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24 de agosto de 2009

Colômbia: A política de segurança democrática não é de segurança nem é democrática; é de guerra. - Por: Lilia Solano


ALAI AMLATINA, 13/08/2009.- A preocupação com a segurança é uma velha cartada que se dá na Colômbia para defender interesses e projetos, o investimento multinacional e o agora chamado "livre mercado".

Esta estratégia militar de guerra tem no coração um plano bélico contra os movimentos sociais e a insurgência, e mantém um fio condutor com antigas agendas de guerra contra o povo - como foi o "Plan Lazo", desenhado em 1964 para alcançar a então dita pacificação do país; assim como o "Plan Andes", que em 1968 defendeu a guerra contra a guerrilha; ou o "Manual Provisório para o Planejamento da Segurança Nacional" (1974); a "Estratégia Nacional" contra a Violência de Cesar Gaviria (1991); e ainda o "Plan Colombia" de Andrés Pastrana, que permitiu uma enorme influência militar estadunidense (1998), com um investimento militar de milhões de dólares.

Em 2002, junto com Álvaro Uribe, chega o programa militar da chamada "segurança democrática", incluído o que chamaram de "guerra total", que combina a doutrina da guerra de baixa intensidade com estratégias de guerra convencional; concepções militares baseadas em manobras massivas de artilharia, armamento blindado, grandes concentrações de tropas e organização do exército em corpos, divisões, brigadas, batalhões e outra vez o uso da população civil.

Quer dizer, o que cobre o manto da "segurança democrática" é outro capítulo da guerra que nos impuseram historicamente, uma política aparentemente exitosa porque tem as seguintes conquistas que a sustentam e os resultados que a justificam:

* Firma um modelo de governo criminoso, que se apóia nas forças armadas, nos paramilitares e nos narcotraficantes, pois lhes entrega o comando dos organismos de controle, administração, justiça, embaixadas, funcionalismo público etc.

* Protege os interesses das multinacionais europeias e estadunidenses, os negócios dos grupos empresariais locais, os mega-projetos e oferece Tratados de Livre Comércio.

* Converte os massacres do Estado em falsos positivos e promove os deslocamentos em massa, violência sexual, torturas e desaparecimentos, transformados em troféus da segurança democrática.

* Despreza o acordo humanitário, a saída política negociada ao conflito armado e rechaça a paz, a soberania, a autonomia e a integração da América Latina.

* Condena líderes à detenção arbitrária e os encarcera; viola seus processos e os princípios jurídicos, como a presunção de inocência, a investigação imparcial, o direito de defesa e o julgamento justo.

* Ignora obrigações relativas à promoção e à proteção dos direitos humanos, os quais viola com absoluta impunidade.

* Criminaliza as organizações camponesas, indígenas e afrocolombianas, estudantes, representantes de movimentos populares e sociais, feministas e militantes da oposição que lhes são incômodos, aos quais chama de terroristas.

* Aprova leis como a do Desenvolvimento Rural, legalizando a contra-reforma agrária impulsionada pelo narcotráfico, o paramilitarismo e os latifundiários para por a terra a serviço do grande capital financeiro.

* Agride violentamente a meninas, mulheres, adolescentes e a população GLBT.

* Assegura polpudas recompensas e premia a quem assassina líderes sindicais.

* Provoca o êxodo de milhares de colombianos para diferentes lugares do mundo, fazendo com que muitos deles vivam em condições de desproteção e vulnerabilidade.

* Persegue intelectuais dedicados ao pensamento crítico e os chama "bloco de intelectuais da guerrilha".

* Ataca as organizações de Direitos Humanos e as desqualificam por considerá-las "agentes do terrorismo".

* Combate a liberdade de expressão, convertendo a maioria dos meios de comunicação em antenas repetidoras do discurso oficial.

* Justifica o não cumprimento dos Convênios e Tratados Internacionais para a defesa dos Direitos Humanos assinados pela Colômbia.

* Cataloga como terroristas os países da região que não estão a serviço dos interesses estadunidenses, e, portanto, considera que sua doutrina da segurança democrática pode ser extraterritorial.

* Impõe bases militares estadunidenses para contribuir com a desestabilização da região, com a pretensão de transformar a Colômbia em uma espécie de Israel, contra o resto dos povos irmãos.

* Apaga da memória coletiva a história oculta da repressão na Colômbia e aniquila a dignidade dos povos e seu esforço por construir uma verdadeira democracia.

