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9 de abril de 2014

Sobre homofobia, Fidel sempre assumiu responsabilidades, diz Mariela Castro

Sobre homofobia, Fidel sempre assumiu responsabilidades, diz Mariela Castro




Maeiela Castro
Filha do atual presidente de Cuba, a ativista pelos direitos gays falou sobre as polêmicas UMAPs
Mariela Castro Espín conseguiu se libertar da herança familiar. Sobrinha de Fidel Castro, líder histórico da Revolução Cubana, e filha de Raúl Castro, atual presidente de Cuba, Mariela ganhou reconhecimento internacional não graças ao sobrenome, mas sim pela ação a favor do direito à diversidade sexual.
Cubadebate
Licenciada em Psicologia e Pedagogia, com mestrado em sexualidade, Mariela tornou sua a causa dos homossexuais, bissexuais, lésbicas e transexuais e possibilitou que essas comunidades saíssem da marginalidade na qual fora colocada pela sociedade, como diretora do Centro de Educação Sexual (Cenesex), cuja atuação tem sido coroada com êxitos.
Desde 2007, o dia contra a homofobia é celebrado em Cuba, em 17 de maio. O Estado se encarrega gratuitamente das operações de mudança de sexo. A homofobia diminuiu de forma sensível, apesar de persistir em alguns setores. Finalmente, importantes instituições, como o Partido Comunista de Cuba ou o Ministério da Cultura, são agora aliados de primeira ordem na luta pelos direitos de todos.
Mariela se parece com a mãe, Vilma Espín. Herdou ao mesmo tempo a beleza natural e o caráter. De fato, como ilustra a conversa abaixo, deprecia a linguagem estereotipada e não vacila em apontar as injustiças que foram cometidas em Cuba no passado, ou em denunciar os obstáculos institucionais ainda presentes na sociedade. Sua franqueza não suscita unanimidade no poder cubano, particularmente no setor mais conservador. Mas, cada vez que Raúl Castro recebe uma queixa a seu respeito, a resposta é invariável: “Se você tem algo a dizer sobre a minha filha, vá procurá-la diretamente”, conta ela. No momento, os críticos não arrefeceram.
Além de não evitar nenhuma pergunta, Mariela não impôs condições prévias à entrevista, dividida em quatro partes. Na primeira parte do diálogo , aborda temas como a situação dos homossexuais após o triunfo da Revolução, as tristemente célebres Unidades Militares de Ajuda à Produção, o famoso “Quinquênio Cinza”, a Fundação do Cenesex, a luta contra a homofobia, a prostituição, o fenômeno transexual ou o casamento para todos.
Opera Mundi: Qual era a situação das minorias sexuais em 1959, após o triunfo da Revolução em Cuba?
Mariela Castro Espín: No início dos anos 1960, a sociedade cubana era o reflexo de sua herança cultural, principalmente espanhola. Cuba tinha uma cultura “homoerótica”, patriarcal e, portanto, homofóbica. Naquela época, o mundo inteiro era patriarcal e homofóbico, tanto os países desenvolvidos como as nações do Terceiro Mundo. Em todas as culturas ocidentais baseadas na religião católica dominante essas características estavam estabelecidas nos códigos culturais da relação homem/mulher.
No entanto, é curioso que o processo da Revolução Cubana, em cujo programa político se reivindicava a luta contra desigualdades, racismo e diferentes formas de discriminação contra mulheres, além do fim de injustiças e brechas entre a cidade e o campo, não tenha se interessado pelos homossexuais e os considerado vítimas de discriminações de todos os tipos. A homofobia era a regra inclusive depois do triunfo da Revolução.
OM: Então ser homofóbico era algo “natural”?
MCE: A homofobia era a regra. O que se considerava anormal era o respeito a quem havia escolhido uma orientação sexual diferente. Mas, repito, não era algo específico de Cuba. A homofobia institucionalizada dos primeiros anos da Revolução refletia essa realidade e estava em consonância com a cultura da época. Zombar dos homossexuais era algo normal, assim como depreciá-los ou denegri-los. Era normal discriminá-los no mercado de trabalho, em sua vida profissional, e esse era o aspecto mais grave.
A Revolução permitiu ao povo cubano conseguir a soberania nacional e colocou em xeque inúmeros paradigmas, como a virgindade da mulher como condição prévia ao casamento, a ausência do divórcio, o status do homem como chefe da família, a fidelidade natural da mulher frente à infidelidade do homem, a desqualificação da família monoparental e da mulher solteira, mas não se interessou pelo problema da diversidade sexual.
OM: Entre 1965 e 1968, o Estado Cubano elaborou as Unidades Militares de Ajuda à Produção, as Umap, às quais os homossexuais foram integrados à força. Você poderia falar sobre esse obscuro episódio?
MCE: Primeiro, convém precisar que as Umap afetavam todos os homens em idade de entrar no serviço militar, não só os homossexuais. Alguns, inclusive, falaram de campos de concentração para homossexuais. Não creio que seja necessário exagerar, é preciso ser fiel à verdade histórica. As Umap afetaram a todo, menos aos que podia justificar [a não integração] com um emprego estável. Os estudantes tinham que colocar entre parênteses a carreira universitária para fazer o serviço militar.
É interessante também lembrar o contexto da época. Nosso país se encontrava constantemente sob a agressão dos Estados Unidos: a Baía dos Porcos em abril de 1961, a Crise dos Mísseis em 1962, e os grupos da CIA compostos por exilados cubanos, que multiplicavam os atentados terroristas. As bombas explodiam todos os dias em Cuba, queimavam canaviais, sabotavam as ferrovias, atacavam teatros com bazuca. Não se pode esquecer essa realidade, vivíamos em estado de sítio. Grupos paramilitares agiam nas montanhas do Escambray e assassinavam trabalhadores rurais favoráveis à Revolução, torturavam e executavam jovens professores que tinham se integrado à campanha de alfabetização. No total, 3.478 cubanos perderam a vida por conta do terrorismo naquela época. Foi um período muito difícil, nós nos encontrávamos permanentemente agredidos e a luta de classes estava em seu auge. Os latifundiários tinham reagido com muita violência à reforma agrária e não estavam dispostos a perder sua posição de poder na sociedade. Então havia uma mobilização geral para a defesa da nação, e neste contexto nasceram as Umap.
OM: Então porque as Umap foram associadas ao reino do arbitrário e da discriminação?
MCE: Como todos deveriam participar na defesa do país, grupos marginais, como os hippies, por exemplo, e os filhos da burguesia que haviam se acostumado com uma vida de ócio e não trabalhavam, pois tinham recursos, tiveram que se integrar às Umap. Grupos que não se sentiam comprometidos com o processo de transformação social iniciado em 1959 e preferiam um papel de observador tinham que se integrar e trabalhar nas fábricas ou na agricultura.
O exército criou então as Umap para apoiar os processos de produção. Mas a realidade foi outra. O Ministério do Interior tinha a tarefa de identificar esses grupos e integrá-los à força, pois o serviço era obrigatório.
Essas pessoas não tinham uma boa imagem na sociedade cubana, que os rechaçava por sua falta de comprometimento na construção da nova nação revolucionária, e os considerava parasitas.
Lembro, em minha juventude, de ouvir reflexões desagradáveis devido à minha relação familiar com meu tio e meu pai. Alguns diziam: “É uma menininha”, quer dizer, uma “filhinha de papai”, uma pessoa que gozava de uma posição privilegiada, que não tinha o mesmo padrão de vida que o resto por seus vínculos familiares. Eu sentia uma raiva terrível cada vez que isso acontecia e me esforçava para fazer tudo o que os demais faziam, rechaçando todo tipo de privilégio ou de favoritismo. Nunca suportei esse qualificativo, que era muito depreciativo.
OM: Esse método de integração era muito arbitrário.
MCE: Convém recordar que o procedimento era arbitrário e discriminatório. Houve vozes na sociedade cubana que se opuseram a essas medidas, entre elas a Federação de Mulheres Cubanas, assim como muitas personalidades. As denúncias que algumas mães fizeram desataram esse movimento contra as Umap.
OM: E os homossexuais? Foram vítimas de muitos abusos nas Umap?
MCE: Em uma sociedade homofóbica, nesse contexto de hegemonia masculina e viril, as autoridades consideraram que os homossexuais sem profissão tinham que ser integrados às Umap para serem verdadeiros “homens”. Em algumas delas, essas pessoas foram tratadas como todos os demais e não foram vítimas de discriminação. Em outras, onde reinava a arbitrariedade, eles foram separados injustamente dos demais jovens. Havia então o grupo dos homossexuais e dos travestis, o grupo dos religiosos e dos crentes, o grupo dos hippies, etc. Foi reservado a eles um tratamento especial com chacotas cotidianas e humilhações públicas. Em uma palavra, as discriminações que existiam na sociedade cubana se tornaram mais vivas e mais cruéis nas Umap.
Não resta a menor dúvida de que o processo de criação e de funcionamento das Umap foi arbitrário. Por isso, essas unidades foram fechadas definitivamente três anos depois. Mas, repito, a situação dos homossexuais no resto do mundo era similar, às vezes pior. Isso, evidentemente, não justifica em nada as discriminações das quais os homossexuais foram vítimas em Cuba.
OM: Qual era a situação das minorias sexuais no resto do mundo?
MCE: Há um estudo extremamente interessante de um pesquisador norte-americano chamado David Carter sobre os movimentos LGBT na América Latina e no resto do mundo. Por exemplo, no nosso continente, as ditaduras militares perseguiam impiedosamente os homossexuais. Essa realidade, no entanto, não deve nos impedir de analisar criticamente o que ocorreu em Cuba.
OM: Qual foi a responsabilidade de Fidel na criação das Umap?
MCE: Fidel Castro é como o Quixote. Sempre assumiu suas responsabilidades como líder do processo revolucionário. Em razão de seu cargo, considera que deve assumir a responsabilidade de tudo o que ocorreu em Cuba, tanto os aspectos positivos como os negativos. É uma posição muito honesta de sua parte, ainda que me pareça não ser justo, pois não deve assumir sozinho todos esses excessos, o que não aproxima da verdade histórica. Era uma época na qual emergia uma nova sociedade com a criação de novas instituições, em meio a agressões, traições, ameaças contra sua vida. Fidel foi vítima de mais de 600 tentativas de assassinato. Não podia cuidar de tudo e, portanto, delegava muitas tarefas.
OM: Concretamente, qual é o vínculo entre Fidel e as Umap?
MCE: Fidel Castro não desempenhou um papel nesta criação. Na realidade, o único vínculo dele com as Umap foi quando decidiu fechá-las, após numerosos protestos da sociedade civil, e a investigação levada a cabo a pela política das Forças Armadas, que concluiu que muitos abusos foram cometidos. A partir dessa data, decidiu-se não incluir os homossexuais no serviço militar para evitar discriminações em uma força marcada pela homofobia, não apenas em Cuba, mas no resto do mundo. Também se poderá argumentar que se tratava de uma nova discriminação em relação a eles, mas sua incorporação às forças armadas foi tão nefasta por conta dos preconceitos, que resultou nessa decisão.
OM: Qual era o ponto de vista do seu pai?
MCE: Falei muitas vezes sobre esse tema com meu pai e ele me explicou que era extremamente difícil eliminar os preconceitos sem uma política de educação. Por outro lado, o universo militar continua sendo muito machista em Cuba. Lamentavelmente, é notório que, em nossas sociedades, rechaçamos tudo o que se mostra diferente. Imagine então no contexto dos anos 1960. A esse respeito, o Cenesex lançou um programa de pesquisa sobre as Umap e estamos recolhendo os testemunhos das pessoas que sofreram com essa política.
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/entrevistas/26925/sobre+homofobia+fidel+sempre+assumiu+responsabilida

