes cidades e até chamam o Exército e a Força Nacional para reprimir as greves e manifestações, como ocorreu recentemente nos protestos contra a entrega do petróleo ao capital.

Essa é a tradição das classes dominantes brasileiras, que foram viciadas historicamente na impunidade e na violência contra o proletariado e atualmente vêm realizando uma verdadeira guerra aberta conta o povo. Isso pode ser sintetizado em recente entrevista do governador de São Paulo, após o massacre de jovens pela polícia. Arrogante, ele disse:“quem não reagiu está vivo”,  numa autorização à barbárie. Nessa guerra, a polícia utiliza armas letais, carros blindados, balas de borracha, gás lacrimogêneo e de pimenta, bombas de efeito moral e todo um aparato bélico para enfrentar a população e os manifestantes, além do fato de que ainda infiltra agentes provocadores nas manifestações para justificar a repressão. Todos são testemunhas das prisões em massas nos recentes protestos, dos assassinatos e da violência, sobretudo contra jovens pobres e negros,vítimas principais da polícia, sem direito de defesa e mais ainda a “embargos infringentes”.

Alguns exemplos concretos podem ilustrar a barbárie contra a população e a juventude. Recentemente, o ajudante de pedreiro Amarildo foi torturado até a morte numa Unidade de Polícia “pacificadora” do Rio de Janeiro. Em São Paulo, um policial matou com um tiro no peito jovem Douglas Rodrigues numa batida policial, sem nenhum motivo. “Por que o senhor atirou em mim?” foram as últimas palavras do jovem antes de morrer. Durante as manifestações de junho a polícia atirou com balas de borracha e cegou dois manifestantes, um estudante e um fotógrafo.

Portanto, essa é a verdadeira violência, a violência institucionalizada, a violência do Estado e do capital. O que é mais desumano? Quebrar algumas agências de banco, lojas comerciais e bater num policial que estava provocando os manifestantes ou a tortura até a morte do ajudante de pedreiro Amarildo, o assassinato do jovem Douglas Rodrigues ou furar os olhos de dois jovens?  Portanto, a violência da população não é nada mais nada menos que a resposta às atrocidades de que cotidianamente são vítimas o proletariado  e a juventude nos bairros populares.

Essa conjuntura é que provocou o surgimento de diversos grupos e táticas que identificamos como anticapitalistas, incluindo os chamados Black Blocs, que vêm dando resposta violenta à violência da polícia, expressando a indignação da juventude contra a repressão permanente ao povo, contra as humilhações cotidianas das batidas policiais nos bairros e as precárias condições de vida da população. Os jovens e os proletários não querem mais ver seus irmãos, amigos e conhecidos serem assassinados nesta escalada da criminalização da pobreza. Esses grupos combativos de jovens são um fenômeno social e não podem ser tratados como marginais, nem criminosos. São jovens indignados com a violência do capital, que imaginam estar contribuindo para o enfraquecimento do capitalismo com ações espetaculares, de pequenos grupos ousados. Os jovens comunistas, nas manifestações populares, perfilam lado a lado com esses grupos na autodefesa contra a violência policial.

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) tem longa experiência de luta contra o capital. Sabemos que só as lutas que envolvam grandes massas, com protagonismo da classe operária e dos trabalhadores em geral, são capazes de derrubar o capitalismo. Por isso, procuramos organizar os trabalhadores, a juventude e o povo pobres dos bairros para derrotar o sistema capitalista. Entendemos que os Black Blocs, anarquistas e outros grupos que se formam em função da resistência à violência policial não são nossos inimigos, como alguns setores da esquerda institucionalizada procuram fazer crer. São companheiros que utilizam uma tática diferente da nossa, mas merecem respeito e solidariedade e temos a obrigação de dialogar com esses segmentos e procurar trazê-los para a luta organizada de massas.

Entendemos que a luta de classes mudou de patamar no País e tende a se acirrar à medida em que a crise econômica mundial avança e que a crise social se intensifica no Brasil. É bom que a esquerda institucionalizada vá se acostumando com a resposta das massas à violência do Estado. As jornadas de junho foram apenas o começo de um processo que será longo, violento e tenso, como toda a luta de classes. Como organização revolucionária, nós estaremos sem vacilações na linha de frente das lutas sociais e políticas no Brasil, procurando contribuir para a organização e autodefesa do povo e construção do poder popular, no rumo da sociedade socialista.

Contra a criminalização dos movimentos sociais!

Toda solidariedade aos que estão na luta anticapitalista!

Pela libertação dos presos políticos e o fim dos processos judiciais!

Pelo Poder Popular!

PCB (Partido Comunista Brasileiro)
Comissão Política Nacional
(novembro de 2013)

28 de outubro de 2013

Pela imediata libertação dos presos políticos nas manifestações

Pela imediata libertação dos presos políticos nas manifestações

Nota Política do PCB

O PCB vem a público exigir a imediata libertação dos presos políticos no Rio de Janeiro. O PCB se solidariza com os companheiros e companheiras presos de forma ilegal e ilegítima nas manifestações que tomaram conta do Brasil desde junho e que se mantêm vivas até hoje.

Somos solidários àqueles que, corajosamente, têm se mostrado como linha de defesa dos manifestantes contra a Policia Militar e seus desmandos autoritários. A atitude destes jovens honra a nossa mais cara tradição de luta, baseada na ousadia e determinação dos que se levantam contra a ordem do capital e não aceitam a acomodação dentro dos limites bem comportados impostos pela institucionalidade burguesa.

A Policia Militar, a mando do Governo Cabral, é apenas o instrumento a serviço do Capital, que não pode permitir que, das manifestações, venha a se constituir uma alternativa real e vigorosa de poder contra os interesses do grande capital monopolista, das empreiteiras, da saúde privada, do agronegócio, da especulação imobiliária, dos bancos e de seus capachos e aliados.

Os manifestantes presos são nossos militantes, independemente de nossas diferenças táticas e organizativas, pois na luta de classes não há fronteiras que nos dividam contra o inimigo comum. Eles estão presos porque reconhecem e lutam abertamente contra este inimigo, pedagogicamente atacando coisas e não pessoas.

Nas cadeias para onde estão sendo levados encontraram nossos irmãos de classe, muitos como eles, capturados arbitrariamente, com flagrantes forjados, arrastados para os porões deste ESTADO DEMOCRÁTICO de DIREITA. São todos vítimas da truculência policial e de um sistema judiciário que atua a favor da classe dominante, impedindo o acesso aos direitos a quem está muito longe da possibilidade dos recursos e embargos infringentes.

Os verdadeiros criminosos seguem no Estado sucateando a educação, privatizando a vida, entregando o petróleo aos monopólios privados. Nós, que estamos nas ruas, não somos criminosos, somos lutadores que denunciam este crime e por isso enfrentamos a ira do poder de estado burguês.

Pela imediata libertação dos presos políticos nas manifestações.

Pela anulação dos processos arbitrários contra manifestantes.

Pelo Fim da Policia Militar.

Abaixo o Capitalismo.

Lutar, criar o Poder Popular.

Partido Comunista Brasileiro (PCB)
Difamação contra o PCB

Difamação contra o PCB

Foi publicada, no último domingo, entrevista com o delegado Oslain Santana, Diretor de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal. Diz o mesmo que a corrupção está entranhada nas práticas partidárias, principalmente nos financiamentos de campanha, e que tais condutas "não são privilégio desse ou daquele partido", e sim que "todos os partidos" estão envolvidos ("Financiamento de campanha atual estimula a corrupção", Jornal "O Globo", 20/ 10/ 2013).

