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3 de março de 2015

Prêmio Nobel da Paz denuncia e repudia interferência dos EUA na Venezuela

Prêmio Nobel da Paz denuncia e repudia interferência dos EUA na Venezuela



Diário Liberdade
O argentino Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz em 1980, denunciou a interferência e tentativas de desestabilização do governo dos Estados Unidos contra o presidente Nicolás Maduro e o povo da Venezuela.
Em entrevista à Radio del Sur na última terça-feira, Pérez Esquivel afirmou que, após tentar derrubar o então presidente Hugo Chávez, agora os EUA pretendem fazer o mesmo com Maduro, a quem praticamente não deixaram governar mesmo antes do começo de seu mandato, para que não possa avançar com suas políticas.
Destacou o caráter totalmente subserviente da direita venezuelana aos interesses do imperialismo estadunidense. "Me preocupa muito a situação na Venezuela, a oposição deveria se sentar para dialogar com o governo e permitir a governabilidade e não se deixar manipular pelos interesses externos dos EUA e das transnacionais."
Ele pediu união das nações latino-americanas para enfrentar os interesses dos Estados Unidos, que se consideram donos dos países latino-americanos e que nos consideravam seu quintal. "Eu espero que os povos estejam conscientes e não permitam que nos transformem em colônia dos EUA... Washington irá defender seus interesses na região e não lhe interessam os meios a serem utilizados para isso", disse. Deste modo, os EUA não buscam, com suas ações, defender os povos, mas dominá-los, completou.
Pérez Esquivel lembrou do histórico de golpes na região patrocinados pelos Estados Unidos. "O intervencionismo estadunidense na América Latina é histórico, todo governo opositor ou que tenha certa independência é atacado pelos EUA e não se pode esquecer que este país é responsável por impor ditaduras militares em todo o continente", lembrando os casos recentes em Honduras, onde foi instalado um regime títere dos EUA, e também do Paraguai.
"Fizeram a mesma coisa no Paraguai quando derrubaram Fernando Lugo através de mentiras, e assim também desestabilizaram o governo de Hugo Chávez. Agora está acontecendo algo parecido com Nicolás Maduro: mas assumiu a presidência e não o deixam governar um dia sequer porque começam e tentar denegri-lo e enfraquecer sua gestão para que as políticas que a Revolução vem desenvolvendo não possam avançar", afirmou.
http://www.diarioliberdade.org/artigos-em-destaque/408-direitos-nacionais-e-imperialismo/54515-pr%C3%AAmio-nobel-da-paz-denuncia-e-repudia-interfer%C3%AAncia-dos-eua-na-venezuela.html

27 de dezembro de 2013

Venezuela: não só com eleição se faz revolução!

Venezuela: não só com eleição se faz revolução!