6 de novembro de 2013

Homenagem a uma mulher exemplar: Berta Rosenvorzel

Homenagem a uma mulher exemplar: Berta Rosenvorzel

Alfabetizadora argentina em Cuba de 1961, quando recém amanhecia a Revolução.

Por Guillermina Roca Iturralde

Fotos: Verónica Canino
(do Resumen Latinoamericano)

Com grande afeto e admiração foi homenageada Berta Rosenvorzel, um dos cinco professores argentinos que participaram da Campanha Nacional de Alfabetização cubana, na Embaixada de cuba em Buenos Aires.

A Campanha está nas vésperas de comemorar 52 anos, em 22 de dezembro, dia em que Fidel Castro anunciou uma Cuba livre do analfabetismo. Berta recordou-se do papel do professor argentino José Murillo que, junto das educadoras Tatiana Viola, Elisa Vigo, Angélica Iglesias e ela, se alistou no Exército de Alfabetização das Brigadas Conrado Benítez, em solo cubano. Um momento da história revolucionária que não é conhecido na profundidade que merece, mas que está muito claro no testemunho vital de uma de suas protagonistas.

O ato foi organizado pela filial San Martín da AELAC (Associação de Educadores da América Latina e do Caribe), entidade a qual pertence a homenageada. Abriu o turno de oradores a companheira do falecido professor José Murilo, que evocou o que foi essa cruzada do saber levada a cabo pelo povo de Cuba.