Como se vê, tal declaração joga, na mesma vala, todo o espectro político partidário brasileiro, como se os partidos sem exceção fosse idênticos em suas práticas. Trata-se de uma declaração leviana, que ecoa o discurso antipartidário que apareceu no bojo das manifestações a partir de junho. Essa hostilidade aos partidos faz parte da pauta da direita mais reacionária, interessada no esvaziamento do debate político -do qual os partidos são em tese instrumento- e em soluções autoritárias, como quarteladas e golpes de Estado.

Quando diz que "todos os partidos" são corruptos, o ilustre delegado mostra, também, profundo desconhecimento da história recente do Brasil. O Partido Comunista Brasileiro- PCB, desde sua fundação no longínquo ano de 1922, jamais, em toda sua existência, esteve envolvido em qualquer escândalo ou episódio que pudesse macular seu nome. Fiel aos princípios do marxismo e do leninismo, repudia e sempre repudiou as práticas nefastas da democracia burguesa, com seus conchavos, compadrios e jogos de interesse.

Não temos ilusões no sistema vigente, com todas as vicissitudes inerentes ao capitalismo. Concordamos que é preciso repensar o atual modelo de gastos de campanha, sendo o financiamento público, nesse sentido, fundamental. Mas não é porque os diversos partidos do institucionalismo burguês têm atitudes espúrias, do ponto de vista legal e político, que se pode dizer, de forma difamatória e caluniosa, que todos (sic) os partidos têm o mesmo proceder.

PCB - Secretariado Nacional

6 de julho de 2013

NÃO AO PACTO DA DILMA E DO PT: AVANÇAR E CRIAR O PODER POPULAR

imagem

(Nota Política do Comitê Central do PCB)

Nas últimas semanas, a população brasileira - principalmente os jovens - saiu às ruas e gritou sua indignação contra o aumento das passagens, pela saúde e educação, contra os gastos com a Copa, contra a violência policial, contra a inflação e contra uma forma de representação política que demonstrou seus limites. A exemplo do que acontece em outras partes do mundo, a explosão social é resultado de uma insatisfação generalizada contra os efeitos do capitalismo e da crise desse sistema, das medidas dos governos, que jogam sobre as costas dos trabalhadores e da população a solução dos problemas, deixando intactos os ganhos dos empresários e patrões.

As massas rebeladas mostraram o caminho de forma inovadora e criativa, combativa e autônoma, reafirmando o sentido e dando consequência a toda uma luta daqueles que há muito tempo se empenham na defesa destas bandeiras e demonstraram que só na luta conquistaremos uma vida melhor.

A Presidente Dilma, do PT, diz ter ouvido as vozes da rua e propõe cinco pactos: 1. Pacto pela Responsabilidade Fiscal; 2. Pacto pela Reforma Política; 3. Pacto contra a corrupção; 4. Pacto pela Saúde e Educação; 5. Pacto pela mobilidade urbana.  Se “o povo acordou”, como dizem os cartazes nas ruas, os governantes continuam dormindo. A presidente se mostrou, mais uma vez, incapaz de ouvir o que os jovens e a população estão gritando. O que vimos é mais do mesmo: o verdadeiro compromisso do governo do PT é o pacto com as classes dominantes.

Não ao pacto com os banqueiros e financistas

Não é à toa que o primeiro pacto proposto é a responsabilidade fiscal, pela qual o Estado tem que economizar seus recursos para destinar o saldo para os bancos e a especulação financeira, por meio do pagamento de juros da dívida. A responsabilidade fiscal significa uma proibição de contratar funcionários públicos, condição essencial para desenvolver serviços públicos, mas não se mexe no gasto do Estado com os juros para os banqueiros: entre 2000 e 2009, o que foi gasto com juros e amortizações da dívida pública ultrapassa os 44% do PIB, muito mais do que se gastou com saúde, educação e programas sociais, como o Bolsa Família.

Este pacto é o pacto com os banqueiros e o capital financeiro. O fundo público é composto pelos impostos que, em nosso país, são pagos em sua ampla maioria pelos trabalhadores. Enquanto a contribuição dos trabalhadores representa mais de 40% da composição do fundo, os banqueiros e milionários contribuem com menos de 4%. E mais ainda: a maior parte vai para os bancos e empresas privadas, ao passo que a menor quantia é destinada à educação, saúde, transporte e moradia dos trabalhadores e do povo.

Não ao pacto que preserva um Congresso desmoralizado e deixa livres os empresários corruptores

O pacto pela reforma política é uma enganação e uma hipocrisia. O governo petista, em dez anos no poder, não fez a reforma política. Não a fez porque a farsa democrática atual lhe beneficia, ao manipular a população a cada dois anos, levando-a a eleger bancadas de representantes e governos que depois agirão em favor dos empresários que financiaram as campanhas e não em prol dos eleitores, que votaram acreditando em suas promessas.

Primeiro falaram de plebiscito e constituinte para, depois, voltar atrás e lançar sua verdadeira proposta: será o Congresso Nacional que vai decidir sobre a reforma política. Entregaram às raposas o cuidado com o galinheiro.

O pacto contra a corrupção é outra mentira, pois só aumenta a pena para os corruptos e não ataca a origem da corrupção. A corrupção no Brasil tem duas fontes: a forma política de um presidencialismo que só pode governar montando bancadas de sustentação mantidas através da troca de cargos, emendas parlamentares e favores financeiros legais e ilegais, a fim de bancar as campanhas eleitorais; e o poder econômico dos grandes empreiteiros, patrões, banqueiros, empresários do agronegócio, monopólios comerciais, a máfia dos planos de saúde e outros que financiam as campanhas e depois cobram a conta dos eleitos através de facilidades, contratos, legislação e outras formas diretas ou indiretas de facilitar e garantir seus gigantescos lucros.
Muito se fala dos corruptos e pouco dos corruptores. Aqueles que pagam fortunas para corromper certamente esperam garantir fortunas ainda maiores. Não se enfrentará a corrupção sem atacar o poder econômico dos monopólios.
Contra os pactos que oneram o bolso dos trabalhadores: que a burguesia pague a conta!

O terceiro e quarto pacto são a comprovação da enganação: mais verbas para saúde, educação e transporte. Enganação por quê? Pelo fato de que o instrumento principal do governo tem sido a desoneração de impostos. Foi isso que fizeram com o setor automobilístico e de eletrodomésticos, com os empresários do agronegócio e agora com os donos das empresas de transporte. Subsídios para empresários significa manter o lucro dos patrões sem nenhuma garantia de baixar preços ou melhorar serviços.


Além disso, mais verbas para educação e saúde não é garantia de que serão direcionadas para as áreas públicas. Quem nos garante que não serão - como até agora tem sido feito - desviadas para subsidiar o ensino privado e as empresas público privadas, as fundações, as organizações sociais e todas as formas diretas e indiretas de privatização e mercantilização destes serviços essenciais? No ano passado, o governo do PT se recusou a atender a proposta dos professores do ensino público federal para reestruturar a carreira que custaria menos de 8 bilhões, mas transferiu gentilmente mais de 15 bilhões para as universidades privadas. Pagou quase 700 bilhões para banqueiros e gastou menos de 25 bilhões com a saúde.

Na provisão desses recursos, o governo apresenta, como “garantias” à população, os royalties do pré-sal, demonstrando que seguirá com os leilões do petróleo, crime de lesa-pátria praticado em níveis jamais vistos no país.

A única solução para a educação e a saúde é um serviço 100% público, mantido por verbas públicas. Educação e saúde não são mercadorias.

O último pacto é outra tentativa de enganar os trabalhadores e parar os protestos: o pacto pela mobilidade urbana. Aqui também a saída proposta é aumentar a isenção de impostos para garantir os lucros das empresas de transportes. Nossa resposta deve ser, aqui também, pela estatização e municipalização do transporte financiado pelo fundo público que nós pagamos. Transporte é um direito e não uma mercadoria. Que os vampiros da riqueza nacional não encontrem mais nesse setor um lugar para lucrar.