Ivan Pinheiro*
O resultado das recentes eleições municipais venezuelanas - que se transformaram em plebiscitárias, em razão da bipolarização da sociedade – constitui uma importante vitória pontual contra o imperialismo. Uma batalha ganha, numa guerra ainda indefinida.
A importância desta vitória é que um resultado contrário seria a senha para a radicalização do projeto de desestabilização da economia venezuelana e do governo Maduro, com a direita colocando precocemente na pauta a agitação sobre o referendo revogatório previsto para 2016.
Respiram aliviados a chamada revolução bolivariana, os processos de reformas progressistas na América Latina, sobretudo na Bolívia e no Equador, a Revolução Cubana e a possibilidade de uma solução política para o conflito colombiano. Uma vitória da oligarquia e do imperialismo nesta eleição venezuelana, empurraria para a direita, ou mais para a direita, os governos no Cone Sul, levando-os a promover mais concessões ao capital.
Mas o impasse na luta de classes da Venezuela não será resolvido, em favor do campo popular, nesse eterno campeonato de votos, no país recordista mundial de eleições.
A guerra econômica e política movida pela oligarquia venezuelana associada ao imperialismo (dentro do modelo que derrotou Allende no Chile) certamente continuará e não será vencida apenas através de eleições. Se fosse assim, a Venezuela já seria socialista.  Enquanto o capitalismo não for superado, o processo não avança no caminho do socialismo. O destino de revolução que empaca é a morte.
As medidas de Nicolás Maduro contra a especulação e o desabastecimento, que o capital vem e continuará promovendo, foram decisivas para esta vitória eleitoral, ao criar nas massas uma sensação de que é possível conter e até vencer o capital através de decretos, de “canetadas”, como dizemos no Brasil.
Urge radicalizar o combate ao capital, porque medidas pontuais e datadas podem criar a ilusão de que ele pode continuar sendo regulado, amaciado, aperfeiçoado. O problema é que as leis de mercado não falham e a acumulação de capital sempre encontra formas de prosperar, ainda que ilícitas.
É preciso aproveitar a vigência de um ano da Lei Habilitante - que dá poderes ao Presidente Maduro para legislar por decreto, diante do risco de desestabilização política e econômica do país – para enfrentar o domínio do capital sobre a economia e da mídia burguesa sobre as consciências e, nomeadamente, para substituir as instituições do estado burguês, ainda vigentes, pela dualidade do Poder Popular. Isto é viável na Venezuela, pois ali o maior saldo positivo do desenvolvimento do processo é exatamente o acúmulo na organização de conselhos, comunas e brigadas populares, algumas inclusive dedicadas à autodefesa.
Portanto, o fator decisivo para pavimentar o caminho ao socialismo, hoje obstruído por fortes barreiras impostas pelo capital, é o reforço da organização e do protagonismo dos trabalhadores e do proletariado em geral, voltado para a revolução socialista e não apenas para meras reformas e a sustentação do governo.
E o socialismo de que falamos aqui é a transição ao comunismo, não o do “século XXI”, um suposto novo modelo, na verdade uma terceira via, como se fosse possível uma “mediação” entre socialismo e capitalismo. Não há nada mais moderno que o legado de Marx, Engels e Lenin, enriquecidos pela formulação coletiva dos partidos revolucionários.
Os setores populares retribuíram com votos a ofensiva tardia do governo frente ao capital, às vésperas das eleições (e muito provavelmente em função delas). Mostraram assim que querem radicalização, não conciliação.
Mas se esta ofensiva não tiver continuidade nem radicalidade, as massas terão que buscar seus próprios meios e caminhos, fora da institucionalidade venezuelana, que ainda é burguesa, em que pese mitigada por algumas reformas progressistas.
*Ivan Pinheiro é Secretário Geral do PCB – Partido Comunista Brasileiro
WWW.abpnoticias.org (Agencia Bolivariana de Prensa)
http://www.abpnoticias.org/index.php/hidden-editorial/346-venezuela-so-com-eleicao-nao-se-faz-revolucao

23 de abril de 2013

PCV denuncia plano para deslegitimar o governo com objetivos golpistas de direita

Tribuna Popular

Carlos Aquino, membro do Birô Político do Partido Comunista da Venezuela

Caracas, 22 de abril. 2013, Tribuna Popular TP - O Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da Venezuela (PCV) denunciou hoje que a direita pró-imperialista venezuelana tenta deslegitimar o governo nacional usando como pretexto a auditoria ampliada que será conduzida pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) sobre 46% das mesas de votação da eleição presidencial do último 14 de abril.

Todas as ações que vem sendo impulsionadas pela liderança da oposição tem uma intenção tática e estratégica de construir um quadro de deslegitimação do governo nacional para buscar uma situação de instabilidade e ingovernabilidade no país, enfatizou Carlos Aquino, membro do Birô Político do PCV, em coletiva de imprensa.

O dirigente destacou que a oposição sabe muito bem que o resultado da auditoria que teria início nesta semana não indicará qualquer erro nos resultados divulgados no último 14 de abril pelo corpo diretivo das eleições na Venezuela.

Eles possuem as atas e, como anunciado dois dias antes da eleição, eles possuíam fiscais em todas as 39.018 mesas e não há nenhuma denúncia que afete o resultado das eleições, assinalou o líder comunista.

Aquino destacou o quanto é falsa a afirmação do ex-candidato presidencial da direita, a respeito de que 46% das mesas teriam os problemas indicados nas denúncias, uma vez que nos 54% das mesas já auditados não houve nenhum erro.