Depois, Rosenvorzel, com muita força e presença apesar dos 94 anos feitos nesta mesma semana, começou esclarecendo “que no lugar do coração, possui um motor” para suportar tantas emoções. Refletiu que não podem existir as ciências sociais e educativas sem o primeiro passo dado por Cuba com a alfabetização em 1961, com essa façanha cultural e popular do povo cubano. Assinalou que confia na responsabilidade dos educadores porque “a educação é um elemento muito importante nas transformações sociais”. “Hoje compartilhamos os sonhos, a realidade do que significou Cuba para as lutas da América Latina e África que a puderam incorporar, porque Cuba demonstrou que nos momentos tão difíceis se pode e se deve bater o imperialismo ianque e aos outros que também permanecem”, assegurou Berta.

Por outro lado, recordou que o dia que regressaram à Argentina, estava ocorrendo o encontro da OEA, quando Cuba foi expulsa. “No entanto, agora temos na América Latina vários organismos muitos importantes de integração e vamos seguir adiante, pois já não se pode voltar atrás. O socialismo, de uma ou outra forma, vai permanecer em nossa América Latina. É o mais belo, não é fácil, não é simples, mas está sempre a disposição. Viva Cuba!”. Todos os presentes responderam com o mesmo fervor a esse grito sentido e com aplausos interromperam o discurso de Berta, que depois fez menção à recente declaração de constitucionalidade da Lei de Mídias na Argentina, que a professora alfabetizadora incluiu como “um dos tantos projetos futuros a serem aprovados em benefício de nosso povo”.

O ato começou com a projeção do documentário produzido pelo Resumen Latinoamericano: “Cuba: a grande façanha do saber”, de María Torrellas, onde se evoca o trabalho realizado por Berta em Cuba, e em homenagem à campanha atual de alfabetização “Yo si puedo”, realizada na Argentina e em outras partes da América Latina.

“A ideia é que Berta explique de onde surgiu esse afã da revolução cubana de ensinar a ler e escrever ao mundo e mostrar como foi essa façanha da alfabetização em torno de Martí, de Fidel, do Che, das mulheres da revolução. Dessas meninas que, com treze anos, iam alfabetizar e diziam a Fidel: “eu vou fazer o que minha pátria precisa” e os meninos de quinze anos que alfabetizavam, apesar de colocar suas vidas em perigo”, explicou Torrellas.

Depois, a responsável da Fundação Un Mundo Mejor es Posible, Claudia Cambia, lembrou que Berta apoiou desde o começo a campanha alfabetizadora do “Yo si puedo” na Argentina.

Para finalizar a homenagem, o embaixador cubano na Argentina, Jorge Lamadrid Mascaró, agradeceu Berta por sua contribuição à luta de Cuba e citou as palavras que Fidel Castro proclamou na Plaza de la Revolución em 22 de dezembro de 1961, após ganhar a batalha contra o analfabetismo: “Nenhum momento mais solene e emocionante, nenhum instante de maior júbilo, nenhum minuto de legítimo orgulho e de glória, como este em quatro século e meio de ignorância foram derrubados”.

Parte del público que asistió al homenaje, en momentos que se proyecta el documental sobre Berta.

Berta e o embaixador Lamadrid Mascaró

Homenagem aos 94 anos de existência desta lutadora argentina solidária com Cuba

A Madre de Plaza de Mayo (Línea Fundadora), Nora Cortiñas, junto da companheira de outro dos alfabetizadores de Cuba em 1961, José Murillo.

Fonte: http://www.kaosenlared.net/america-latina/item/72750-homenaje-a-una-mujer-ejemplar-berta-rosenvorzel.html

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

5 de fevereiro de 2012

Cuba bombardeou o Haiti com médicos - Uma verdade escondida da Internet

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Uma verdade escondida da Internet

AMELIA DUARTE DE LA ROSA, enviada especial ao Haiti

Há vários dias, circula na Internet um infográfico que o Cubadebate divulgou em seu portal, para mostrar o apoio de muitos às mentiras expostas sobre a Ilha em meio à nova campanha midiática anti-cubana. A imagem, publicada em vários sites, foi criada em abril de 2010 pelo designer e blogueiro madrilense Francisco Arnau.

Com o título Haiti: tem quem te ajuda e tem quem te USA, Arnau colocou no seu blog Ciudad Futura e na rede social Twitter a ilustração que exterioriza o que os jornalistas Emily J. Kirk e John M. Kirk chamaram, em um artigo, um dos segredos melhor guardados do mundo: a cooperação médica cubana no Haiti.

Os veículos informativos internacionais ignoraram durante anos os esforços e a solidariedade de Cuba. Em compensação, souberam sim dar cobertura, insuflar e tergiversar acontecimentos para satanizar a Ilha. A presença da colaboração médica durante 13 anos no Haiti é um dos esforços vítimas do silenciamento e a censura midiática arbitrária e premeditada.

Logo depois do terremoto, quando a tragédia do Haiti encabeçava as manchetes de todas as notícias, vários governos e organizações não governamentais aproveitaram a circunstância para se mostrar caridosos e ganhar pontos no protagonismo humanitário. No entanto, apesar de 744 médicos cubanos estarem trabalhando nesta terra em janeiro de 2010 —produto da colaboração iniciada em 1998, quando o furacão George arrasou o país—, a imprensa apresentava a ajuda norte-americana como a primeira na fila de respostas.

Em uma reportagem publicada em 2010, Emily J. Kirk e John M. Kirk dizem que: "A cobertura informativa da cooperação médica cubana após o devastador terremoto do Haiti foi certamente escassa. Enquanto a Fox News cantava os louvores da ajuda norte-americana na reportagem intitulada Eua encabeça a resposta global ao terremoto do Haiti, a CNN também retransmitia centenas de notícias e, de fato, uma delas girava em torno a um médico cubano ao que, no entanto, dizia ser um médico espanhol".

Mais adiante, mencionam que em março de 2010 "o site da CNN, por exemplo, tinha 601 notícias do terremoto no Haiti, das quais somente 18 aludiam (superficialmente) à ajuda cubana. De maneira similar, o The New York Times e o The Washington Postpublicaram 750 reportagens sobre o terremoto e a ajuda prestada, mas nenhuma expunha o mais mínimo detalhe da ajuda cubana. A função desempenhada pelos médicos cubanos, porém, foi na verdade extraordinariamente importante".

Outro artigo publicado no Kaos en la red, escrito por José Manzaneda, explica que "os cooperadores da brigada médica cubana no Haiti foram a assistência sanitária mais importante ao povo haitiano durante as primeiras 72 horas após o terremoto. Esta informação foi censurada pelos grandes meios de comunicação. No dia 15 de janeiro, o jornal El País publicou um infográfico sobre a ayuda financeira e as equipes de ajuda, na qual Cuba nem sequer aparecia entre os 23 estados que deram colaboração. A rede norte-americana Fox News chegou a afirmar que Cuba é dos poucos vizinhos do Caribe que não deram ajuda.