Aqui também a forma política e a corrupção se encontram. Os governos municipais do PT nos anos 1980 municipalizaram os transportes e chegou-se a falar em tarifa zero. Em seguida devolveram os transportes aos empresários, e estes se transformam nos principais financiadores do PT nas eleições. Depois, cobram a conta com uma política de aumento de passagens, ao mesmo tempo em que deixam de cumprir o que lhes cabia, ou seja, a manutenção e a renovação da frota, o aumento de linhas, além de explorar cobradores e motoristas com baixos salários, jornadas estafantes e falta de treinamento adequado. Muito pouco foi feito para a construção e expansão dos sistemas de trens, metrôs, barcas e bondes, meios bem mais eficazes e baratos, que são combatidos pelos empresários rodoviários.

Os pactos anunciados escondem o pacto principal: o pacto com a burguesia e os poderosos, que saqueiam o fundo público para aumentar seus lucros, enquanto deixam definhar os serviços públicos.

Nosso pacto é com os trabalhadores, pela melhoria das condições de vida, manutenção e ampliação de direitos

O governo não fala uma única palavra sobre as condições dos trabalhadores e os resultados que o pacto da burguesia impõem à classe trabalhadora para gerar o “crescimento acelerado” de que os governantes tanto se orgulham. Além de ter que se desdobrar em vários empregos, de viver a inflação corroendo seus salários, ver as taxas se serviços dispararem e outras entrarem no orçamento, as famílias de classe média e dos trabalhadores estão profundamente endividadas.

Disfarçada de facilidades de crédito para atender necessidades da população, a política de incentivo ao consumo interessa aos empresários que querem se livrar de seus enormes estoques e garantir seus lucros. Resolvido o problema dos capitalistas, sobra para os trabalhadores a dívida, a ser paga com juros altos, os quais, por seu turno, engordam os lucros dos banqueiros.


Os trabalhadores sofrem com uma profunda intensificação do ritmo de trabalho, o que tem provocado o aumento das doenças e das mortes, no ritmo de uma escala de guerra. Em 2006, houve 512.232 acidentes de trabalho no Brasil, número que aumentou em 2007 para 653.090 acidentes, com 2.804 mortes e 8.504 incapacitados permanentemente. Mais de 30% da força de trabalho no Brasil sofre com transtornos mentais menores e, de 5 a 10%, com transtornos mentais graves, levando o afastamento por doença mental ao terceiro lugar na concessão de benefícios previdenciários. Estes, sim, estão na base do desenvolvimento recente do Brasil, tão elogiado pelos ricos: lucro para a burguesia e morte e doenças para os trabalhadores.
Além disso, para incentivar os investimentos, o governo, em aliança com sindicalistas cooptados, está impondo um verdadeiro desmonte de direitos conquistados, precarizando as condições de contratação com medidas que o discurso oficial hipocritamente chama de “flexibilização”. São milhares de trabalhadores precarizados, terceirizados, sem direitos. Mesmo aqueles que agora estão iludidos com os empregos precários e a facilidade de consumo via crédito e endividamento acordarão deste sonho quando adoecerem ou ficarem incapacitados ou tiverem que se aposentar segundo as novas regras, definidas pela reforma da previdência. Então perceberão que grande parte de seus direitos históricos lhes foi roubada pelo pacto entre o governo e a burguesia.


Nossos direitos são fruto de muita luta e devemos defendê-los em memória daqueles que lutaram e dos muitos que morreram por sua efetivação.

Por tudo isso dizemos não ao Pacto da Dilma e sim à continuidade das mobilizações, pela pauta popular que emerge dos protestos que tomaram conta do Brasil. Devemos lutar junto com os militantes dos movimentos sociais, das organizações sindicais e populares, dos partidos de esquerda, chamando a classe trabalhadora e a população que sofre os efeitos mais perversos da ordem capitalista a transformar as demandas apresentadas nos protestos num Programa de Lutas Populares.

Para tanto, propomos:

· Dizer não ao pacto da Dilma com a burguesia e lutar pela continuidade da luta e das mobilizações em torno de um programa que dê respostas às demandas por transportes, educação, saúde, moradia, contra a violência e em defesa da vida. A vida não é mercadoria, o capitalismo é inimigo da vida. Por uma política pública de direitos essenciais 100% estatais, públicos e gratuitos.

· Lutar por uma política pública de direitos essenciais 100% estatais, públicos e gratuitos.

· Dizer não à reforma política das elites e das classes dominantes que querem disfarçar sua forma política para continuar seu domínio e seus privilégios. Por uma Assembleia Popular Constituinte eleita entre os trabalhadores em seus locais de trabalho, pelos moradores em seus locais de moradia, por estudantes nas escolas e universidades, pelos trabalhadores no campo nas pequenas propriedades da agricultura familiar, nos assentamentos e acampamentos que lutam pela terra, pelas comunidades indígenas e demais setores populares. Essa Assembleia Popular deverá apresentar soluções para as demandas populares expressas nos protestos, apontando um caminho para o Brasil contra os interesses dos grandes monopólios e empresários que hoje dominam nossa sociedade, a fim de reverter o quadro de uma sociedade dividida entre poucos ricos que concentram 74% da riqueza e os trabalhadores, que acabam pagando mais impostos e recebem bem abaixo do necessário para viver. Estamos convictos de que o Programa Popular nascido dessa experiência será um programa anticapitalista, pois quem impede nosso direito universal à educação, saúde, moradia, acesso à terra e condições essenciais à vida são os monopólios burgueses que transformam todos os meios em mercadoria a serviço de sua acumulação de riqueza e não para resolver os reais problemas da maioria da população.

· Que o processo de mobilização e organização por uma programa popular e anticapitalista busque a forma adequada para sua expressão política, a qual não pode ser a farsa democrática atual, traduzida na mera eleição de representantes que, depois de eleitos, viram as costas aos trabalhadores para defender os interesses das classes dominantes. A verdadeira democracia tem que ir muito além das formas hoje existentes e buscar a constituição de um poder político que garanta à maioria seu efetivo poder, o que somente será possível com o Poder Popular, construído diretamente pelos trabalhadores da cidade e do campo e sob seu controle.

· Lutar contra o pacto das classes dominantes, fortalecendo a aliança de todos aqueles que lutam com os trabalhadores por suas reais demandas e na defesa de seus direitos. Assim, conclamamos os trabalhadores, a juventude e os setores populares a engrossarem a mobilização em torno da greve geral convocada pelas centrais sindicais para o dia 11 de julho. Vamos cruzar os braços, paralisar a produção, parar fábricas, escolas, comércio, transportes, em protesto contra os péssimos salários, a superexploração imposta pelos capitalistas, os ataques desferidos pelos patrões e governos contra nossos direitos e a degradação das condições de vida.

Não ao pacto da Dilma e do PT com as classes dominantes.

Unidade na luta contra o fascismo.

Contra a farra dos gastos com os megaeventos.

Pela desmilitarização da polícia.

Pela continuidade da mobilização e pela organização popular.

Nenhum direito a menos, em defesa dos direitos conquistados.

Contra a precarização do trabalho.

Pela revogação da Reforma da Previdência.

Pela diminuição da jornada de trabalho sem redução de salário.

Pela imediata correção dos salários para repor a inflação.

Petrobras 100% estatal.

Contra a privatização dos serviços públicos.

Pela Assembleia Popular Constituinte.

Por uma Programa Popular Anticapitalista.

Pela construção do Poder Popular.

TODOS À GREVE GERAL DO DIA 11 DE JULHO!