O Galo Vermelho (PCV) alerta a comunidade nacional e internacional de que a direita pró-imperialista fomenta um clima de instabilidade e ingovernabilidade ao qual nós devemos estar atentos, alertas e organizados para derrotá-los.

VENEZUELA E A DEMOCRACIA DOS OUTROS

Por Mauro Santayana, em seu blog:

Vamos aceitar o fato de que a vitória de Nicolas Maduro sobre Henrique Capriles, domingo, na Venezuela, foi muito apertada. É preciso recordar as evidentes fraudes na Flórida, em favor de Bush, em 2000, e a decisão da Suprema Corte confirmando a sua espúria vitória – sem a devida recontagem dos votos. O governo norte-americano agora se nega a reconhecer o resultado do pleito na Venezuela e anuncia “consultas” com a OEA e a União Européia, enquanto exige a recontagem estrita dos sufrágios.

A Espanha, que continua com a presunção de que os latino-americanos são seus súditos, contestou os resultados eleitorais, exigindo também a recontagem e colocando em dúvida a lisura do pleito, em pronunciamento de sua chancelaria. Maduro, em reação explicável diante da crônica das tumultuadas relações recentes entre Caracas e Madri, mandou chamar seu embaixador na Espanha para consultas, e ameaçou tomar todas as medidas contra a ingerência espanhola - o que levou o Ministro de Relações Exteriores da Espanha, Garcia Margallo, a amenizar suas declarações e a declarar que houvera um mal entendido. Na realidade, a Espanha espera ganhar algum tempo, enquanto aguarda as ordens de Washington.

Em Madri houve quem se lembrasse da vitória de Aznar sobre Felipe González – que conduziu o país à guinada para a direita – por apenas 300.000 votos, quase a mesma diferença entre Maduro e Capriles, sem esquecer que a população espanhola é de 47 milhões de habitantes e, a da Venezuela, de cerca de 30 milhões. Ninguém, em nenhuma “democracia” ocidental, contestou a vitória de Aznar sobre Gonzalez.

Na Espanha é comum que, nas municipalidades, de cinco a dez votos decidam as eleições.

Se os Estados Unidos e a OEA persistirem na mesma atitude de contestar o resultado eleitoral e de apoio incondicional a Capriles, estaremos diante de uma crise diplomática complicada. O Brasil, que, como outros países do mundo, acompanha as eleições na Venezuela de perto, com os seus observadores, reconheceu o novo governo, em manifestação pessoal da Presidente Dilma Roussef, em telefonema a Maduro. A Colômbia e o México também o fizeram no primeiro momento. A Unasul também o fez.

O sistema eleitoral na Venezuela se faz com os votos eletrônicos sendo impressos e colocados em uma urna. De acordo com a lei, 54% dos votos impressos são contados – se a relação corresponder aos votos eletrônicos, considera-se legítimo o resultado total.

De que autoridade ética dispõem os Estados Unidos, para avaliar a democracia alheia, quando mantêm o campo de concentração de Guantánamo, em que há prisioneiros, sem julgamento, há quase tanto tempo quanto durou o regime de Hitler?

Os “caprilistas” começaram a matar nas ruas de Caracas. O que ocorrer, depois disso, será responsabilidade daqueles que os açulam.

19 de abril de 2013

Maduro: Hemos derrotado el golpe de Estado

RADIO AVN

Caracas, 16 Abr. AVN.- El presidente de la República, Nicolás Maduro, expresó este martes que el Gobierno y el pueblo revolucionario derrotaron el golpe de Estado promovido por la derecha, pero advirtió que aquellos sectores "van a continuar intentando desestabilizar".

"Hoy declaro derrotado el golpe de Estado, por el pueblo y la Fuerza Armada", dijo poco antes de inaugurar un centro de diagnóstico integral (CDI) en la parroquia Caucagüita, en el estado Miranda. "Repudiamos toda la violencia y a quienes la llamaron", añadió.