Até Steve Clemons, que dirige um dos principais programas da New America Foundation, e é editor do blog político The Washington Note escreveu, poucos dias depois do terremoto, um artigo onde dizia que: "Cuba se converteu em um provisor nato de ajuda frente às catástrofes, com programas de assistência médica em todo o mundo". O especialista também recomendou que os EUA deveriam reconhecer a ajuda de Cuba ao Haiti e retirar a Ilha da lista de países terroristas.

Não obstante, uma rápida busca na web sobre a ajuda de Cuba no Haiti durante o terremoto e a epidemia de cólera não traz resultados de notícias procedentes das grandes agências de notícia ou de corporações midiáticas. Nem sequer aparece quando, em abril de 2011, o ex-presidente norte-americano William Clinton, enviado especial da ONU ao Haiti, admitiu a importância da colaboração cubana no empobrecido país. A busca também não mostra que há mais de um ano, nenhum haitiano atendido pelos médicos cubanos morre de cólera.

No entanto, ainda que os meios de comunicação ignorem a ajuda de Cuba, o governo haitiano não fez o mesmo. Em sua visita mais recente a nosso país [Cuba], o presidente Michel Martelly agradeceu a colaboração cubana —uma das poucas que ainda permanecem e continuará no Haiti, apesar de qualquer tentativa de manipulá-la ou desconhecê-la.

Fonte: Traduzido do Granma.

6 de janeiro de 2012

Médicos cubanos no Haiti deixam o mundo envergonhado


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The Independent
Eles são os verdadeiros heróis do desastre do terremoto no Haiti, a catástrofe humana na porta da América, a qual Barack Obama prometeu uma monumental missão humanitária dos EUA para aliviar. Esses heróis são da nação arqui-inimigados Estados Unidos, Cuba, cujos médicos e enfermeiros deixaram os esforços dos EUA envergonhados.
Uma brigada de 1.200 médicos cubanos está operando em todo o Haiti, rasgado por terremotos e infectado com cólera, como parte da missão médica internacional de Fidel Castro, que ganhou muitos amigos para o Estado socialista, mas pouco reconhecimentointernacional.
Observadores do terremoto no Haiti poderiam ser perdoados por pensar operações de agências de ajuda internacional e por os deixarem sozinhos na luta contra a devastação que matou 250.000 pessoas e deixou cerca de 1,5 milhões de desabrigados. De fato, trabalhadores da saúde cubanos estão no Haiti desde 1998, quando um forte terremoto atingiu o país. E em meio a fanfarra e publicidade em torno da chegada de ajuda dos EUA e do Reino Unido, centenas de médicos, enfermeiros e terapeutas cubanos chegaram discretamente. A maioria dos países foi embora em dois meses, novamente deixando os cubanos e os Médicos Sem Fronteiras como os principais prestadores de cuidados para a ilha caribenha.
Números divulgados na semana passada mostram que o pessoal médico cubano, trabalhando em 40 centros em todo o Haiti, tem tratado mais de 30.000 doentes de cólera desde outubro. Eles são o maior contingente estrangeiro, tratando cerca de 40% de todos os doentes de cólera. Um outro grupo de médicos da brigada cubana Henry Reeve, uma equipe especializada em desastre e em emergência, chegou recentemente, deixando claro que o Haiti está se esforçando para lidar com a epidemia que já matou centenas de pessoas.
Desde 1998, Cuba treinou 550 médicos haitianos gratuitamente na Escola Latinoamericana de Medicina em Cuba (Elam), um dos programas médicos mais radicais do país. Outros 400 estão sendo treinados na escola, que oferece ensino gratuito – incluindo livros gratuitos e um pouco de dinheiro para gastar – para qualquer pessoa suficientemente qualificada e que não pode pagar para estudar Medicina em seu próprio país.
John Kirk é um professor de Estudos Latino-Americanos na Universidade Dalhousie, no Canadá, que pesquisa equipes médicas internacionais de Cuba. Ele disse: “A contribuição de Cuba, como ocorre agora no Haiti, é o maior segredo do mundo. Eles são pouco mencionados, mesmo fazendo muito do trabalho pesado.”.
Esta tradição remonta a 1960, quando Cuba enviou um punhado de médicos para o Chile, atingido por um forte terremoto, seguido por uma equipe de 50 a Argélia em 1963. Isso foi apenas quatro anos depois da Revolução.
Os médicos itinerantes têm servido como uma arma extremamente útil da política externa e econômica do governo, gahando amigos e favores em todo o globo. O programa mais conhecido é a “Operação Milagre”, que começou com os oftalmologistas tratando os portadores de catarata em aldeias pobres venezuelanos em troca de petróleo. Esta iniciativa tem restaurado a visão de 1,8 milhões de pessoas em 35 países, incluindo o de Mario Terán, o sargento boliviano que matou Che Guevara em 1967.
A Brigada Henry Reeve, rejeitada pelos norteamericanos após o furacão Katrina, foi a primeira equipe a chegar ao Paquistão após o terremoto de 2005, e a última a sair seis meses depois.
A Constituição de Cuba estabelece a obrigação de ajudar os países em pior situação, quando possível, mas a solidariedade internacional não é a única razão, segundo o professor Kirk. “Isso permite que os médicos cubanos, que são terrivelmente mal pagos, possam ganhar dinheiro extra no estrangeiro e aprender mais sobre as doenças e condições que apenas estudaram. É também uma obsessão de Fidel e ele ganha votos na ONU.”
Um terço dos 75 mil médicos de Cuba, juntamente com 10.000 trabalhadores de saúde, estão atualmente trabalhando em 77 países pobres, incluindo El Salvador, Mali e Timor Leste. Isso ainda deixa um médico para cada 220 pessoas em casa, uma das mais altas taxas do mundo, em comparação com um para cada 370 na Inglaterra.
Onde quer que sejam convidados, os cubanos implementam o seu modelo de prevenção com foco global, visitando famílias em casa, com monitoração proativa de saúde materna e infantil. Isso produziu “resultados impressionantes” em partes de El Salvador, Honduras e Guatemala, e redução das taxas de mortalidade infantil e materna, redução de doenças infecciosas e deixando para trás uma melhor formação dos trabalhadores de saúde locais, de acordo com a pesquisa do professor Kirk.
A formação médica em Cuba dura seis anos – um ano mais do que no Reino Unido – após o qual todos trabalham após a graduação como um médico de família por três anos no mínimo. Trabalhando ao lado de uma enfermeira, o médico de família cuida de 150 a 200 famílias na comunidade em que vive.
Este modelo ajudou Cuba a alcançar alguns índices invejáveis de melhoria em saúde no mundo, apesar de gastar apenas $ 400 (£ 260) por pessoa no ano passado em comparação com $ 3.000 (£ 1.950) no Reino Unido e $ 7.500 (£ 4,900) nos EUA, de acordo com Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento.
A taxa de mortalidade infantil, um dos índices mais confiáveis da saúde de uma nação, é de 4,8 por mil nascidos vivos – comparável com a Grã-Bretanha e menor do que os EUA. Apenas 5% dos bebês nascem com baixo peso ao nascer, um fator crucial para a saúde a longo prazo, e a mortalidade materna é a mais baixa da América Latina, mostram os números da Organização Mundial de Saúde.
As policlínicas de Cuba, abertas 24 horas por dia para emergências e cuidados especializados, é um degrau a partir do médico de família. Cada uma prevê 15.000 a 35.000 pacientes por meio de um grupo de consultores em tempo integral, assim como os médicos de visita, garantindo que a maioria dos cuidados médicos são prestados na comunidade.
Imti Choonara, um pediatra de Derby, lidera uma delegação de profissionais de saúde internacionais, em oficinas anuais na terceira maior cidade de Cuba, Camagüey. “A saúde em Cuba é fenomenal, e a chave é o médico de família, que é muito mais pró-ativo, e cujo foco é a prevenção. A ironia é que os cubanos vieram ao Reino Unido após a revolução para ver como o HNS [Serviço Nacional de Saúde] funcionava. Eles levaram de volta o que viram, refinaram e desenvolveram ainda mais, enquanto isso estamos nos movendo em direção ao modelo dos EUA “, disse o professor Choonara.
A política, inevitavelmente, penetra muitos aspectos da saúde cubana. Todos os anos os hospitais produzem uma lista de medicamentos e equipamentos que têm sido incapazes de acesso por causa do embargo americano, o qual que muitas empresas dos EUA de negociar com Cuba, e convence outros países a seguir o exemplo. O relatório 2009/10 inclui medicamentos para o câncer infantil, HIV e artrite, alguns anestésicos, bem como produtos químicos necessários para o diagnóstico de infecções e órgãos da loja. Farmácias em Cuba são caracterizados por longas filas e estantes com muitos vazios. Em parte, isso se deve ao fato de que eles estocam apenas marcas genéricas.
Antonio Fernandez, do Ministério da Saúde Pública, disse: “Nós fazemos 80% dos medicamentos que usamos. O resto nós importamos da China, da antiga União Soviética, da Europa – de quem vender para nós – mas isso é muito caro por causa das distâncias.”
Em geral, os cubanos são imensamente orgulhosos e apóiam a contribuição no Haiti e outros países pobres, encantados por conquistar mais espaço no cenário internacional. No entanto, algumas pessoas queixam-se da espera para ver o seu médico, pois muitos estão trabalhando no exterior. E, como todas as commodities em Cuba, os medicamentos estão disponíveis no mercado negro para aqueles dispostos a arriscar grandes multas se forem pegos comprando ou vendendo.
As viagens internacionais estão além do alcance da maioria dos cubanos, mas os médicos e enfermeiros qualificados estão entre os proibidos de deixar o país por cinco anos após a graduação, salvo como parte de uma equipe médica oficial.
Como todo mundo, os profissionais de saúde ganham salários miseráveis em torno de 20 dólares (£ 13) por mês. Assim, contrariamente às contas oficiais, a corrupção existe no sistema hospitalar, o que significa que alguns médicos e até hospitais, estão fora dos limites a menos que o paciente possa oferecer alguma coisa, talvez almoçar ou alguns pesos, para tratamento preferencial.
Empresas internacionais de Cuba na área da saúde estão se tornando cada vez mais estratégicas. No mês passado, funcionários mantiveram conversações com o Brasil sobre o desenvolvimento do sistema de saúde pública no Haiti, que o Brasil e a Venezuela concordaram em ajudar a financiar.
A formação médica é outro exemplo. Existem atualmente 8.281 alunos de mais de 30 países matriculados na Elam, que no mês passado comemorou o seu 11 º aniversário. O governo espera transmitir um senso de responsabilidade social para os alunos, na esperança de que eles vão trabalhar dentro de suas próprias comunidades pobres pelo menos cinco anos.
Damien Joel Soares, 27 anos, estudante de segundo ano de New Jersey, é um dos 171 estudantes norte-americanos; 47 já se formaram. Ele rejeita as alegações de que Elam é parte da máquina de propaganda cubana. “É claro que Che é um herói, mas aqui isso não é forçado garganta abaixo.”
Outros 49.000 alunos estão matriculados no “Novo Programa de Formação de Médicos Latino-americanos”, a ideia de Fidel Castro e Hugo Chávez, que prometeu em 2005 formar 100 mil médicos para o continente. O curso é muito mais prático, e os críticos questionam a qualidade da formação.
O professor Kirk discorda: “A abordagem high-tech para as necessidades de saúde em Londres e Toronto é irrelevante para milhões de pessoas no Terceiro Mundo que estão vivendo na pobreza. É fácil ficar de fora e criticar a qualidade, mas se você está vivendo em algum lugar sem médicos, ficaria feliz quando chegasse algum.”
Há nove milhões de haitianos que provavelmente concordariam.