PPS, PARTIDO DA DIREITA BRASILEIRA

imagem
(Nota Política do PCB)

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) vem a público denunciar o estelionato político praticado pelo Partido Popular Socialista (PPS) em seu programa veiculado em cadeira nacional de rádio e televisão no último dia 27 de junho. Esta agremiação, que hoje assume o papel de representar a oposição de direita ao governo Dilma, inclusive participando de coligações com o PSDB e o DEM nos processos eleitorais dos últimos anos, apresentou-se como “PCB-PPS”, tentando passar ao público a falsa impressão de ser o sucedâneo político do PCB e de estar comemorando 91 anos de existência.

Cabe lembrar que, no ano de 1992, os atuais dirigentes do PPS empreenderam ação liquidacionista contra o Partido Comunista Brasileiro, sobre quem afirmavam tratar-se de um “cadáver insepulto”, no contexto da crise mundial do socialismo e da queda da União Soviética e do Leste Europeu. Organizaram um congresso fajuto, com a participação de delegados não pertencentes aos quadros do PCB e decidiram pela criação de um novo partido, o PPS. Paralelamente a essa descarada traição, os verdadeiros comunistas organizamos a resistência à tentativa de destruir nosso partido e, desde então, mantemos vivo o PCB, como um partido legalmente registrado junto ao TSE e, muito mais importante do que isso, presente nas lutas dos trabalhadores brasileiros na defesa dos seus direitos, contra os ataques do capital e em prol da construção do Poder Popular e do Socialismo.

Os traidores do PPS, que não tiveram coragem de dizer que encontram-se em processo de fusão com o PMN para virar MD (Movimento Democrático), tentam, com este programa político, tirar proveito do prestígio conquistado pelos comunistas do PCB por nossa atuação coerente nas últimas décadas, quando, em nenhum momento, abandonamos os caros princípios revolucionários que regem nossa ação, baseados na teoria marxista-leninista e na prática cotidiana ao lado das lutas dos trabalhadores brasileiros. Nossa oposição aos governos petistas, ao contrário do PPS, não se dá por motivações oportunistas, tampouco pelo interesse de ocupar cargos na administração pública, menos ainda para tentar sequestrar o Estado em benefício dos grandes capitalistas que porventura não se sintam representados pelo governo do PT.

O PCB é oposição porque o PT e seus aliados preferiram estabelecer os acordos de cúpula com os grupos fisiológicos, corruptos e conservadores, para governar em favor dos bancos, do agronegócio e dos setores mais dinâmicos do capitalismo monopolista no Brasil, avançando nas privatizações, no desmonte dos serviços públicos, da Saúde e da Educação, aprofundando o ataque aos direitos dos trabalhadores, deixando migalhas às camadas populares e permitindo a criminalização dos movimentos sociais. No caminho oposto ao do PPS e dos outros partidos de direita no Brasil, lutamos pela formação de uma grande Frente Anticapitalista e Anti-imperialista, capaz de reunir todas as forças políticas e populares para as lutas contrárias ao sistema capitalista e aos seus efeitos danosos sobre a população, no caminho da construção da sociedade socialista.

O PCB, através de sua Comissão Política Nacional, anuncia que adotará as providências cabíveis e necessárias, junto à Justiça Eleitoral, contra o estelionato político praticado pelo PPS.

Rio de Janeiro, 30 de junho de 2013
PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB)
Comissão Política Nacional.

10 de junho de 2013

Todo apoio à luta do povo e dos trabalhadores da Turquia

(Nota Política do PCB)

A Comissão Política Nacional do Partido Comunista Brasileiro (PCB), coerente com seu internacionalismo proletário, princípio que rege nosso Partido, manifesta sua solidariedade militante ao povo e aos trabalhadores da Turquia neste momento em que se levantam contra o governo de Recip Erdogan, um regime reacionário e vassalo dos interesses dos Estados Unidos e da OTAN, que neste momento cumpre o papel sujo de apoio e treinamento das gangs mercenárias que levam a barbárie contra o povo sírio.

A brutal repressão deste governo já matou alguns manifestantes e feriu outros milhares nas várias regiões do País. No entanto, ao contrário do que o governo esperava, a repressão não conteve os protestos. Aumentou a fúria do povo contra o governo. Aquilo que no início era uma manifestação contra o desmatamento do Parque Gezi e a especulação imobiliária patrocinada por pessoas próximas a Erdogan, rapidamente se transformou num levante contra o governo. Neste momento, os manifestantes não querem apenas a preservação do parque: agora a palavra de ordem é Fora Erdogan e seu governo!

Queremos também manifestar nossa solidariedade militante aos valentes camaradas do Partido Comunista da Turquia, tanto por sua participação corajosa no levante popular, quanto pela resistência que tem demonstrado contra as forças da repressão que invadiram suas sedes em Ancara e Stambul, seus meios de comunicação e centros culturais.

A ofensiva contra os comunista demonstra o medo que o imperialismo e seus lacaios internos têm daqueles revolucionários que mantém a firmeza ideológica e a perspectiva do socialismo como horizonte para a humanidade.

Camaradas, desde o Brasil, o PCB conclama todas as forças de esquerda a manifestar sua solidariedade ativa com o povo e os trabalhadores turcos, ao mesmo tempo em que afirma que o exemplo das lutas que estão sendo travadas na Turquia fazem parte da luta geral dos trabalhadores de todo o mundo contra o imperialismo e o sistema capitalista.

Todo apoio ao levante do povo contra o governo turco!

Fora o governo autocrático de Erdogan!

Toda solidariedade aos comunistas turcos!

Rio de Janeiro, 6 de maio de 2013

Comissão Política Nacional do PCB

Partido Comunista Brasileiro

12 de março de 2013

Contra a intimidação dos porões, pela revisão da Lei de Anistia

imagem
3.bp.blogspot

(nota do Comitê Central do PCB)
O explosivo que foi detonado na sede da OAB do Rio de Janeiro é mais uma demonstração de que o Brasil precisa rever, quiçá com urgência, para a preservação de vidas humanas, a chamada Lei de Anistia.

Artifício legal aprovado sob um regime de exceção, numa inatingível paz entre torturados e torturadores, assassinos e assassinados, tal Lei permite que atos como esse - escalada de terrorismo que já deixou suas marcas com a invasão e depredação da sede do grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro (GTNM-RJ) em 2012 - continuam ocorrendo em nosso país, com os criminosos à solta.

Consideramos que tal fato representa uma afronta àqueles que anseiam pela apuração dos crimes de Estado praticados no país durante a sinistra Ditadura Militar instaurada em 1964. Trata-se ainda de clara tentativa de intimidação, pois além das bombas houve mensagem de ameaça ao ex-presidente da OAB/RJ, às vésperas de sua nomeação como presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro.

É ainda um ato de desespero daqueles que não querem a revisão da Lei da Anistia - perspectiva novamente colocada para a sociedade brasileira após recentes declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal nesse sentido.

O PCB exige a apuração dos fatos e a rigorosa punição dos culpados, sob pena do não devido encaminhamento dos trabalhos de todas as Comissões da Verdade em andamento no país. O Governo Federal e a justiça brasileira não podem permitir que tais eventos, como o ocorrido no GTNM-RJ e agora na OAB-RJ permaneçam impunes, sob pena de vermos tais fatos voltarem a ocorrer com outras entidades da sociedade civil e partidos políticos que buscam a apuração da verdade e a punição dos praticantes de crimes de lesa-humanidade.

08 de março de 2013

Comitê Central do PCB

25 de maio de 2012

Uma greve em defesa da Universidade Pública: pela carreira docente, por salários e por melhores condições de trabalho




(Nota Política do PCB)
O Partido Comunista Brasileiro apóia, de forma militante, a Greve Nacional dos docentes das IFES deflagrada pelo ANDES-SN desde o dia 17 de maio. A greve, que hoje conta com a adesão de mais de 42 Universidades, é produto direto da intransigência do governo Dilma, que se recusa a negociar de maneira séria e responsável o projeto de carreira apresentado pelo Andes há mais de um ano.