O que vivemos na Colômbia não é política, nem é segurança, e muito menos democrática. É uma guerra de proporções gigantescas que, em nome da "luta contra o terrorismo", pretende fazer com que ignoremos a pobreza e a miséria crescentes, o desemprego, o rearmamento de grupos paramilitares e narcotraficantes, o deslocamento forçado em níveis absurdos, a parapolítica, a delinquência organizada, a privatização dos serviços públicos, as torturas do DAS [Departamento Administrativo de Segurança] ordenadas pelos governos do momento, os assassinatos de jovens pobres por parte do exército e da polícia, a corrupção do governo e, em geral, a decomposição de um estado dedicado à criminalidade.

* Lilia Solano é professora e pesquisadora colombiana.

Tradução de Roberta Moratori

10 de agosto de 2009

FORA IANQUES DA AMÉRICA LATINA! NÃO À INSTALAÇÃO DAS BASES MILITARES DOS EUA NA COLÔMBIA!


(Nota Política do PCB)


O Partido Comunista Brasileiro (PCB) vem a público repudiar a intenção do governo dos Estados Unidos, com o apoio e beneplácito do presidente fascista da Colômbia, Álvaro Uribe, de instalar bases militares em sete pontos do território colombiano. A estratégia, negociada secretamente entre os dois governos nos últimos meses e agora tornada pública, visa substituir a base de Manta, no Equador, até então o mais importante centro de operações dos EUA na região, depois da devolução do Canal do Panamá, em 1999.

O governo democrático e popular de Rafael Correa recusou-se a renovar a permanência dos militares estadunidenses em seu país, em respeito à decisão aprovada na reforma constitucional referendada pelo povo equatoriano em setembro de 2008. A atitude de Correa também foi uma resposta à ação terrorista contra as FARC, montada a partir da base de Manta, sob comando dos EUA e com apoio de Uribe, responsável pelo assassinato do dirigente revolucionário Raul Reyes.

A Colômbia passará a ser ocupada oficialmente pelos EUA através de sete bases militares, conforme anunciado pelo general James Jones, assessor de Segurança Nacional do presidente Barack Obama. Se depender do desejo de seu ditador de plantão, os colombianos perdem em definitivo a soberania de parte de seu território, oficializando, assim, a condição do país de mera base de operações e cabeça de ponte do imperialismo no hemisfério sul.

As bases militares, que serão usadas pelo Exército, a Marinha e a Aeronáutica dos EUA, servirão para que as forças armadas ianques, a partir do território colombiano, vigilância e controle militar e aéreo sobre os próprios colombianos e os povos da América Latina e do Caribe e, possivelmente, até sobre nações da África banhadas pelo Oceano Atlântico, que ficarão sob o poder de fogo da aviação norte-americana.

Há algumas semanas, o embaixador estadunidense na Colômbia, William Bronfield (cérebro da operação militar de dezembro de 1989, realizada para resgatar o ditador Noriega, aliado dos EUA no Panamá, à custa de cerca de dois mil civis mortos), confirmou tratar-se da transferência da base de Manta para a Colômbia. A subserviência do governo colombiano é tanta que um dos pontos do acordo prevê a total impunidade dos militares e civis estadunidenses perante a justiça local. No Equador, 300 norte-americanos jamais puderam ser julgados, mesmo tendo cometido delitos como roubos e homicídios.

O objetivo do plano é que as bases militares possam servir como ameaça permanente aos "perigosos" países vizinhos, como o Equador e a Venezuela, onde processos eleitorais associados a movimentos sociais marcados por intensa participação popular conduzem a importantes transformações socioeconômicas, responsáveis pelo enfrentamento à burguesia e pelo progressivo controle sobre o antes intocado poder do capital nestes países. As ações militares, mais uma vez sob o falso argumento de ampliar a guerra contra o narcotráfico e de atacar o "terrorismo" - isto é, as guerrilhas e as lutas das massas contra o capitalismo, serão dirigidas, centralmente, contra populações em toda a América Latina, do Pacífico ao Caribe.

Desde a década de 1980, em nome da pretensa guerra contra as drogas, os governos dos EUA financiam, treinam e armam tropas colombianas para o combate às guerrilhas formadas a partir da grande revolta popular de 1948, El Bogotazo (que desencadeou inúmeros conflitos sociais entre 1948 e 1953, período conhecido como La Violencia, quando morreram 180 mil colombianos). A estratégia de ocupação foi ampliada com o Plano Colômbia, em 2000, visando o combate às FARC, que passaram a dominar grande parte do território colombiano. Mas, fundamentalmente, aumentava-se a presença norte-americana em uma região de grande interesse geopolítico, por sua posição estratégica e pela riqueza em recursos minerais e energéticos, como petróleo, gás e carvão.