The Independent

53 anos de resistência e de socialismo


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Por Otávio Dutra
Há 53 anos um povo se levantou contra as garras do imperialismo dos EUA e do sistema de injustiça, privilégios e exploração - o capitalismo.
Desde então, foram duras as batalhas, com sucessivos boicotes, golpes, atentados, bloqueio econômico e terrorismo, tudo porque esse povo decidiu lutar pelo direito de construir uma sociedade livre, de justiça e humanismo. Mas mesmo com tantos empecilhos resistiram e vem construindo uma sociedade que está longe de ser perfeita, mas que avança a cada dia na perspectiva dessa sociedade em que a riqueza não é privada, mas coletiva.
A essa sociedade o rebelde povo cubano chama de SOCIALISMO. Mas não importa o nome, o importante é seu conteúdo, os valores que constrói e a energia que transmite aos povos do mundo de que sim é possível fazer diferente e melhor.
Cuba e seu heróico povo dão aos povos do mundo o exemplo de que não necessitamos viver numa sociedade de poucos ricos e muitos pobres, de violência crescente, em que a espiritualidade se transforma em consumismo e o mercado é um Deus.
Cuba, em 53 anos do que eles chamam de socialismo, diariamente dá mostras de que tamanho sacrifício de tantas gerações não foi e não é em vão, nítido no sorriso de cada cubaninha e de cada cubaninho, livres para brincar, criar e se desenvolver integralmente. Essa é Cuba, que se não fosse essa revolução há 53 anos provavelmente seria lembrada como hoje é lembrado o Haití, pela miséria e pela ingerência estrangeira.
Se não fosse a heróica jornada dos “barbudos” do M-26-7 e do povo organizado que triunfou em 1 de janeiro de 1959, jamais Cuba seria lembrada hoje pelo mundo por sua medicina de ponta, pela descoberta de medicamentos que abrem caminho para a cura do câncer, por seus atletas patriotas, seus professores que alfabetizam a América Latina, por seus escritores(as), músicos(as), bailarinos(as), pintores(as) e cineastas.
Por tudo isso, os militantes de União da Juventude Comunista (UJC) e do Partido Comunista Brasileiro que vivemos em Cuba, junto aos cubanos e cubanas, hoje comemoramos não apenas o início de um novo ano, mas o marco de mais um ano de resistência e de construção do socialismo. E comemoramos de punho erguido em cada bairro, em cada Comitê de Defesa da Revolução-CDR, em cada centro de trabalho e de estudo, seguros que a vitória pode tardar, mas seguramente será nossa!
Viva o aniversário 53 da Revolução Cubana!
Viva Fidel!
Viva o Socialismo!
Otávio Dutra, estudante de medicina da Escola Latino Americana de Medicina em Havana e militante do núcleo Paulo Petry da UJC/PCB