O governo, mesmo tendo apresentado, diante da pressão exercida pelos professores, uma proposta de acordo emergencial no qual se comprometia a pagar uma recomposição, ainda que insuficiente e parcial, de 4% nos salários a partir de março de 2012, incorporando parte das gratificações ao vencimento básico (a GEMAS e a GEDBT), só cumprida em maio de 2012, com muitos meses de atraso, não cumpriu o compromisso de criar um grupo de trabalho para, finalmente, começar a discussão da carreira docente e buscar a equiparação com os docentes das universidades dos profissionais com nível de formação equivalente que atuam no Ministério de Ciência e Tecnologia.

As condições de trabalho oferecidas aos professores são, em geral, ruins, e vêm se agravando, entre outras razões, pela expansão universitária implementada recentemente, que, não tendo sido acompanhada dos recursos necessários, causa a intensificação do trabalho docente, a precariedade das instalações, salas superlotadas, falta de laboratórios e de equipamentos, e deficiências sérias na assistência estudantil, entre outras distorções.

Para nós, comunistas, a situação das Universidades é resultado das características do desenvolvimento capitalista em geral, da formação social brasileira e da clara opção dos últimos governos de criar uma economia de mercado capitalista e monopolista, integrada internacionalmente, que exige o sacrifício no altar do capital das políticas públicas e sociais em uma verdadeira contra-reforma do Estado, o que exige uma adequação da forma de universidade que vinha sendo construída na resistência à ditadura empresarial - militar implantada em 1964 e que culmina no artigo 207 da Constituição Federal que consagra a autonomia universitária (financeira, de gestão e acadêmica) e a indissociabilidade do ensino, da pesquisa e da extensão.

Para os burocratas do governo, serviçais eficientes dos interesses do capital, a Universidade deve ser pensada como uma empresa que forma mão-de-obra, presta serviços e disputa o mercado e, para tanto, deve ser eficaz na administração dos recursos escassos de que dispõe, buscando complementá-los com parcerias público-privadas, projetos, financiamentos alternativos e venda de serviços. A melhor prova disso é que as negociações sobre a carreira se deram, principalmente, com o Ministério do Planejamento e não com o MEC, solenemente ausente e omisso em todo o processo até aqui desenvolvido.

O resultado de todo esse quadro é a descaracterização e degradação da Universidade Pública, o que incide sobre as condições de trabalho e de remuneração dos profissionais do ensino publico federal.

O PCB, por seu Comitê Central e seus professores universitários, engajados diretamente na construção dessa greve nacional, declara integral e ativo apoio ao movimento dos professores em defesa da Universidade Pública de qualidade, pela carreira docente apresentada pelo ANDES-SN, pela defesa dos salários dos professores federais do ensino superior e do ensino básico, técnico e tecnológico.

Ressaltamos que a luta por uma Universidade Pública gratuita e de qualidade é condição necessária, ainda que insuficiente, para a produção e socialização do conhecimento contra e para além da ordem do capital. Por isso seguimos em nosso firme propósito de lutar por uma Universidade Popular, de acesso universal, que expresse as demandas e os valores da  classe trabalhadora brasileira.

Todo apoio à Greve Nacional dos Professores do Ensino Público Federal

Em defesa da Universidade Pública

Por uma Universidade Popular

Pela imediata abertura de negociações

Em defesa da Carreira Docente apresentada pelo ANDES-SN

Por melhores condições de trabalho

PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB)
Comissão Política Nacional

12 de maio de 2012

O PCB nas eleições de 2012

O PCB nas eleições de 2012



imagemCrédito: PCB
(Comunicado Público do Comitê Central)
Antes do prazo de um ano para filiações partidárias para efeito de concorrer às eleições de outubro de 2012, a CPN do CC do PCB divulgou amplamente, através da nossa página e aos Comitês Regionais e Municipais o seguinte Comunicado Público:
“Aos Comitês Regionais, aos militantes do PCB em todo o país e aos interessados em geral.
Nos últimos meses, o Comitê Central (CC) do PCB destituiu, política e juridicamente, diversas direções estaduais em alguns Estados da Federação. Por outro lado, Comitês Regionais, por orientação do CC, adotaram o mesmo procedimento em relação a algumas direções municipais.
Todas essas direções destituídas não tinham qualquer vida orgânica partidária, existindo apenas para disputar eleições e/ou promover coligações espúrias, fora da linha política do PCB. Em alguns casos, elegeram-se vereadores, em nome do PCB, sem o conhecimento do CC. Ao invés de recrutarem militantes para o Partido, em verdade essas direções destituídas “filiavam” futuros candidatos ou “cabos eleitorais”. Em muitos casos, o nome do PCB foi usado para obscuras transações.
Em muitos desses Estados e Municípios, já reconstruímos verdadeiras organizações partidárias, nos moldes da linha política e orgânica do Partido e nos termos do nosso Estatuto.
Apesar disso, temos notícias de que, em alguns municípios, ainda há registros cartoriais de comitês e “filiados” em nome do PCB, reconhecidos pela justiça eleitoral local, mas não pelo Partido.
O presente comunicado é para informar que só terão a tarefa de serem candidatos às eleições de 2012 militantes reconhecidos e escolhidos pelo PCB, nos municípios onde julgarmos importante participar. A candidatura de um militante comunista não se dá por sua vontade, mas apenas por decisão partidária.
A urgência deste comunicado se deve ao fato de que no dia 14 deste mês se encerra o prazo legal para um candidato estar filiado juridicamente a um partido para que possa ser candidato por ele às eleições municipais de 2012.
Assim sendo, voltamos a recomendar a todos aqueles que, apesar de não militarem em nosso Partido, estejam registrados na sua zona eleitoral como filiados ao PCB, na expectativa de serem candidatos, que procurem imediatamente outro partido para se filiar, pois não serão candidatos pelo PCB. Caso sejam registradas candidaturas de não militantes e coligações em municípios em que o PCB não está organizado e/ou com partidos fora de nossa política de alianças, a direção do Partido vai imediatamente impugnar a candidatura e/ou a coligação e dissolver o comitêartificial.
Se, após este prazo legal, alguns desses filiados se considerarem comunistas de fato, podem contar com as direções e os militantes do nosso Partido em sua região, para que possam conhecernossa linha política e nossos princípios com vistas a militar no Partido Comunista Brasileiro”.
Apesar deste comunicado, objetivo e tempestivo, continuamos tomando conhecimento de que, em alguns municípios, em nome do PCB, se vêm construindo candidaturas e alianças fora da linha política e dos critérios estabelecidos no Comunicado acima transcrito.
Enganam-se aqueles que querem fazer do PCB um biombo para seus projetos pessoais e negociatas, como se o partido fosse uma legenda de aluguel. O PCB não terá candidato nem vereador eleito que não tenha vínculo militante com o Partido.
Assim sendo, o Secretariado Nacional, ouvida quando necessário a CPN, deve adotar todas as medidas disciplinares e jurídicas para garantir a identidade política do PCB e o respeito às suas instâncias de direção, antes, durante e mesmo após as eleições, nos casos em que o transgressor conseguir se candidatar a despeito da vontade do Partido, através de recursos na justiça eleitoral municipal.
Como as eleições municipais são pulverizadas, pedimos aos CRs e CMs e à militância em geral que fiquem atentos a notícias de transgressões da linha partidária, informando imediatamente à Secretaria Nacional de Organização ( pcb@pcb.org.br ), para que possamos adotar as providências necessárias.
Mas chamamos a atenção da militância para não cair no erro oposto, ou seja, na subestimação da participação no processo eleitoral, momento importante para apresentarmos nossa visão de mundo, nossas propostas de mudanças profundas, nossa luta pela construção da frente anticapitalista e anti-imperialista e, sobretudo, para fazermos um contraponto ao pensamento único que em geralprevalecerá na campanha e a denúncia das limitações da democracia burguesa.
A escolha dos nossos candidatos, nas cidades onde o PCB tiver existência real, deve recair sobre camaradas que têm mais ligações com as massas e que melhor expressam a nossa linha política. Devem ser candidatos de consenso, porque entre os comunistas não pode haver disputas por candidaturas que, em verdade, são tarefas partidárias.
É possível e desejável eleger parlamentares comunistas que se diferenciem do cretinismo parlamentar e que coloquem o mandato a serviço das lutas populares.
Mas não nos iludamos. Com as regras eleitorais elaboradas para beneficiar os chamados “grandes” partidos e sem conciliação e oportunismo, elegermos poucos e bons vereadores.
Só teremos mais parlamentares comunistas – sem ilusão nem objetivo de tamanho de bancadas – quando superarmos nossa principal insuficiência, o enraizamento do Partido entre as massas.
28 de abril de 2012
Comitê Central
PCB – Partido Comunista Brasileiro
PS: vejam em anexo as resoluções da Conferência Política Nacional sobre “A luta no terreno eleitoral e a Frente de Esquerda”.