Está claro que a iniciativa do governo de Obama faz parte da política imperialista, que, em favor dos interesses das corporações e da indústria bélica estadunidense, mantém seus tentáculos mundo afora. A face moderada de Obama busca ofuscar a política do big stick. Mas a máscara começa a cair, pois o silêncio sobre o massacre israelense na Faixa de Gaza, o recrudescimento da guerra no Afeganistão, a manutenção da ocupação do Iraque, as ameaças veladas ao Irã e ao Paquistão, assim como o apoio ao golpe civil-militar em Honduras, demonstram que as ações do imperialismo, unindo os interesses econômicos das transnacionais à ameaça constante da guerra, continuam mais vivas que nunca. Na América do Sul, à reativação da IV Frota na costa sul-atlântica vem somar-se agora o projeto de instalação de bases militares na Colômbia.

O PCB repudia o acordo criminoso entre Obama e Uribe, denunciando a iniciativa como uma ameaça concreta à paz e à convivência fraterna entre os povos do nosso continente. Conclamamos as forças de esquerda, democráticas e populares em nosso país a prestar solidariedade ativa aos trabalhadores e movimentos sociais em luta em toda a América Latina e ao protesto organizado contra mais esta ação agressiva do imperialismo estadunidense.

PCB - Partido Comunista Brasileiro
Comitê Central
agosto de 2009

7 de agosto de 2009

EUA MOSTRA AS GARRAS PARA A AMAZONIA - O Partido Comunista Colombiano rechaça a presença militar estadunidense na Colômbia


A entrega de várias bases militares colombianas, por meio do tratado que o governo de Álvaro Uribe negocia com os Estados Unidos, implica o uso indiscriminado por parte de tropas, aviões e navios de guerra estadunidenses do território, do espaço aéreo e marítimo, em um ato de extrema gravidade que põe a Colômbia no lugar de peão principal do imperialismo no continente.

A entrega destas cinco bases militares é um ato deliberado e intencional que rompe a soberania nacional nos seus quatro pontos cardeais em benefício de propósitos e estratégias alheias aos direitos dos povos. É ademais um ato ilegal porque vai contra princípios constitucionais e não consulta o interesse nacional através dos órgãos do poder público e das instâncias sociais e políticas, que deviam discutir esta flagrante violação à dignidade do povo colombiano.

Por que o máximo segredo em torno desta tenebrosa negociação? Que mais escondem os militares estadunidenses e seus congêneres colombianos? É este o novo trato do governo estadunidense para o continente? O sigilo é mostra clara do nefasto conteúdo do acordo. Washington pretende converter a Colômbia em plataforma de ameaça e agressão contra os governos democráticos de esquerda, que têm obtido vitórias eleitorais e populares em todo o continente, com a vergonhosa cumplicidade de Uribe Vélez, empenhado em ganhar méritos diante de seus amos para legitimar sua segunda reeleição, à custa da prolongação indefinida do conflito contra insurgente.

O Partido Comunista Colombiano se pronuncia contra semelhante decisão, que comporta uma clara traição ao legado bolivariano, em plena comemoração dos duzentos anos do fim da submissão à Espanha. Ao mesmo tempo, chama ao conjunto do povo colombiano, sem distinções de nenhum tipo, a levantar-se com orgulho, dignidade patriótica e latinoamericanidade em rechaço ao golpe militar em Honduras, pela restituição do presidente Zelaya a seu cargo; em exigência de que o Estado colombiano renuncie a toda pretensão agressiva frente a outros Estados irmãos e à política de estender o conflito interno aos países vizinhos.

O Partido Comunista Colombiano apoia os protestos convocados para o dia 28 de julho em Bogotá. Exorta às forças sociais progressistas a levantarem a bandeira da unidade latinoamericana e a irmandade bolivariana como estandarte de uma nova política libertadora e democrática. Chama à maior convergência de forças em torno da busca da paz com justiça social, soberania, diálogo e acordos humanitários.

PARTIDO COMUNISTA COLOMBIANO

Integrante do Polo Democrático Alternativo

Bogotá, 27 de julho de 2009

31 de julho de 2009

A invasão militar gringa - por FARC-EP



1- A autorização presidencial para instalar cinco novas bases militares estado-unidenses no território colombiano é um acto de alta traição à pátria, uma afronta à dignidade e à memória de todos os mártires do exército libertador de Bolívar que deram a sua vida lutando contra o jugo do império colonial e pela independência.