5 de janeiro de 2012

Discurso de Raúl Castro, de 23 de dezembro de 2011


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Nós todos, os que dirigimos, devemos manter uma atitude firme diante da indisciplina e do descontrole nas cobranças e pagamentos*
Companheiras e companheiros:
O 8º Período Ordinário de Sessões da Assembleia Nacional que termina hoje aprovou o plano da economia e a Lei do Orçamento para o ano de 2012. Da mesma maneira, os deputados foram largamente informados sobre o andamento do processo de implementação das Diretrizes da Política Econômica e Social do Partido e da Revolução, acertadas pelo 6º Congresso. Além disso, o presidente do Supremo Tribunal Popular e o procurador-geral da República prestaram contas perante o Parlamento.
Esta sessão foi precedida pela reunião ampliada do Conselho de Ministros, realizada em 16 de dezembro passado, e pela 3ª Reunião Plenária do Comitê Central do Partido, efetuada na quarta-feira, 21 de dezembro, bem como pelo trabalho das 12 comissões permanentes do Parlamento, desde terça-feira passada, dia 20. Por isso, não vou alongar-me nos temas examinados e vou referir-me apenas a algumas questões fundamentais.
Em meio aos vaivéns da crise financeira global, a economia global mostrou um comportamento aceitável e sustentável; o PIB cresceu 2,7%, inferior aos 3,0% previstos, devido fundamentalmente à não execução de investimentos e à inadimplência nalgumas produções agropecuárias e na indústria alimentar e dos materiais de construção.
Ao mesmo tempo, em 2011, começou a recuperar-se gradativamente a produção açucareira, ultrapassou-se a cifra recorde de visitantes estrangeiros, preservou-se o equilíbrio monetário interno e a dinâmica favorável na relação produtividade-salário médio. Do ponto de vista estrutural, está melhorando a economia a partir de proporções mais adequadas nos investimentos, dando-se prioridade aos de tipo produtivo e infraestrutural.
Continuamos progredindo na recuperação da credibilidade internacional de nossa economia, mediante o estrito cumprimento das obrigações financeiras resultantes da renegociação de dívidas com os principais credores, política que continuaremos reforçando mais adiante.
Em 18 de dezembro do ano passado, durante minha intervenção neste Parlamento, expressei que, antes de terminar 2011, eliminaríamos completamente as restrições de transferências de bancos cubanos ao exterior a favor de fornecedores estrangeiros.
Hoje podemos afirmar que cumprimos esse compromisso e, aliás, que entraram em vigor procedimentos para evitar novas retenções no futuro, salvo em situações excepcionais.
O plano da economia do ano próximo foi elaborado em consonância com as Diretrizes aprovadas pelo 6º Congresso do Partido e é qualitativamente superior quanto à conciliação das demandas entre produtores e clientes. Apesar disso, haverá tensões financeiras, obrigando-nos a continuar reduzindo todo tipo de despesas, que ainda são umas das primeiras fontes de receitas. O PIB deverá crescer 3,4%.
Apesar de prever-se o aumento das produções nacionais de alimentos, entre as quais, a de arroz e feijões — e em consequência diminuirão os volumes a importar devido à elevação dos preços, isto é, as importações de alimentos — atingirão mais de US$1,7 bilhão. Tudo isso aponta com eloquência para a necessidade de avançar firmemente no propósito de fazer produzir as terras ainda ociosas ou deficientemente aproveitadas.
O déficit do orçamento do Estado ficará ao mesmo nível que em 2011, isto é, 3,8% do PIB, garantindo-se com racionalidade os serviços gratuitos à população nas áreas da saúde, educação, cultura e esportes, bem como a previdência social, os subsídios à cesta básica familiar, e a pessoas naturais com baixa renda, que não podem adquirir materiais da construção, e outros.
TENHO CERTEZA DE QUE A CORRUPÇÃO É HOJE UM DOS INIMIGOS PRINCIPAIS DA REVOLUÇÃO
Referindo-me a outro assunto, bem estreitamente ligado ao funcionamento econômico da nação e do qual — embora se tenha falado em inúmeras ocasiões, inclusive no Relatório Central ao 6º Congresso, nas Diretrizes, particularmente na no. 10, em intervenções no Parlamento e em muitíssimas reuniões do Conselho de Ministros, não se constata o avanço necessário — é o papel primordial do contrato nas interrelações das empresas, estabelecimentos orçamentados e as formas não-estatais de gestão, que se reflete na péssima situação das cobranças e pagamentos, com o subsequente transtorno nas finanças internas e no fato de propiciar delitos e corrupção.
O acima referido, para apenas citar um exemplo, constatou-se nos fornecimentos fraudulentos de produtos agropecuários aos mercados da capital, que não existiram nem se cultivaram, gerando um desfalque de mais de 12 milhões de pesos devido aos delitos cometidos por executivos, funcionários e outros trabalhadores das empresas estatais comercializadoras, bem como por pequenos agricultores, que se prestaram como testa de ferro e agora lhes exigirão responsabilidades administrativas e judiciais, conforme a gravidade dos fatos.
Coloco o assunto para ilustrar que nós todos, os que dirigimos nos diferentes níveis, da base até os cargos máximos do país, devemos ter uma atitude firme diante da indisciplina e do descontrole nas cobranças e pagamentos, que são algumas das causas e criam as condições para fomentar o delito. Tenho certeza de que a corrupção é hoje um dos inimigos principais da Revolução, ainda mais prejudicial que a atividade subversiva e intervencionista do governo dos Estados Unidos e de seus aliados dentro e fora do país.
A Controladoria Geral, a Procuradoria Geral da República e os órgãos especializados do Ministério do Interior têm instruções de combater esse flagelo com a máxima severidade de nossas leis, bem como se fez de maneira bem-sucedida com o incipiente tráfico de entorpecentes, a partir de janeiro de 2003.
Nesta batalha estratégica intensificamos a coordenação, a coesão e a exigência na luta contra o delito e começam a constatar-se alguns resultados, tanto nos fatos chamados de “colarinho branco”, cometidos por executivos e funcionários nacionais e estrangeiros ligados ao comércio exterior e ao investimento estrangeiro, quanto nas malfeitorias perpetradas por delinquentes comuns em parceria com dirigentes administrativos e empregados de sucursais estatais nos processos produtivos, transporte e distribuição em entidades da indústria de alimentos, comércio, gastronomia, no sistema da habitação e nos ministérios da Indústria Pesada e da Agricultura.