El mandatario nacional denunció los hechos violentos promovidos por la ultraderecha este lunes, tras la insistencia del ex candidato antichavista, Henrique Capriles, de desconocer los resultados de las elecciones del domingo, en las que fue derrotado por cerca de 273.000 votos. Pidió establecer las responsabilidades y aseveró que el plan cuenta con financiamiento del Departamento de Estado de Estados Unidos.

La violencia desatada por la derecha incluyó acoso a los médicos cubanos, quienes "fueron amenazados de muerte en varias partes del país" por "hordas fascistas organizadas".

"Trataron de sacar por la fuerza y asesinar a médicos y médicas cubanas. Un solo responsable: quien llamó a la violencia. Que se establezcan las responsabilidades del caso. Todo por un capricho de la burguesía amarilla: ponerle mano al poder y voltear la voluntad y la soberanía popular", denunció.

Maduro recordó que el mismo domingo se realizó la auditoría de 54% de las mesas de votación. "Resultó impecable. Tenemos las actas completas y los resultados están impecables. Ellos lo saben, el cogollo de la burguesía amarilla, con sus ambiciones de poder desmedidas, y ayer se volvieron locos, llamando a la gente a la calle", expresó.

Dijo que la ultraderecha organizó un plan para atacar sedes del Partido Socialista Unido de Venezuela, centros de diagnóstico integral, urbanismos de la Gran Misión Vivienda Venezuela como el de La Limonera, en Miranda, donde murieron dos personas, y a la "gente en la calle sólo por ser revolucionaria. Esta es la crónica de un golpe anunciado".

Maduro alertó que si la derecha hubiera llegado a la Presidencia, habría desmantelado todo el sistema de salud Barrio Adentro.

"Si ustedes hubieran tomado el poder, habría venido una cacería de brujas para asesinar al pueblo. Pero no fue así. El pueblo fue sabio y ganamos en buena lid. Fue una victoria constitucional, popular, legal, avalada por el Poder Electoral y por todo el mundo que vino a ver", enfatizó.

"Y usted, señor amarillo, se ha portado fuera del margen de la Constitución y la ley. Usted tiene que responder ante la Constitución y la ley porque es el responsable de los muertos que hoy estamos velando", sostuvo.

"Usted ha actuado peor que Carmona Estanga. Se parece más a Carmona Estanga que a otra cosa", indicó en referencia al empresario que se proclamó presidente en el golpe de Estado de abril de 2002.

Asimismo, indicó que los revolucionarios no cederán ante el chantaje de la violencia, la intolerancia y el odio. "Llamamos a la paz, que el pueblo me escuche donde esté, en los campos más alejados, en los barrios, en las comunidades, las universidades: paz, serenidad absoluta, no caer ni crear provocaciones. La patria va a seguir su rumbo, de trabajo, de construcción", añadió.

También condenó los ataques a las residencias de la presidenta del Consejo Nacional Electoral (CNE), Tibisay Lucena; del dirigente William Izarra y de su hijo, Andrés Izarra, exministro de Comunicación e Información.

Dijo que tienen los videos sobre el ataque a la casa de Lucena y el Gobierno actuará legalmente. "¿Eso es democracia o fascismo?", se preguntó.

Llamado a la paz

"Llamamos a la paz, que el pueblo me escuche donde esté, en los campos más alejados, en los barrios, en las comunidades, las universidades: paz, serenidad absoluta, no caer ni crear provocaciones. La patria va a seguir su rumbo de trabajo y de construcción", reiteró el Jefe de Estado.

"Llamo a la paz y hoy, afortunadamente, reina la paz, aunque sabemos que hay grupos operando para generar caos y desestabilización", recalcó.

En ese sentido, para garantizar la paz y la seguridad de los ciudadanos, el presidente Maduro indicó que no autorizará la movilización que planeaba hacer este miércoles la oposición venezolana hacia el centro de Caracas.

"Ahora están planteándose para mañana una marcha al centro de Caracas. No se va a permitir la marcha al centro de Caracas. Ustedes (la oposición) no van a ir al centro de Caracas a llenarlo de muerte y de sangre", señaló.

Expresó que el Gobierno Bolivariano tendrá "mano dura" para enfrentar al fascismo y a la intolerancia que ha manifestado la oposición en las últimas horas.