20 de abril de 2012

A CACHOEIRA DA DELTA PODE INUNDAR JUIZ DE FORA

A Prefeitura de Juiz de Fora deve explicações sobre a presença da CONSTRUTORA DELTA, objeto de escândalo nacional e CPI a ser instalada no Congresso, em obras previstas para este ano, o ano das eleições, onde o prefeito Custódio Matos tenta sair das sombras para reeleger-se.

É necessário que os vereadores tomem posições claras sobre o assunto, pois os gastos previstos são da ordem de R$ 15.632.154,80, recursos oriundos do PAC, ou seja, do governo federal.

A presença da DELTA em Juiz de Fora sugere a necessidade de uma CPI na Câmara Municipal sobre o assunto, até porque, o prefeito Custódio Matos tem transformado todas as obras feitas com recursos do governo federal em obras próprias, na demagogia tucana de sempre. Caso do programa Minha Casa Minha Vida.

É necessário que a população esteja atenta ao comportamento dos vereadores sobre o assunto, pois qualquer que seja a origem do dinheiro, dos recursos, é sempre dinheiro público.

O Partido Comunista Brasileiro entende que mais que os interesses eleitorais estão em jogo os interesses dos juizforanos.

Nos três primeiros anos de governo o atual prefeito se escondeu, não realizou obra alguma das prometidas durante a campanha eleitoral, mas paga, agora, neste ano de eleições, um valor muitas vezes superior pelas placas de cimento postas no que chama de Nova Avenida Rio Branco.

E agora a DELTA, ligada ao banqueiro de jogo de bicho Carlos Cachoeira, já comprovadamente ligado a vários líderes tucanos, inclusive o governador de Goiás.

A cidade rejeita esses processos demagógicos/eleitorais, o PCB os denuncia como jogo de interesses de empresas e governos submissos, como é o governo Custódio Matos e alerta a população para toda essa pantomima cujo único objetivo é alcançar mais um mandato.

Ao longo de suas lutas o PCB tem advertido que a cidade é a realidade imediata de cada um de nós. Nossa cidade tem sido maltratada pelos últimos governos.

A Câmara não tem cumprido seu papel e está perdida em discussões estéreis pela maioria dos seus vereadores, tornando necessário a criação de mecanismos de participação popular que se sobreponham a todo essse processo político viciado e corrupto.

O caso DELTA e os valores das obras, por si só, mesmo que aprovadas por um organismo federal, justificam uma apuração dos setores encarregados da fiscalização dos atos do governo do município.

O PCB rejeita esse modelo político e econômico, pois o que se vê no País inteiro e agora aqui em Juiz de Fora é a corrupção ampla, geral e irrestrita, consequência direta do sistema capitalista, pois sem corrutpores não existem corruptos e o capitalismo é intrinsecamente ligado à corrupção.

Notícias sobre a Delta Construções:







 

1 de abril de 2012

Declaração dos 90 anos

Declaração dos 90 anos

imagem
Crédito: Roberto Arrais

Nota Política do PCB

(Pleno do Comitê Central – Niterói, 25 de março de 2012)

Viva os 90 anos do PCB!

No dia 25 de março de 1922, trabalhadores brasileiros reuniram-se em Niterói.

Eram representantes de vários agrupamentos comunistas que existiam pelo país. Estavam marcados pelos acontecimentos da Revolução Russa, pelos movimentos grevistas que agitavam as ruas e fábricas, e desejavam lutar para transformar o Brasil. Criaram um Partido para combater a opressão e tinham no horizonte a perspectiva do socialismo, como forma de emancipação humana.

Esse instrumento da classe operária brasileira floresceu, participou das lutas mais importantes do século XX, esteve ao lado dos trabalhadores do campo e da cidade nas suas jornadas mais emblemáticas, como as revoltas camponesas de Porecatú, Trombas e Formoso, a greve dos 300 mil em São Paulo em 1953, a campanha O Petróleo é Nosso, a campanha contra a guerra da Coréia e tantas outras. Mais recentemente, a luta contra a ditadura, a campanha pela anistia e pelas eleições diretas para presidente, a luta contra as privatizações nos anos 90, pelos direitos trabalhistas e previdenciários, por uma reforma agrária radical, por uma verdadeira Comissão da Verdade. Por isso, esse Partido, desde o momento da sua fundação, foi perseguido pelos pretensos donos do poder, pela oligarquia encastelada no latifúndio e pela burguesia, donas dos meios de produção.

Fomos presos, torturados e assassinados, mas continuamos existindo. A nossa bandeira nunca parou de tremular: mesmo sob a perseguição mais feroz, lá estávamos nas lutas contra o Estado Novo, nas mobilizações contra o nazifascismo. Quando a segunda guerra mundial acabou, saímos da ilegalidade a que a burguesia havia nos imposto, com um grande número de militantes e forte influência nos movimentos de massa. Nas eleições de 1945, elegemos uma bancada parlamentar representativa do povo, que defendeu combativamente os interesses dos trabalhadores e as liberdades democráticas, com a presença do senador Luiz Carlos Prestes e de quatorze deputados comunistas.

A nossa presença intelectual e política deixou marcas indeléveis na sociedade brasileira. Afinal, na história do século XX, lutaram conosco Graciliano Ramos, Jorge Amado, Oswald de Andrade, Portinari, Di Cavalcanti, Pagú, Mário Lago, Francisco Milani, Rui Facó, Monteiro Lobato, Caio Prado Jr., Paulo da Portela, Silas de Oliveira, Alberto Passos Guimarães, Nelson Werneck Sodré, Mário Schenberg, Nise da Silveira, Carlos Drummond de Andrade, Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho, Adolfo Lutz, Cícero Dias, Aparício Torelly (Barão de Itararé), Dias Gomes, Paulo Leminski, Vladimir Herzog, Nelson Pereira dos Santos, Leon Hirszman, Oscar Niemeyer, João Saldanha e milhares dos melhores filhos da classe trabalhadora.

Aqueles homens de março de 1922 deram o primeiro passo de uma longa caminhada da qual temos o orgulho de ser os continuadores, com nossos erros e acertos, com vitórias e derrotas, mas sempre construindo os caminhos da transformação social e do socialismo.

Hoje, no dia 25 de março de 2012, os comunistas de todos os estados brasileiros reúnem-se novamente em Niterói.