Precisamente, no setor agropecuário, desde 1º de agosto do presente ano, intensificou-se consideravelmente a luta contra o furto e o sacrifício de gado bovino e a subsequente comercialização de sua carne no mercado negro, fenômeno que no decurso dos anos floresceu com alguma impunidade, provocadno sérias afetações a produtores estatais e privados, não só do ponto de vista econômico, mas também moral e social.
A Policía Nacional Revolucionária, junto a outras forças do Ministério do Interior, estreitamente coordenadas com as organizações políticas e de massa, assumiu com profissionalismo e sistematicidade a tarefa de erradicar de vez o abigeato dos campos cubanos, delito no qual estão envolvidos, em cumplicidade com os abigeatários, chefes e especialistas de empresas estatais, Unidades Básicas de Produção Cooperada (UBPCs), pequenos agricultores, veterinários e diretores municipais e outros funcionários da instituição que, supõe-se, devia zelar pelo crescimento do gado no país. Estou referindo-me ao Centro de Controle Pecuário, conhecido por suas siglas como Cencop.
É bom salientar que não se trata de uma campanha a mais, como certamente aconteceu no passado, quando as ações para restabelecer a ordem, no decurso do tempo, foram suspensas e imperou a rotina e a superficialidade, dando a razão àqueles que esperavam que tudo voltaria a ser igual e que “as águas subiriam até o seu nível” para continuar melhorando à custa do patrimônio de nosso povo.
Posso afirmar que desta vez os abigeatários vão acabar no país, como mesmo acabaram os traficantes de entorpecentes, e não ressurgirão, porque estamos determinados a fazer cumprir as instruções dadas pelos governo e os acordos do Congresso do Partido. Digo o mesmo em relação àqueles burocratas corruptos, que obtiveram cargos por meio da simulação e do oportunismo, e que utilizam os cargos que ainda ocupam para acumular fortunas, apostando numa eventual derrota da Revolução.
Na quarta-feira, dia 21, na Reunião Plenária do Comitê Central, examinamos profundamente estes fatores e mostramos um conjuntos de documentários e interrogatórios a deliquentes de “colarinho branco”. Estes documentários serão mostrados em suas respectivas províncias no momento certo a vocês todos, companheiros deputados, e também a outros dirigentes.
Levamos em consideração alerta feito por Fidel em 17 de novembro de 2005, na Aula Magna da Universidade de Havana, há pouco mais de seis anos, quando se referiu a que este país podia autodestruir-se, que o inimigo não podia fazê-lo, mas nós sim, e que seria nossa culpa. Assim concluiu o chefe da Revolução naquela ocasião. Por isso, resolvemos há dois dias, na 3ª Reunião Plenária do Comitê Central que acabei de mencionar, que acabaremos com essa praga.
Em nome do povo e da Revolução, advertimos que seremos implacáveis no cumprimento da lei.
QUANTO À POLÍTICA MIGRATÓRIA: REAFIRMO A FIRME DECISÃO DE INTRODUZIR GRADATIVAMENTE AS REFORMAS NECESSÁRIAS NESTA COMPLEXA TEMÁTICA
Muito ligado a essa firme decisão de recuperar a disciplina social em nossa Pátria, está o processo de implementação das Diretrizes da Política Econômica e Social do Partido e da Revolução, que foi debatido na atual sessão da Assembleia Nacional, pois ninguém duvide de que com esta situação da qual estou falando, seria bem difícil atualizar nosso socialismo.
A Comissão Permanente para a Implementação e Desenvolvimento ofereceu uma ampla informação sobre o andamento de seu trabalho e a adoção de um conjunto de decisões, em cumprimento dos acordos do Congresso do Partido. Não vou me deter em fazer um exame delas, mas estes são apenas os primeiros passos. As questões fundamentais ficam pendentes, o que não significa que não estejamos avançando ao ritmo previsto.
Continuaremos materializando as decisões, sem pressa, mas sem pausa, com a integralidade e ao ritmo necessários, sem improvisações, contribuindo para a eliminação da velha mentalidade dogmática e corrigindo oportunamente os erros que se cometerem. Não vamos descurar nem um instante a unidade da maioria dos cubanos em torno do Partido e da Revolução, essa unidade que nos tem servido para chegar até aqui e ir para frente na construção de nosso Socialismo.
Como era de esperar, não faltaram as exortações, bem e mal-intencionadas, para apressarmos o passo e pretendem impor-nos a sequência e alcance das medidas a adotar como se se tratasse de algo insignificante e não do destino da Revolução e da Pátria.
Após a autorização da compra-venda de carros particulares e de moradias, muitos consideram urgente a aplicação de uma nova política migratória, esquecendo as circunstâncias excepcionais que Cuba vive sob o embargo que implica a política intervencionista e subversiva do governo dos Estados Unidos, sempre à espreita de qualquer oportunidade para conseguir seus conhecidos propósitos.
Em 1º de agosto passado, neste Parlamento abordei publicamente o assunto e expus que estávamos trabalhando para instrumentar a atualização da política migratória vigente e que se avançava na reformulação e elaboração de legislações, em consonância com as condições atuais e futuras. Hoje ratifico todas as opiniões colocadas naquela oportunidade, ao passo que reafirmo a firme decisão de introduzir gradativamente as mudanças necessárias nesta complexa temática, sem deixar de analisar integramente os efeitos favoráveis e desfavoráveis de cada passo que demos.
Agora dedicarei alguns minutos à política externa.
O ano de 2011 foi muito convulso para o mundo. Hoje se constatam  tendências cada vez mais perigosas e reacionárias, ao passo que se incrementam as expressões de resistência e protesto popular contra o capitalismo neoliberal.
Os mecanismos das Nações Unidas, criados para preservar a paz e a segurança, foram manobrados para impor ao planeta a tirania dos Estados Unidos e da Otan, que assumem como modelo “a mudança de regime”, a violação dos princípios do Direito Internacional e o uso dos empórios financeiro-midiáticos para atiçar o ódio e a violência.
Enquanto isso, em dezenas de cidades norte-americanas e europeias, aumenta o apoio à mensagem dos “indignados”, que visa pôr fim à crescente desigualdade nos países desenvolvidos.