Asimismo, exhortó a los medios de comunicación privados del país a la sensatez y a "definir con quién están. Definan con quién están: Con la patria, con la paz, con el pueblo o van a volver a estar con el fascismo".

"Llegó la hora de las definiciones en Venezuela: o estamos con la paz, el futuro y la patria, o estamos con el fascismo y la violencia", añadió.

Juramentación como Presidente de la República Maduro reiteró que este viernes 19 será juramentado como Jefe de Estado ante la Asamblea Nacional (AN), por lo cual invitó al pueblo venezolano a acompañarlo.

"El viernes me juramento y habrá una gran movilización de pueblo hacia Caracas. Va a ser un día de júbilo, 19 de abril, me juramento en nombre de la independencia y la patria", añadió.
Subrayó que será el Presidente del amor, la paz y la unión de todos los venezolanos.

Continuidad de la obra de Chávez

El Mandatario dijo que continuará en el país la obra socialista del máximo líder de la Revolución Bolivariana, Hugo Chávez, y manifestó que el Gobierno Bolivariano velará para que en los centros de salud y seguros del sector privado prevalezca la vida antes que el lucro, frente a una persona que presente una emergencia.

"Los seguros privados y las clínicas son una fuente de especulación. Ya nosotros vamos a regular todo eso, seguros privados y clínicas privadas tienen que entrar por el aro de la economía social, del respeto al derecho a la salud del pueblo", expresó.

Recordó que en socialismo la salud no puede ser un negocio para especular y señaló que el Gobierno seguirá respetando el trabajo de las clínicas privadas pero "vamos a sentarnos, a ver los precios que cobran y a ver el derecho a la vida".

"Tiene que prevalecer el derecho a la vida, eso tenemos que tenerlo muy claro porque está en la Constitución", añadió Maduro.

AVN 16/04/2013 12:41

2 de abril de 2013

O CHAVISMO PÓS CHÁVEZ

Ivan Pinheiro (*)

Como dirigente comunista, não posso me dar ao luxo de escrever reportagem ou repetir lugares comuns sobre a Venezuela pós Chávez. Meu dever é ajudar a desenhar cenários, chamar atenção para possibilidades e dificuldades. Por isso, ouso apresentar aqui algumas impressões e conjecturas, com base no que vi, ouvi e senti em Caracas quando lá estive após a morte de Chávez e nas informações de que disponho.

É indiscutível que as massas passaram a valorizar ainda mais o legado de Hugo Chávez depois de sua morte. Não apenas por seu carisma, mas pelas conquistas sociais dos quatorze anos de seu governo. Mesmo aqueles que estiveram indiferentes em alguns momentos, que deixaram de votar ou ir às manifestações de massa, parecem acordar e se conscientizar frente aos riscos de perder essas conquistas.

Parece assim evidente que Maduro, em 14 de abril, terá mais votos que Chávez na última eleição em outubro. Outra razão é que, antes de partir para a eternidade, Chávez o escolheu publicamente como seu candidato, no caso de sua ausência.

Isto também significa que, uma vez eleito, Maduro, como ele mesmo tem dito, não poderá se afastar um milímetro do ideário e dos projetos de Chávez, sob pena de as massas tomarem as ruas, com conseqüências imprevisíveis.

Maduro assumiu como seu o mapa do caminho traçado em boa hora por Chávez, desmistificando o senso comum de que a Venezuela já é um país socialista, quando na verdade vive um processo de mudanças de caráter nacional e democrático.

Maduro tem resgatado uma importante declaração de Chávez, feita recentemente quando apresentou o programa de “Gestão Bolivariana Socialista”:
“Não nos iludamos: a formação sócio-econômica que ainda prevalece na Venezuela é de caráter capitalista. O socialismo apenas começou a implantar seu próprio dinamismo interno entre nós. Esse programa é precisamente para garanti-lo e aprofundá-lo, direcionando para uma radical supressão da lógica do capital, que deve ir avançando passo a passo, mas sem diminuir o ritmo de avanço ao socialismo”.