Comemoram os noventa anos do PCB orgulhosos de suas lutas, lembrando, com alegria, a nossa história e, com tristeza, as mortes e os desaparecimentos de bravos camaradas, certos da contribuição do PCB nas lutas dos trabalhadores e do povo, na cultura, nas artes e nos campos de batalhas da solidariedade internacionalista. Saudamos a experiência socialista da União Soviética, do leste europeu e de Cuba, como de todos aqueles que construíram, no século XX, a ousadia de nosso sonho emancipatório e nos legaram como herança os ensinamentos sobre os caminhos que queremos seguir e os erros que devemos evitar.

Nesse momento de rememorar, homenageamos nossos camaradas, como Astrojildo Pereira, Minervino de Oliveira, Octávio Brandão, Elisa Branco, David Capistrano, Giocondo Dias, Carlos Marighella, Orlando Bonfim, Hiran Pereira, Lyndolpho Silva, João Massena, Roberto Morena, Osvaldo Pacheco, Horácio Macedo, Ana Montenegro, Dinarco Reis, Manoel Fiel Filho, José Montenegro de Lima, Paulo Cavalcanti, Gregório Bezerra e nosso histórico camarada Luiz Carlos Prestes, consagrado como o “Cavaleiro da Esperança”. Em seus nomes, saudamos todos aqueles que anonimamente construíram o PCB, este patrimônio da história brasileira, da luta dos trabalhadores e do movimento comunista internacional.

Assim como em 1922, em 2012 os comunistas brasileiros não se reúnem em Niterói apenas para olhar para trás, mas principalmente para analisar o mundo e o Brasil nos dias de hoje, para continuar a luta contra o capitalismo, que está cada vez mais sanguinário e imperialista, como previu Lênin.

O mundo está numa encruzilhada. A crise sistêmica do capitalismo confirma as tendências de centralização do capital no plano mundial. A fim de manter seus lucros a todo custo, os capitalistas aprofundam a precarização das condições de trabalho e reduzem cada vez mais os salários e direitos, ao mesmo tempo em que a ação do capital, voltada à formação de novos e amplos contingentes de trabalhadores “livres” para vender barato e de forma precária a sua força de trabalho, promove um processo crescente de proletarização das camadas médias e do campesinato. O capitalismo monopolista, em sua escalada mundial, só faz crescer a concentração da riqueza e aumentar a pobreza, ampliando o fosso existente entre proprietários e proletários.

Na atual conjuntura, o capital se utiliza dos fundos públicos para aumentar a sua acumulação. Governos seguem dando suporte ao grande aparato empresarial, com a transferência de gigantescos recursos financeiros para “salvar” bancos e indústrias ameaçadas pelas crises sucessivas. Para isso - com o respaldo de parlamentos dominados pelos interesses do capital - impõem drásticos cortes orçamentários nas áreas sociais e aprofundam a retirada de direitos dos trabalhadores.

A humanidade está ameaçada. A agressão imperialista se manifesta nas guerras de rapina, resultantes da ação do capital para engendrar um novo ciclo de acumulação. Para justificar o ataque indiscriminado em favor dos interesses capitalistas, governos e líderes políticos não alinhados ao imperialismo são satanizados, organizações populares e movimentos rebeldes são criminalizados. Depois de ocuparem o Iraque e o Afeganistão, os Estados Unidos e a OTAN invadiram covardemente a Líbia e agora ameaçam a Síria, o Líbano e o Irã. Enquanto isso, Israel segue matando, prendendo e expulsando os palestinos de suas terras. Tais ações têm gerado nada além que a destruição do planeta, a espoliação dos povos e a precarização da vida em sociedade.

No Brasil, a ordem do capital se mantém com o imenso poder da burguesia monopolista associada subalternamente ao imperialismo e coligada aos aliados nacionais da oligarquia e de setores da pequena burguesia. A ordem burguesa transitou da ditadura para uma democracia de fachada, de cooptação, que exige, para o bom funcionamento da acumulação de capital, o apassivamento dos trabalhadores, forjado por meio de medidas compensatórias, que visam à amenização da pobreza absoluta, a medidas de crédito para fomentar o consumismo, ao mesmo tempo em que se intensifica a exploração dos trabalhadores. Retiram-se direitos consagrados e são eternamente adiadas as demandas históricas daqueles que lutam por moradia, trabalho, terra, educação, saúde e outras condições essenciais da vida. Querem que os trabalhadores acreditem que a única possibilidade de seus interesses serem atendidos depende do crescimento da economia capitalista e dos vultosos lucros que daí derivam.

Mas a arrogância do capital provoca o acirramento da luta de classes e suscita, em contrapartida, uma intensa mobilização dos trabalhadores em todo o mundo, permitindo que o cenário da história se abra para as possibilidades da transformação, reatualizando a necessidade da alternativa socialista. Diante das guerras imperialistas, manifestamos nossa irrestrita solidariedade aos povos espoliados e agredidos, pautando-nos sempre no internacionalismo proletário. Neste mesmo sentido, apoiamos a resistência dos povos em luta e a insurgência em algumas regiões, a exemplo da Colômbia, como forma de resistência para impedir o avanço do imperialismo estadunidense e as ações criminosas do governo narcoterrorista. É preciso fortalecer a bandeira do socialismo na América Latina, para fazer avançar as lutas populares e impedir que as garras sangrentas do imperialismo continuem a se estender pelo continente.

Em nome dos nossos 90 anos de luta, das nossas vitórias e derrotas, com a legitimidade que conquistamos, inclusive pelos erros cometidos, podemos afirmar com convicção: não será com o desenvolvimento do capitalismo, seja ele de que tipo for, que nossos problemas históricos se resolverão, pois sabemos que, quanto mais tivermos capitalismo, pior será para o presente e o futuro da humanidade. Portanto, não será por meio de alianças espúrias com os exploradores que se acabará com a exploração!

Aqueles que lutam hoje por nossas bandeiras, as bandeiras pelas quais gerações de brasileiros lutaram, sabem que chegou o momento de dizer basta! Não mais pactos para o capital crescer sua acumulação, na esperança da obtenção de migalhas! Não mais alianças com a classe que se apodera dos meios sociais de produção da vida e, através disso, da riqueza socialmente construída por nós. Não mais plantar e não ter o que comer; não mais produzir a riqueza que nos faz pobres, não mais sangue e sacrifício para que os capitalistas saiam de suas crises; não mais o trabalho de muitos se transformando na riqueza e poder de poucos.

Que se devolva à humanidade trabalhadora o que a ela pertencem: os meios sociais de produção e de reprodução da vida. Nós, trabalhadores, resolveremos nossos problemas, emancipando a humanidade, ao nos livrarmos desta chaga histórica que é o capitalismo. É hora de os trabalhadores do campo e da cidade, estudantes e todos aqueles que não se acovardaram, não se renderam nem se venderam à ordem do capital se levantarem para dizer que existe uma alternativa para uma humanidade unida, emancipada e solidária. Esta alternativa é o socialismo, como transição capaz de gerar as condições que nos permita superar a sociedade de classes e iniciar a construção do comunismo, a verdadeira história da humanidade libertada de suas cisões de classe e de todas as formas que colocam os seres humanos uns contra os outros.

Nós, comunistas brasileiros, nascemos há 90 anos à luz da Revolução Russa e sua grande esperança de mudar o mundo. Guardamos esta luz, acalentamos esta mesma esperança e a vivificamos com nossa luta e o sangue dos que se foram para, agora, mais do que nunca, reafirmar: para salvar a humanidade é necessário superar a ordem capitalista e o mundo burguês, e o caminho desta superação é a Revolução Socialista.