Instamos esses governos que tanto apregoam democracia, direitos humanos, liberdade de imprensa, etc, a escutarem suas legítimas demandas, a consultarem com seus povos as políticas econômicas, as medidas de ajuste e a levarem em conta a opinião pública, sem a brutal repressão à qual submetem frequentemente os protestos estudantis, profissionais, operários, de imigrantes e de outras minorias.
Ao mesmo tempo, Nossa América vai rumo à integração e à soberania regional, e prova disso foi a constituição da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em Caracas, em 2 de dezembro passado, que é o fato institucional de maior envergadura no hemisfério durante os dois últimos séculos, desde a independência.
Cuba teve a honra de ser unanimemente eleita como presidenta da Celac para 2013 e para acolher sua 3ª Cúpula, ao concluir esse ano. Com isso, são reivindicadas a América Latina e o Caribe, cujos povos incentivaram a heroica luta dos cubanos.
Poucos dias depois, em Trinidad e Tobago, o nosso país agradeceu a solidariedade dos caribenhos irmãos na Cúpula Caricom-Cuba.
O CONSELHO DE ESTADO, NUM GESTO HUMANITÁRIO E SOBERANO, RESOLVEU INDULTAR MAIS DE 2.900 PRESOS
Antes da Semana Santa, terá lugar a visita apostólica de Sua Santidade, o papa Bento XVI, chefe do Estado da Cidade do Vaticano e Sumo Pontífice da Igreja Católica.
Nosso povo e governo terão a honra de acolher Sua Santidade com afeto e respeito.
Nós, os cubanos, não esquecemos os sentimentos de amizade e respeito que em 1998 despertou a presença do papa João Paulo II em nossa terra.
Da mesma maneira, na medida em que cresce a executória internacional e o reconhecimento majoritário à Revolução Cubana, nunca foi maior o desprestígio da política dos Estados Unidos com nossa região e a repulsa no mundo, na própria sociedade norte-americana e na emigração cubana, ao genocida bloqueio econômico, político e midiático contra Cuba.
Ao passo que atualizamos nosso socialismo, mudando aquilo que deve ser mudado, o governo dos Estados Unidos continua estagnado no passado.
Barack Obama, o 11º presidente dos Estados Unidos desde 1959, parece que não compreende que Cuba fez enormes e árduos esforços para conquistar sua independência no século 19 e defender sua liberdade na Baía dos Porcos em 1961, na Crise dos Mísseis em outubro de 1962, no início do Período Especial (crise financeira) na última década do século 20 e em todos estes anos do século 21.
Às vezes, parece que não está bem informado de que, diante desta realidade, seu governo teve que renunciar aos pretextos mais gastos para justificar o bloqueio e inventar outros cada vez mais insustentáveis.
Com equanimidade e paciência, vamos cumprir os acordos do Congresso, enquanto têm lugar as eleições nos EUA. Sabemos que o bloqueio vai manter-se e que se incrementará o financiamento e as tentativas de converter um punhado de mercenários numa oposição para desestabilizar nosso país, mas isso não tira o sono a um povo revolucionário como o nosso, instruído, armado e livre, que nunca renunciará a sua defesa. (Aplausos)
Mesmo que a inércia do governo norte-americano e sua ausência de decisão política para melhorar as relações animem os setores mais reacionários a implementar novas provocações e ações de agressão, Cuba mantém sua proposta de avançar na normalização das relações com os Estados Unidos e desenvolver a cooperação em todas as áreas em que seja benéfica para ambos os povos.
Os laços familaires e o limitado intercâmbio existente entre os dois países demonstram que seria benéfica a ampliação das relações para o bem de todos, sem entraves nem condicionamentos impostos pelo governo dos Estados Unidos, que subordina qualquer progresso a sua política de hostilidade e ingerência, encaminhada ao restabelecimento de seu domínio sobre Cuba.
Antes de terminar, devo informar a esta Assembleia que o Conselho de Estado, num gesto humanitário e soberano, resolveu indultar mais de 2.900 presos. Entre eles, mulheres, doentes, pessoas com mais de 60 anos de idade e também jovens que elevaram seu nível cultural e as possibilidades de reinserção na vida social.
Não foram incluídos, exceto alguns casos, os sancionados por delitos de espionagem, terrorismo, assassinato, homicídio, tráfico de drogas, pederastia com violência, estupro, corrupção de menores e latrocínio em moradas habitadas.
De maneira sistemática e em cifras anuais superiores às compreendidas neste indulto, o Supremo Tribunal, a Procuradoria Geral da República e os órgãos especializados do Ministério do Interior, conforme as legislações vigentes, examinam e dispõem a liberdade de sancionados, atendendo ao seu comportamento, às características dos delitos cometidos e às condições da família e da saúde, ao qual se juntou, desta vez, muitíssimos pedidos de parentes e de diversas instituições religiosas, entre as quais, o Conselho de Igrejas de Cuba e a Conferência de Bispos Católicos de Cuba, por intermédio de seu presidente.
Além disso, levou-se em consideração a anunciada visita do papa Bento XVI a Cuba e a comemoração do 400º aniversário da descoberta da imagem da Virgem da Caridad del Cobre.
O indulto será efetivo nos dias seguintes, como uma mostra a mais da generosidade e fortaleza da Revolução.
Da mesma maneira, expressamos a disposição de conceder a liberdade antecipada a 86 cidadãos estrangeiros, de 25 países, inclusive, 13 mulheres, condenados pelos tribunais por delitos cometidos em Cuba, sob a condição de que os governos de suas nações aceitem sua repatriação.
Pela via diplomática, se encaminhará em breve a informação necessária para tais governos, através das autoridades correspondentes.
Por último, faltando poucos dias para finalizar este ano de intenso trabalho, transmitimos a todo nosso povo, em primeiro lugar, aos nossos corajosos Cinco heróis e suas famílias, uma calorosa congratulação pelo Ano Novo e pelo aniversário da vitória da Revolução. Em janeiro, efetuaremos a Primeira Conferência Nacional do Partido, ora pois, não teremos muito tempo para descansar.
Isso é tudo.
Muito obrigado.
• Discurso proferido pelo presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, general-de-exército Raúl Castro Ruz, no 8º Período Ordinário de Sessões da Assembleia Nacional do Poder Popular, em 23 de dezembro de 2011. “Ano 53 da Revolução”
(Tradução da versão estenográfica do Conselho de Estado)
Extraído de: Solidários
Fonte: GRANMA