Mas a unidade do chavismo pós Chávez, sobretudo entre os dirigentes e o entorno do PSUV, só poderá ser conhecida após a eleição de Maduro, que também terá testada sua capacidade de neutralizar a “boliburguesia” e de manter o respaldo das forças armadas, hoje majoritariamente progressistas e nacionalistas, em função do trabalho e do exemplo de Chávez.

Outra questão decisiva será o debate proposto a Maduro pelo Partido Comunista de Venezuela, quando o atual Presidente honrou o partido com sua presença na Conferência Política Nacional do PCV: o que é socialismo, esta palavra banalizada em todo o mundo? E o que se entende por socialismo na Venezuela, no século XXI?

Um dos maiores desafios de Maduro continuará sendo aquele que Chávez não venceu: a industrialização da Venezuela, para que deixe de ser apenas uma economia rentista petroleira, promovendo a substituição de importações. É preocupante pensar que os programas sociais bolivarianos são financiados pelo rendimento do petróleo, 96% dos ingressos do país.

Por outro lado, o maior patrimônio deixado por Chávez para o avanço do processo é a conscientização do povo venezuelano, que descobriu sua força, sua história, sua cultura, seus direitos; descobriu-se antiimperialista e latino-americano.

Mas é preciso refletir que a ausência de Chávez poderá ser mais sentida no tabuleiro internacional. Maduro terá que se superar para, além de resolver os problemas internos, manter o protagonismo da Venezuela na América Latina e no mundo: a relação fraterna com Cuba, os projetos de integração soberana e solidária (como Alba e Petrocaribe), a solidariedade aos povos agredidos e ameaçados pelo imperialismo.

Além disso, é preciso lembrar que, como na máxima de Garrincha sobre o jogo de futebol, na luta de classes o outro lado também joga!

Na Venezuela, além da nova burguesia nativa, surgida a partir da própria natureza do processo, a velha oligarquia que foi implacácel contra Chávez vai mostrar seus dentes bem tratados desta vez com sorrisos cínicos. Acabou seu discurso único: o ódio a Chávez.

Essa velha oligarquia vai se repaginar, renovar seu discurso, suas lideranças. A primeira coisa é livrar-se de Capriles após as eleições, para não se confundir com sua derrota certamente acachapante e seu discurso de agitador de direita, sem o charme discreto da burguesia, sem programa, sem propostas.

Provavelmente os políticos profissionais da oligarquia vão tentar se aproximar do novo governo, influenciar seus setores mais vacilantes, com a conversa mole de um pacto social, uma união nacional. O experiente partido conservador COPEI já fez seu primeiro gesto, ignorando Capriles e legitimando com sua presença o recente ato de juramentação de Maduro pela Assembléia Nacional. Obama vem dando os mesmos sinais, saudando o “início de uma nova era nas relações EUA-Venezuela”!

O imperialismo vai procurar aproveitar-se da ausência de Chávez para tentar desestabilizar os processos de mudança na Bolívia e no Equador e fragilizar o socialismo cubano. O novo Papa Francisco será uma peça fundamental nessa empreitada, tentando roubar a cena com seu discurso de pai dos pobres.

O governo de turno do estado burguês brasileiro já se mexe com a competência de sempre. Deixando evidente sua frieza na posse de Maduro e no funeral de Chávez, vai jogar todas as suas fichas para tornar o Mercosul a única integração econômica latino-americana, sob sua hegemonia, com o esvaziamento da Alba e do Pacto do Pacífico (México, Colômbia, Peru e Chile) e a volta do Paraguai.

Até Santos - o presidente da Colômbia que finge que não foi o Ministro da Defesa de Uribe - vai participar desse jogo. Passeou sua cara de pau pelo velório de Chávez, como se tivesse perdido um grande amigo. Tem um olho no mercado interno venezuelano e outro em procurar parceiros para tentar impor à insurgência colombiana uma paz dos cemitérios.

A garantia de manutenção e avanço do processo de mudanças na Venezuela e de seu protagonismo antiimperialista no cenário mundial dependerá em muita medida da fidelidade de Maduro ao chavismo pós Chávez, mas será decidido pela luta dos trabalhadores e proletários desse querido país.

* Ivan Pinheiro é Secretário Geral do PCB