2- Depois do rotundo fracasso do Plano Colômbia e do acrescido sentimento anticolonial que percorre a América Latina, não há dúvida que esta nova etapa da invasão gringa tem como objectivo principal a insurgência revolucionária, ao mesmo tempo que constitui uma cabeça de ponte de uma guerra – dirigida a partir de Washington – contra governos, países e povos irmãos que lutam consequentemente por um desenvolvimento soberano e pela integração latino-americana.

3- Os anúncios sobre a escalada da invasão norte-americana à Colômbia fazem-se em meio a novos escândalos de corrupção praticados pelo bando uribista a partir do Palácio Nariño, corrupções que envergonham o país perante o mundo e que encherão de raiva e indignidade as futuras gerações pelo seu ânimo sanguinário, pelo cinismo, pela avareza e pela impudência que caracterizam a máfia que hoje governa o país.

4- Como nova cortina de fumo e procurando agredir o senhor presidente do Equador, Rafael Correa, Washington e Bogotá manipularam um vídeo das FARC retirando o documento do seu contexto. Negamos categoricamente haver entregue dinheiro a qualquer campanha eleitoral de qualquer país vizinho.

5- A nossa decisão de luta por uma paz democrática e pela Nova Colômbia está mais alta do que nunca. O povo da Colômbia e de toda a América Latina e do Caribe saberá responder, como evidencia a nossa história, a esta nova agressão do império do norte e dos seus cipaios.

A Pátria respeita-se, fora ianques da Colômbia!

Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP

Montanhas da Colômbia, 25 de Julho de 2009

30 de julho de 2009

“JUSTA CAUSA” - Por: Laerte Braga [*]



Tente associar a figura do presidente golpista de Honduras Roberto Michelletti a de políticos brasileiros para que se possa ter uma idéia mais clara do que de fato acontece em Honduras. José Sarney? Fernando Henrique Cardoso? José Serra? Artur Virgílio? Tasso Jereissati? Aécio Neves? Onze entre dez senadores?

A soma de todos eles e mais alguma coisa de lambuja.

O poder de figuras como Michelletti se constrói nas perigosas relações entre grupos econômicos e políticos. Para que se compre o presidente do Senado José Sarney, ou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é preciso que haja um comprador. Um Ermírio de Moraes, um Daniel Dantas, etc. Um banco Itaú da vida.

Por exemplo. Os que “compraram” a VALE (foi doada). Ou os que contribuíram para a campanha da reeleição em 1998 – a Telefónica Espanhola –. Seja na campanha propriamente dita ou na compra de deputados e senadores para aprovar a reeleição.

O fim da União Soviética resultou na imposição de um modelo político e econômico único. Ditado a partir dos interesses do conglomerado de empresas, bancos e latifúndios que conhecemos como Estados Unidos. O formidável arsenal militar norte-americano garante e assegura esse modelo. São bases militares espalhadas pelo mundo inteiro para garantir a “paz”.

Quando a União Soviética invadiu o Afeganistão os norte-americanos financiaram Osama bin Laden e a guerrilha Talebã para combater os “invasores”. Osama bin Laden é de uma família saudita do ramo de petróleo e construção civil – empreiteiros – e o que existe de obra pública no Sudão, por exemplo, foi feito a partir do engenheiro civil Osama bin Laden. São sócios da família Bush no negócio do petróleo. Isso está revelado com todas as letras no documentário “O 11 de setembro” do diretor Michael Moore. Naquele dia o único avião a levantar vôo num aeroporto norte-americano foi para levar os bin Laden à Arábia Saudita. Estavam em visita de negócios aos EUA.

A ordem partiu diretamente do presidente George Bush.

Eleito presidente dos EUA em 1980 o ator Ronald Reagan iniciou uma aproximação com o ditador iraquiano Saddam Hussein e financiou em seguida a guerra Iraque versus Irã. Armas químicas e biológicas foram usadas num conflito que matou milhões de pessoas. O objetivo de Reagan era derrubar o que chamam de “regime dos aiatolás”, mas é a revolução popular islâmica.

Foi no governo de George Bush pai que o ditador do Iraque invadiu o Kwait como “prêmio” por sua “colaboração” com a “paz mundial”. E foram alguns meses depois que Bush percebeu que Saddam Hussein acumulara tal poder em petróleo – com o Kwait – que era necessário eliminar o já ex-aliado. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes assim o exigiam, tudo em nome dos negócios.

E foi assim que aconteceu a primeira guerra do golfo.

Esse tipo de política cínica, imperialista, é típica dos norte-americanos desde que foi proclamada a independência do país. Roubaram ao México a Califórnia e o Texas.