Contra a ordem capitalista e a hegemonia burguesa, é preciso construir o Poder Popular e a contra-hegemonia dos trabalhadores. Devemos ampliar e aprofundar as ações no plano tático voltadas para o fortalecimento da organização e da consciência de classe dos trabalhadores, com vistas à correta ocupação dos espaços políticos, no sentido da construção e aprofundamento dos mecanismos necessários ao desenvolvimento da luta contra-hegemônica. É tarefa premente o fortalecimento de nossa atuação no plano das lutas sindicais e da juventude, na organização dos trabalhadores do campo, das mulheres, dos negros e demais movimentos populares, assim como a denúncia cotidiana do capitalismo e a divulgação das ideias socialistas e comunistas.

Com a Unidade Classista, levantemos as bandeiras por mais direitos e melhores salários, pela reestatização de empresas estratégicas com a participação dos trabalhadores na sua gestão, pela redução da jornada de trabalho para todos sem redução de salário, contra a precarização do trabalho e a privatização da previdência, em defesa da saúde pública e contra as demissões. Vamos fortalecer e ampliar a Intersindical, na perspectiva da construção efetiva de uma organização sindical classista em âmbito nacional.

Com a UJC, lutemos em prol da Universidade Popular e por uma educação pública emancipadora e de qualidade. Busquemos contribuir para a organização dos jovens trabalhadores e dos marginalizados pelo sistema capitalista, que apresentam um enorme potencial de expressar a contracultura, contestar a ordem e fomentar a rebeldia. Com os Coletivos Ana Montenegro e Minervino de Oliveira, participemos das lutas contra a superexploração das mulheres e dos negros impostas pelo capital e a favor de suas demandas sociais específicas, contra a discriminação sexual e o racismo. Com os intelectuais, artistas, homens e mulheres da ciência e da cultura, estreitemos nosso compromisso com a mais ampla e irrestrita liberdade de manifestação do pensamento, resgatando nossas tradições de luta por uma cultura democrática e popular, revolucionária, em contraponto à forma capitalista, que tudo transforma em mercadoria.

Com os movimentos e organizações populares da cidade e do campo, atuemos decididamente contra a privatização e o sucateamento dos sistemas públicos de transportes, educação e saúde, em defesa da seguridade social solidária e da moradia digna, contra a destruição ambiental, pela reforma agrária radical, jamais perdendo de vista que a emancipação de toda a humanidade somente virá com o fim da propriedade privada, a destruição das relações capitalistas e a edificação da sociedade socialista.

Com os povos de todo o mundo, dediquemo-nos à solidariedade internacionalista, juntando nossas vozes aos trabalhadores em greve na Europa e nos Estados Unidos, às populações atacadas pelo imperialismo no Oriente Médio e na África, aos movimentos populares da América Latina e, em especial a Cuba Socialista, a seu governo e ao Partido Comunista Cubano, tal como fazemos há mais de 50 anos.

O PCB está e sempre estará presente e ativo em todos os espaços de luta, traçando, desde agora, o caminho da Revolução Socialista no Brasil. Queremos construir, com todos aqueles que lutam por transformações radicais da sociedade, uma frente anticapitalista e anti-imperialista, com a perspectiva de movimentar o bloco revolucionário do proletariado. Para aqueles que ousam ser os protagonistas do presente e do futuro, para a classe trabalhadora, único sujeito capaz de realizar esta transformação radical, oferecemos nossos braços camaradas.

Somos combatentes, somos convictos de nossos ideais, somos marxistas, queremos ser seres humanos integrais em uma humanidade emancipada, somos internacionalistas, somos anticapitalistas.

Em uma frase: fomos, somos e seremos comunistas. Somos o Partido Comunista Brasileiro, somos o PCB!

Viva a nossa reconstrução revolucionária!

Viva a classe trabalhadora!

Viva o Socialismo!

Viva os 90 anos de luta do PCB!

Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Niterói, 25 de março de 2012.

2 de janeiro de 2012

O povo norte-coreano é que deve decidir seu destino

O povo norte-coreano é que deve decidir seu destino


imagemCrédito: 1.gb.blogspot
(Nota Política do PCB)
O PCB nunca teve relações bilaterais formais com o Partido do Trabalho da Coréia. Historicamente, nossas relações internacionais têm origem no campo político que foi liderado pelo Partido Comunista da União Soviética. Recentemente, em 2010, um conselheiro da embaixada norte-coreana no Brasil nos honrou com sua presença e saudação em nosso XIV Congresso Nacional.
Nosso coletivo partidário, portanto, dispõe de poucas informações a respeito da formação histórica, da cultura e da atualidade do processo de construção do socialismo na República Popular da Coréia do Norte.
A maioria das informações a que temos acesso vem da inconfiável imprensa burguesa. À falta de maiores informações de outras fontes alternativas, a manipulação da mídia hegemônica, no caso norte-coreano, não tem qualquer contraponto em nosso país, soando como verdade absoluta tudo que ela divulga a respeito.
Assim sendo, seria uma irresponsabilidade política o PCB dar uma opinião categórica a respeito da conjuntura por que está passando a Coréia do Norte, em razão da morte de Kim Jong-il, principal dirigente do Partido do Trabalho, e sua sucessão, de forma hereditária, por seu jovem filho, Kim Jon-un.
No entanto, pelas poucas informações de fontes confiáveis de que dispomos e pela literatura oficial do regime, preocupam-nos os indícios de falta de democracia popular e de riscos de regressão dos fundamentos socialistas. Por outro lado, registramos como positivas diversas conquistas sociais, com destaque para a educação universal, e a firme postura antiimperialista.
A democracia popular a que nos referimos não tem nada a ver com a democracia burguesa, forma sutil e disfarçada da ditadura das classes dominantes que mantém o capitalismo. É em nome desta falsa democracia que as forças imperialistas vêm manipulando a opinião pública mundial, com o objetivo de invadir e saquear os países que não lhes são dóceis, como a Coréia do Norte, obrigada a viver sob eterna tensão, em estado permanente de guerra com a Coréia do Sul, alinhada às grandes potências e fortemente armada por estas.
Os Estados Unidos e a Otan ocuparam o Iraque durante dez anos, promovendo a destruição do país e o sacrifício de centenas de milhares de vidas para derrubar o “ditador de plantão” e obrigaram o país a realizar eleições no formato burguês ocidental. E o povo iraquiano segue com sua crise e sua opressão; e sem democracia! Situação semelhante ocorre na Líbia, no Afeganistão. A satanização agora atinge a Síria, o Irã e, novamente, a Coréia do Norte.
Repudiamos as manobras da mídia hegemônica, que cria um clima de incertezas na Coréia do Norte, aproveitando-se da assunção de um jovem dirigente. O isolamento e o hermetismo do país favorecem estas manobras. A mídia se ocupa hoje de procurar desmoralizar e ridicularizar o sistema vigente para tentar desestabilizá-lo, visando à conquista de mais um território geopoliticamente estratégico no xadrez da luta hegemônica mundial.
A manipulação midiática é  sempre a ante-sala da invasão militar, para que a opinião pública mundial se sinta “aliviada com a queda de um ditador sanguinário”. Enquanto isso, as grandes potências capitalistas fazem vista grossa para os ditadores de países aliados e submissos. E não há ditadura mais cruel do que a ditadura do capital. Os países imperialistas, que se apresentam como paladinos da democracia, reprimem violentamente qualquer manifestação popular local e transgridem os direitos humanos e políticos no mundo todo, promovendo guerras, saques, golpes, atentados, assassinatos, prisões arbitrárias, desaparecimentos, torturas.
O PCB expressa sua mais firme solidariedade ao povo norte-coreano, que soberanamente deve decidir os destinos de seu país, sem qualquer ingerência de potências estrangeiras. No que se refere ao processo de construção do socialismo, cabe ao PCB apenas nutrir esperanças de que os trabalhadores norte-coreanos possam ajustar seu rumo, assumindo papel dirigente no fortalecimento do poder popular e na luta contra qualquer forma de restauração capitalista.
Partido Comunista Brasileiro – Comitê Central – 29/12/2011