Intervenções militares norte-americanas na América Central foram e são rotina desde o século XIX. No século XX um presidente dos EUA, Theodore Sorensen Roosevelt, definiu essa política como sendo a do “big stik” – grande porrete –. Em países como Cuba, República Dominicana, Nicarágua, Honduras, El Salvador, associaram-se generais corruptos, empresários, latifundiários e a United Fruit tornou-se dona, literalmente, dos negócios. Associou-se às elites locais (bem remuneradas, vale dizer, bem compradas) e isso incorporava o crime organizado. Tráfico de drogas, mulheres, contrabando, jogo, toda a sorte de bandalheiras possíveis.

Se um ditador como Trujillo – República Dominicana – tinha delírios de faraó e mudava o nome da capital do seu país para Ciudad Trujillo e isso causava engulhos a alguns políticos norte-americanos, na hora de conferir o balanço os engulhos sumiam. Somoza, cuja família governou a Nicarágua por décadas, vendia a mãe na feira se significasse lucro.

Yes, nós temos banana. Um dos principais produtos de exportação desses países e tudo sob a batuta da United Fruit.

E nem estou falando no território ocupado de Porto Rico que, em manobra característica de imperialistas, agregaram aos EUA como se estado norte-americano fosse. O Panamá foi “inventado” no final do século XIX, início do século XX para que pudessem controlar o canal e assim melhorar os lucros nos negócios.

Parte arrancada da Colômbia.

Não era diferente na América do Sul. Financiavam ditaduras como a de Marco Perez Jimenez na Venezuela. Ou de Rojas Pinilla na Colômbia. Uma infinidade de ditadores na Bolívia, um general ou um coronel por semana, por dia. E mantinham governos ditos democráticos sob controle.

Ao longo de todo esse processo revoluções populares foram sendo esmagadas. Sandino, José Martí, Arbenz e outros. Quando Trujillo foi derrubado, logo inventaram Joaquim Balaguer, ministro do ditador. Nas primeiras eleições livres na República Dominicana venceu Juan Bosh. Como tratou de cuidar dos interesses de seu povo foi deposto pelos EUA. Na forma usual. A soma de generais corruptos com elites podres e malas de dinheiro, pronto, está aí o golpe.

Ao receber um relatório sobre direitos humanos no Brasil durante o governo do ditador Médice, o presidente Nixon disse que “lamentava”, mas “fazer o que, ele é um bom aliado”. Cinismo à potência máxima. A lógica dos negócios.

A revolução cubana foi um marco. Fidel Castro, Guevara, o início de uma nova época, uma nova etapa da luta popular na América Latina.

Em 1961 percebendo a ânsia dos povos latino-americanos de livrarem-se do jugo capitalista o presidente John Kennedy criou um programa chamado Aliança para o Progresso. A pretexto de combate à pobreza. Toneladas de leite em pó com esterilizadores foram distribuídos em países latino-americanos junto com agentes da CIA e convênios com a Agência Internacional de Desenvolvimento – USAID –, a substituição do porrete, da areia, pela vaselina.

Chegam aí, pela primeira vez à América do Sul pastores neopentecostais ligados ao líder “religioso” Billy Graham. Entram pelo Chile e começam a formar os “edir macedo” de hoje.

Todo um conjunto de grupos, fatos, todo um processo de dominação.

Manuel Noriega era um tenente-coronel do exército do Panamá que cismou de acrescentar aos ganhos normais (soldo, contribuição da CIA, etc, etc, propinas) o fantástico lucro do mundo do tráfico de drogas. Não afetou em nada os negócios com os EUA....

E, assim o foi até o dia que o escândalo explodiu na imprensa dos EUA e George Bush para abafar a cumplicidade nos negócios entre empresas norte-americanas e elites panamenhas, mandou invadir o Panamá, destituir o aliado Noriega, que ainda por cima cismara de nacionalizar o canal e prendê-lo.

“Operação Justa Causa”, em 1989. Milhares de civis panamenhos morreram durante as atrocidades cometidas por fuzileiros dos EUA. Noriega exilou-se na Nunciatura Apostólica – embaixada do Vaticano – e acabou entregue pelo núncio – embaixador – ao governo de Bush. Foi levado de avião para Miami, antes que pudesse abrir a boca e trancafiado numa cela. Condenado a trinta anos de prisão.

René Barrientos, Ovando Candia, generais bolivianos que enfrentaram a guerrilha liderada por Chê Guevara, eram notórios traficantes de drogas, mas aliados sustentados pelos EUA.

Todo o espectro de terror que varreu a América Latina nas décadas de 60, 70 e 80 do século passado, que pode ser sintetizado na Operação Condor, foi montado nos EUA.

Operação Condor foi a associação dos aparelhos repressores de países governados por generais a serviço dos EUA. Eufemismo para o assassinato de líderes de oposição como Orlando Letelier (chileno, ex-ministro de Allende). Carlos Pratt (general chileno que se opunha a Pinochet). Juan José Torres, ex-presidente da Bolívia que se opôs aos EUA. Um sem número de militantes de movimentos de luta contra as ditaduras nessa parte do mundo. Presos, torturados, assassinados, mulheres estupradas, famílias devastadas pela violência e boçalidade dos ditadores e seus esbirros, toda essa mancha sombria que cobre a nossa História e aqui, em nosso País, ainda permanece oculta e livres os torturadores.

A principal base de operações dos EUA na América Central é Honduras. O país chegou a ser ironicamente chamado de “porta-aviões norte-americano”.

A Colômbia se presta hoje a esse papel na América do Sul. A mesma lógica que levou Kennedy a criar a Aliança para o Progresso e permitiu a construção do processo golpista.

Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, é narcotraficante. A denúncia foi feita pelo próprio departamento de combate ao tráfico do governo dos EUA.

O fato de Uribe ter construído sua carreira política a soldo de Pablo Escobar, um dos maiores traficantes da América do Sul, não é empecilho para uma aliança com os norte-americanos, desde que os norte-americanos possam manter o controle dos negócios e possam montar políticas golpistas contra governos populares. O de Chávez, o de Evo Morales, o de Rafael Correa, o de Fernando Lugo. Ou manter o governo brasileiro de Lula dentro de limites aceitáveis para o império e com vergonhosa contribuição na presença militar do Brasil no Haiti.

E acima de tudo impedir que essa parte do mundo, a América Latina, forme um bloco político e econômico à revelia dos interesses de Wall Street/Washington, ganhe dignidade e nós, latino-americanos, tenhamos a nossa identidade estampada na nossa real liberdade a ser conquistada, como estão conquistando outros irmãos latinos.

Isso não interessa a Washington e pouco importa que seja Obama ou Bush, a política é a mesma variando apenas o estilo. No caso de Obama há outros aspectos a serem levados em conta. Mas isso é outra história.

Roberto Michelletti é um mafioso, filho de italianos, que construiu sua carreira política associado a elites hondurenhas. Existem aos montes aqui no Brasil. Uma espécie de Gilmar Mendes que se Daniel Dantas pedir as botas, lustra com a própria língua para agradar ao chefe e receber mimos maiores.

O presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya não é necessariamente um homem de esquerda. É um dono de terras, madeireiro, de um partido de centro-direita. Num determinado momento resolveu ouvir o povo de seu país sobre que rumos os hondurenhos queriam para Honduras e para eles.

Elites imaginam que povo seja aquela massa disforme, sem rosto, que apinha ônibus em direção às suas fábricas, às suas fazendas, na exploração brutal e violenta do trabalho escravo que assistimos a cada dia, a cada minuto, não importa que se possa comprar uma calça, ou um tênis de marca. Essa é uma das marcas da escravidão. O carimbo carimbado na testa das classes médias. O chicote nas costas dos trabalhadores e camponeses.

Ouvir o povo significa contrariar os negócios. Depuseram Zelaya. Comprar um general não é tão difícil assim. Boa parte se acha à venda no patriotismo canalha de sempre. O que não quer dizer que não existam militares decentes. A história está cheia de exemplos de gente assim, íntegra.

Mas transborda de canalhas.

Michelletti traz consigo a garantia às empresas norte-americanas, às elites hondurenhas, ao tráfico de drogas – foi apontado como financiado pelo tráfico em suas campanhas –, o tráfico de mulheres e a prostituição, o jogo, toda a sorte de negócios. E de quebra a bênção do cardeal hondurenho e o silêncio cúmplice de Bento XVI.

Foi só entregar a borduna a generais e seus comandados que o golpe estava desfechado e o povo hondurenho mantido sob o domínio dos senhores de terras, de empresas, de tudo o que significa lucro, ganho.

A condenação do presidente Obama ao golpe foi formal. Como se costuma dizer, para inglês ver. O cinismo logo desvelado na postura da secretária de Estado Hilary Clinton. Ou na ação de senadores e empresários norte-americanos. De traficantes de Miami.

Não contavam com a reação do povo hondurenho. Nem de longe imaginavam que os cidadãos estavam dispostos a resistir, como os venezuelanos resistiram ao golpe contra Chávez em 2002 e o recolocaram no governo, confirmando-o em sucessivas eleições e referendos.

Controlam a mídia, controlam a mente das pessoas, mas não conseguem controlar a incontrolável vontade de encontrar a dignidade nacional e construir um país, a nação, com o rosto e a marca de cada latino-americano, somos um povo só em muitos povos.

E o velho porrete. Prisões, tortura, estupros, assassinatos, o cinismo dos direitos humanos nas bombas atiradas de dentro de ambulâncias da Cruz Vermelha contra manifestantes pró-Zelaya.

Zelaya, Ortega, Chávez, todos simbolizam em maior ou menor escala, não importa, o ideal de luta de povos oprimidos e que muitas vezes nem se percebem assim, tamanhas as doses cavalares de colonização aplicadas em injeções diárias de redes de tevês como a GLOBO aqui, ou jornais como a FOLHA DE SÃO PAULO, ou revistas como a VEJA, em todo o processo de controle das informações. Não foi diferente em Honduras.

Você pode saber que o nariz de Michael Jackson está desaparecido. Você não pode saber que milhares de hondurenhos estão desaparecidos, muitos foram assassinados, mulheres estupradas, que milhares estão sem alimentos, sem água, sem medicamentos, mas resistem.

Não é uma ação isolada. É só o capitalismo em sua forma mais selvagem, vivendo uma de suas muitas crises. Que leva, por exemplo, mulheres espanholas a se prostituírem para manter em dia as contas das lojas nos shoppings. O modelo político e econômico não permite que as pessoas se deixem mostrar fracas, pois o capitalismo é o triunfo dos fortes, vale dizer, dos opressores.

Pouco importa que o primeiro-ministro da Itália seja Sílvio Berlusconi e que Berlusconi, um banqueiro, queira eleger prostitutas para o parlamento de seu país, para o parlamento europeu. Importa que Berlusconi siga à risca as regras do negócio.

O mal menor aí são as prostitutas. Ou prostitutas são figuras como Berlusconi. Como Obama. Como Michelletti. Como Sarney. Como FHC. Como Serra. Como Aécio. Como Jereissati. Existem em toda a América Latina.

Se Uribe se mantiver na linha, traficar seus “bagulhos” sem maiores atropelos, ou sem afetar os negócios, os bagulhos também são negócios, fica lá impávido defensor da democracia. Onde você acha que o dinheiro desses caras vai? Para os bancos deles, lógico.

Chamam isso de “operação justa causa”. No Iraque foi “justiça infinita”. No Afeganistão foi “liberdade duradoura”.

Matam hondurenhos, matam palestinos, matam colombianos, matam afegãos, matam iraquianos. Seqüestram, torturam, mantêm um campo de concentração em Guantánamo.

Imagine se não fosse “justa causa”.

[*] Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, trabalhou no Estado de Minas e no Diário Mercantil.

29 de julho de 2009

Estados Unidos aceleram a fase militar do Plano Colômbia - Por: Marco A. Gandásegui hijo


ALAI AMLATINA, 22/07/2009 - Informes indicam que antes do fim do mês os Estados Unidos farão um acordo com o governo colombiano mediante o qual se distribuirão tropas estadunidenses em, pelo menos, sete bases do país andino. O ministro de Defesa, o general Freddy Padilla, anunciou que o acordo terá uma duração inicial de 10 anos. A principal instalação militar é Palanquero, a apenas cem quilômetros de Bogotá, às margens do rio Magdalena. As tropas estadunidenses também operarão desde a base de Apiay nas planícies orientais da Colômbia assim como em Barranquilla, na base Alberto Puowels, na costa do Caribe.

O acordo militar entre os dois países inclui visitas de navios de guerra estadunidenses aos portos de Málaga, no Pacífico, e a Cartagena, no Caribe. Os líderes militares colombianos dizem que os novos acertos permitirão aos Estados Unidos recolocar a base que opera em Manta, instalada no norte do Equador. Washington tem um total de 220 efetivos que faziam oito voos diários. Manta tem servido para identificar barcos e aviões sobre o espaço aéreo da Colômbia e outros países da região.

O acordo, que permitirá aos Estados Unidos ocupar a Colômbia por dez anos, também estenderia o pacto atual para aumentar a presença de até 1400 soldados e assessores militares estadunidenses em território colombiano.

A base de Palanquero se abriu a operações estadunidenses em abril de 2008. Em 1998 um helicóptero que operava desde Palanquero bombardeou uma comunidade ao norte de Bogotá matando 17 pessoas. O incidente foi encoberto até que os grupos de defesa dos direitos humanos obrigaram o governo colombiano a admitir a responsabilidade das Forças Armadas no massacre.

Na capital estadunidense o Congresso está a ponto de aprovar o investimento de 46 milhões de dólares na ampliação de Palanquero. Atualmente Palanquero conta com uma pista aérea de 3500 metros de longitude, dois hangares, e aloja a divisão mais importante da Força Aérea colombiana.

A embaixada dos Estados Unidos em Bogotá nega-se a fazer declarações. O embaixador William Brownfield apontou há pouco que os Estados Unidos não investiriam na construção de novas bases. Ao contrário, disse, seu país somente fará uso e modernizará as instalações já existentes na Colômbia. Brownfield era embaixador dos Estados Unidos na Venezuela em 2002 quando a conspiração para derrubar o presidente Hugo Chávez fracassou. Washington não negou sua participação nesse golpe frustrado pelo povo venezuelano.

A Colômbia atualmente é o país mais comprometido com as políticas estadunidense de "contenção" na América do Sul. Seus vizinhos imediatos, Venezuela e Equador, têm sido objeto de constantes provocações tanto por Bogotá como por Washington. O aumento significativo de militares estadunidenses na Colômbia criará ainda mais tensões entre os países da região com Bogotá. Segundo declarações de um militar colombiano a uma agência de notícias dos Estados Unidos, o Pentágono (Departamento de Defesa) pretende converter a Colômbia em um "centro de operações" para suas operações militares. Os que se opõem no Congresso dos Estados Unidos à ampliação da presença de seu país na Colômbia estão preocupados pelos efeitos que terá esta política intervencionista na região. Ademais, aos Estados Unidos não convêm, dizem, comprometer-se mais nos conflitos internos da Colômbia.

O cenário colombiano se assemelha muito ao Vietnã de 40 anos atrás, quando os Estados Unidos enviaram tropas a esse país para logo depois atacarem aos países vizinhos da Indochina (Laos e Camboja). Neste caso os Estados Unidos poderiam estar pensando na Venezuela e Equador, aproveitando para repetir uma invasão-castigo feita ao Panamá.

Apesar do hermetismo, o documento oficial do Pentágono, "Estratégia para uma rota global" oferece algumas pistas sobre as intenções dos Estados Unidos. O documento foi apresentado em abril de 2009 na base aérea de Maxwell, no Alabama, Estados Unidos. O documento diz que Palanquero pode servir como uma "base para a segurança cooperativa" de onde se poderiam "executar operações móveis". Em outras palavras, se converteria em uma plataforma para realizar operações militares na região. Segundo o mesmo documento, "a metade do continente pode ser coberto desde Palanquero por um transporte militar C-17 sem ter que reabastecer-se".

Tanto o senador opositor colombiano, Gustavo Petro, que qualificou este plano como "uma violação da soberania", como o candidato à Presidência, Rafael Pardo, se opõem aos planos de Bogotá e Washington. Pardo, que está em campanha para as eleições de 2010, se queixa do segredo e da natureza provocativa de uma presença militar dos Estados Unidos na Colômbia. Segundo Petro, "o que busca o acordo é ter tropas estadunidenses na Colômbia. Um país soberano deve respeitar-se pelo fato de que só as tropas colombianas são as que têm direito de estar na Colômbia".

O chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, que viajou a Washington para defender o projeto em uma Comissão do Senado desse país, assegurou que as operações militares dos Estados Unidos não penetrariam o território de outros países sem a permissão correspondente. "Se trata de um acordo entre Bogotá e Washington que cobre somente o território colombiano". O presidente colombiano, Alvaro Uribe, tem declarado muitas vezes que suas tropas cruzariam todas as fronteiras para defender seu país. Assim o tem feito em múltiplas ocasiões na Venezuela, Equador e Panamá. As declarações de Bermúdez parecem não coincidir com a história recente de agressões colombianas aos países vizinhos.

Atualmente os Estados Unidos mantêm algo em torno de 600 efetivos e assessores militares na Colômbia. Os "auxiliares" estadunidenses estão incrustados nas divisões do Exército colombiano, têm seus próprios escritórios e têm treinado a milhares de oficiais desde 2000.

- Marco A. Gandásegui, hijo, é docente da Universidade do Panamá e investigador associado do Centro de Estudos Latinoamericanos (CELA) Justo Arosemena.

Original em http://marcoagandasegui.blogspot.com
Maiores informações: http://alainet.org

(traduzido por Roberta Moratori)